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segunda-feira, 20 de julho de 2026

Paulo Jacinto Tenório de Albuquerque: o Barão de Palmeiras dos Índios, o homem mais rico de Alagoas Quebrangulo, 1839 — Atalaia, 10 de julho de 1927

 

Paulo Jacinto Tenorio
Barão de Palmeira dos Índios
Dados pessoais
NascimentoPaulo Jacinto Tenorio de Albuquerque
1839
Quebrangulo, Alagoas Brasil
Morte10 de junho de 1927
Atalaia, Alagoas Brasil
Nome completo
Paulo Jacinto Tenorio de Albuquerque
CônjugeÁgueda Tenório de Albuquerque
PaiPaulo Caetano Tenório de Albuquerque
MãeJoaquina do Espírito Santo Cavalcanti
OcupaçãoCoronel, Comandante e Proprietário rural
Brasão
De vermelho, torre de prata lavrada, aberta e iluminada de negro, braço de carnação sainte da fenestra sustendo palma de verde. Coroa de barão.

Paulo Jacinto Tenório de Albuquerque, primeiro e único barão de Palmeiras dos Índios (nasceu em Quebrangulo, 1839Atalaia, 10 de julho de 1927), foi o homem mais rico de Alagoas em sua época, militar e nobre brasileiro.[1][2]

Filho de Paulo Caetano Tenório de Albuquerque e Joaquina do Espírito Santo Cavalcanti, casou-se com Águeda Tenório de Albuquerque. Era coronel comandante da Guarda Nacional em Palmeira dos Índios e grande proprietário rural.[3] Foi agraciado barão em 28 de agosto de 1889. Foi um dos três últimos titulares do Império pelo Gabinete Liberal de junho de 1889, mas não chegou a receber o título, extinto pelo artigo 72 da Constituição brasileira de 1891[4]. Os outros foram Miguel Soares Palmeira, barão de Coruripe, e José Miguel de Vasconcelos, barão de Parangaba.[5]

Era considerado o homem mais rico de Alagoas em sua época.[2]

O hoje município de Paulo Jacinto, que anteriormente era conhecido como povoado Lourenço de Cima e depois Lourenço de Baixo, passou a se chamar Paulo Jacinto por sugestão da direção da Great Western, em homenagem a Paulo Jacinto Tenório, que havia doado terras para a passagem da ferrovia.[6]

Ele era primo do Barão de Amaragi, tio do coronel José Abílio, primo do Barão de Buique, Barão de Atalaia, Barão de Caxangá da Baronesa de Cotendas, e outros.[7][8]

Faleceu em 10 de julho de 1927 em Atalaia.[1]

Descendência

Ele teve 5 filhos com Águeda Tenório de Albuquerque:

Rodrigo Jacinto Tenório, Dr. Domingos Jacinto Tenório, Joaquina Tenório de Albuquerque, Manoela Tenório de Albuquerque e Josefa Tenório de Albuquerque.[9][10]

Família

Ele pertencia as tradicionais famílias do Nordeste: Cavalcanti, Tenório, holanda e Albuquerque. E o seu ramo descendia de alguns Reis de Portugal e de alguns reinos da atual Espanha.[10][11]

A família Albuquerque foi considerada como uma das mais nobres de Portugal, estando presente na sala de Sintra, e uma das principais famílias proprietárias de terras no Brasil.[12]

Ele descende de Jerônimo de Albuquerque, Filippo Cavalcanti, Arnau de Holanda, Manoel Leite da Silva e Juan Thenorio de Molina.[3][11]

Também era parente de outras famílias nobres do Nordeste do Brasil como a família Pinto de Miranda que alguns de seus membros eram primos proximos de Paulo Jacinto Tenório, eles eram descendentes das mesmas tradicionais famílias.[10][11]

Referências

  1.  «Titulares do ex-Império do Brasil:Barões». Almanaque Laemmert, 1909, página 84/republicado pela Biblioteca Nacional-Hemeroteca Digital Brasileira. Consultado em 13 de junho de 2021
  2.  Ticianeli (26 de junho de 2023). «Paulo Jacinto, a antiga sesmaria de Domingos Jorge Velho». História de Alagoas. Consultado em 9 de maio de 2025
  3.  «Ao presidente da província e ao dr. juiz de direito da comarca da Palmeira». Gutenberg-Órgão da Associação Typographica Alagoana de Socorros Mútuos, Ano IV, edição 77, página 3/republicado pela Biblioteca Nacional-Hemeroteca Digital Brasileira. 22 de outubro de 1885. Consultado em 13 de junho de 2021
  4. «Constituição de 1891». Presidência da República:Casa Civil - Subchefia para Assuntos Jurídicos. Consultado em 13 de junho de 2021
  5. «Telegramas». Jornal do Recife, Ano XXXII, edição 196, página 1/republicado pela Biblioteca Nacional-Hemeroteca Digital Brasileira. 31 de agosto de 1889. Consultado em 13 de junho de 2021
  6. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (15 de dezembro de 1959). «Paulo Jacinto» (PDF). Enciclopédia dos Municípios Brasileiros de 1957, Volume 19, página 122. Consultado em 13 de junho de 2021
  7. Ferreira Pires, Edgardo (2011). «A mística do parentesco: uma genealogia inacabada: a teia do parentesco em Pernambuco». ABC Editorial. Consultado em 30 de maio de 2024
  8. Pires Ferreira, Edgardo (2015). «Árvore genealógica de Francisco Alves Cavalcanti Camboim». A mística do parentesco. Consultado em 30 de maio de 2024
  9. Santo, Eduardo Padilha dos (15 de junho de 2018). «Barão Paulo Jacinto Tenório de Albuquerque e sua descendência». Meu Legado. Consultado em 18 de agosto de 2024
  10.  «Paulo Jacinto Tenório». www.familysearch.org. Consultado em 18 de agosto de 2024
  11.  Cavalcanti. Gente de Pernambuco Vol. 3. [S.l.: s.n.]
  12. «Genealogia Historia». www.genealogiahistoria.com.br. Consultado em 18 de agosto de 2024

Paulo Jacinto Tenório de Albuquerque: o Barão de Palmeiras dos Índios, o homem mais rico de Alagoas

Quebrangulo, 1839 — Atalaia, 10 de julho de 1927
Paulo Jacinto Tenório de Albuquerque foi uma das figuras mais expressivas da elite rural e política do final do Império do Brasil no estado de Alagoas. Militar, grande latifundiário e nobre, ficou marcado como o homem mais rico de sua província e deixou sua marca até na geografia local, com um município que leva seu nome.

Origem e linhagem

Nasceu em 1839, na cidade de Quebrangulo, interior de Alagoas, filho de Paulo Caetano Tenório de Albuquerque e Joaquina do Espírito Santo Cavalcanti. Pertencia a uma das mais antigas e prestigiadas redes de parentesco do Nordeste, formada por famílias tradicionais como Cavalcanti, Tenório, Holanda e Albuquerque.
Sua linhagem remontava à nobreza ibérica: descendia de membros da realeza de Portugal e de antigos reinos da Península Ibérica, além de figuras históricas como Jerônimo de Albuquerque, Filippo Cavalcanti, Arnau de Holanda, Manoel Leite da Silva e Juan Thenorio de Molina. A família Albuquerque era reconhecida como uma das mais nobres de Portugal, com assento na Sala de Sintra, e se consolidou no Brasil como uma das maiores detentoras de propriedades rurais.
Casou-se com Águeda Tenório de Albuquerque, com quem teve cinco filhos: Rodrigo Jacinto Tenório, Domingos Jacinto Tenório, Joaquina Tenório de Albuquerque, Manoela Tenório de Albuquerque e Josefa Tenório de Albuquerque.

Carreira e fortuna

Paulo Jacinto construiu sua posição como grande proprietário rural, acumulando terras e riquezas que o tornaram, segundo registros da época, o homem mais rico de Alagoas. Paralelamente, exerceu funções militares: chegou ao posto de coronel e comandante da Guarda Nacional na região de Palmeira dos Índios, cargo que reforçava sua autoridade e influência política.
Sua importância levou o governo imperial a agraciá-lo com o título de Barão de Palmeiras dos Índios, em 28 de agosto de 1889. Trata-se de um detalhe histórico curioso: ele foi um dos três últimos nobres agraciados pelo Império, nomeados pelo Gabinete Liberal de junho daquele mesmo ano. Os outros dois foram Miguel Soares Palmeira, Barão de Coruripe, e José Miguel de Vasconcelos, Barão de Parangaba.
Porém, com a Proclamação da República em novembro de 1889 e a promulgação da Constituição de 1891, o artigo 72 extinguiu todos os títulos de nobreza no Brasil. Por isso, Paulo Jacinto não chegou a receber oficialmente o diploma de seu título, que permanece apenas como uma referência histórica.

Influência e legado

Sua generosidade e visão ajudaram a desenvolver a região: ele doou terras para a passagem da ferrovia da Great Western, importante linha de transporte que ligava Alagoas a outros estados. Em reconhecimento, a direção da empresa sugeriu que o antigo povoado chamado primeiro de Lourenço de Cima e depois de Lourenço de Baixo passasse a se chamar Paulo Jacinto — denominação que permanece até hoje como município.
Sua rede de relações abrangia toda a nobreza nordestina: era primo do Barão de Amaragi, do Barão de Buique, do Barão de Atalaia e do Barão de Caxangá, além de ser tio do coronel José Abílio e parente próximo da Baronesa de Cotendas e da família Pinto de Miranda, outra linhagem tradicional da região.

Falecimento

O Barão de Palmeiras dos Índios faleceu em 10 de julho de 1927, na cidade de Atalaia, deixando uma trajetória que representa a força econômica, social e política das grandes famílias rurais do Nordeste no período de transição entre o Império e a República.