Eduardo Fernando Chaves: Projetista
Denominação inicial: Projecto de casa para Snra. Maria Trevisani
Denominação atual:
Categoria (Uso): Residência
Subcategoria: Residência Econômica
Endereço: Rua Bandeirantes
Número de pavimentos: 1
Área do pavimento: 70,00 m²
Área Total: 70,00 m²
Técnica/Material Construtivo: Madeira
Data do Projeto Arquitetônico: 07/12/1926
Alvará de Construção: Nº 5316/1926
Descrição: Projeto Arquitetônico para construção de uma casa de madeira.
Situação em 2012: Demolido
Imagens
1 - Projeto Arquitetônico.
Referências:
1 - GASTÃO CHAVES & CIA. Projecto de casa para Snra. Maria Trevisani à Rua Bandeirantes. Plantas do pavimento térreo e de implantação, corte e fachada frontal apresentados em uma prancha. Microfilme digitalizado.
1 - Projeto Arquitetônico.
Acervo: Arquivo Público Municipal de Curitiba.
Maria Trevisani e Sua Casa de Madeira na Rua Bandeirantes: Um Retrato da Moradia Econômica em Curitiba nos Anos 1920
Em 7 de dezembro de 1926, em meio ao fervor do crescimento urbano de Curitiba, foi registrado um pequeno, porém significativo, ato de construção civil: o projeto arquitetônico de uma residência de madeira para a senhora Maria Trevisani, localizada na Rua Bandeirantes. Assinado pelo projetista Eduardo Fernando Chaves, vinculado à firma Gastão Chaves & Cia., o documento revela mais do que linhas e medidas — revela um modo de viver, uma classe social emergente e uma cidade em transformação.
Uma Casa Simples, Uma História Profunda
Com apenas um pavimento e 70 metros quadrados, a residência projetada para Maria Trevisani enquadra-se na categoria de “Residência Econômica” — uma tipologia que respondeu às necessidades habitacionais de uma população urbana em expansão, composta em grande parte por trabalhadores, pequenos comerciantes e imigrantes. Feita inteiramente de madeira, material abundante e acessível na época, a casa representava o ideal de dignidade, praticidade e pertencimento para famílias de classe média-baixa em Curitiba.
O projeto, registrado sob o Alvará de Construção nº 5316/1926, incluía plantas detalhadas do pavimento térreo, implantação no terreno, corte e fachada frontal — tudo disposto em uma única prancha, como era comum na prática arquitetônica da época. A simplicidade do desenho não diminui seu valor histórico; ao contrário, ela é precisamente o que a torna representativa de um momento decisivo na urbanização da capital paranaense.
Maria Trevisani: A Mulher por Trás da Fachada
Embora os arquivos públicos não revelem muito sobre sua vida pessoal — origem, profissão, família — o fato de Maria Trevisani ter encomendado uma casa em seu próprio nome, em 1926, já é um testemunho de autonomia. Naquele contexto, era incomum — ainda que não impossível — que mulheres fossem titulares de propriedade ou responsáveis por empreendimentos construtivos. Seu nome gravado no alvará e no título do projeto ("Projecto de casa para Snra. Maria Trevisani") a coloca não apenas como moradora, mas como agente ativa na configuração do espaço urbano.
Sua escolha pela Gastão Chaves & Cia., escritório conhecido por projetos acessíveis e bem resolvidos, sugere discernimento e cuidado. Eduardo Fernando Chaves, o projetista, atuava com sensibilidade às limitações orçamentárias sem abdicar da funcionalidade — cada cômodo, cada janela, cada varanda projetada servia a um propósito claro: abrigar com decência.
O Desaparecimento Físico, a Permanência Simbólica
Infelizmente, a casa foi demolida antes de 2012, como registram os levantamentos patrimoniais da cidade. Hoje, nada resta da estrutura de madeira que um dia abrigou os sonhos, as refeições, os silêncios e as conversas de Maria Trevisani e, possivelmente, de sua família. Mas o projeto original, felizmente preservado em microfilme digitalizado no Arquivo Público Municipal de Curitiba, permite que sua memória sobreviva.
Mais do que um documento técnico, esse projeto é um documento humano. Ele nos lembra que, antes das ruas asfaltadas, dos prédios verticais e dos condomínios fechados, Curitiba foi feita de casas modestas, sonhos individuais e pessoas como Maria Trevisani — cuja simples existência contribuiu para a tessitura social da cidade.
Legado
A residência de Maria Trevisani pode não ter sido tombada, nem ter se tornado um museu, mas ela pertence à história cotidiana — essa que raramente aparece nos livros, mas que forma o verdadeiro alicerce de uma metrópole. Ao recuperar seu nome e sua casa, honramos todas as Marias cujas vidas simples moldaram, tijolo por tijolo, a Curitiba que conhecemos hoje.
“Uma cidade não se constrói apenas com cimento, mas com as vidas que nela habitam — mesmo que por pouco tempo.”
Ficha Técnica da Obra
- Proprietária: Maria Trevisani
- Projetista: Eduardo Fernando Chaves (Gastão Chaves & Cia.)
- Endereço: Rua Bandeirantes, Curitiba – PR
- Data do Projeto: 07/12/1926
- Alvará: nº 5316/1926
- Tipo: Residência Econômica
- Material: Madeira
- Área: 70,00 m² (térreo único)
- Situação em 2012: Demolida
- Documentação preservada: Arquivo Público Municipal de Curitiba (Microfilme digitalizado)

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