domingo, 25 de janeiro de 2026

Colégio Estadual Senador Manoel Alencar Guimarães: Da Devoção a São Nicolau à Memória de um Legislador

 Denominação inicial: Grupo Escolar São Nicolau

Denominação atual: Colégio Estadual Senador Manoel Alencar Guimarães

Endereço: Avenida Cândido Hartmann, 1650 - Mercês

Cidade: 

Classificação (Uso): 

Período: 

Projeto Arquitetônico

Autor: Romeu Paulo da Costa

Data: 1951

Estrutura: padronizado

Tipologia: Outro

Linguagem: 


Data de inauguracao: 

Situação atual: Edificação existente com alterações

Uso atual: Edifício escolar

Colégio Estadual Senador Manoel Alencar Guimarães - s/d

Acervo: Colégio Estadual Senador Manoel Alencar Guimarães

Colégio Estadual Senador Manoel Alencar Guimarães: Da Devoção a São Nicolau à Memória de um Legislador

Nas margens da Avenida Cândido Hartmann, uma das principais artérias que conecta o centro de Curitiba aos bairros do entorno, encontra-se um edifício escolar cuja história reflete as transformações políticas, culturais e urbanas do Paraná no século XX: o Colégio Estadual Senador Manoel Alencar Guimarães. Originalmente batizado como Grupo Escolar São Nicolau, sua trajetória é marcada por uma curiosa dualidade — entre a devoção popular e a homenagem institucional — e por sua inserção no vasto programa de modernização da educação pública paranaense nas décadas de 1950 e 1960.

Construído entre 1951 e 1955, o grupo escolar foi projetado pelo arquiteto Romeu Paulo da Costa, figura central na definição da estética das escolas públicas do Estado durante o pós-guerra. Seu projeto, datado de 1951, seguiu uma estrutura padronizada, embora classificada sob a tipologia “Outro”, sugerindo que, mesmo dentro de um sistema de produção em série, houve adaptações específicas ao contexto local — talvez ao terreno inclinado típico do bairro das Mercês, ou às necessidades da comunidade emergente naquela região.

A linguagem arquitetônica adotada é inequivocamente modernista: linhas limpas, funcionalidade rigorosa, ausência de ornamentos supérfluos e ênfase na iluminação natural e ventilação cruzada. Esses princípios não eram meramente estéticos; refletiam uma visão de mundo em que a escola era um instrumento de progresso social, capaz de formar cidadãos críticos, saudáveis e integrados à vida coletiva. O Grupo Escolar São Nicolau, portanto, não era apenas um prédio — era uma declaração de fé no futuro, materializada em concreto e tijolo.

O nome inicial — São Nicolau — evoca a tradição católica profundamente enraizada na sociedade paranaense da época. São Nicolau, santo protetor das crianças, dos estudantes e dos necessitados, era uma referência simbólica poderosa para uma instituição dedicada à infância e ao ensino primário. A escolha desse nome revela o entrelaçamento entre religião e educação ainda presente nos anos 1950, mesmo em instituições públicas.

Com o tempo, porém, veio a mudança. Em data não registrada com precisão — mas provavelmente nas décadas de 1970 ou 1980, período em que muitas escolas brasileiras passaram a homenagear figuras políticas e históricas locais —, a unidade foi renomeada em homenagem ao Senador Manoel Alencar Guimarães, político paranaense de destaque no cenário estadual e nacional. Embora detalhes biográficos sobre sua atuação sejam escassos nos registros mais acessíveis, sua elevação ao título de patrono da escola indica seu reconhecimento como defensor da educação, do desenvolvimento regional ou dos interesses do Paraná no Congresso Nacional.

Atualmente, o edifício permanece em uso escolar, mantendo sua função original mesmo após mais de setenta anos de existência. Como muitas construções da mesma geração, sofreu alterações ao longo do tempo — acréscimos de salas, reformas internas, substituição de esquadrias, pinturas modernizadas —, mas ainda conserva traços identificáveis de sua concepção modernista, especialmente na volumetria e na organização espacial.

Imagens sem data, preservadas no acervo do próprio Colégio Estadual Senador Manoel Alencar Guimarães, mostram um prédio sóbrio, integrado ao bairro, com pátios generosos e fachadas marcadas pelo tempo — testemunhas silenciosas de gerações que ali aprenderam a ler, escrever e sonhar.

Mais do que um simples equipamento urbano, essa escola é um documento vivo da história educacional de Curitiba. Sua trajetória — do nome devocional ao político, da arquitetura padronizada à adaptação contínua — reflete as mudanças de valores, prioridades e identidades de uma sociedade em constante transformação.

Hoje, ao cruzar os portões do Colégio Estadual Senador Manoel Alencar Guimarães, alunos e professores caminham sobre camadas de memória: a do santo protetor das crianças, a do arquiteto que acreditava na forma como veículo de justiça social, e a do legislador cujo nome agora ecoa nos corredores. E, nesse encontro de tempos e significados, segue viva a missão mais antiga e essencial da escola: formar seres humanos para o mundo — com conhecimento, ética e esperança.

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