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domingo, 13 de setembro de 2026

Dona Maria Benedita de Bragança: A Infanta Artista, Princesa da Beira e Fundadora do Asilo de Runa

 


Maria Benedita
Princesa do Brasil
Duquesa de Bragança
Dados pessoais
Nascimento25 de julho de 1746
Lisboa, Portugal
Morte18 de agosto de 1829 (83 anos)
Lisboa, Portugal
SepultamentoPanteão da Dinastia de Bragança, Igreja de São Vicente de Fora, Lisboa, Portugal
Nome completo
Maria Francisca Benedita Ana Isabel Josefa Antónia Lourença Inácia Teresa Gertrudes Rita Joana Rosa de Bragança
MaridoJosé, Príncipe do Brasil
CasaBragança
PaiJosé I de Portugal
MãeMariana Vitória da Espanha
ReligiãoCatolicismo

Maria Benedita de Bragança (Maria Francisca Benedita Ana Isabel Antónia Lourença Inácia Teresa Gertrudes Rita Rosa; 25 de julho de 174618 de agosto de 1829) foi uma infanta portuguesa e filha mais nova do rei D. José I de Portugal e de sua esposa Mariana Vitória da Espanha.

Início de vida

Dona Maria Benedita nasceu em Lisboa e recebeu seu nome em homenagem ao Papa Bento XIV. Ela recebeu uma educação esmerada; Foi educada em música por Davide Perez e em pintura por Domingos Sequeira. Um painel feito por ela e pela sua irmã ainda pode ser visto na Basílica da Estrela.

Casamento

Na sua juventude, pensou-se em casá-la com Fernando VI, Rei de Espanha,[1] José II, Imperador do Sacro Império Romano[2] e com Carlos, Príncipe das Astúrias.[3] Em 21 de fevereiro de 1777, casou-se com o sobrinho D. José, Príncipe da Beira, herdeiro de D. Maria I, então Princesa do Brasil. Eles não tiveram filhos, no entanto Benedita teve dois abortos: um em 1781 e outro em 1786.

Três dias depois do casamento, o pai de Benedita, o rei D. José I, morreu e Maria o sucedeu como rainha reinante. O infante José tornou-se o novo príncipe herdeiro, recebendo os títulos Príncipe do Brasil e Duque de Bragança. Benedita tornou-se Princesa do Brasil.

Últimos anos e morte

Pintura de autor desconhecido que mostra Benedita

Em 1788 seu marido José morreu e Benedita tornou-se Princesa viúva do Brasil, como passou a ser conhecida até o resto de sua vida. Em contraste com outras mulheres que fundaram conventos e igrejas, fundou o Asilo de Inválidos Militares de Runa. A princesa seguiu a família real em sua transferência para o Brasil em 1808.

Benedita morreu em Lisboa e foi enterrada no Panteão da Dinastia de Bragança na Igreja de São Vicente de Fora. Benedita foi a última neta sobrevivente de D. João V de Portugal.

Dona Maria Benedita de Bragança: A Infanta Artista, Princesa da Beira e Fundadora do Asilo de Runa

Nascida a 25 de julho de 1746 em Lisboa e falecida a 18 de agosto de 1829, Dona Maria Benedita de Bragança (cujo nome completo era Maria Francisca Benedita Ana Isabel Antónia Lourença Inácia Teresa Gertrudes Rita Rosa) foi uma infanta portuguesa de destaque, filha mais nova do rei D. José I e da rainha Mariana Vitória da Espanha. O seu percurso vital cruzou momentos cruciais da transição dinástica portuguesa, o exílio no Brasil e um legado marcado pela sensibilidade artística e por notáveis iniciativas de caridade.

Infância, Educação e Produção Artística

A infanta recebeu o nome de batismo em homenagem ao Papa Bento XIV. Beneficiando do ambiente cultural da corte joanina, obteve uma educação esmerada e profundamente refinada para os padrões da época:

  • Música: Teve como mestre o célebre compositor e maestro Davide Perez.

  • Pintura e Belas-Artes: Foi instruída pelo renomado pintor Domingos Sequeira. O seu talento pictórico materializou-se em obras de cariz religioso, destacando-se um painel decorativo executado conjuntamente por ela e pela sua irmã que ainda hoje pode ser admirado na Basílica da Estrela, em Lisboa.

Casamento e Dinastia

Antes de contrair matrimónio, a mão da infanta foi alvo de complexas negociações diplomáticas e dinásticas na Europa, tendo-se equacionado alianças com o rei Fernando VI da Espanha, com o imperador José II do Sacro Império Romano-Germânico e com Carlos, Príncipe das Astúrias.

A 21 de fevereiro de 1777, casou-se com o seu próprio sobrinho, D. José, Príncipe da Beira, que era o herdeiro direto de sua irmã mais velha, a princesa D. Maria (futura rainha D. Maria I). O consórcio foi de curta duração política e marcado por tragédias familiares: o casal não chegou a deixar descendência sobrevivente, tendo Benedita sofrido dois abortos espontâneos, respetivamente em 1781 e 1786.

A Ascensão e Luto Prematuro

Apenas três dias após a celebração das bodas, o rei D. José I faleceu. A irmã de Benedita ascendeu ao trono como a rainha reinante D. Maria I, enquanto o marido de Benedita, D. José, se tornou o novo príncipe herdeiro, acumulando os títulos de Príncipe do Brasil e Duque de Bragança. Consequentemente, Benedita passou a ostentar o título de Princesa do Brasil.

Esta posição de destaque durou pouco mais de uma década. Em 1788, o príncipe D. José faleceu vítima de varíola, deixando Benedita viúva aos 42 anos. Passou a ser conhecida pelo resto da vida como a Princesa viúva do Brasil.

Obra Social, Transferência para o Brasil e Últimos Anos

Diferentemente de outras figuras femininas da alta nobreza e realeza da sua época que optaram por fundar conventos ou igrejas tradicionais, Benedita direcionou o seu mecenato para a assistência social e militar, fundando o prestigiado Asilo de Inválidos Militares de Runa (situado no concelho de Torres Vedras), destinado a abrigar e apoiar antigos combatentes.

Com a invasão das tropas napoleónicas a Portugal, a infanta integrou a comitiva da família real que realizou a transferência para o Brasil em 1808, residindo no Rio de Janeiro durante os anos do exílio cortejão.

Mais tarde, retornou a Portugal, onde veio a falecer em Lisboa no ano de 1829, com 83 anos de idade. O seu corpo foi sepultado no Panteão da Dinastia de Bragança, situado na Igreja de São Vicente de Fora. Com o seu falecimento, extinguiu-se a linha dos netos sobreviventes do rei D. João V de Portugal.