sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Elisabeth Barbara SAUERBECK SURBECK Nascida possivelmente a 16 de março de 1863 - Dona Francisca, Joinvile, Santa Catarina, Brasil Baptizada a 3 de maio de 1863 (domingo) - Dona Francisca, Joinvile, Santa Catarina, Brasil Falecida possivelmente a 18 de maio de 1945 - Curitiba, Parana, Brasil, possivelmente com 82 anos

  Elisabeth Barbara SAUERBECK SURBECK Nascida possivelmente a 16 de março de 1863 - Dona Francisca, Joinvile, Santa Catarina, Brasil Baptizada a 3 de maio de 1863 (domingo) - Dona Francisca, Joinvile, Santa Catarina, Brasil Falecida possivelmente a 18 de maio de 1945 - Curitiba, Parana, Brasil, possivelmente com 82 anos

Elisabeth Barbara Sauerbeck: A Matriarca Silenciosa que Plantou Raízes na Terra do Pinheiro

Nas manhãs de março de 1863, enquanto o vapor das serras de Dona Francisca se dissipava sobre os vales recém-abertos pelos colonos alemães, nascia uma menina destinada a carregar nos ombros o peso e a glória de duas pátrias. Elisabeth Barbara Sauerbeck — registrada no batismo de 3 de maio como Barbara Elisabetha, filha de Jacob Wilhelm Guilherme Sauerbeck e Barbara Schwyn — veio ao mundo numa colônia onde o cheiro de madeira fresca se misturava ao sotaque gutural do baixo-alemão. Nada sabia ela, com seus olhos ainda turvos da infância, que sua vida seria um testamento de resistência: órfã aos três anos, viúva aos trinta e três, mãe de cinco filhos que criaria sozinha sob o céu rigoroso do Paraná.

As Sombras da Primeira Infância: Um Pai que Partiu com a Primavera

Jacob Wilhelm Guilherme Sauerbeck, homem de mãos marcadas pelo trabalho na terra e coração dividido entre a Alemanha que deixara e o Brasil que abraçara, partiu deste mundo em 4 de abril de 1866. Elisabeth mal completara três anos — uma idade em que as memórias se dissolvem como névoa ao sol, mas as ausências permanecem gravadas na alma. Naquele lar de tábuas enxaimel erguido às margens do rio Cachoeira, a morte do pai transformou a infância em aprendizado precoce de sobrevivência.
Sua mãe, Barbara Schwyn, mulher de fibra temperada nas intempéries da imigração, assumiu sozinha o sustento da família numerosa. Entre irmãos que partiram cedo demais — Heinrich, Ursula, Margaretha, Arnald Heinrich, Barbara Auguste, todos levados pela mortalidade infantil que assolava as colônias — Elisabeth aprendeu a valorizar cada suspiro, cada amanhecer compartilhado. Felix Jacob, Friedrich Wilhelm, Emma e os demais irmãos que sobreviveram tornaram-se seus companheiros de luta silenciosa. Naquela casa onde o pão era contado e as roupas remendadas com carinho, Elisabeth forjou o caráter que um dia salvaria seus próprios filhos da desolação.

O Encontro com Paulo: Um Amor Tecido entre Dois Mundos

Em 23 de setembro de 1888, aos vinte e cinco anos, Elisabeth caminhou até a igreja luterana de Joinville vestindo um vestido simples de linho. À sua espera estava Peter Paul Lenz Paulo Stubert — homem de origem germânica cujo sobrenome carregava variações que refletiam a própria jornada migratória: Lenz, Leons, Stubert. Entre eles floresceu um amor discreto, típico daqueles tempos em que os sentimentos se expressavam mais nas mãos que trabalhavam juntas do que em palavras proferidas.
Do casamento nasceram cinco filhos em doze anos: Friedrich Paul Frederico em 1884, Ida Caroline em 1887, Paulo por volta de 1890, Augusto em 13 de dezembro de 1894 e Leopoldo por volta de 1895. Cada nascimento era uma vitória sobre a incerteza; cada criança, uma raiz fincada na terra brasileira. Elisabeth, agora mãe e esposa, movia-se entre o fogão a lenha e o berço com uma graça cansada, ensinando aos filhos canções em alemão enquanto os pés descalços sentiam o chão de terra batida do Paraná.
Mas o destino, mais uma vez, mostrou sua face implacável.
Em 9 de junho de 1896, Peter Paul partiu. Aos trinta e nove anos, deixou Elisabeth viúva com trinta e três anos e cinco filhos — o mais novo, Leopoldo, mal completara um ano. Naquela casa agora silenciosa, onde o lugar à cabeceira da mesa permaneceria vazio para sempre, Elisabeth enfrentou a escolha que definiria sua existência: sucumbir ao luto ou erguer-se como coluna da família.
Ela escolheu erguer-se.

A Viúva de Joinville: Mãos que Sustentaram Cinco Destinos

Sozinha, com as economias do marido desaparecendo como orvalho ao sol, Elisabeth transformou-se em força da natureza. Vendia pão caseiro temperado com erva-doce, costurava roupas para famílias da colônia, trocava trabalho por mantimentos no comércio local. Seus filhos a viam acordar antes do amanhecer, os cabelos grisalhos antes do tempo presos num coque severo, as mãos ásperas movendo-se com precisão cirúrgica entre agulha e linha, entre farinha e fermento.
Friedrich, o mais velho, tornou-se seu braço direito — menino que deixou a infância cedo demais para ajudar no sustento. Ida, com seu coração maternal, cuidava dos irmãos menores enquanto a mãe trabalhava. Augusto, ainda pequeno, observava tudo em silêncio — aqueles olhos atentos absorvendo lições que moldariam o homem resiliente que se tornaria o Mestre Salchicheiro de Curitiba. Leopoldo, o caçula, cresceu embalado pelo cansaço e pelo amor inabalável da mãe.
Elisabeth nunca reclamou. Nas noites frias da serra, enquanto os filhos dormiam, ela remendava roupas à luz de vela e murmurava orações em alemão — não pedindo riquezas, mas força para mais um dia. Sua casa tornou-se refúgio para outros imigrantes viúvos; sua mesa, por mais modesta, sempre tinha um lugar para quem passasse fome. Na comunidade germânica de Joinville, seu nome era sinônimo de dignidade: Frau Stubert, a viúva que não quebrou.

As Alegrias Tardias: Netos, Bodas de Prata Invisíveis e o Sabor da Continuidade

Os anos passaram como folhas ao vento. Friedrich casou-se com Olga Wanda Hoffmann em 1907 em Colombo; Ida uniu-se a Erhard Prox em 1909. Elisabeth, agora avó, viu chegar Frida, Alice, Irena, Martha Irma Olga — cada neto um milagre que curava feridas antigas. Em 1915, Augusto casou-se com Olga Büst em Bacacheri; em 1917 nasceu Albano Santiago, seu primeiro neto por Augusto. Em 1919, Dalila "Lala" trouxe alegria feminina à família.
Mas a vida continuava a exigir tributos. Em 1923, Friedrich — seu filho mais velho, seu esteio — partiu aos trinta e nove anos em Curitiba. Elisabeth, então com sessenta anos, enterrou o menino que a ajudara a criar quatro irmãos. Naquele velório, chorou não apenas pelo filho perdido, mas pelo menino que deixara de ser criança para ser homem antes do tempo.
Ainda assim, seguiu em frente. Em 1926, viu Augusto recasar com Maria Thereza "Nona" Bertinatto após a morte prematura de sua primeira esposa — um renascimento que aqueceu seu coração envelhecido. Em 1928, aos sessenta e cinco anos, posou para uma fotografia em Rio Negro, onde Augusto estabelecera seu açougue. Na imagem, seu rosto marcado por rugas profundas revela cansaço, mas seus olhos — ainda claros como o céu da Alemanha — brilham com uma serenidade conquistada na forja do sofrimento.

O Último Suspiro: Uma Morte Suave no Lar dos Filhos

Por volta de 18 de maio de 1945, Elisabeth Barbara Sauerbeck Stubert partiu em Curitiba. Tinha aproximadamente oitenta e dois anos — uma longevidade rara para sua geração. Seu nome, que nos registros vacilava entre Barbara Elisabetha, Elisabeth Barbara, Bárbara Sauerbeck, Elisa Stuber e finalmente Eliza Stubert, encontrou repouso definitivo na terra que acolhera seus sonhos.
Não houve monumentos erguidos em sua homenagem. Nenhum livro registrou seus feitos. Mas seu legado permaneceu vivo nas mãos calejadas de Augusto, que transformava carne em arte com a mesma determinação que ela transformara luto em vida; nos olhos de Dalila "Lala", que casou-se em 1943 com Luiz Bruel levando adiante o sangue Stubert; nos netos e bisnetos que cresceram ouvindo histórias da "avó Elisabeth" — a mulher que, viúva aos trinta e três com cinco filhos pequenos, recusou-se a desistir.

Epílogo: A Semente que Resistiu ao Inverno

Elisabeth Barbara Sauerbeck não foi heroína de batalhas ou descobrimentos. Foi heroína de madrugadas vazias, de pão dividido em porções miúdas, de lágrimas secas às escondidas para que os filhos vissem apenas força. Sua história é a história silenciosa de milhares de mulheres imigrantes que cruzaram oceanos não por aventura, mas por necessidade; que enterraram maridos jovens não com desespero, mas com trabalho; que criaram filhos não com luxos, mas com dignidade.
Hoje, quando um descendente Stubert ou Sauerbeck caminha pelas ruas de Curitiba ou Joinville, carrega nas veias o sangue dessa mulher que, órfã aos três anos e viúva aos trinta e três, escolheu a vida quando a morte parecia mais fácil. Seu nome pode ter sido grafado de formas diferentes nos registros oficiais — mas na memória da família, permanece inabalável: Elisabeth Barbara, a matriarca que plantou raízes na terra do pinheiro e viu sua árvore genealógica florescer contra todas as probabilidades.
E nas manhãs frias de inverno paranaense, quando o vapor sobe dos campos de erva-mate e o cheiro de pão caseiro invade as cozinhas, é possível sentir sua presença — não como fantasma do passado, mas como sussurro eterno de quem ensinou que a família não se mede em riquezas, mas na coragem de amanhecer todos os dias e dizer: hoje também vamos sobreviver.



Elisabeth Barbara SAUERBECK SURBECK
Sosa : 21
  • Nascida possivelmente a 16 de março de 1863 - Dona Francisca, Joinvile, Santa Catarina, Brasil
  • Baptizada a 3 de maio de 1863 (domingo) - Dona Francisca, Joinvile, Santa Catarina, Brasil
  • Falecida possivelmente a 18 de maio de 1945 - Curitiba, Parana, Brasil, possivelmente com 82 anos
4 ficheiros disponíveis

 Pais

 Casamento(s) e filho(s)

 Irmãos

 Notas

Notas individuais

Segundo consta no registro do seu batismo:
Barbara Elisabetha
Em outros documentos:
Bárbara Sauerbeck
Elisabeth Barbara?
Também aparece em seu casamento:
Elisabeth Barbara
Na ata de falecimento do marido consta:
Elisa Stuber

Nascimento

Segundo consta no registro do seu batismo: https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:9Q97-YS5K-7F9?cat=665659&i=194&lang=pt
Na ata do casamento do seu filho Augusto com Maria Thereza BERTINATTO consta data de nascimento 8/2/1864 na Alemanha? https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:9396-8CYW-W?i=167&cc=2016194

Baptismo

Nome consta Barbara Elisabetha e seu pai consta Johann Jacob Sauerbeck. Trata-se mesmo de nossa bisavó?
Neste registro de batismo consta data do nascimento 6/3/1863.

Morte

Em 1928 ela aparece em uma foto em Rio Negro, onde residia seu filho Augusto Stubert.
No registro de óbito FS abaixo consta Eliza Stubert

Notas de casamento

União com Peter Paul Lenz STUBERT

Em sua ata de casamento consta LEONS em vez de LENZ

 Fotos e Registos de Arquivo

Barbara Elisabeth Sauerbeck pdf

Barbara Elisabeth Sauerbeck pdf

Batismo Barbara Elisabetha Sauerbeck

Batismo Barbara Elisabetha Sauerbeck

Elizabeth Barbara SAUERBECK

Elizabeth Barbara SAUERBECK

Rio Negro 1928 00

Rio Negro 1928 00

 Árvore genealógica (até aos avós)

sosa Conrad SAUERBECK 1786-1848 sosa Ursula SPAHN 1790-1841 sosa Hans Martin SCHWYN 1791 sosa Margaretha BOLLI 1799-1863
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sosa Jacob Wilhelm Guilherme SAUERBECK 1829-1866 sosa Barbara SCHWYN 1824-1888/
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imagem
sosa Elisabeth Barbara SAUERBECK SURBECK ?1863-?1945


possivelmente186316 de março.

Nascimento

 
Notas

Segundo consta no registro do seu batismo: https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:9Q97-YS5K-7F9?cat=665659&i=194&lang=pt
Na ata do casamento do seu filho Augusto com Maria Thereza BERTINATTO consta data de nascimento 8/2/1864 na Alemanha? https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:9396-8CYW-W?i=167&cc=2016194

18633 maio
~ um mês

Batismo

 
Notas

Nome consta Barbara Elisabetha e seu pai consta Johann Jacob Sauerbeck. Trata-se mesmo de nossa bisavó?
Neste registro de batismo consta data do nascimento 6/3/1863.

18635 de novembro
~ 7 meses

Morte da avó materna

1864Conjunto de 25.
~ 18 meses

Nascimento de um irmão

 
Baptismo a 9 de dezembro de 1866
186627º conjunto.
~ 3 anos
18846 fora.
~ 21 anos

Nascimento de um filho

 
Joinvile, Santa Catarina, Brasil
Baptismo a 23 de setembro de 1888 (Joinville, Santa Catarina, BRÉSIL)
188715 maio
~ 24 anos
1888Conjunto 23.
~ 25 anos

Casamento

 
Notas

Em sua ata de casamento consta LEONS em vez de LENZ

possivelmente1890
~ 27 anos

Nascimento de um filho

18957 de junho.
~ 32 anos
cerca1895
~ 32 anos
18969 de junho
~ 33 anos
1897Conjunto 22.
~ 34 anos

Morte de uma irmã

190423 de junho.
~ 41 anos
possivelmente1910
~ 47 anos

Nascimento de uma neta

possivelmente1912
~ 49 anos

Nascimento de uma neta

191310 de abril.
~ 50 anos
191523 fora.
~ 52 anos

Casamento de um filho

 
Bacacheri, Grande Curitiba, Paraná, BRÉSIL
191728 de junho.
~ 54 anos
191820 de janeiro.
~ 54 anos

Nascimento de um neto

 
Joinvile, Santa Catarina, Brasil
19185 de abril.
~ 55 anos
191912 de março.
~ 55 anos
192114 de março.
~ 57 anos

Nascimento de um neto

 
Joinvile, Santa Catarina, Brasil
19237 anos atrás.
~ 60 anos
192331 dez.
~ 60 anos

Nascimento de um neto

 
Bacacheri, Grande Curitiba, Paraná, BRÉSIL
192829 de novembro
~ 65 anos

Morte de um neto

 
Joinvile, Santa Catarina, Brasil
19292 de março.
~ 65 anos
193310 de novembro
~ 70 anos
193616 dez.
~ 73 anos
193624 dez.
~ 73 anos

Morte de um irmão

 
Notas

Na tumba:
FELIZ SAUERBECK
Enterrado aqui
24 Dec 1936

19376 de novembro
~ 74 anos
193929 de julho.
~ 76 anos
possivelmente194518 maio
~ 82 anos

Morte

 
Notas

Em 1928 ela aparece em uma foto em Rio Negro, onde residia seu filho Augusto Stubert.
No registro de óbito FS abaixo consta Eliza Stubert

Antepassados de Elisabeth Barbara SAUERBECK SURBECK

  Melchior SPAHN 1706-1775 Anna SCHLATTER 1709-1781 Adam BÜHRER 1706..1708-1767 Anna NOPPER 1703..1712-1785   Anthoni SCHWYN 1693-1773 Agnes BOLLLINGER 1694 Michael BOLLI 1683 Elsbetha ZOLLER 1691     Hans BOLLI 1719 Catharina HUG 1717-1769    
  |- 1728 -| |- 1736 -|   |- 1715 -| |- 1708 -|     |- 1740 -|    
  


 


   


 


     


    
  | |   | |     |    
  Hans Konrad SPAHN 1735-?1784 Ursula BÜHRER 1741-1822   Hans Martin SCHWYN 1716-1794 Elisabeth BOLLI 1720 Hans Jacob ROOST Justina BOLLINGER Heinrich BOLLI 1743-1785 Anna Maria BOLLINGER 1745-1793  
  |- 1759 -|   |- 1737 -| | | |- 1769 -|  
  


   


 


 


  
  |   | | |  
  Melchior SPAHN 1766-1843 Anna FISCHER /1779-1865 Heinrich SCHWYN 1738-1795 Rachel ROOST 1752-1829 Conrad (Hans Conrad) BOLLI 1772-1848 Catharina SCHNEIDER 1776-1837
  |- 1803 -| |- 1775 -| |- 1793 -|
  


 


 


  | | |
Conrad SAUERBECK 1786-1848 Ursula SPAHN 1790-1841 Hans Martin SCHWYN 1791 Margaretha BOLLI 1799-1863
|- 1812 -| |- 1818 -|



 


| |
Jacob Wilhelm Guilherme SAUERBECK 1829-1866 Barbara SCHWYN 1824-1888/
|- 1853 -|



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Elisabeth Barbara SAUERBECK SURBECK ?1863-?1945
imagem










Descendentes de Elisabeth Barbara SAUERBECK SURBECK

  






































































































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