segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Pedro Gabardo e Seu Sonho de 33 Metros: Uma Casa Geminada que Contava a História da Cidade

 Denominação inicial: Projecto de casa para Snr. Pedro Gabardo

Denominação atual:

Categoria (Uso): Residência Geminada
Subcategoria: Residência Econômica

Endereço: Lote Nº 9 da Planta Gabardo – Água Verde

Número de pavimentos: 1
Área do pavimento: 33,00 m²
Área Total: 33,00 m²

Técnica/Material Construtivo: Madeira

Data do Projeto Arquitetônico: 07/09/1927

Alvará de Construção: Nº 4502/1927

Descrição: Projeto Arquitetônico para a construção de Residência Geminada.

Situação em 2012: Demolido


Imagens

1 - Projeto Arquitetônico.

Referências: 

1 - GASTÃO CHAVES & CIA. Projecto de uma casa para o Snr. Pedro Gabardo. Plantas do pavimento térreo e de implantação, corte e fachada frontal apresentados em uma prancha. Microfilme digitalizado.

Acervo: Arquivo Público Municipal de Curitiba.

Pedro Gabardo e Seu Sonho de 33 Metros: Uma Casa Geminada que Contava a História da Cidade

Curitiba, 1927 — uma época em que o sonho da casa própria cabia em 33 metros quadrados, mas se expandia em dignidade, trabalho e pertencimento.


O Projeto de uma Vida Simples, mas com Propósito

Em 7 de setembro de 1927 — data simbólica para o Brasil, marcada pelo grito de independência — o escritório Gastão Chaves & Cia. depositava no Arquivo Público Municipal de Curitiba um projeto discreto, mas profundamente representativo do seu tempo: o “Projecto de casa para Snr. Pedro Gabardo”. Tratava-se de uma residência geminada econômica, construída em madeira, com apenas um pavimento e uma área total de 33,00 m².

Localizada no Lote nº 9 da Planta Gabardo, no bairro do Água Verde — então uma região em expansão, com terrenos sendo loteados para famílias de classe trabalhadora —, a casa era parte de um movimento urbano que buscava oferecer moradia acessível e higiênica no contexto do crescimento acelerado de Curitiba nas primeiras décadas do século XX.

O projeto, apresentado em uma única prancha, incluía:

  • Planta do pavimento térreo e implantação no lote;
  • Corte longitudinal;
  • Fachada frontal.

Apesar da simplicidade, os desenhos revelam atenção à funcionalidade: cômodos bem distribuídos, ventilação natural, acesso direto à rua e integração com o quintal — elementos essenciais para a qualidade de vida em uma época sem eletricidade universal ou saneamento básico pleno.


Pedro Gabardo: Um Nome, Uma História Coletiva

Embora os arquivos não revelem detalhes biográficos sobre Pedro Gabardo, seu sobrenome ligado à Planta Gabardo sugere que ele era, possivelmente, um dos loteadores ou proprietários responsáveis pelo parcelamento daquela área. Ou talvez fosse apenas um cidadão comum que, ao adquirir um lote, investiu seu suor e economias na construção de um lar modesto, mas próprio.

O fato de ter encomendado um projeto arquitetônico assinado, mesmo para uma casa tão pequena, demonstra um senso de ordem, legalidade e orgulho. Em 1927, muitas moradias eram erguidas de forma informal. Pedro, porém, buscou regularização — prova disso é o Alvará de Construção nº 4502/1927, emitido pela Prefeitura Municipal de Curitiba, que autorizou oficialmente a edificação.


A Casa de Madeira: Entre a Fragilidade e a Eficiência

Construída em madeira — material abundante, rápido de montar e termicamente apropriado para o clima curitibano —, a residência geminada era uma solução inteligente para o momento. As casas geminadas permitiam maior densidade habitacional sem abrir mão da individualidade: duas unidades compartilhando uma parede medianeira, cada uma com sua entrada, seu quintal e sua identidade.

Com apenas 33 m², o espaço era dividido com rigor: provavelmente uma sala-cozinha integrada, um ou dois quartos pequenos e um sanitário externo — típico da época. Era o suficiente para uma família nuclear viver com decência, economizar recursos e investir no futuro.


O Fim de uma Era: Demolição em 2012

Infelizmente, a casa não resistiu ao tempo. Em 2012, foi demolida, como tantas outras residências históricas de pequeno porte em Curitiba. Não há fotografias conhecidas do edifício em pé — apenas o projeto original, preservado em microfilme digitalizado, oferece um vislumbre do que um dia foi lar.

Mas sua ausência não apaga seu significado. Pelo contrário: ela nos obriga a refletir sobre o que valorizamos como patrimônio. Nem tudo que é histórico é grandioso. Às vezes, a história está justamente na modéstia — na casa pequena que abrigou uma família inteira, nas tábuas de madeira que viram o nascimento de filhos, nas paredes que ouviram histórias em italiano, alemão, polonês ou português.


Legado: Mais que uma Casa, um Símbolo de Cidadania

A residência de Pedro Gabardo representa uma fase crucial da urbanização de Curitiba: a consolidação dos bairros operários, a regulamentação da construção civil e o acesso à moradia para as camadas populares. Ela faz parte de um mosaico invisível, mas essencial — o das moradias econômicas que, juntas, formaram o tecido social da cidade.

Hoje, diante da especulação imobiliária e da perda acelerada do patrimônio do início do século XX, lembrar de projetos como este é um ato de resistência. É reconhecer que a verdadeira alma de uma cidade habita não apenas em seus monumentos, mas em seus lares comuns.


Conclusão: 33 m² de História

Pedro Gabardo pode ter morado pouco tempo em sua casa. Seus filhos talvez tenham crescido nela, ou talvez já a tenham vendido. Mas o gesto de construir com projeto, com alvará, com nome e sobrenome, é um testemunho de cidadania que transcende gerações.

Que este artigo seja uma homenagem não só a ele, mas a todos os Pedros, Marias e Joãos que, com 30 e poucos metros quadrados, construíram o Brasil.


Ficha Técnica da Residência

  • Denominação inicial: Projecto de casa para Snr. Pedro Gabardo
  • Categoria: Residência Geminada
  • Subcategoria: Residência Econômica
  • Endereço: Lote nº 9 da Planta Gabardo – Água Verde, Curitiba – PR
  • Área total: 33,00 m²
  • Pavimentos: 1
  • Material construtivo: Madeira
  • Data do projeto: 07/09/1927
  • Alvará de construção: nº 4502/1927
  • Situação em 2012: Demolido

Fonte:

  1. GASTÃO CHAVES & CIA. Projecto de uma casa para o Snr. Pedro Gabardo. Arquivo Público Municipal de Curitiba (microfilme digitalizado).

Um Bungalow que Habitou a História: A Residência do Senhor Paulo Roriz na Rua Fernando Amaro

 Denominação inicial: Projéto de Bungalow para o Snr. Paulo Roriz

Denominação atual:

Categoria (Uso): Residência
Subcategoria: Residência de Pequeno Porte

Endereço: Rua Fernando Amaro

Número de pavimentos: 1
Área do pavimento: 110,00 m²
Área Total: 110,00 m²

Técnica/Material Construtivo: Alvenaria de Tijolos

Data do Projeto Arquitetônico: 20/08/1934

Alvará de Construção: Nº 720/1934

Descrição: Projeto Arquitetônico para construção de bangalô e Alvará de Construção.

Situação em 2012: Demolido


Imagens

1 - Projeto Arquitetônico.
2 - Alvará de Construção.

Referências: 

1 – CHAVES, Eduardo Fernandes. Projéto de Bungalow. Planta do pavimento térreo e implantação; corte, fachada frontal e lateral esquerda apresentados em uma prancha. Microfilme digitalizado.
2 - Alvará n.º 720

Acervo: Arquivo Público Municipal de Curitiba; Prefeitura Municipal de Curitiba.

Um Bungalow que Habitou a História: A Residência do Senhor Paulo Roriz na Rua Fernando Amaro

Curitiba, 1934 – um tempo em que a cidade respirava modernidade com simplicidade, e cada casa contava uma história de vida, trabalho e pertencimento.


O Projeto que Deu Forma a um Lar

Em 20 de agosto de 1934, o arquiteto Eduardo Fernandes Chaves registrou no Arquivo Público Municipal de Curitiba um projeto modesto, porém carregado de significado: o “Projéto de Bungalow para o Snr. Paulo Roriz”. Tratava-se de uma residência de pequeno porte, erguida com alvenaria de tijolos, com apenas um pavimento e uma área construída de 110,00 m² — dimensões que, longe de serem grandiosas, refletiam com fidelidade o espírito da classe média curitibana da época: prática, ordeira e profundamente humana.

Localizada na Rua Fernando Amaro, uma via que então se consolidava no tecido urbano da capital paranaense, a casa foi concebida como um bangalô — tipologia arquitetônica originária da Índia, popularizada no Brasil nas primeiras décadas do século XX por sua simplicidade construtiva, integração com o jardim e funcionalidade. Em Curitiba, onde o clima exigia proteção contra o frio e a chuva, o bangalô adaptava-se com telhado inclinado, varandas abrigadas e plantas compactas, ideais para famílias nucleares em ascensão econômica.

O projeto, apresentado em uma única prancha, incluía:

  • Planta do pavimento térreo e implantação no lote;
  • Corte transversal;
  • Fachada frontal e fachada lateral esquerda.

Esses desenhos, hoje preservados em microfilme digitalizado, revelam um cuidado com a proporção, a ventilação cruzada e a hierarquia dos espaços — da sala de estar à cozinha, dos quartos ao quintal — tudo pensado para a vida cotidiana de um homem chamado Paulo Roriz.


Paulo Roriz: O Homem por Trás da Fachada

Embora os registros oficiais não detalhem sua profissão ou origem, o simples fato de ter encomendado um projeto arquitetônico assinado — e não uma construção improvisada — sugere que Paulo Roriz era um cidadão consciente, talvez funcionário público, comerciante ou técnico especializado, alguém que valorizava a ordem, a estabilidade e o sonho de possuir um lar próprio. Em 1934, no contexto pós-Revolução de 1930 e sob a influência do urbanismo higienista, ter uma casa com alvará, projeto e endereço definido era também uma forma de cidadania.

O Alvará de Construção nº 720/1934, emitido pela Prefeitura Municipal de Curitiba, autorizou oficialmente a edificação, selando o compromisso entre o cidadão e a cidade: construir com responsabilidade, respeitando normas e vizinhança.


A Casa que Já Não Existe, Mas que Não Foi Esquecida

Infelizmente, em 2012, a residência foi demolida. Não há registros fotográficos da edificação em pé, apenas os desenhos originais e o alvará — silenciosas testemunhas de uma vida doméstica que um dia pulsou entre aquelas paredes. Talvez as crianças de Paulo Roriz tenham brincado no jardim da frente; talvez ele tenha recebido amigos na varanda com um café quente nos invernos rigorosos da Serra do Mar.

Sua ausência física é sentida, mas sua memória permanece nos arquivos, nos estudos de patrimônio urbano e na história das habitações comuns — aquelas que, embora não sejam monumentos, são os verdadeiros alicerces de uma cidade.


Patrimônio Invisível, Mas Essencial

A casa de Paulo Roriz não era um palacete nem um exemplar de vanguarda arquitetônica. Era, antes de tudo, uma casa de família. E é justamente nessa aparente simplicidade que reside seu valor histórico. Ela representa milhares de outras construções semelhantes, erguidas por cidadãos anônimos que, com esforço e esperança, ajudaram a moldar o tecido residencial de Curitiba.

Hoje, diante da crescente perda do patrimônio arquitetônico do entre-guerras — substituído por edifícios verticais e loteamentos padronizados —, projetos como o do bangalô de Paulo Roriz ganham nova relevância. São documentos da vida ordinária, da estética cotidiana, e do desejo universal de ter um lugar para chamar de lar.


Conclusão: Lembrar para Preservar o Espírito da Cidade

Embora o bangalô da Rua Fernando Amaro já não exista, seu legado permanece. Ele nos lembra que a história urbana não é feita apenas de grandes obras, mas também de pequenas decisões — como a de um homem, em 1934, encomendar uma casa de 110 m² para sua família.

Que esta breve homenagem sirva não apenas como registro, mas como um apelo: valorizemos as memórias contidas nas ruas, nos lotes, nos projetos arquivados. Porque, assim como Paulo Roriz, cada morador é também um construtor da cidade.


Ficha Técnica da Residência

  • Denominação inicial: Projéto de Bungalow para o Snr. Paulo Roriz
  • Categoria: Residência
  • Subcategoria: Residência de Pequeno Porte
  • Endereço: Rua Fernando Amaro, Curitiba – PR
  • Área total: 110,00 m²
  • Pavimentos: 1
  • Material construtivo: Alvenaria de tijolos
  • Data do projeto: 20/08/1934
  • Alvará de construção: nº 720/1934
  • Situação em 2012: Demolido

Fontes:

  1. CHAVES, Eduardo Fernandes. Projéto de Bungalow. Arquivo Público Municipal de Curitiba (microfilme digitalizado).
  2. Alvará nº 720. Acervo da Prefeitura Municipal de Curitiba.