João Gonçalves da Costa (Chaves, Trás-os-Montes, 1731 — Fazenda Cachoeira, Bahia, 1820) foi um desbravador do Sertão da Bahia.[1]
História
João Gonçalves da Costa foi um português que fundou o Arraial da Conquista, do qual se originou a cidade de Vitória da Conquista no Estado da Bahia. Nasceu por volta do ano de 1731 na cidade de Chaves, alto Rio Tâmega em Trás-os-Montes, Portugal e com apenas dezesseis anos de idade veio para o Brasil. No início da sua trajetória, João Gonçalves da Costa atuou na expansão das fronteiras para o reino português, nos limites da então Capitania de Ilhéus e na Capitania da Bahia, acompanhando o bandeirante, Mestre de Campo João da Silva Guimarães.[1]
De início João Gonçalves da Costa, abrigou-se no Interior da Bahia, em casa de parentes Portugueses na Fazenda Ilha próximo ao Valo Fundo. trabalhou na abertura de novas estradas partindo do Valo Fundo na divisa de Bahia com Minas Gerais, ocupando as terras do entorno da fazenda Ilha, as terras da fazenda Ressaca situada às margens da nascente do riacho Ressaca (termo que deu origem ao nome Sertão da Ressaca).
Desse ponto, partindo da fazenda Ressaca, por volta de 1760, João Gonçalves da Costa ocupou as terras do entorno da referida fazenda, seguindo pelo riacho da Ressaa em direção ao Planalto da Conquista, passando pela borda da Serra do Caititu, em direção leste ocupa terras do entorno da nascente do Riacho da Vereda(atual Belo Campo), desse ponto segue em direção nordeste, pela borda da serra do Caititu[2], ocupa terras cuja denominação passa a ser "fazenda Panela" um pouco adiante nessa mesma direção ocupa terras cuja denominação passa a ser "fazenda Porcos" e mais adiante "fazenda Angicos". Desse ponto em direção norte nordeste, alcança a serra do Peri-Peri, no entorno dessa Serra, as margens do Rio Verruga, demarca as terras das quais viria se tornar o Arraial da Conquista. desse ponto segue em direção norte-nordeste, passando pelo riacho do Choça, dai segue em direção à Serra do Taquaral até chegar as margens do Rio São José, demarcando terras que mais tarde deu origem ao arraial dos Poções[3], nessa empreitada João Gonçalves da Costa, contou com a participação de outros Portugueses que habitavam os Sertões, sobretudo os seus parentes consanguíneos, Timóteo Gonçalves da Costa e seus irmãos, Leonardo Gonçalves da Costa, Roberto Leolino Mariz.[4]. de Poções, João Gonçalves da Costa, seguiu em direção nordeste, margeando o rio das Mulheres, ocupando terras que passaram a denominar fazenda Uruba, próximo ao que hoje corresponde a cidade de Boa Nova. Desse ponto seguiu em direção norte, ocupando as terras do riacho Cachoeira, denominação da fazenda Cachoeira uma das ultimas propriedades do Coronel João Gonçalves da Costa, da fazenda Cachoeira, João Gonçalves seguiu margeando o Riacho Cachoeira, até a sua foz no Rio de Contas, demarcando terras das quais originaram o Arraial de Borda da Mata (atual Jequié ) em 1778, (mais tarde repassada para Portugues Coronél José de Sá Bittencourt ). De Borda da Mata, cruzando o refereido rio em direção norte, seguindo até a Serra do Mutum encosta do planalto de Maracás, e desse ponto em direção ao vale do Jequiriçá, culminando a sua empreitada com a estrada do Sertão ou estrada Geral da Bahia que já fazia a ligação entre Nazaré e a Chapada Diamantina
Em outra empreitada, João Gonçalves da Costa partindo das nascentes do Riacho da Vereda, abriu estrada seguindo pelo referido riacho, ocupando terras cuja denominação deu origem as fazendas Deus-Dará, Fazenda Tamanduá, e Fazenda Barra da Vereda no entroncamento do Riacho Vereda com com o rio Pardo. Desse ponto margeando o rio Pardo, seguiu até a barra do Jiboia, ocupando todas as terras que margeiam o rio Jibóia até a sua nascente. Da barra do Jiboia, João Gonçalves da Costa, juntamente com seus filhos, o capitão-mor Raimundo Gonçalves da Costa e o capitão-mor Antonio Dias de Miranda, seguiu a estrada até a barra do Verruga(atual Itambé) e posteriormente, margeando o Rio Pardo até a Barra do Catolé (atual Itapetinga). Desse ponto, João Gonçalves da Costa desceu margeando o Rio Pardo, até a foz em Canavieiras, ora navegando em canoas ora carregando as próprias canoas por conta das quedas e cascatas que o rio possui,
No Sertão da Ressaca. Liderou combates contra os indígenas Botocudos que habitavam a região do Rio Pardo, na divisa entre Bahia e Minas Gerais, os Camacâs que habitavam as cercanias do Planalto dos Geraizinhos, e toda a borda do Palanlto até proximo ao litoral sul da Bahia, e outras tribos dos Imborés, Mongoiós e Pataxós. Em 1781 obteve a patente de Capitão-mór da Conquista do Sertão da Ressaca[5]. Criticado por crueldade com os índios , e elogiado por outras autoridades pelo serviço prestado no controle e exploração dessa região.[1]
Família
Casou-se com Josefa Gonçalves da Costa, filha de 9 anos do sertanista Matias João da Costa e Clara Gonçalves.
Descendência
Entre os vários filhos que João e Josefa tiveram, se destacou Faustina Gonçalves da Costa, que se tornou, em Vitória da Conquista, sua legítima herdeira, tanto em riquezas, quanto na política, originando, do seu casamento com o português Manuel de Oliveira Freitas, a família mais notável dos descendentes deste casal.[1]
Morte
Em 1817, quando da passagem do príncipe Maximilian zu Wied-Neuwied, vivia na fazenda Cachoeira, localizada no atual município de Manoel Vitorino. Faleceu já bastante idoso em 1820.[1]
Referências
- SOUSA, Maria Aparecida Silva de (2001). A Conquista do Sertão da Ressaca - povoamento e posse da terra no interior da Bahia. Vitória da Conquista: Edições UESB. ISBN 978-8588505049
- ROCHA, Altemar Amaral (20 de junho de 2022). «GÊNESE DA MODERNA CIDADE DE VITÓRIA DA CONQUISTA: os processos da urbanização contemporânea». doi:10.24824/978652512981.5. Consultado em 23 de abril de 2023
- ROCHA, Altemar Amaral; FERRAZ, Ana Emília de Quadros; ALCANTARA, Fernanda Viana de (21 de junho de 2022). «POÇÕES EM PAUTA: análises geográficas». doi:10.24824/978652512980.8. Consultado em 23 de abril de 2023
- Rocha, Altemar Amaral (29 de dezembro de 2018). «O PAPEL DE JOÃO GONÇALVES DA COSTA NA PRODUÇÃO DO ESPAÇO BAIANO – ENTRE OS SÉCULOS XVIII E XIX: AS ORIGENS DO TERRITÓRIO DE VITÓRIA DA CONQUISTA». Geopauta (3). 83 páginas. ISSN 2594-5033. doi:10.22481/rg.v2i3.3732. Consultado em 23 de abril de 2023
- Rocha, Altemar Amaral (29 de dezembro de 2018). «O PAPEL DE JOÃO GONÇALVES DA COSTA NA PRODUÇÃO DO ESPAÇO BAIANO – ENTRE OS SÉCULOS XVIII E XIX: AS ORIGENS DO TERRITÓRIO DE VITÓRIA DA CONQUISTA». Geopauta (3). 83 páginas. ISSN 2594-5033. doi:10.22481/rg.v2i3.3732. Consultado em 23 de abril de 2023
O Pioneiro do Sertão da Bahia
João Gonçalves da Costa (Chaves, 1731 — Fazenda Cachoeira, 1820) destaca-se na história colonial brasileira como um dos mais importantes desbravadores, sertanistas e colonizadores do interior baiano. Partindo de Trás-os-Montes, em Portugal, para o Brasil ainda na juventude, sua trajetória confunde-se com a expansão das fronteiras portuguesas, a abertura de rotas comerciais e a fundação do Arraial da Conquista, núcleo que deu origem à atual cidade de Vitória da Conquista.
Da Europa ao Sertão: Os Primeiros Anos
Nascido por volta de 1731 na cidade de Chaves, junto ao alto Rio Tâmega, em Portugal, João Gonçalves da Costa desembarcou no Brasil com apenas dezesseis anos de idade. No início de sua jornada pelo território colonial, atuou na expansão das fronteiras portuguesas nos limites entre a antiga Capitania de Ilhéus e a Capitania da Bahia, integrando as comitivas do bandeirante e Mestre de Campo João da Silva Guimarães.
Abrigando-se inicialmente na Fazenda Ilha — próxima ao Valo Fundo, na divisa entre a Bahia e Minas Gerais —, o jovem português trabalhou na abertura de novas estradas. A partir daí, fixou-se na Fazenda Ressaca, situada às margens da nascente do riacho homônimo, marco inicial da região que ficaria conhecida como o Sertão da Ressaca.
As Grandes Empreitadas de Desbravamento e Ocupação
A partir de 1760, partindo da Fazenda Ressaca, João Gonçalves da Costa liderou uma vasta rede de desbravamento e demarcação de terras, contando com o apoio de parentes consanguíneos (como Timóteo, Leonardo Gonçalves da Costa e Roberto Leolino Mariz). Sua rota de expansão marcou a geografia do interior baiano:
Rumo ao Planalto da Conquista: Seguiu pelo riacho da Ressaca, contornou a Serra do Caititu em direção leste até a nascente do Riacho da Vereda (atual Belo Campo), avançando para nordeste pelas terras das fazendas Panela, Porcos e Angicos.
A Fundação de Conquista e Poções: Alcançou a Serra do Peri-Peri e as margens do Rio Verruga, onde demarcou o terreno que se tornaria o Arraial da Conquista. Dali prosseguiu para norte-nordeste, passando pelo riacho do Choça e pela Serra do Taquaral até as margens do Rio São José, origem do atual arraial de Poções.
Jequié e Boa Nova: Margeando o rio das Mulheres, ocupou a fazenda Uruba (próxima a Boa Nova) e seguiu pelo riacho Cachoeira até sua foz no Rio de Contas, onde demarcou em 1778 o Arraial de Borda da Mata (atual Jequié), posteriormente repassado ao coronel José de Sá Bittencourt. Daí, cruzou o rio em direção à Serra do Mutum e ao vale do Jequiriçá, integrando a rota à famosa Estrada Geral da Bahia (ligação entre Nazaré e a Chapada Diamantina).
Abertura de Novas Estradas e Rotas Fluviais: Em outra frente, partindo do Riacho da Vereda, abriu caminhos pelas fazendas Deus-Dará, Tamanduá e Barra da Vereda até o Rio Pardo. Acompanhado por seus filhos, o capitão-mor Raimundo Gonçalves da Costa e o capitão-mor Antônio Dias de Miranda, desceu o Rio Pardo até a foz em Canavieiras, navegando e por vezes carregando as canoas devido às corredeiras.
Conflitos Indígenas e a Patente de Capitão-Mor
A ocupação intensiva do Sertão da Ressaca colidiu diretamente com os povos originários que habitavam a região. João Gonçalves da Costa liderou campanhas militares e combates contra os Botocudos (na divisa com Minas Gerais), os Camacâs (no Planalto dos Geraizinhos e borda do planalto até o sul baiano), além de tribos de Imborés, Mongoiós e Pataxós.
Sua atuação na subjugação e controle da resistência indígena garantiu-lhe, em 1781, a patente oficial de Capitão-mor da Conquista do Sertão da Ressaca. Se por um lado a historiografia e as autoridades da época o elogiavam pelos serviços prestados na abertura e pacificação da rota para o interior, por outro o capitão-mor acumulava duras críticas devido à extrema violência e crueldade empregadas contra as populações nativas.
Vida Familiar e Descendência
João Gonçalves da Costa casou-se com Josefa Gonçalves da Costa, filha de nove anos do sertanista Matias João da Costa e de Clara Gonçalves. Do matrimônio nasceu uma prole expressiva, com destaque para Faustina Gonçalves da Costa, que se tornou sua legítima herdeira tanto em termos patrimoniais quanto na influência política na região de Vitória da Conquista. Do casamento de Faustina com o português Manuel de Oliveira Freitas originou-se uma das famílias mais proeminentes e notáveis daquela região baiana.
Anos Finais e Legado
Em seus últimos anos de vida, o desbravador fixou residência na Fazenda Cachoeira, localizada no atual município de Manoel Vitorino. Foi nessa propriedade que ele recebeu, em 1817, a visita do naturalista e príncipe alemão Maximilian zu Wied-Neuwied, que registrou a presença do velho sertanista.
João Gonçalves da Costa faleceu em 1820, já bastante idoso, deixando cravado na toponímia e na estrutura geopolítica do sudoeste baiano o legado de uma das expansões territoriais mais marcantes do período colonial brasileiro.
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