domingo, 9 de novembro de 2025

CURITIBA EM 1960: UM OLHAR PELAS PÁGINAS DE UM JORNAL DA ÉPOCA — CASAMENTOS, CARROS, EDIFÍCIOS E MODA

 

CURITIBA EM 1960: UM OLHAR PELAS PÁGINAS DE UM JORNAL DA ÉPOCA — CASAMENTOS, CARROS, EDIFÍCIOS E MODA



📌 CURITIBA EM 1960: UM OLHAR PELAS PÁGINAS DE UM JORNAL DA ÉPOCA — CASAMENTOS, CARROS, EDIFÍCIOS E MODA

Curitiba, 1960. Um ano de grandes mudanças no Brasil — Jânio Quadros assumiu a presidência, Brasília estava sendo construída, e o mundo se preparava para os Jogos Olímpicos de Roma. Enquanto isso, aqui na capital paranaense, a vida seguia seu ritmo tranquilo, mas cheio de novidades: casamentos de sociedade, lançamentos de carros, inaugurações de prédios modernos e anúncios que revelam como as pessoas viviam, sonhavam e consumiam.

Neste jornal de 1960 — publicado em Curitiba — encontramos muito mais do que notícias e propagandas: encontramos a essência de uma cidade em transição, entre a tradição e a modernidade, entre o rural e o urbano, entre o passado e o futuro.

Vamos mergulhar fundo, página por página, como se estivéssemos folheando um álbum de memórias — e descobrindo, com cada linha, como Curitiba se tornou o que é hoje.


💍 PÁGINA 1: CASAMENTOS DE SOCIEDADE — MIRÉ & TOURINHO

Esta página é um retrato da elite curitibana — famílias tradicionais, igrejas importantes, vestidos de renda, flores brancas e cerimônias repletas de protocolo.

🔹 O casamento de Miré Tourinho e Joaquim Miro:
Realizado em 27 de janeiro, na Igreja da Matriz, com presença de autoridades civis e religiosas. O noivo era filho de Antônio P. Tourinho e Maria de Lourdes Miro; a noiva, filha de João Miro e Maria Luiza Tourinho. A cerimônia foi seguida por um jantar no Clube dos Comerciantes — um local de prestígio na época.

🔹 Detalhes da cerimônia:
O texto descreve até os padrinhos, os convidados e os presentes. Os padrinhos eram figuras importantes da sociedade — como Dr. Francisco de Oliveira e Dr. Luiz Lopes. Isso mostra como os casamentos eram eventos sociais, não apenas familiares.

🔹 O papel da igreja:
A Igreja Católica ainda tinha enorme influência na vida pública e privada. O casamento religioso era obrigatório para quem queria ser aceito na sociedade — e o fato de ter sido realizado na Matriz, a igreja mais antiga da cidade, reforça o status dos noivos.

🔹 Comparação com hoje:
Hoje, casamentos são mais informais, muitos acontecem em fazendas ou praias, e a igreja nem sempre é o cenário principal. Em 1960, o casamento era um ritual sagrado — e o jornal registrava cada detalhe como se fosse um ato de Estado.


💍 PÁGINA 2: CASAMENTOS DE SOCIEDADE — MAGGIATI & MATHREDINI

Outro casamento de destaque — desta vez, entre Leda Luiza Maggiati e José Maggiati Mathredini — realizado em 28 de janeiro, na Igreja da Matriz, com presença de autoridades e personalidades da cidade.

🔹 Famílias tradicionais:
Os Maggiati e os Mathredini eram nomes conhecidos em Curitiba — ligados ao comércio, à indústria e à política. O casamento unia duas famílias de peso social, reforçando laços econômicos e políticos.

🔹 Cerimônia religiosa e civil:
A cerimônia foi realizada em duas etapas — primeiro a religiosa, depois a civil, no Cartório de Registro Civil. Isso era comum na época, pois o casamento civil só era válido se houvesse registro oficial.

🔹 Padrinhos e convidados:
Os padrinhos eram figuras importantes — como Dr. Roberto Pereira, Benedito D. Pereira e Sra. Edviges Karam. Os convidados incluíam membros da elite local — comerciantes, advogados, médicos e professores.

🔹 O papel da mulher:
A noiva, Leda Luiza, era descrita como “uma jovem de beleza e distinção”. Isso reflete o valor dado à aparência feminina — e ao papel da mulher como símbolo de elegância e virtude.


🚗 PÁGINA 3: LANÇAMENTO DO FORD FALCON — UM SUCESSO NO BRASIL

Esta página é dedicada ao lançamento do Ford Falcon, um dos carros mais emblemáticos da história automobilística brasileira.

🔹 O Ford Falcon em Curitiba:
A concessionária Ancora Comercial S.A. promoveu a exposição do novo modelo em sua loja, na Rua 13 de Maio, 1000 — hoje, um endereço histórico no centro da cidade. O evento contou com decoração especial, música e presença de autoridades.

🔹 Características do carro:
O Falcon era descrito como “um automóvel de linhas modernas e robustas”, com “tendência para o tipo esporte, mas também confortável e econômico”. Era um carro grande, potente, com motor V8 — ideal para quem queria status e conforto.

🔹 Preço e financiamento:
O preço era alto — cerca de Cr$ 50 mil (equivalente a cerca de R$ 50 mil em valores atuais, ajustado pela inflação). Mas a Ancora oferecia planos de financiamento, o que permitia que mais pessoas pudessem comprar.

🔹 Contexto histórico:
Em 1960, o Brasil produzia cerca de 80 mil carros por ano — um número modesto, mas em crescimento. O Falcon era um dos primeiros carros nacionais de luxo, e seu sucesso ajudou a consolidar a indústria automobilística no país.


🏢 PÁGINA 4: EDIFÍCIO DR. GARCEZ DO NASCIMENTO — O PRIMEIRO PRÉDIO MODERNO DE CURITIBA

Esta página é dedicada ao Edifício Dr. Garcez do Nascimento, um dos primeiros prédios residenciais modernos de Curitiba.

🔹 Arquitetura moderna:
O edifício, projetado pela Gutierrez, Paula & Munhoz Ltda., tinha 10 andares, apartamentos de alto padrão, garagens, aquecimento central, play-ground e calefação — recursos inovadores para a época.

🔹 Localização estratégica:
Localizado na Praça Zacarias, 80 — hoje, um dos pontos mais nobres da cidade — o edifício era cercado por árvores e tinha vista para o centro. Era um símbolo de status e modernidade.

🔹 Construção e incorporação:
A empresa responsável pela construção era a Gutierrez, Paula & Munhoz Ltda., uma das pioneiras no setor imobiliário de Curitiba. O projeto era assinado por arquitetos modernistas, que buscavam integrar funcionalidade e beleza.

🔹 Comparação com hoje:
Hoje, Curitiba tem centenas de prédios altos, com elevadores, piscinas, academias e salões de festas. Em 1960, o Edifício Dr. Garcez do Nascimento era uma revolução — um lugar onde a classe média alta podia viver com conforto e segurança.


🛏️ PÁGINA 5: ANÚNCIOS DE CORTINAS, FRUTAS E NEON — O COMÉRCIO QUE MOVIA A CIDADE

Esta página é uma verdadeira janela para o comércio curitibano — com anúncios de cortinas, frutas, neon e outros produtos que compunham o dia a dia da população.

🔹 Casa das Cortinas Ltda.:
A empresa oferecia “modernos padrões exclusivos em cortinas”, com tecidos de algodão, linho e seda. As cortinas eram um item de decoração essencial — e o anúncio promete “sugestões econômicas” para todos os bolsos.

🔹 Casa California:
Vendia frutas nacionais e estrangeiras — como laranjas, bananas, maçãs e uvas. O texto destaca que as frutas eram “grandes e variadas”, indicando que a alimentação estava se diversificando.

🔹 Real Neon:
Anunciava “anúncios luminosos” — uma novidade na época. O neon era usado em lojas, bares e cinemas, para atrair clientes e dar visibilidade à marca.

🔹 Contexto econômico:
Em 1960, Curitiba tinha cerca de 250 mil habitantes — e o comércio estava em expansão. Lojas, bancos, oficinas e restaurantes proliferavam, criando empregos e movimentando a economia.


CONCLUSÃO: CURITIBA EM 1960 — UMA CIDADE QUE SONHAVA GRANDE

Este jornal de 1960 não é apenas um documento histórico — é um testemunho vivo da formação de Curitiba como cidade moderna. Ele mostra uma sociedade que:

  • Valorizava os casamentos como eventos sociais;
  • Sonhava com carros grandes e potentes;
  • Investia em prédios modernos e confortáveis;
  • Consumia produtos diversos — desde cortinas até frutas exóticas.

Em 1960, Curitiba era uma cidade pequena, mas já tinha ambição. Ela estava se preparando para o boom dos anos 70 e 80 — quando se tornaria referência em planejamento urbano, transporte e qualidade de vida.

Preservar esses documentos é preservar a memória coletiva. Cada página, cada anúncio, cada foto, conta uma história que merece ser lembrada — não só pelos historiadores, mas por todos nós, que vivemos hoje os frutos dessas transformações.


📌 E você? Tem algum jornal, foto ou objeto de 1960 em casa? Conte pra gente nos comentários!


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