Dalila Thusnelda STUBERT Lala (Dalila Thusnelda STUBERT) Nascida a 12 de março de 1919 (quarta-feira) - Joinville, Santa Catarina, BRÉSIL Falecida a 15 de outubro de 1995 (domingo) - Curitiba, Grande Curitiba, Paraná, BRÉSIL, com a idade de 76 anos Do lar
Dalila Thusnelda Stubert Lala: A Força Silenciosa que Tecia Lares — Uma Mulher de Joinville que se Tornou Alma do Paraná
No coração da colônia alemã de Joinville, sob um céu de março tingido pelo verde exuberante do Atlântico Sul, veio ao mundo em 12 de março de 1919 — quarta-feira de promessas — uma menina cujo nome carregava a musicalidade das terras ancestrais: Dalila Thusnelda Stubert. Filha de Augusto August Ferdinand Wilhelm Stubert, homem cujos quatro nomes revelavam a solenidade germânica transplantada no solo brasileiro, e de Olga Büst, mulher de olhos serenos e mãos habilidosas, Dalila nasceu herdeira de duas linhagens marcadas pela disciplina do trabalho e pela profundidade do afeto familiar. Não imaginava, naquela infância catarinense embalada por canções em Deutsch e o aroma do kuchen no forno a lenha, que sua vida se entrelaçaria de forma indelével com a história do Paraná — nem que se tornaria, com sua quietude resiliente, o alicerce invisível sobre o qual uma família inteira se ergueria.
A Primeira Ferida: Quando a Mãe Partiu e o Mundo Perdeu a Cor
A infância de Dalila conheceu a luz plena por apenas cinco anos e onze meses. Em 3 de fevereiro de 1925, em Tomazina, interior do Paraná — onde a família havia migrado em busca de novas oportunidades —, Olga Büst entregou sua alma ao Criador, deixando órfã de mãe uma menina que mal aprendera a soletrar seu próprio nome. Aos cinco anos, Dalila viu o mundo desmoronar: o colo que a embalava, as mãos que a penteavam ao amanhecer, a voz que cantava Schlaf, Kindlein, schlaf ao anoitecer — tudo se transformou em memória.
Seu pai, Augusto Stubert — homem de origem prussiana cuja vida já conhecera as agruras da migração — enfrentou a viuvez com a estoicidade característica de sua gente. Mas o coração, por mais forte que fosse, clamava por companhia. Em 6 de fevereiro de 1926, pouco mais de um ano após a morte de Olga, Augusto uniu-se a Maria Thereza "Nona" Bertinatto (1901–1972), mulher de alma generosa que assumiria com dedicação o papel de madrasta para Dalila e seu irmão mais velho, Albano Santiago Stubert (nascido em 1917). Dessa nova união nasceria Miguel Jacob "Tetéco" Stubert, meio-irmão que Dalila acolheria com o carinho de quem compreendeu cedo que família não se mede apenas pelo sangue, mas pelo cuidado cotidiano.
A presença de Nona trouxe estabilidade à casa — mas jamais apagou a ausência de Olga. Dalila carregaria para sempre a marca daquela perda inaugural: a compreensão precoce de que a vida é feita de ciclos de amor e despedida, e que a força feminina reside não em evitar a dor, mas em transformá-la em cuidado pelos que ficam.
Entre Dois Mundos: A Herança Germânica e a Alma Brasileira
Crescer na fronteira entre Santa Catarina e Paraná na década de 1920-30 era viver entre dois mundos. Em casa, ouvia-se alemão — língua dos avós Germano Hermann Friedrich Wilhelm Büst e Berta Emma Busmann, que haviam deixado a Europa em busca de um futuro melhor; língua da avó paterna Elisabeth Barbara Sauerbeck Surbeck, cuja foto de 1928 a mostrava ainda vibrante em Rio Negro, onde residia seu filho Augusto. Na rua, na escola, no comércio, falava-se português — língua do país que os acolhera, do solo que lhes dava sustento.
Dalila tornou-se ponte entre essas realidades. Aprendeu a cozinhar sauerkraut com a precisão germânica, mas também a preparar feijoada com o calor brasileiro. Guardou no coração o rigor ético dos Stubert — palavra empenhada como honra sagrada — mas desenvolveu a maleabilidade afetiva necessária para viver em comunidades mestiças do interior paranaense. Quando, em 3 de novembro de 1937, aos dezoito anos, obteve seu título de eleitora — gesto raro para mulheres da época —, demonstrava já uma consciência cidadã que transcendia os limites domésticos tradicionalmente destinados às mulheres de sua geração.
O Encontro que Transformou Destinos: Luiz Bruel e o Casamento na Lapa Histórica
Era outubro de 1943. A Segunda Guerra Mundial ainda assombrava o mundo, mas no Brasil, especialmente no Paraná, a vida seguia seu curso de esperanças renovadas. Em 16 de outubro daquele ano — sábado de céu aberto —, na histórica cidade da Lapa, berço da resistência paranaense, Dalila Thusnelda Stubert encontrou-se diante do altar com Luiz Lute Bruel, homem de origem francesa e alma profundamente paranaense, nascido nas terras de Tamanduá.
Não foi um encontro casual. Luiz, órfão de pai desde os doze anos, conhecia a dor da perda precoce; Dalila, órfã de mãe aos cinco, compreendia a solidão que marca a alma infantil. Ambos carregavam cicatrizes silenciosas — e nessa sintonia de feridas cicatrizadas nasceria um amor feito não de paixão efêmera, mas de reconhecimento profundo: encontraram no outro alguém que sabia o que era reconstruir a vida com as próprias mãos.
O casamento na Lapa não foi apenas uma cerimônia religiosa — foi um pacto de sobrevivência afetiva. Dalila deixava para trás a infância fragmentada entre Joinville, Tomazina e Curitiba para abraçar um novo destino ao lado de um homem cuja força residia na quietude, cuja grandeza se revelava no trabalho honesto. E Luiz encontrava na jovem de olhos serenos a parceira capaz de transformar seu comércio em lar, suas aspirações em realidade concreta.
Mãe: O Ofício Sagrado de Criar Seres Humanos
Como dona de casa — profissão que, na época, abarcava muito mais que "cuidar do lar" —, Dalila dedicou-se integralmente à missão que considerava mais nobre: criar filhos com dignidade. E nisso, foi mestra.
De seu ventre nasceram três almas que carregariam adiante o legado Stubert-Bruel:
- Sérgio Bruel, o primogênito, que herdou do pai a postura serena mas da mãe a sensibilidade para perceber as necessidades alheias. Dalila ensinou-lhe, desde cedo, que ser homem não significava ausentar-se das emoções — significava acolhê-las com responsabilidade. Nas noites em que Luiz estava no comércio ou na Câmara Municipal, era Dalila quem contava histórias a Sérgio, quem explicava o mundo com paciência infinita, quem transformava limitações materiais em lições de valor humano.
- Olga Maria Bruel, a única filha mulher, batizada em homenagem à avó materna que Dalila perdera tão cedo. Nesse gesto de nomeação residia toda a sua história: a dor da perda transformada em homenagem perene. Olga Maria cresceu sob os cuidados meticulosos da mãe — aprendeu a bordar com as mãos que outrora pertenceram a Olga Büst, aprendeu a cozinhar com as receitas que Nona lhe ensinara, mas, acima de tudo, aprendeu que ser mulher significava ser coluna — não apenas sustentáculo da família, mas também seu coração pulsante. Dalila via em Olga Maria a continuidade viva de sua própria mãe — e nisso encontrava consolo para a ferida nunca totalmente cicatrizada.
- Luiz Roberto "Beto" Bruel, o caçula, que recebeu do pai o nome mas da mãe a essência mais profunda: a capacidade de escutar, de acolher, de transformar conflitos em diálogo. Dalila dedicava-se especialmente a Beto nos últimos anos de sua maternidade ativa — já com cabelos grisalhos surgindo, ainda encontrava energia para acompanhar seus primeiros passos, corrigir seus cadernos escolares, preparar seu lanche com capricho maternal. Beto tornou-se, em muitos aspectos, o filho que mais absorveu a filosofia de vida de Dalila: a quietude como força, o cuidado como revolução silenciosa.
A casa dos Bruel, sob as mãos de Dalila, transformou-se em refúgio. Não havia luxos — mas havia pão caseiro sempre quente, roupas remendadas com capricho, flores silvestres em jarros de vidro, e, acima de tudo, uma atmosfera de segurança emocional rara naqueles tempos de incertezas. Enquanto Luiz construía seu nome como comerciante e vereador, Dalila construía algo mais duradouro: a alma de uma família.
As Perdas que Moldaram sua Serenidade
A vida não poupou Dalila das despedidas. Em 23 de fevereiro de 1970, seu pai Augusto Stubert partiu em Curitiba, encerrando um ciclo de quase meio século desde a morte de sua primeira esposa. Dalila, então com 50 anos, já era mulher madura — mas perder o pai significava perder a última testemunha viva de sua infância em Joinville, do colo de Olga, dos primeiros passos na terra catarinense.
Em 3 de abril de 1986, seu irmão Albano Santiago Stubert faleceu — mais um elo da infância desfeito. Mas a provação mais profunda viria antes: em 29 de fevereiro de 1984, Luiz Lute Bruel, seu companheiro de quarenta anos, entregou sua alma ao Criador em Curitiba. Aos 64 anos, Dalila viu-se viúva — mas não desamparada. Tinha seus filhos, seus netos que começavam a chegar, e, acima de tudo, a força forjada na perda precoce da mãe: aprendera cedo que a vida continua mesmo quando o coração parece não suportar mais uma despedida.
Onze anos viúva, Dalila viveu com dignidade serena. Não se recolheu ao luto perpétuo — participou da vida dos filhos, acompanhou o crescimento dos netos, manteve viva a memória de Luiz sem permitir que a ausência dele definisse sua existência. Sua casa continuou sendo ponto de encontro familiar — agora como matriarca, guardiã das histórias, transmissora de sabedoria silenciosa.
O Adeus e o Legado que Permanece
Em 15 de outubro de 1995 — domingo de outono em Curitiba —, Dalila Thusnelda Stubert Lala entregou sua alma à eternidade aos 76 anos. Partiu não como vítima das perdas que enfrentara, mas como vencedora silenciosa: mulher que transformara orfandade em força, casamento em parceria genuína, maternidade em arte sublime.
Seu legado não se mede em bens materiais — mede-se em:
- Sérgio, que carrega no nome a força do pai mas na alma a ternura materna;
- Olga Maria, que perpetua o nome da avó perdida e a essência da mãe que soube honrar essa memória com amor;
- Luiz Roberto "Beto", que herdou do pai o nome e da mãe a capacidade de ser porto seguro para os outros;
- Nos netos e bisnetos que, mesmo sem conhecê-la pessoalmente, absorvem sua ética do cuidado através das histórias contadas em família;
- Na memória coletiva de todos que cruzaram seu caminho e foram tocados por sua quietude generosa.
Epílogo: A Grandeza do Invisível
Dalila Thusnelda Stubert Lala nunca ocupou cargos públicos, nunca teve seu nome em placas de ruas, nunca foi celebrada em jornais. Foi "apenas" dona de casa — expressão que, em sua simplicidade aparente, esconde a mais complexa das engenharias humanas: a construção diária de seres humanos capazes de amar, trabalhar e honrar seus antepassados.
Sua vida foi um bordado feito de fios invisíveis: o pão amassado ao amanhecer, o remendo na calça do filho mais novo, a palavra de consolo ao marido após um dia difícil no comércio, a paciência infinita ao ensinar a filha a bordar, o silêncio respeitoso diante das dores alheias. Fios que, tecidos dia após dia por mais de setenta anos, formaram uma tapeçaria de rara beleza: a história de uma mulher que, tendo perdido a mãe na infância, dedicou-se a ser mãe completa para seus filhos; que, tendo conhecido a dor da orfandade, construiu um lar onde ninguém se sentia só.
Hoje, quando os ventos sopram sobre Joinville e Curitiba, ainda se sente sua presença — não em monumentos, mas na força serena de seus descendentes; não em documentos oficiais, mas na memória afetiva de quem a conheceu. Dalila Stubert Lala foi, em essência, o que toda grande mulher deveria ser reconhecida por ser: a alma silenciosa que faz girar o mundo — não com ruído, mas com amor cotidiano; não com gestos grandiosos, mas com a coragem de levantar cada manhã e, mais uma vez, tecer lares onde a humanidade possa florescer.
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Pais
Augusto August Ferdinand Wilhelm STUBERT 1894-1970
Olga BÜST 1896-1925
Casamento(s) e filho(s)
- Casada a 16 de outubro de 1943 (sábado), Lapa, Grande Curitiba, Paraná, BRÉSIL, com
Luiz Lute BRUEL 1918-1984 tiveram
Irmãos
Albano Santiago STUBERT 1917-1986
Dalila Thusnelda Lala STUBERT 1919-1995
Meios irmãos e meias irmãs
Pelo lado de Augusto August Ferdinand Wilhelm STUBERT 1894-1970 |
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| (esconder) |
Acontecimentos
| 12 de março de 1919 : | Nascimento - Joinville, Santa Catarina, BRÉSIL |
| 3 de novembro de 1937 : | Título de Eleitor |
| 16 de outubro de 1943 : | Casamento - Lapa, Grande Curitiba, Paraná, BRÉSIL |
| 16 de outubro de 1943 : | Casamento (com Luiz Lute BRUEL) - Lapa, Grande Curitiba, Paraná, BRÉSIL |
| 15 de outubro de 1995 : | Morte - Curitiba, Grande Curitiba, Paraná, BRÉSIL |
Fotos e Registos de Arquivo

Cert Cas Lala Lute pdf

Cert Cas Lala Lute pdf

Dalila Thusnelada STUBERT

Dalila Thusnelda Stubert pdf
Árvore genealógica (até aos avós)
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191912 mar.
Nascimento
19253 fev.
5 anos
Morte da mãe
19266 fev.
6 anos
Casamento do pai
19373 nov.
18 anos
Título de Eleitor
194130 jul.
22 anos
Morte do avô materno
194316 out.
24 anos
Casamento
194316 out.
24 anos
Casamento
possivelmente194518 maio
~ 26 anos
Morte da avó paterna
Notas
Em 1928 ela aparece em uma foto em Rio Negro, onde residia seu filho Augusto Stubert.
No registro de óbito FS abaixo consta Eliza Stubert
195724 jul.
38 anos
Morte da avó materna
197023 fev.
50 anos
Morte do pai
198429 fev.
64 anos
Morte do cônjuge
19863 abr.
67 anos
Morte de um irmão
199515 out.
76 anos
Morte
Antepassados de Dalila Thusnelda Lala STUBERT
Descendentes de Dalila Thusnelda Lala STUBERT
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