| Fernando Ortiz de Camargo | |
|---|---|
| Nome completo | Fernando Ortiz de Camargo |
| Pseudônimo(s) | o Moço |
| Nascimento | |
| Morte | |
| Progenitores | Mãe: Marianna do Prado Pai: Fernão de Camargo |
| Cônjuge | Joana Lopes da Silva |
| Filho(a)(s) | Coronel Estêvão Lopes de Camargo Maria de Camargo Mariana de Camargo Catarina de Camargo Vitória de Camargo Joana Lopes de Camargo Ana Maria de Camargo Isabel de Camargo Capitão Fernando Lopes de Camargo Pedro Lopes de Camargo Cel. Tomás Lopes de Camargo Gonçalo Lopes de Camargo João Lopes de Camargo |
| Ocupação | capitão, fazendeiro |
Fernando Ortiz de Camargo, o Moço (1628 - 1690) foi um bandeirante paulista.
Filho de Fernando de Camargo, o Tigre, e de Mariana do Prado, em 1658 foi capitão-adjunto na leva do capitão Domingos Barbosa Calheiros à Bahia, nas palavras de Silva Leme participando da malograda «expedição contra os bárbaros gentios do sertão». Em outubro de 1660 os sobreviventes da bandeira reaparecem em São Paulo. Iludidos no roteiro pelo guia, tiveram fim desastroso, pois os índios paiaiás mataram e comeram os Paulistas que haviam ficado de guarda às munições de guerra.
A 24 de setembro de 1664, uma Carta Régia de Afonso VI solicitou a Lourenço Castanho Taques apoiar Agostinho Barbalho. A 27 de setembro o rei comete por cartas a Agostinho Barbalho Bezerra a empresa dos descobrimentos das minas e das esmeraldas - que descobrisse por aí o distrito das esmeraldas cuja situação fora descrita por Marcos de Azeredo Coutinho. Eram destinatários de numerosas outras cartas Fernando Ortiz de Camargo; Fernão Dias, Lourenço Castanho Taques, Guilherme Pompeu de Almeida, Fernão Pais de Barros.
A que teve por destinatário o Fernando de Camargo é aqui reproduzida:
- "Fernando de Camargo, Eu El-Rei vos envio muito saudar. Bem sei que não é necessário persuadir-vos a que concorrais de vossa parte com o que for necessário para o descobrimento das Minas a que envio Agostinho Barbalho Bezerra, considerando ser natural desse Estado e que como tal mostra particular desejo dos aumentos dele e esperando pela experiência que tenho do bem com que até agora me serviu, que assim o fará em tudo o que lhe encarregar, porque pela notícia que me tem chegado do vosso zelo e de como vos houvestes em muitas ocasiões do meu serviço me faz certo vos disporeis a me fazer este e ele vos dirá o que convir para este efeito. Encomendo-vos que façais toda assistência para que se consiga com o bom fim o que tanto desejo, o que eu quisera ver conseguido no tempo e posse destes meus reinos, entendendo que, hei de Ter muito particular lembrança de tudo que fizerdes nesta matéria, para vos fazer mercê e honra, que espero me saibais merecer."[2]
Casamento e posteridade
Casou com Joana Lopes, filha de Gonçalo Lopes, da freguesia de Santa Marinha - Portugal, e de Catarina da Silva, paulista. Era neta de Pedro Lopes e de Ana da Costa, do lado paterno e de Cosme da Silva e de Isabel Gonçalves do lado materno.
Tiveram treze filhos, alguns dos quais bastante famosos, que foram:
- Coronel Estêvão Lopes de Camargo
- Maria de Camargo. Casou com Bartolomeu Bueno de Siqueira, filho de Lourenço de Siqueira de Mendonça e de Maria Bueno, que recebeu de seu concunhado Antônio Rodrigues Arzão o roteiro de suas descobertas de ouro no sertão do que seriam as Minas Gerais
- Mariana de Camargo. Morreu em 1715. Casou com o Capitão Antônio Rodrigues Arzão, filho do Capitão Manoel Rodrigues de Arzão e de Maria Afonso, destemido bandeirante, o primeiro que, nas palavras de Silva Leme, descobriu ouro em Minas Gerais; faleceu em 1696, deixando o roteiro de suas descobertas a seu concunhado Bartolomeu Bueno de Siqueira, que no mesmo ano se embrenhou nos sertões em busca do metal, e consultando o dito roteiro, foi ter a Itaveraba (pedra brilhante) onde, em distância de oito léguas, fundou a povoação de Ouro Preto e outras vizinhas.
- Catarina de Camargo. Casada com José Gonçalves, filho de Domingos Gonçalves e Isabel da Costa. Tivem filha, Isabel da Costa Carmargo, casada com João Brito Leite.
- Vitória de Camargo. Morreu em 1724. Casada com Fernando Munhoz, morto em 1723, que pertencia à família dos Maciéis.
- Joana Lopes de Camargo. Casada com José Pereira da Rosa, morto em 1742, filho de Luís Pereira da Rosa e Madalena Fernandes
- Ana Maria de Camargo
- Isabel de Camargo
- Capitão Fernando Lopes de Camargo. Casado com Maria de Lima de Siqueira, filha de Luís Dias Barroso e Maria de Lima do Prado.
- Pedro Lopes de Camargo.
- Coronel Tomás Lopes de Camargo. Um dos fundadores de Ouro Preto, juntamente com o padre João de Faria Fialho. Casou com Paula da Costa, filha do Capitão Martinho Pais de Linhares, falecido em 1725, e de Izabel da Silva. Inventariado em 1756 em São Paulo
- Gonçalo Lopes de Camargo, casado com Rosa Maria da Silveira, filha de Inácio Lopes Munhoz e Maria Cardoso de Almeida, que foi morador das Minas Gerais
- João Lopes de Camargo. Casou com Isabel Cardoso de Almeida irmã da cunhada precedende. Moradores de São Paulo, depois de 1713 mudaram residência para a freguesia de São Sebastião, atual distrito de Bandeirantes, em Mariana, Minas Gerais, onde faleceram.[1]
Referências
- da Silva, Edward Rodrigues (2014). «O Bandeirante João Lopes de Camargo» (PDF). Revista ASBRAP (20): 313 a 456. Consultado em 9 de setembro de 2018. Cópia arquivada (PDF) em 9 de setembro de 2018
- Chiquito Barroso. «Camargos». www.familiabarroso.com. Consultado em 6 de dezembro de 2018
Fernando Ortiz de Camargo, o Moço: O Bandeirante da Bahia e a Gênese do Ouro em Minas Gerais
Fernando Ortiz de Camargo, o Moço (São Paulo, 1628 — São Paulo, 1690) foi um destacado bandeirante paulista do século XVII. Filho do célebre Fernão de Camargo (conhecido pelo epíteto de O Jaguaretê ou O Tigre) e de Mariana do Prado, Fernando o Moço esteve na vanguarda de expedições oficiais enviadas pela Coroa Portuguesa e desempenhou um papel indireto, porém crucial, na descoberta do ouro que desataría a célebre corrida do ouro nas Alterosas (Minas Gerais).
A Malograda Expedição à Bahia (1658–1660)
Em 1658, respondendo aos chamados da administração colonial por força militar e capacidade de penetração sertaneja, Fernando Ortiz de Camargo integrou como capitão-adjunto a famosa leva organizada pelo capitão Domingos Barbosa Calheiros com destino à Bahia.
O Objetivo e o Desastre: Segundo o historiador Luiz Gonzaga da Silva Lima (em sua monumental Genealogia Paulistana), a tropa partiu para participar de uma campanha punitiva e exploratória contra os chamados "bárbaros gentios" no interior sertanejo. Contudo, a expedição revelou-se um completo fracasso estratégico.
A Traição e o Canibalismo: Iludidos pelas direções de guias nativos infiéis, os bandeirantes enfrentaram imensas privações. Os sobreviventes só conseguiram reaparecer em São Paulo em outubro de 1660. O episódio marcou-se tragicamente pelo fato de que os índios paiaiás emboscaram e assassinaram — devorando em atos antropofágicos — os paulistas que haviam sido deixados para trás guardando as valiosas munições de guerra.
As Cartas Régias e a Busca pelas Esmeraldas
A importância política e militar de Fernando o Moço chamou a atenção da própria Coroa portuguesa em um momento em que Lisboa buscava desesperadamente conter a estagnação econômica e encontrar metais e pedras preciosas na colônia.
O Decreto de Afonso VI: Em setembro de 1664, o rei Afonso VI de Portugal emitiu cartas régias direcionadas a figuras proeminentes do planalto paulista, como Lourenço Castanho Taques, Fernão Dias, Guilherme Pompeu de Almeida, Fernão Pais de Barros e, naturalmente, Fernando Ortiz de Camargo. A missão principal era apoiar o fidalgo Agostinho Barbalho Bezerra na mítica empresa de prospecção do "distrito das esmeraldas", cuja localização aproximada fora relatada por Marcos de Azeredo Coutinho.
A Sedução da Coroa: Na carta enviada diretamente a Fernando de Camargo, o monarca apelava ao seu patriotismo e ao seu comprovado zelo pelo serviço real, prometendo-lhe honras e mercês régias caso colaborasse decisivamente para o sucesso do descobrimento das minas. Embora as famosas esmeraldas fossem uma quimera, essas movimentações intensificaram o mapeamento do interior brasileiro.
Casamento e a Prole Ilustre
Fernando Ortiz de Camargo casou-se com Joana Lopes, filha de Gonçalo Lopes (natural da freguesia de Santa Marinha, em Portugal) e de Catarina da Silva (paulista), neta por via paterna de Pedro Lopes e Ana da Costa, e por via materna de Cosme da Silva e Isabel Gonçalves.
O casal teve uma numerosa prole de treze filhos, cujos destinos misturaram-se profundamente com a política paulista e com a fundação das primeiras vilas mineiras nas Minas Gerais:
Coronel Estêvão Lopes de Camargo.
Maria de Camargo: Casada com Bartolomeu Bueno de Siqueira.
Mariana de Camargo (falecida em 1715): Casada com o Capitão Antônio Rodrigues Arzão — célebre bandeirante reconhecido por ter sido um dos pioneiros a descobrir ouro na região de Minas Gerais. Foi Arzão quem deixou o precioso roteiro de suas descobertas para seu concunhado Bartolomeu Bueno de Siqueira, o qual, utilizando o manuscrito, embrenhou-se nos sertões e fundou a região de Ouro Preto (Itaveraba) e arraiais vizinhos.
Catarina de Camargo: Casada com José Gonçalves (pais de Isabel da Costa Camargo).
Vitória de Camargo (falecida em 1724): Casada com Fernando Munhoz, da tradicional família Maciel.
Joana Lopes de Camargo: Casada com José Pereira da Rosa.
Ana Maria de Camargo.
Isabel de Camargo.
Capitão Fernando Lopes de Camargo: Casado com Maria de Lima de Siqueira.
Pedro Lopes de Camargo.
Coronel Tomás Lopes de Camargo: Destacado como um dos fundadores históricos de Ouro Preto, atuando ao lado do padre João de Faria Fialho.
Gonçalo Lopes de Camargo: Fixou residência nas Minas Gerais, casado com Rosa Maria da Silveira.
João Lopes de Camargo: Casado com Isabel Cardoso de Almeida. Após 1713, mudou-se para a freguesia de São Sebastião (atual distrito de Bandeirantes, em Mariana, Minas Gerais), onde ambos faleceram.
Legado
Fernando Ortiz de Camargo, o Moço, faleceu em 1690, pouco antes de o ouro que seus filhos e parentes ajudariam a desenterrar transformar drasticamente a economia e a geopolítica do Brasil colonial. Através de sua descendência ramificada, seu nome permaneceu indissoluvelmente ligado tanto à saga dos desbravadores paulistas quanto à epopeia da fundação das Minas Gerais.
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