O Castelo de Azay-le-Rideau (Château d'Azay-le-Rideau em francês) é um palácio da França localizado na comuna de Azay-le-Rideau, no departamento de Indre-et-Loire. Foi construído entre 1518 e 1527, sendo um exemplo do Renascimento francês. Edificado sobre uma pequena ilha do rio Indre, a sua estrutura eleva-se directamente a partir do rio.[1]
História
Gilles Berthelot, o tesoureiro estatal de Francisco I e alcalde de Tours, começou a construir neste sítio já fortificado, que era parte da herança da sua esposa.[2] No entanto, foi ela, Philippa Lesbahy, quem dirigiu o curso dos trabalhos, incluindo a ideia nova de uma escadaria central (escalier d'honneur), que é a maior inovação de Azay. Em 1528, quando Berthelot foi suspeito de conivência numa fraude, teve que fugir de Azay-le-Rideau, deixando-o incompleto; nunca voltaria a ver o palácio. Em troca, o Rei confiscou a propriedade e deu-a como recompensa a um dos seus soldados de alta patente.
No decorrer dos séculos, o palácio mudou várias vezes de mãos, até princípios do século XX, quando foi adquirido pelo governo francês e restaurado. O interior foi completamente restaurado, contando com uma colecção de várias peças do Renascimento. Actualmente, o palácio está aberto ao público.
Estilo do edifício

As dimensões, longas e baixas, e as decorações escutóricas do Château d'Azay-le-Rideau são italianas, no novo gosto antigo, mas as esquinas do bastião cobertas por cones pontiagudos, o empilhamento vertical de grupos de janelas separadas por enfáricas linhas de cordas horizontais, e o alto tecto de lousa inclinado, são inequivocamente franceses. As fortificações fingidas e as torres de menagem medievais deram um ar de nobreza tradicional ao recém-enobrecido tesoureiro do Rei.

A escadaria central é o principal elemento que os visitantes encontram depois de entrar. Esta está incorporada no interior do edifício, em vez de erguer-se helicoidalmente, parcialmente encravada na parede e visivel do exterior à maneira francesa, uma característica que é familiar no Château de Blois.
Os detalhes escultóricos em Azay são particularmente notáveis. No piso térreo, pilastras caneladas, em altas bases, suportam a salamandra e arminho, emblemas de Francisco I e de Cláudia de França.
A geração romântica redescobriu o encanto do Château de Azay-le-Rideau. Honoré de Balzac referiu-se a ele como "um diamante facetado colocado no Indre" ("Un diamant taillé à facettes, serti par l'Indre"). Actualmente o palácio está rodeado por um distinto parque oitocentista, arranjado como um jardim paisagístico à inglesa, com muitas espécies de árvores, especialmente coníferas exóticas: cedros-do-líbano, ciprestes dos pântanos e sequoias do Novo Mundo.
Galeria fotográfica
- Vista do Château d'Azay-le-Rideau a partir do jardim
- Vista do Château d'Azay-le-Rideau
- Pátio interno do Château d'Azay-le-Rideau
- Detalhe do tecto da escadaria do Château d'Azay-le-Rideau
- Escadaria do Château d'Azay-le-Rideau
- Sala do primeiro andar do Château d'Azay-le-Rideau
- Vista do Château d'Azay-le-Rideau, parte do pátio interno
Referências
- «Château d'Azay-le-Rideau». Centre des monuments nationaux (em inglês). Consultado em 27 de outubro de 2020
- «Château d'Azay-le-Rideau: information and maps - France.fr». web.archive.org. 30 de julho de 2013. Consultado em 3 de dezembro de 2020
O Castelo de Azay-le-Rideau: A Joia Flutuante do Renascimento Francês
Descrito por Honoré de Balzac como "um diamante facetado colocado no Indre" (Un diamant taillé à facettes, serti par l'Indre), o Château d'Azay-le-Rideau é um dos palácios mais deslumbrantes da França. Localizado na comuna homônima, no departamento de Indre-et-Loire, a sua estrutura erguida entre 1518 e 1527 sobressai por se erguer diretamente a partir das águas de uma pequena ilha do rio Indre.
Uma História Marcada por Ambição e Reviravoltas
A construção deste ícone renascentista está ligada a figuras de destaque da corte e a um destino trágico:
A Visão dos Fundadores: O palácio começou a ser erguido sobre um antigo sítio fortificado — parte da herança da esposa de Gilles Berthelot, tesoureiro estatal do rei Francisco I e prefeito de Tours.
A Liderança de Philippa Lesbahy: Foi a esposa de Berthelot, Philippa, quem conduziu de perto os trabalhos, introduzindo inovações fundamentais como a icônica escadaria central.
Queda e Confisco: Em 1528, envolvido em suspeitas de fraude financeira, Berthelot foi obrigado a fugir, deixando o palácio incompleto e nunca mais retornando. O rei Francisco I confiscou a propriedade, recompensando um de seus soldados de alta patente.
Restauração Moderna: Após passar pelas mãos de vários proprietários ao longo dos séculos, o castelo foi adquirido pelo governo francês no início do século XX, totalmente restaurado e aberto à visitação pública com um valioso acervo renascentista.
A Fusão Estilística do Renascimento
O projeto arquitetônico de Azay-le-Rideau é um estudo fascinante de transição e sincretismo estético:
Herança Francesa e Italiana: Enquanto as decorações escultóricas e as dimensões seguem o novo gosto italiano (alla antica), os telhados altos de lousa inclinada, as linhas horizontais marcantes e as esquinas de torres cônicas mantêm a identidade tradicional francesa. Elementos como torres de menagem falsas foram usados para conferir um ar de nobreza ao recém-enobrecido tesoureiro.
A Inovação da Escadaria Central (Escalier d'honneur): Diferente dos modelos helicoidais tradicionais parcialmente externos (como no Château de Blois), a grande escadaria de Azay está totalmente incorporada ao corpo interno do edifício.
Símbolos Reais: No piso térreo, pilastras caneladas ostentam esculturas com a salamandra e o arminho, os emblemas clássicos de Francisco I e da rainha Cláudia de França.
O Parque Paisagístico
Cercando o palácio, encontra-se um distinto parque do século XIX desenhado no estilo de jardim paisagístico inglês. O espaço abriga uma rica diversidade botânica, com destaque para imponentes coníferas exóticas que complementam a atmosfera romântica do local, incluindo:
Cedros-do-líbano
Ciprestes-dos-pântanos
Sequias do Novo Mundo
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