Francisco Dias de Siqueira foi sertanista, cabo na conquista e guerra contra os índios no Rio Grande e Ceará Grande no comando de Matias Cardoso de Almeida. Filho de Francisco Pires de Siqueira e Helena Dias, casado com Joana Correia, sua família é descrita por Silva Leme em sua «Genealogia Paulistana», volume II, página 41. Era apelidado o Apuçá.
Ele e outros cabos da conquista passaram à conquista do Piauí, quando terminou a guerra contra os índios na Bahia, e como capitão-mor, teve auxílio contra os índios das nações Precatez, Cupenhares, Curatez e Capapuruz, conquistados até 1701.
Capitão-mor desde 1º de fevereiro de 1677 com patente dada pelo Governo Geral porque reduzira à paz os índios guacupés e ananás dos confins do sertão do São Francisco, cabeceiras do rio Maranhão e rio de Paranaguá. Estabeleceu-se em terras do Piauí, mantendo um arraial com muitos tapuias cristãos frente às terras dos alongazes, entre os rios Sâo Vitor e Canindé, que era o eixo do povoamento do Piauí.
Em 1691
Em 23 de julho de 1691 o governador-geral D. Antônio Luís Gonçalves da Câmara Coutinho nomeou Francisco Dias de Siqueira tenente-coronel das minas «de ouro, prata, pedraria e pérolas que há na serra e lagoas pelos sertões interiores do Rio Grande, Ceará e confins do Maranhão. » Como imediato do coronel, seu sobrinho o coronel João Raposo Bocarro. A frente de uma tropa, varou os sertões indo 1692 até São Luis.
Em carta datada de 19 de julho de 1692 o mesmo governador escreve ao rei sobre as extorsões que cometera Francisco nas aldeias de índios reduzidos no Maranhão: «Os paulistas saem de sua terra e deitam várias tropas por todo o sertão e nenhum outro intento levam mais que cativarem o gentio da língua geral, que são os que já estão domesticados, e não se ocupam do gentio de corso porque lhes não servem para nada; assim que o intento destes homens não é o serviço de Deus nem o de Vossa Majestade e com pretextos falsos, passam de uns governos para outros e se lhes não fazem mostrar as Ordens que levam. Enganam aos governadores, como este capitão Francisco Dias de Siqueira fez ao governador do Maranhão Antônio Albuquerque Coelho de Carvalho, dizendo-lhe que ia a descobrir aquele sertão por minha ordem, que tal não houve nem tal homem conheço, e com este engano pedem mantimentos, armas e socorro e depois com elas vão conquistar o gentio manso das aldeias e o gado dos currais dos moradores. Com que estes homens são uns ladrões destes sertões e é impossível o remédio de os castigar, porque se os colherem, mereciam fazer-se neles uma tal demonstração que ficasse por exemplo para se não atreverem a fazer os desmandos que fazem. Assim que me parece inútil persuadi-los a que façam serviço a Vossa Majestade porque são incapazes e vassalos que Vossa Majestade tem rebeldes, assim em São Paulo, onde são moradores, como no sertão, donde vivem o mais do tempo; e nenhuma Ordem do governo geral guardam, nem as leis de Vossa Majestade.»
Uma carta real de 2 de novembro de 1693 ordena, em resposta à carta de 19 de julho, anteriormente citada, que os oficiais da Câmara de São Paulo reprendessem severamente o Apuçá. Mas este, havendo baixado à Bahia, morrera, deixando uma filha única e enorme fortuna que, segundo conta Pedro Taques, foi remetida a Lisboa, ao Tribunal da Mesa da Consciência e Ordens. Silva Leme conta a história no volume II de sua «Genealogia Paulistana», página 41.
Francisco Dias de Siqueira, "O Apuçá": Sertanista, Conquistador e o Furacão Paulista dos Sertões do Norte
Francisco Dias de Siqueira, amplamente conhecido pelo alcunha de "O Apuçá", foi um dos mais destacados, controversos e temidos sertanistas do período colonial brasileiro. Nascido no seio de uma tradicional família paulista — filho de Francisco Pires de Siqueira e Helena Dias, e casado com Joana Correia —, a sua linhagem e trajetória vêm imortalizadas na célebre obra Genealogia Paulistana (Volume II, página 41), de Luiz Gonzaga da Silva Leme.
As Primeiras Campanhas: A Guerra aos Índios e o Domínio do Norte
A carreira de Siqueira moldou-se no calor das chamadas "guerras de conquista" contra as populações indígenas, servindo como cabo sob o comando de figuras centrais do bandeirantismo paulista, como Matias Cardoso de Almeida. Atuou de forma proeminente nas campanhas contra os índios no Rio Grande do Norte e no Ceará Grande.
O seu perfil de comando e capacidade de submeter o gentio valeram-lhe o reconhecimento oficial da Coroa. A 1 de fevereiro de 1677, recebeu a patente de capitão-mor emitida pelo Governo-Geral, em virtude de ter conseguido pacificar os índios guacupés e ananás, localizados nos confins do sertão do São Francisco, nas cabeceiras do rio Maranhão e na região de Paranaguá.
Com o arrefecimento dos conflitos na Bahia, Siqueira e outros cabos da conquista rumaram ao território do Piauí. Estabeleceu-se na região mantendo um arraial fortificado guarnecido por numerosos tapuias cristãos, posicionado estrategicamente entre os rios São Vítor e Canindé — eixo nevrálgico do povoamento inicial piauiense —, de onde combateu e subjugou nações indígenas como os Precatez, Cupenhares, Curatez e Capapuruz, campanhas que se estenderam até cerca de 1701.
A Expedição de 1691-1692 e o Conflito com o Governo-Geral
A ambição de Siqueira expandiu-se para além do Piauí quando, a 23 de julho de 1691, o governador-geral D. Antônio Luís Gonçalves da Câmara Coutinho o nomeou tenente-coronel das minas de "ouro, prata, pedraria e pérolas" na vasta zona que abrangia a serra e as lagoas dos sertões interiores do Rio Grande, Ceará e os confins do Maranhão. Tinha como imediato o seu sobrinho, o coronel João Raposo Bocarro. À frente de uma tropa aguerrida, Siqueira varreu os sertões, alcançando São Luís em 1692.
No entanto, o avanço destas tropas paulistas gerou um profundo conflito político e institucional. Em carta datada de 19 de julho de 1692, o governador-geral endereçou duras críticas ao rei de Portugal, denunciando os abusos, extorsões e desmandos cometidos por Francisco Dias de Siqueira e pelos seus homens nas aldeias de índios já reduzidos e pacificados no Maranhão:
«Os paulistas saem de sua terra e deitam várias tropas por todo o sertão e nenhum outro intento levam mais que cativarem o gentio da língua geral, que são os que já estão domesticados [...] O intento destes homens não é o serviço de Deus nem o de Vossa Majestade e com pretextos falsos, passam de uns governos para outros [...] Enganam aos governadores, como este capitão Francisco Dias de Siqueira fez ao governador do Maranhão Antônio Albuquerque Coelho de Carvalho, dizendo-lhe que ia a descobrir aquele sertão por minha ordem [...] e depois com elas vão conquistar o gentio manso das aldeias e o gado dos currais dos moradores. Com que estes homens são uns ladrões destes sertões [...] vassalos que Vossa Majestade tem rebeldes, assim em São Paulo [...] como no sertão.»
O Desfecho e o Legado
A reação da metrópole não se fez esperar. Através de uma carta real de 2 de novembro de 1693, a Coroa ordenou que os oficiais da Câmara de São Paulo aplicassem uma repreensão severa ao Apuçá.
Contudo, a justiça do reino chegou tarde demais para o ambicioso sertanista. Antes que a punição pudesse ser plenamente executada, Siqueira havia descido para a Bahia, onde veio a falecer. Deixou uma filha única e uma fortuna colossal acumulada ao longo de anos de exploração e conquista no sertão. Segundo o cronista colonial Pedro Taques de Almeida Pais Leme, o imenso espólio financeiro e os bens acumulados pelo Apuçá foram remetidos para Lisboa, ficando sob a jurisdição do Tribunal da Mesa da Consciência e Ordens, um detalhe também corroborado por Silva Leme na sua monumental obra genealógica.
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