| Dias Velho | |
|---|---|
Estátua de Francisco Dias Velho em Florianópolis | |
| Conhecido(a) por | fundador da cidade de Florianópolis, SC |
| Nascimento | |
| Morte | |
| Nacionalidade | brasileiro |
| Ocupação | bandeirante |
| Religião | católica |
Francisco Dias Velho (São Vicente, ca. 1622 — Nossa Senhora do Desterro, 1687), bandeirante paulista, colonizador e capitão-mor da ilha de Nossa Senhora do Desterro. Foi o fundador do povoado de Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis.
Juventude
O pouco que se sabe de sua juventude vem do historiador Silva Leme, que diz ser Dias Velho filho do bandeirante Francisco Dias e de Custódia Gonçalves, nascido na vila de São Vicente, capitania de São Vicente. Casou-se em São Paulo com Maria Pires Fernandes, filha do capitão Salvador Pires de Medeiros, com quem teve 12 filhos.[1]
Bandeiras
Seu pai participou de diversas bandeiras com o intuito de escravizar os índios, encontrar ouro e pedras preciosas, sendo desbravador do sertão dos Patos e do vale do Rio São Francisco para o Sul, até o Rio Grande de São Pedro. Dias Velho, em sua juventude, tendo acompanhado seu pai na entrada que fez ao sertão dos Patos, dizimando, aprisionando e escravizando indígenas ao longo da costa meridional brasileira.
Colonizador e Capitão-mor
Quando, em 1640, Portugal obteve novamente sua independência, tratou de estimular o povoamento da costa sul do Brasil para garantir a posse pacífica daquela parte do reino. Neste período passou a se formar um novo tipo de bandeiras, as "Bandeiras Colonizadoras", cujo objetivo já não era o de ir para voltar com as mãos cheias de ouro, mas a de ir para colonizar e estabelecer novos centros de civilização. Em 1673, Dias Velho enviou seu filho José Pires Monteiro com uma centena de homens para fazer povoação no melhor lugar que descobrisse na costa de Santa Catarina, sendo que encontrou excelente lugar em uma grande ilha daquelas paragens. Dois anos depois, Dias Velho, junto com a esposa, três filhas e dois filhos, outra família agregada, mais dois padres jesuítas e quinhentos índios escravizados, aportou na ilha no dia de Santa Catarina batizando a mesma com o nome da santa (há controvérsias sobre esta versão entre os historiadores) e fundou o povoado de Nossa Senhora de Desterro, hoje Florianópolis. Construiu ali, uma capela em homenagem à padroeira, no mesmo local onde hoje se encontra a Catedral Metropolitana de Florianópolis. Deu início à construção de casas e ao plantio de novas culturas, solicitando a posse das terras em 1679.
Piratas
Em 1686, desembarcou na praia de Canasvieiras (norte da ilha) um navio vindo do Peru, trazendo grande quantidade de prata. Alguns historiadores contestam o comando, se do inglês Robert Lewis ou seu conterraneo Thomas Frins. O fato é que a embarcação aportou na ilha, pensando estar deserta, desembarcando com tranquilidade parte do carregamento. Avisado, Dias Velho armou-se com seus homens e, na surdina, atacou e afugentou os saqueadores que acabaram deixando parte da prata na praia. Alguns historiadores defendem a tese de que Dias Velho e seus companheiros capturaram os invasores e que a prata fora mandada para Santos. Em 1687, um ano após o fato ocorrido, aportou na ilha, na praia de fora (hoje Beira-mar Norte), um navio pirata, preparado para atacar o povoado. Sem perda de tempo, Dias Velho com seus homens, armados com mosquetes e flechas, contra-atacaram os piratas que voltaram ao navio e lançaram-se em fuga para o mar. Inesperadamente, de madrugada, quando todos descansavam e despreocupados com o ocorrido, eis que a população do povoado é rendida, salvo aqueles que puderam fugir entre as matas. Como líder da comunidade, Dias Velho, foi levado a capela de Nossa Senhora do Desterro e lá brutalmente assassinado com um tiro na cabeça. Como se não bastasse, sua filhas foram violentadas e o povoado bastante danificado com a destruição de várias palhoças e canoas. Alguns historiadores defendem que estes piratas vieram à ilha na esperança de vingarem a humilhação pelo fato ocorrido ano anterior e recuperar a prata guardada na capela. Morto, Dias Velho foi sepultado ao lado da capela que construiu. Não durou muito e a grande maioria deixou o povoado voltando para São Vicente ou foram com o filho de Dias Velho, José Pires Monteiro, para Laguna.
A morte de Dias Velho na versão do historiador Pedro Taques de Almeida Pais Leme:
“Dentro da mesma ilha em 1687 entrou um patacho inglês de arribada, cujo capitão era Thomaz Frins e pirata; o capitão-mor Francisco Dias Velho foi a bordo, prendeu este capitão e os demais ingleses, e baldeou para a terra por inventário todo o cabedal que lhe achou, e os remeteu presos a sua custa à vila de Santos, onde se achava então, de correição o Dr. ouvidor geral da repartição do sul, Tomé de Almeida e Oliveira. Procedeu este ministro a ato de perguntas com o capitão inglês por intermédio do intérprete Lourenço Pereira Veneziano, com a presença do procurador da coroa Diogo Ayres de Aguirre, a 26 de fevereiro de 1688. Constou, pela confissão do dito capitão inglês, que da Inglaterra tinha saído em uma frota de navios pequenos para Panamá de Porto Belo com 900 homens, e andaram feito piratas em terras da coroa de Castela, sendo seu general Sal ao qual perdera de vista no porto de Callao de Lima, e não descobrira mais, nem a outros navios da sua conduta de seis meses a que o procurara; que na barra da ponta em altura de 5 graus tivera encontro com castelhanos que lhe mataram muitos homens, por cujo destroço os ingleses em vingança da rota lhes deram vários assaltos de pilhagem, até que em um assalto no lugar de Porto Santo ficaram destruídos os ingleses em altura de 9 graus da costa do Sul, ficando só ele capitão com 7 homens em seu navio, com falta de água, para cujo remédio e concerto de sua embarcação destroçada tinha tomado o porto de Sta. Catarina, onde fora preso pelo capitão-mor Francisco Dias Velho, o qual lhe havia mandado inventariar toda a fazenda que se achava em dito navio, que constava do mesmo inventário que havia remetido com ele capitão e seus companheiros. Este grande cabedal ficou à Real Fazenda, devido ao zelo do capitão-mor Francisco Dias Velho, cujo prêmio foi a morte que lhe deram os hereges, quando em 1692 voltaram sobre a mesma ilha, armados de força de gente, e lhe tiraram a vida dentro do próprio templo, como temos referido. Na mesma ilha de Santa Catarina prendeu um navio corsário que tinha roubado e saqueado a vila da Ilha Grande de Angra dos Reis, de cujo assalto tinham recolhido grosso cabedal, assim dos moradores como dos templos, tendo dantes feito estes piratas várias presas em embarcações da costa com grande cabedal, o que tudo assim melhor consta no cartório da provedoria de Fazenda Real de São Paulo, livro de registro n.º 4, tit. 1686, pág. 10” .[2]
Infelizmente, o documento que atesta a captura de Dias Velho se perdeu. Como nota, em Florianópolis é comum, baseado na tradição, apontar o pirata inglês como sendo Robert Lewis.
A revista História Viva[3] em uma de suas edições uma reportagem que narra a descoberta da embarcação de Frins naufragada na Praia dos Ingleses. Ainda sobre esse tema o autor Ernesto Reis, lançou pela editora Giostri uma narrativa dessa batalha em quadrinhos[4].
Piratas ou Corsários? Pelo que temos do historiador Pedro Taques, os ditos malfeitores seriam corsários, ou seja, possuíam carta de corso da rainha da Inglaterra que lhes davam permissão para aprisionar e saquear barcos espanhóis, visto Inglaterra e Espanha serem inimigas. Daí, explica-se, porque os mesmos foram soltos logo após os questionamentos, já que Portugal era aliado da Inglaterra. Já os piratas são malfeitores que agem por conta e atacavam qualquer embarcação independente do país de origem.
Referências
- Silva Leme, ‘’Genealogia Paulistana’’ volume VIII, página 25 (Título Dias)
- Pedro Taques em «Nobiliarquia Paulista», pág. 85
- «Um navio pirata em Florianópolis | História Viva | Duetto Editorial». www2.uol.com.br. Consultado em 22 de outubro de 2015
- «PIRATAS EM SANTA CATARINA : Giostri Editora». www.giostrieditora.com.br. Consultado em 22 de outubro de 2015
Francisco Dias Velho: O Bandeirante Fundador que Desbravou e Sangrou a Ilha de Santa Catarina
Francisco Dias Velho (São Vicente, c. 1622 — Nossa Senhora do Desterro, 1687) foi um proeminente bandeirante paulista, colonizador e capitão-mor, eternizado na história brasileira como o fundador do povoado de Nossa Senhora do Desterro, atual cidade de Florianópolis.
Juventude e Origens Familiar
Nascido na vila de São Vicente, na capitania homônima, Dias Velho era filho do bandeirante Francisco Dias e de Custódia Gonçalves. Conforme registram os cronistas da genealogia colonial, casou-se em São Paulo com Maria Pires Fernandes, filha do capitão Salvador Pires de Medeiros, união da qual nasceram doze filhos.
Na juventude, integrou as chamadas "bandeiras de aprisionamento", acompanhando o pai em incursões violentas pelo interior e pela costa meridional brasileira — desbravando o sertão dos Patos, o vale do Rio São Francisco e avançando para o sul até o Rio Grande de São Pedro. O objetivo primordial dessas expedições era a caça e escravização de populações indígenas, além da busca por metais preciosos.
A Fundação de Nossa Senhora do Desterro
Com a restauração da independência de Portugal em 1640, a Coroa portuguesa passou a incentivar energicamente o povoamento da costa sul do Brasil para assegurar a posse estratégica daquele território frente às pretensões espanholas. Numa nova fase do movimento bandeirante, as "Bandeiras Colonizadoras" substituíram o intuito puramente predatório pela fixação permanente de núcleos civis.
Em 1673, Dias Velho enviou o seu filho, José Pires Monteiro, à frente de uma centena de homens, para explorar e encontrar um local adequado para a povoação na costa catarinense. O grupo descobriu uma grande ilha de condições excecionais.
Dois anos depois, no dia dedicado a Santa Catarina, o próprio Dias Velho aportou na ilha acompanhado da esposa, de três filhas, dois filhos, uma família agregada, dois padres jesuítas e quinhentos índios escravizados. Ali fundou o povoado de Nossa Senhora do Desterro (batizando a ilha, segundo a tradição, em honra à santa do dia). No local, ergueu uma capela dedicada à padroeira — precisamente onde hoje se ergue a Catedral Metropolitana de Florianópolis —, iniciou a construção de habitações, implantou novas culturas agrícolas e, em 1679, requereu formalmente a sesmaria das terras.
O Confronto com os Piratas e o Tesouro de Prata
A prosperidade incipiente da colónia insular atraiu a cobiça de corsários e piratas que sulcavam o Atlântico Sul:
O Ataque de 1686: Um navio vindo do Peru, carregado com uma imensa quantidade de prata, aportou na praia de Canasvieiras, ao norte da ilha, acreditando que a região estava desabitada. Identificada a presença estrangeira, Dias Velho mobilizou os seus homens e atacou os saqueadores. Parte da prata foi abandonada na praia ou recuperada e enviada sob escolta para as autoridades em Santos.
A Vingança e Morte em 1687: Um ano após o embate, em 1687, uma embarcação hostil retornou à ilha, ancorando na Praia de Fora (atual região da Beira-Mar Norte). Num primeiro momento, Dias Velho e os colonos repeliram a investida com mosquetes e flechas, forçando os invasores a recuarem para o mar.
Contudo, na madrugada seguinte, enquanto a comunidade repousava despreocupada, os invasores desembarcaram de surpresa e tomaram o povoado. Dias Velho foi capturado e arrastado até à capela de Nossa Senhora do Desterro que ele próprio fundara, onde foi brutalmente assassinado com um tiro na cabeça. O povoado foi saqueado e parcialmente destruído, e as suas filhas violentadas.
A motivação central do ataque cruzou a geopolítica da época com a ganância puramente criminosa: recuperar o fabuloso tesouro de prata confiscado no ano anterior ou vingar a humilhação impuesta aos estrangeiros.
O Legado e o Impacto Histórico
Após o assassinato de Dias Velho e a devastação do povoado, o projeto colonial sofreu um duro revés. A grande maioria dos colonos abandonou a ilha, regressando a São Vicente ou acompanhando José Pires Monteiro rumo ao sul, fixando-se na região de Laguna.
Morto no interior do templo que construíra, Dias Velho foi sepultado ao lado da capela. A sua trajetória resume a dualidade violenta e fundadora do bandeirantismo quinhentista e seiscentista: de caçador de índios e braço armado da expansão territorial a pioneiro obstinado que fincou as bases civilizacionais no litoral catarinense, dando origem à capital do estado.
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