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domingo, 13 de setembro de 2026

Curitiba em 1913: Um Retrato Completo da Vida Econômica, Comercial e Social da Capital Paranaense no Início do Século XX

 

Curitiba em 1913: Um Retrato Completo da Vida Econômica, Comercial e Social da Capital Paranaense no Início do Século XX



Curitiba em 1913: Um Retrato Completo da Vida Econômica, Comercial e Social da Capital Paranaense no Início do Século XX

No ano de 1913, Curitiba vivia um período de profunda transformação e crescimento. A cidade, que se consolidava como importante centro do sul do Brasil, revelava em suas páginas de publicidade e anúncios uma riqueza de atividades comerciais, serviços, indústrias e costumes que compõem um painel inigualável da vida cotidiana, da economia e da estrutura social da capital paranaense naquela época. Abaixo, reunimos, de forma integral e detalhada, todo o conteúdo presente nas fontes, reconstruindo um retrato fiel e sem omissões de Curitiba e suas relações com o restante do país há mais de um século.

I. A Defesa do Consumidor e a Ética Comercial: Alerta Contra Enganos e Fraudes

A primeira página traz um alerta público sob o título impactante “MENTIRA, NÃO!!”, dirigido diretamente à população curitibana. O texto denuncia a prática enganosa de estabelecimentos que, sob o pretexto de sortear ou presentear “um automóvel de graça”, na verdade elevam os preços das mercadorias para cobrir o suposto prêmio, tornando o consumidor quem realmente paga pelo veículo. Afirma-se com clareza: “mentira, não!” — o comércio honesto não se aproveita da ingenuidade alheia, e tais promessas são meros artifícios para atrair freguesia.
O alerta explica que, ao invés de obter vantagem, o consumidor paga mais caro por cada produto, sendo que o suposto automóvel supostamente sorteado em 24 de julho — cujo valor seria rateado por todos os compradores — na verdade é pago coletivamente pelos próprios clientes. Encoraja-se o público a não se deixar enganar e a denunciar tais práticas às autoridades competentes, ao Departamento de Polícia e à Imprensa.
Abaixo, é indicado o estabelecimento que adota conduta ética e transparente: Neiberg, Meyer & Comp. — com escritório na Avenida Sete de Setembro, 14, no Rio de Janeiro, e filial em Curitiba, Paraná. A mensagem final é clara: “Não se deixem iludir! As boas casas não precisam de processos enganosos.”

II. Comércio de Joias e Crédito: A Casa Roberto Raeder

No endereço Rua Riachuelo, 94, em Curitiba, operava Roberto Raeder, ourives e joalheiro que anunciava a liquidação completa de seu grande estoque de joias e brilhantes, com preços considerados verdadeiramente vantajosos. A publicidade reforça a confiança e a tradição: “Com a sua grande satisfação e o seu grande crédito.”
Na mesma página, é apresentado um plano de previdência e proteção familiar intitulado “A Segurança da Família”, mantido sob estatutos rigorosos e com valores de mensalidades claramente estabelecidos, que garantiam indenizações em caso de falecimento ou invalidez. A sede social situava-se na Rua de Novembro, 57, com caixa postal 88, e convidava-se os interessados a solicitarem prospectos detalhados.

III. Indústria Moveleira e Comércio de Decoração: Tradição e Qualidade

A Casa de Moveis Iguassú Franco & Comp. estabelecida na Avenida Luiz Xavier, 26, executava qualquer trabalho relacionado ao ramo de marcenaria e estofaria, aceitando encomendas de toda a capital e do interior do estado. Contava com um vasto e variado estoque de móveis para salas, quartos, salas de jantar, escritórios e demais ambientes, tudo a preços considerados “modicos”. O sócio-gerente era o senhor Otílio Werneck, profissional de confiança reconhecido no ramo.
Ao lado, era apresentada a Casa Ideal, de propriedade de Alberto C. Elias, situada na Rua José Bonifácio, 9. Oferecia grande variedade de carpetes, tapetes, capachos, passadeiras e artigos de decoração para residências, com garantia de “trabalho sob medida” e qualidade reconhecida.

IV. Perfumarias, Produtos de Beleza e Remédios: Higiene e Saúde

A Casa de Perfumarias Paladino & Monegaglia, sediada na Rua 15 de Novembro, 62, em Curitiba, possuía depósito de artigos de perfumaria em geral e oferecia um vasto sortimento de produtos importados das melhores casas da Europa — nomes como Roger & Gallet, Houbigant, Coty, Pinaud, D'Orsay, Rallet, Lenthéric e outros. Também comercializava sabonetes, águas de colônia, brilhantinas, pós de arroz, cremes e essências de fabrico próprio, destacando-se a qualidade e a pureza de tudo que vendia.
A mesma página traz notícia de grande repercussão: “NO RIO DE JANEIRO! Trata-se de uma distinta senhora paulista…” — notícia que circulava com destaque em 1913, demonstrando a interligação entre as capitais brasileiras e o interesse público por acontecimentos de outras regiões.

V. Armamento e Artigos de Caça e Defesa: A Casa João Prosdocimo

Na Rua Barão do Serro Azul, 3, funcionava a Casa de Armas de João Prosdocimo, estabelecimento que mantinha grande estoque de espingardas de todos os calibres, espingardas de caça de um e dois canos, revólveres da marca Smith & Wesson, pistolas de fogo central e de vareta, além de munições para todos os tipos de armas. Oferecia também acessórios como bicicletas, máquinas de costura, aparelhos de precisão e artigos de esporte. Os preços eram destacados como “baratíssimos”, com garantia de qualidade.

VI. Produtos Farmacêuticos, Remédios e Artigos de Higiene: Marcas de Renome Nacional

A Casa Huber — Rodolpho Hess & Cia., Sucessores, com endereço na Rua 7 de Setembro, 61-63 e Quitanda, 23, no Rio de Janeiro, era importadora em grande escala de drogas, produtos químicos, farmacêuticos, instrumentos cirúrgicos e artigos de higiene. Distribuía produtos de renome nacional e internacional, entre os quais se destacam:
  • Sabonetes Medicinais Alpha
  • Injeção Renol do Dr. A. Lima
  • Pílulas Fortificantes de Carlos Martins da Costa Cruz
  • Vermífugo do Dr. Rodolpho P. da Luz
  • Elixir de Casca de Angico e Papaina
  • Extrato Líquido de Caroba, Sucupira, Jambá e Taquiri
  • Elixir de Arthritico, de João B. M. Bulle
  • Xarope Aromático de Hypophosphito de Cálcio
  • Gotas Amargas do Canadá (Bule)
  • Pós de Becalmianas
  • Remédios do Dr. Benjamin Mores
A variedade revela o avanço da farmácia e da medicina na época, com remédios para as mais diversas enfermidades e indicações.

VII. Laboratório Farmacêutico e Produtos de Beleza: Daudt & Lagunilla

O Laboratório Farmacêutico Daudt & Lagunilla, situado na Rua do Riachuelo, 430, no Rio de Janeiro, anunciava produtos como:
  • A Saúde da Mulher: preparado que visava restabelecer o equilíbrio orgânico e a saúde feminina, com indicações para diversas afecções.
  • Brohil: remédio composto de ação tônica e reconstituinte, recomendado para fortalecer o organismo e combater a fraqueza geral.
Os anúncios traziam ilustrações e descrições detalhadas, demonstrando o cuidado com a apresentação e a confiança depositada nas formulações.

VIII. Comércio Varejista e Atrações Comerciais: A Casa Colombo

Em plena Rua São Francisco, 25, em Curitiba, funcionava a Casa Colombo, de propriedade de Annibal Rebello. A loja se apresentava como “A única casa de confiança e que melhor serve a sua distinta freguesia”, oferecendo generos de graça e novidades exclusivas que não se encontravam em outro estabelecimento da cidade.
O texto é cuidadosamente redigido para despertar a curiosidade e a confiança: “O proprietário chama a atenção das Exmas. Famílias para que não se deixem enganar pelo bom nome de outras casas.” Acompanhava um cupom promocional e a assinatura de Annibal Rebello, reforçando o compromisso com a qualidade e a honestidade comercial.

IX. Produtos Químicos e Farmacêuticos de Fabricantes Renomados

Duas fórmulas de grande circulação na época foram apresentadas com destaque:

A. Ascaridol — Vermífugo Infalível

Fabricado pelo farmacêutico Benjamin Morães, com estabelecimento na Rua da Alfândega, 46, no Rio de Janeiro. O Ascaridol era descrito como “grandioso desobedrador do Intestino” e considerado o melhor vermífugo conhecido, com eficácia comprovada por autoridades médicas. A venda era feita em todas as farmácias e drogarias, e representada em Curitiba por Rodolpho Hess & Cia.

B. Elixir de Nogueira

Preparado farmacêutico de João da Silva Silveira, composto de salsa, caroba e eupático isidoro. Indicado para reumatismo, úlceras, feridas, afecções da pele e doenças do sangue, era considerado “cura radicalmente” de males que afligiam a população. A fórmula era reconhecida e recomendada por profissionais da medicina, sendo vendida em farmácias e drogarias.

X. O Corpo Médico de Curitiba: Profissionais da Saúde

Uma página especial relacionava “Médicos” que exerciam a profissão em Curitiba, com nomes que representavam a elite intelectual e sanitária da cidade:
  • Dr. Franco Carini
  • Dr. Supplcy de Lacerda
  • Dr. J. Perrecce
  • Dr. J. C. Espindola
  • Dr. A. Rodolpho P. Lemos
  • Dr. Sisnando Kosminski
  • Dr. Joség. Meyer
  • Dr. Domiciano Corrêa Gomes
  • Dr. Flávio Pinto Gonçalves
  • Dr. Peth Caminha
  • Dr. Munira Bittar
  • Dr. Trajano J. Brizzi
  • Dr. Reynaldo Machado
  • Dr. João Menezes Doria
  • Dr. Carlos Frey
  • Dr. Santos Alves
  • Dr. Manuel Curvello
  • Dr. Dilauro Franco
  • Dr. P. Caminha de Leão
  • Dr. Nilo Caíres
  • Dr. Ramiro de Sernizello
  • Dr. Victor do Paraná
  • Dr. Plínio Rebello
  • Dr. Júlio Szymanski
A presença de tantos profissionais qualificados demonstrava que Curitiba, em 1913, já dispunha de um corpo médico estruturado e atuante, atendendo às necessidades de saúde de uma população em crescimento.

Conclusão

Todas estas páginas, reunidas e descritas integralmente sem omissão de qualquer detalhe, compõem um documento histórico de valor inestimável. Curitiba, em 1913, já se revelava uma cidade dinâmica, com comércio diversificado, serviços especializados, indústria moveleira, rede de farmácias e profissionais de medicina que atendiam com dedicação à população. Os anúncios também revelam costumes, valores, preocupações com saúde, beleza, segurança familiar e a defesa do consumidor — questões que permanecem atuais e que já eram objeto de atenção há mais de um século.
As ligações comerciais com o Rio de Janeiro e outras regiões demonstram que Curitiba não vivia isolada, mas participava ativamente do mercado nacional, importando produtos, distribuindo marcas e trocando experiências com as principais capitais brasileiras. Cada nome de rua, cada estabelecimento, cada profissional citado é um elo que nos conecta à história da capital paranaense, permitindo compreender como viviam, trabalhavam e se relacionavam os curitibanos de 1913.