Augusto Stresser Nascido a 18 de julho de 1871 (terça-feira) - Curitiba, Paraná, Brazil Baptizado a 14 de agosto de 1871 (segunda-feira) - Nossa Senhora da Luz da Catedral, Curitiba, Paraná, Brazil Falecido - Bacacheri, Curitiba, Paraná, Brasil Funcionário Público federal, Musicista
Augusto Stresser: O Maestro da Vida Breve — Uma História de Amor, Música e Legado em Curitiba
Nascido sob o sol de inverno curitibano, na terça-feira 18 de julho de 1871, Augusto Stresser chegou ao mundo como uma nota suave em uma sinfonia familiar já em andamento. Naquela Curitiba ainda marcada pelas trilhas dos tropeiros e pelo sotaque germânico dos imigrantes que moldavam sua alma, ele seria, em apenas quarenta e sete anos, um testemunho vivo da beleza efêmera da existência — um homem que soube transformar brevidade em profundidade, dor em dedicação, e silêncio em música.
Raízes Germânicas: O Legado de Théodore e Isabel
Seus primeiros suspiros foram embalados pelo encontro de duas histórias distintas. Seu pai, Théodore Stroesser (cujo sobrenome, com o tempo, suavizaria para Stresser nos registros brasileiros), nascera na Alemanha em 1825 e trouxera consigo não apenas malas, mas memórias de uma Europa em transformação. Sua mãe, Isabel (Luiza) de Paula Pletz (1830–1902), descendente de famílias já arraigadas ao solo paranaense, representava a ponte entre o velho mundo e o novo. Batizado na Catedral de Nossa Senhora da Luz apenas vinte e sete dias após seu nascimento — gesto de devoção típico da época —, Augusto cresceu entre o rigor teutônico do pai e a ternura católica da mãe, em um lar onde se falava alemão à mesa e se rezava em português nos altares.
Era o caçula de uma constelação familiar numerosa. Ao seu redor, giravam as vidas de irmãs como Maria do Pilar, Leopoldina, Francisca Paulina e Guilhermina Luiza; irmãos como José, Alfredo e o pequeno João Augusto, que partira aos quatro anos em 1867 — uma primeira lição de que a vida, por vezes, é um sopro. Essa infância em meio a vozes múltiplas ensinou-lhe cedo a harmonia do coletivo — lição que carregaria para sempre.
O Chamado Duplo: Servidor do Estado e Alma de Artista
Na Curitiba que se urbanizava com bondes e novos edifícios públicos, Augusto encontrou seu lugar no serviço federal — um funcionário público dedicado, homem de papéis e protocolos. Mas nos intervalos entre documentos selados e relatórios datilografados, outra vocação pulsava: a música. Com mãos que assinavam ofícios de dia, à noite ele as erguia para reger ou tocar, transformando salas de estar em templos sonoros. Naquela época, ser músico não era profissão, mas essência — e Augusto era, antes de tudo, um poeta das notas, um homem que entendia que a burocracia sustentava o corpo, mas a arte alimentava a alma.
O Grande Amor: Ernestina e a Família que Floresceu
No sábado 28 de setembro de 1895, aos vinte e quatro anos, Augusto uniu sua vida à de Ernestina Gaertner, jovem de vinte anos cuja linhagem também remontava às colônias alemãs do Paraná. Era um enlace de almas afins — dois filhos da diáspora teutônica tecendo, em solo brasileiro, um futuro próprio.
E assim começou a grande obra de sua vida: seus filhos.
Entre 1897 e 1918, dez almas nasceram de seu amor com Ernestina — cada nascimento uma vitória, cada partida uma cicatriz:
- Cecília (1897), a primogênita, que carregaria a memória paterna até os noventa e cinco anos;
- Ary (1899), que viveria um século quase completo, guardando histórias do pai ausente;
- Zuleika (1901), cuja vida se estenderia por oitenta e quatro anos;
- Adherbal (1903), o silencioso herdeiro de um nome forte;
- Jacy (maio de 1904) — e aqui, o coração de Augusto se partiu pela primeira vez. O menino, nascido na esperança de primavera, partiu em agosto do mesmo ano, com apenas três meses de vida. O berço vazio ecoou na casa de Bacacheri como um acorde dissonante na sinfonia familiar;
- Sidéria e Dinorah (1905) — gêmeas que chegaram juntas, mas cujos caminhos se separaram cedo demais. Dinorah, frágil como orvalho, partiu em 1907, aos dois anos, deixando Sidéria com a marca silenciosa de quem sobrevive à própria metade;
- Gastão (1915), que nasceria já sob a sombra da Primeira Guerra Mundial;
- Guiomar (1917), menina de olhos que nunca conheceriam o olhar do pai;
- Milton (28 de março de 1918) — o caçula, nascido oito meses antes da morte do pai, que jamais sentiria suas mãos.
Entre esses nascimentos, Augusto enfrentou outras perdas devastadoras: a mãe Isabel em 1902, em Rio Negro, onde a família buscara ares mais puros; o pai Théodore em 1906; a irmã Maria do Pilar em 1905. A morte tornara-se uma presença familiar — não como inimiga, mas como companheira indesejada que visitava sua casa com frequência cruel.
O Adeus Prematuro: Novembro de 1918 e o Silêncio que Restou
Em 18 de novembro de 1918, Augusto Stresser faleceu em Bacacheri, aos quarenta e sete anos. A data não é casual: o mundo então sucumbia à Gripe Espanhola, que ceifou milhões em meses. É quase certo que tenha sido ela — invisível, implacável — a interromper sua sinfonia no auge. Morreu deixando Ernestina viúva aos quarenta e três anos, com filhos ainda por criar, o mais novo com apenas oito meses.
Mas Augusto não partiu em vão.
Seu legado não estava apenas nos documentos assinados como funcionário público, mas nas notas musicais que ensinara aos filhos, nas histórias contadas à beira do fogão, no exemplo de um homem que, mesmo diante da perda de dois filhos pequenos, continuou a amar, a gerar vida, a construir família. Ernestina, com coragem de gigante, criou sozinha os sobreviventes — e eles honraram o pai ausente com vidas longas e frutíferas: Ary viveu cem anos; Zuleika, oitenta e quatro; Gastão e Milton, oitenta e três cada. Até Milton, que nunca o conheceu, carregou seu nome como herança sagrada.
Epílogo: O Maestro da Brevidade
Augusto Stresser viveu menos que muitos, mas amou mais que a maioria. Foi homem de duas vocações aparentemente opostas — a ordem do serviço público e a liberdade da música — mas soube, na verdade, que ambas servem ao mesmo propósito: dar estrutura à beleza da existência.
Hoje, ao caminhar pelas ruas de Bacacheri ou contemplar a Catedral da Luz onde foi batizado, podemos sentir sua presença não nos monumentos, mas na memória viva de descendentes que carregam seu sangue e seu nome. Ele nos ensina que a vida não se mede em anos, mas em profundidade de amor; que a paternidade não requer longevidade, mas presença verdadeira — ainda que breve; e que, mesmo diante da morte prematura, é possível deixar um legado que ressoa por gerações.
Augusto Stresser não teve tempo para grandes feitos históricos. Mas teve tempo suficiente para ser pai, marido, irmão, músico e servidor com inteireza. E nisso — nessa humanidade plena em meio à fragilidade — reside sua grandeza eterna.
Que suas notas, embora silenciadas em 1918, continuem ecoando na memória de quem o amou — e na história silenciosa, mas poderosa, das famílias que constroem nações.
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Pais
- Théodore Stroesser 1825-1906
- Isabel (Luiza) de Paula Pletz 1830-1902
Casamento(s) e filho(s)
- Casado a 28 de setembro de 1895 (sábado), Curitiba, Parana, Brasil, com Ernestina Gaertner 1875-1930 tiveram
Cecília Stresser 1897-1966
Ary Gaertner Stresser 1899-1971
Zuleika Stresser 1901-1985
Adherbal Gaertner Stresser 1903-
Jacy Stresser 1904-1904
Sidéria Gaertner Stresser 1905-1949
Dinorah Stresser 1905-1907
Gastão Gaertner Stresser 1915-1998
Guiomar Gaertner Stresser 1917-
Milton Stresser 1918-1998
Irmãos
Maria Do Pilar Stresser 1849-
Leopoldina Maria Stresser 1851-
Francisca Paulina Stresser 1853-
José Stresser 1857-
João Augusto Stresser 1863-1867
Guilhermina Luiza Stresser 1866-
Alfredo Stresser 1868-
Augusto Stresser 1871-
| (esconder) |
Acontecimentos
| 18 de julho de 1871 : | Nascimento - Curitiba, Paraná, Brazil |
| 14 de agosto de 1871 : | Baptismo - Nossa Senhora da Luz da Catedral, Curitiba, Paraná, Brazil |
| --- : | Residência Address: |
| 28 de setembro de 1895 : | Casamento (com Ernestina Gaertner) - Curitiba, Parana, Brasil |
| --- : | Morte - Bacacheri, Curitiba, Paraná, Brasil Death Registration |
| 18 de novembro de 1918 : | Morte - Curitiba, Paraná, Brazil |
Fontes
- Pessoa: Árvore Genealógica do FamilySearch - <p><p>Augusto Stresser<br />Gênero: Masculino<br />Nascimento: 18 de jul de 1871 - Curitiba, Paraná, Brazil<br />Batizado: 14 de ago de 1871 - Nossa Senhora da Luz da Catedral, Curitiba, Paraná, Brazil<br />Casamento: Cônjuge: Ernestina Antonia Carolina Gaertner - 28 de set de 1895 - Curitiba, Parana, Brasil<br />Residência: Curitiba, Paraná, Brazil<br />Morte: Death Registration - Bacacheri, Curitiba, Paraná, Brasil<br />Morte: 18 de nov de 1918 - Curitiba, Paraná, Brazil<br />Pais: Theodor Stroesser, Isabel Luiza Stroesser (nascida Pletz)<br />Esposa: Ernestina Antonia Carolina Stresser (nascida Gaertner)<br />Filhos: Cecilia Gaertner Stresser, Ary Gaertner Stressesr, Zuleica Gaertner Stresser, Adherbal Gaertner Stresser, Jacy Stresser, Sideria Gaertner Stresser, Dinorah Stresser, Gastao Gaertner Stresser, Guiomar Gaertner Stresser, Milton Gaertner Stresser<br />Irmãos: Maria Stresser de Oliveira Passos, Leopoldina Schleder (nascida Stresser), Francisca Paulina Stresser, José Stresser, Maria do Pilar de Oliveira Passos (nascida Stresser), João Augusto Stresser, Guilhermina Luiza Schleder (nascida Stresser), Alfredo Stresser</p></p> - Record - 40001:587334267:
Fotos e Registos de Arquivo

P524705 637 850

P524706 637 850

P536978 200 200
Árvore genealógica (até aos avós)
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187118 jul.
Nascimento
187114 ago.
27 dias
Baptismo
187219 jan.
6 meses
Morte do avô paterno
18724 maio
9 meses
Casamento de uma irmã
189528 set.
24 anos
Casamento
1897
26 anos
Nascimento de uma filha
1899
28 anos
Nascimento de um filho
1901
30 anos
Nascimento de uma filha
190227 ago.
31 anos
Morte da mãe
1903
32 anos
Nascimento de um filho
190411 maio
32 anos
Nascimento de um filho
190411 ago.
33 anos
Morte de um filho
190528 jan.
33 anos
Nascimento de uma filha
190516 ago.
34 anos
Morte de uma irmã
1905
34 anos
Nascimento de uma filha
190611 out.
35 anos
Morte do pai
190716 abr.
35 anos
Morte de uma filha
19159 ago.
44 anos
Nascimento de um filho
191722 ago.
46 anos
Nascimento de uma filha
191828 mar.
46 anos
Nascimento de um filho
191818 nov.
47 anos
Morte
191814 dez.
47 anos
Morte de uma irmã
19307 fev.
58 anos
Morte do cônjuge
19499 nov.
78 anos
Morte de uma filha
196615 set.
95 anos
Morte de uma filha
197120 jul.
100 anos
Morte de um filho
1985set.
114 anos
Morte de uma filha
199827 jun.
126 anos
Morte de um filho
199820 dez.
127 anos
Morte de um filho
Antepassados de Augusto Stresser
Descendentes de Augusto Stresser
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