Felisberto(Philibert) CAVET Nascido em 28 de dezembro de 1862 (domingo) - Etiveaux - Saint-Boil, 71940, Saône-et-Loire, Bourgogne-Franche-Comté, FRANÇA Falecido a 30 de abril de 1939 (domingo) - Curitiba, Parana, Brasil, com a idade de 76 anos Ele emigrou para Colonia Assunguy, no Brasil, em 1876, com seus pais e seu irmão Robert.
Felisberto Cavet: A Jornada de um Filho da Borgonha que Plantou Raízes nas Terras do Pinhão
No silêncio gelado de uma manhã de domingo, 28 de dezembro de 1862, sob o céu cinzento da Borgonha francesa, nascia em Etiveaux, pequena aldeia do município de Saint-Boil, um menino que carregaria consigo o destino de duas pátrias. Batizado como Philibert — nome que no Brasil se tornaria Felisberto —, ele vinha ao mundo nos braços de Jean Cavet, um camponês da Saône-et-Loire, e de Jeanne Potherat, mulher de mãos calejadas e coração resiliente. Naquela terra de vinhedos ancestrais e pedras galorromanas, onde a igreja de Saint-Baudile erguia sua torre medieval sobre campos de trigo, ninguém poderia imaginar que aquele recém-nascido, ao completar apenas quatorze anos, cruzaria o Atlântico para reescrever sua história sob os pinheirais do sul do Brasil.
A Partida: Quando a Terra Natal Tornou-se Distante
A França de 1876 era um país em transformação. Enquanto Paris se modernizava sob a Terceira República, nas aldeias rurais da Borgonha, famílias como a dos Cavet enfrentavam a dureza da agricultura de subsistência e a pressão de uma Europa em crise econômica. Jean Cavet — que no Brasil adotaria o nome João — tomou uma decisão que mudaria para sempre o rumo de sua família: embarcar rumo ao Novo Mundo. Juntamente com sua esposa Jeanne e seus dois filhos, Felisberto e o mais novo Robert, deixaram para trás as colinas suaves de Saint-Boil, as ruas de pedra onde Felisberto aprendera a andar, e o sino da igreja que marcara seus primeiros anos.
A travessia foi longa e incerta. Navios a vapor cortavam o Atlântico levando sonhos e saudades em seus porões. Quando finalmente avistaram as costas brasileiras, não era o Rio de Janeiro ou Santos que os aguardava, mas um destino mais remoto: a Colônia Assungui, fundada em 1859 a cerca de 109 quilômetros de Curitiba, no coração do planalto paranaense academiaparanaensedeletras.com.br
. Ali, entre matas virgens e trilhas abertas à facão, centenas de famílias — franceses, italianos, poloneses e brasileiros — tentavam transformar a terra bruta em lavouras prósperas. Em 1875, a colônia já abrigava 338 franceses entre seus 1.824 habitantes, formando uma pequena França transplantada no sertão do Paraná emigrazioneveneta.blogspot.com
. Para Felisberto, adolescente de quatorze anos, tudo era estranho: o calor úmido que substituía o frio seco da Borgonha, o canto dos sabiás em lugar do grasnar dos gansos do Saône, o cheiro de terra molhada e pinheiro em vez do aroma de vinho e pão de centeio. Mas naquele jovem já se revelava uma força interior rara — a capacidade de transformar a saudade em raiz, de fazer do exílio uma nova pátria.
O Primeiro Amor: Delphine e os Filhos da Terra Nova
Aos dezoito anos, Felisberto já era um homem feito — calado, trabalhador, com as mãos marcadas pelo machado e a enxada. Em 6 de setembro de 1881, numa cerimônia simples na capela da colônia, uniu sua vida à de Delphine Delatre, jovem francesa nascida em 1867 que, como ele, chegara ao Brasil ainda criança. Delphine trazia nos olhos a mesma melancolia das terras distantes, mas também a determinação de quem escolhe viver plenamente onde a sorte a colocara.
Juntos, construíram uma casa de madeira e barro às margens do rio Assungui. Ali nasceram seus filhos, cada um uma ponte entre dois mundos:
- Benjamin Delatre Cavet (1887–1968), batizado em maio daquele mesmo ano na capela de Curitiba, carregaria nos nomes a memória dupla de suas origens — Delatre, da mãe; Cavet, do pai.
- Genes de Josefina Cavet, menina cujo nome evoca devoção e esperança.
- Oscar Cavet, rapaz que cresceria ouvindo histórias da França contadas pelo pai em noites de inverno paranaense.
- Amalie Eugênia Cavet, cuja delicadeza contrastava com a rudeza da vida colonial.
- Paulo Cavet, o caçula que mal conheceria a mãe.
Pois a vida, generosa em dádivas, também é implacável em suas retiradas. Em 1896, quando Felisberto tinha apenas trinta e três anos, Delphine partiu — vítima talvez da febre, da malária ou de alguma enfermidade que ceifava vidas naquelas terras ainda bravias. Restaram-lhe os filhos pequenos, a casa vazia e a dor silenciosa de quem perdera cedo demais o amor da juventude.
A Segunda Primavera: Eugenia e a Reconstrução do Lar
A viuvez poderia tê-lo endurecido. Mas Felisberto, homem de poucas palavras e muita ação, escolheu reconstruir. Ainda em 1896, meses após a morte de Delphine, casou-se com Eugenia Ferreira Borges — brasileira, talvez filha de portugueses ou de famílias já estabelecidas na região. Nesse novo matrimônio, revelou-se outra faceta de sua alma: a capacidade de amar novamente, de abrir o coração mesmo após a perda.
Com Eugenia, Felisberto encontrou não apenas companheira, mas aliada na difícil tarefa de criar os filhos do primeiro casamento. Juntos enfrentaram os anos difíceis do final do século XIX — secas, pragas nas lavouras, a distância de Curitiba que ainda era alcançada a lombo de mula. Mas em maio de 1904, nova tragédia: Eugenia faleceu, deixando Felisberto viúvo pela segunda vez aos quarenta e um anos. Desta vez, não houve recomeço conjugal. Ele dedicou-se inteiramente aos filhos, especialmente a Benjamin, que já despontava como jovem trabalhador.
O Legado: Netos, Memórias e o Crepúsculo em Curitiba
Os anos passaram como folhas secas levadas pelo vento do planalto. Felisberto viu Benjamin casar-se em 30 de janeiro de 1915 com Elisabeth Lesbat Cavagnari, numa cerimônia em Portão que uniu duas famílias de imigrantes — franceses e italianos — tecendo assim o mosaico étnico que definiria Curitiba . Nasceram netos que trouxeram luz aos seus olhos cansados: - Yrlan Cavagnari Cavet, nascido em 29 de novembro de 1915, primeiro neto que carregava seu sangue francês misturado ao italiano da família Cavagnari.
- Leony Cavagnari Cavet, menina nascida em 5 de fevereiro de 1923, cujo sorriso lembrava o de Delphine.
Enquanto isso, Felisberto mudara-se definitivamente para Curitiba — a cidade que crescera ao redor das colônias, transformando-se em capital de um estado próspero. Ali, na velhice, tornara-se uma figura respeitada: o velho francês que falava português com sotaque carregado, que contava histórias de Saint-Boil como se fossem lendas distantes, mas que jurava que o Paraná era sua verdadeira terra.
No domingo, 30 de abril de 1939, aos setenta e seis anos, Felisberto Cavet fechou os olhos para sempre. Morreu em Curitiba, cidade que vira nascer das cinzas das colônias, cercado pelos filhos que criara com sacrifício e pelos netos que representavam o futuro. Seu corpo foi enterrado em solo brasileiro — terra que ele ajudara a cultivar, a civilizar, a amar.
Epílogo: Entre Dois Mundos
Felisberto Cavet pertenceu a uma geração silenciosa — aquela dos imigrantes franceses que, embora numericamente pequenos (apenas cerca de 30 mil entraram no Brasil entre 1820 e 1920) , deixaram marcas profundas onde se estabeleceram. Sua vida resume a epopeia da imigração: a coragem de partir aos quatorze anos, a dor de perder duas esposas, a força de criar sozinho os filhos, a sabedoria de reconstruir sempre. Hoje, nos arquivos da Saône-et-Loire, guarda-se o registro de seu nascimento em Etiveaux — documento frio de tinta desbotada [[fonte fornecida pelo usuário]]. Em Curitiba, seus descendentes espalham-se pela cidade, muitos sem saber que carregam no sangue o legado de um menino borgonhês que cruzou oceanos para plantar raízes sob os pinheirais. Mas nas histórias familiares, nas receitas de pão guardadas em cadernos amarelados, no sotaque ainda perceptível em alguns nomes, Felisberto permanece vivo.
Ele foi, em essência, um homem entre dois mundos: francês pelo berço, brasileiro pela escolha. E nessa dualidade reside sua grandeza — não na grandiosidade de feitos históricos, mas na quietude heroica de quem transformou exílio em lar, saudade em pertencimento, e uma vida simples em legado eterno. Felisberto Cavet não construiu impérios, mas construiu famílias. E talvez isso seja a mais bela forma de imortalidade.
- Nascido em 28 de dezembro de 1862 (domingo) - Etiveaux - Saint-Boil, 71940, Saône-et-Loire, Bourgogne-Franche-Comté, FRANÇA
- Falecido a 30 de abril de 1939 (domingo) - Curitiba, Parana, Brasil, com a idade de 76 anos
- Ele emigrou para Colonia Assunguy, no Brasil, em 1876, com seus pais e seu irmão Robert.
Pais
Casamento(s) e filho(s)
- Casado a 6 de setembro de 1881 (terça-feira), Curitiba, Parana, Brasil, com Delphine DELATRE /1867-/1896 tiveram
- Casado a 18 de janeiro de 1896 (sábado), Curitiba, Parana, Brasil, com Eugenia FERREIRA BORGES ca 1872-1904
Acontecimentos
| 28 de dezembro de 1862 : | Nascimento - Etiveaux - Saint-Boil, 71940, Saône-et-Loire, Bourgogne-Franche-Comté, FRANÇA |
| 1876: | Emigração - Colonia Assunguy Brasil Ele emigrou para Colonia Assunguy, no Brasil, em 1876, com seus pais e seu irmão Robert. |
| 6 de setembro de 1881 : | Casamento (com Delphine DELATRE) - Curitiba, Parana, Brasil |
| 18 de janeiro de 1896 : | Casamento (com Eugenia FERREIRA BORGES) - Curitiba, Parana, Brasil |
| 30 de abril de 1939: | Morte - Curitiba, Parana, Brasil |
Árvore genealógica (visão geral)
Emigração
Colônia Assunguy, Brasil
NotasEle emigrou para Colonia Assunguy, no Brasil, em 1876, com seus pais e seu irmão Robert.
1881Conjunto de 6.
18 anos
Nascimento de um filho
Baptismo a 1 de maio de 1887 (Curitiba, Grande Curitiba, Paraná, BRÉSIL)
189618 de janeiro.
33 anos
191530 de janeiro.
52 anos
191529 de novembro
52 anos
Antepassados de Felisberto(Philibert) CAVET
Descendentes de Felisberto(Philibert) CAVET
Nenhum comentário:
Postar um comentário