Denominação inicial: Grupo Escolar Prieto Martinez
Denominação atual: Colégio Estadual Pietro Martinez
Endereço: Rua Nilo Peçanha, 557 - Bom Retiro
Cidade: Curitiba
Classificação (Uso): Casa Escolar, Grupo
Período: 1951-1955
Projeto Arquitetônico
Autor: Romeu Paulo da Costa
Data: 1951
Estrutura: singular
Tipologia: Outro
Linguagem: Modernista
Data de inauguracao: 19 de dezembro de 1955
Situação atual: Edificação existente com alterações
Uso atual: Edifício escolar
Colégio Estadual Pietro Martinez em 2008
Acervo: Elizabeth Amorim de Castro
Colégio Estadual Pietro Martinez: Uma Obra Singular da Arquitetura Escolar Modernista em Curitiba
No coração do bairro Bom Retiro, em Curitiba, ergue-se desde meados do século XX um edifício que encarna a visão progressista da educação pública paranaense: o Colégio Estadual Pietro Martinez. Originalmente denominado Grupo Escolar Prieto Martinez — grafia que reflete as variações ortográficas comuns na época —, a instituição foi concebida como parte de um ambicioso plano de expansão da rede escolar estadual, impulsionado pela crescente demanda por ensino básico nas áreas urbanas em pleno desenvolvimento.
Seu projeto arquitetônico, assinado por Romeu Paulo da Costa em 1951, destaca-se por sua singularidade dentro do contexto da produção escolar da época. Enquanto muitas unidades seguiam tipologias padronizadas — como o conhecido modelo em “T” —, o Grupo Escolar Pietro Martinez adotou uma tipologia classificada como “Outro”, indicando uma solução espacial não convencional, talvez adaptada às particularidades do terreno, à topografia local ou a exigências pedagógicas específicas. Essa singularidade reforça o compromisso do arquiteto e do Estado com a ideia de que cada escola deveria ser pensada como um organismo único, capaz de responder às necessidades concretas de sua comunidade.
Construído entre 1951 e 1955, o edifício foi inaugurado oficialmente em 19 de dezembro de 1955, data que marcou não apenas a entrega de um novo espaço físico, mas também a consolidação de um ideal: o de que a educação é direito fundamental e pilar do desenvolvimento social. Localizado na Rua Nilo Peçanha, 557, em uma região que já então se consolidava como polo residencial e comercial, o colégio rapidamente tornou-se referência educacional no entorno.
A linguagem arquitetônica adotada é inequivocamente modernista: volumes geométricos claros, ausência de decoração supérflua, ênfase na funcionalidade e integração entre interior e exterior. Janelas amplas permitiam a entrada generosa de luz natural — elemento essencial em uma época anterior ao uso generalizado da iluminação artificial eficiente —, enquanto os pátios e áreas de circulação favoreciam a ventilação cruzada, alinhando-se aos princípios higienistas ainda vigentes na arquitetura escolar do pós-guerra.
Embora tenha sofrido alterações ao longo das décadas — como acréscimos de salas de aula, reformas estruturais e adaptações às novas normas de acessibilidade e segurança —, o edifício permanece em uso escolar até hoje, mantendo viva sua função original. Imagens registradas em 2008, preservadas no acervo de Elizabeth Amorim de Castro, mostram um prédio marcado pelo tempo, mas ainda reconhecível em sua identidade arquitetônica, com traços que evocam a elegância discreta do modernismo brasileiro aplicado à esfera pública.
Quanto ao homenageado, Pietro Martinez, pouco se sabe com precisão sobre sua biografia nos registros mais acessíveis. Contudo, seguindo a tradição da época, é provável que tenha sido um educador, líder comunitário ou figura relevante na história local de Curitiba ou do Paraná — alguém cujo legado mereceu ser perpetuado no nome de uma casa dedicada ao saber.
Mais do que um simples prédio, o Colégio Estadual Pietro Martinez é um testemunho material da aposta do Paraná na escola pública como instrumento de justiça social. Projetado com cuidado, construído com propósito e mantido com respeito, ele continua, décadas depois, a acolher gerações de estudantes — cada uma delas herdeira silenciosa de um sonho coletivo: o de uma sociedade mais justa, culta e igualitária, forjada nas carteiras escolares sob tetos modernistas.
Hoje, ao passar diante de suas paredes, mesmo alteradas pelo tempo, somos convidados a lembrar: toda escola é um monumento à esperança. E o Pietro Martinez, com sua singularidade e persistência, permanece de pé — ensinando, mesmo quando calado.

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