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segunda-feira, 20 de julho de 2026

Arthur Napoleão dos Santos: o mestre que uniu a Europa e a música brasileira Porto, 6 de março de 1843 — Rio de Janeiro, 12 de maio de 1925

 

Arthur Napoleão
Nascimento6 de março de 1843
Porto
Morte12 de maio de 1925 (82 anos)
Rio de Janeiro
CidadaniaBrasil, Reino de Portugal, Portugal
Irmão(ã)(s)Alfredo Napoleão, Annibal Napoleão
Ocupaçãocompositor, pianista, jogador de xadrez, editor de música
Instrumentopiano

Arthur Napoleão dos Santos (Porto, 6 de março de 1843Rio de Janeiro, 12 de maio de 1925) foi um pianista, compositor, editor de partituras musicais, professor e comerciante luso-brasileiro. Mudou-se em 1866 para o Brasil, onde viveu o resto da sua vida.

Biografia

Nasceu na cidade do Porto (Portugal) em 6 de março de 1843. Foi treinado ao piano por seu pai, Alexandre Napoleão, que trabalhava como professor particular, e fez sua estreia ainda criança, com seu primeiro recital ocorrendo aos sete anos. Logo, iniciou turnês como pianista virtuose pela Europa e posteriormente pela América, tendo tocado em dueto com Henri Vieuxtemps e Henryk Wieniawski.[1][2]

Em 1866 estabeleceu-se no Rio de Janeiro, onde se tornou comerciante de instrumentos musicais e partituras e editor de músicas. Ele continuou a se apresentar ao piano em recitais e concertos, inclusive em forma de duo ou música de câmara (especialmente com o violinista José White Lafitte).[3][4]

Napoleão compôs sobretudo para piano, incluindo polcas, estudos/études, peças de salão e virtuosísticas. Além de composições para piano, ele produziu peças para orquestra e banda, incluindo o Hino do Acre e o Hino do Espírito Santo.[1][5]

Em paralelo, Napoleão foi professor de piano. Entre seus alunos figura a notável compositora e pianista brasileira Chiquinha Gonzaga.[2] Fundou, no Rio de Janeiro, o comércio de instrumentos e partituras Casa Arthur Napoleão, que foi um dos principais veículos de difusão da música nacional e internacional no país durante décadas.[6]

Em 1883, fundou a Sociedade de Concertos Clássicos no Rio de Janeiro, como foro para a difusão de repertório erudito e para organizar concertos regulares.[4][7]

Em 10 de junho de 1904 participou de concerto um ao lado de outros grandes músicos da época (como Harold Bauer, Ernest Schelling e Pablo Casals), interpretando o Concerto para 3 pianos de Johann Sebastian Bach.[8]

Além da música, interessava-se pelo xadrez, tendo sido o autor da Caissana Brasileira, um livro com problemas de xadrez, publicado em 1898. Três anos mais tarde, participou do primeiro jogo de xadrez disputado à distância (em consulta e por telégrafo) por uma equipe do Brasil e uma da Argentina - que terminou com a vitória da Argentina.[9]

Arthur Napoleão é patrono da cadeira número 18 da Academia Brasileira de Música, fundada pelo compositor, maestro e pianista Walter Burle Marx.[10]

Obras principais

Música orquestral
  • Camões (orquestra e banda)
  • L'Africaine (piano e orquestra)
  • Hino do Acre
  • Hino do Espírito Santo
Música instrumental
  • A Brasileira (piano);
  • A Caprichosa (piano);
  • Elvira (piano);
  • A Fluminense (piano);
  • Uma Primeira impressão do Brasil (piano);
  • Soirée de Rio (piano);
  • Soirées intimes (piano);
  • Teus olhos (piano).
Música para voz e piano
  • Se Tu Me Amasses;
  • Miragem.
Fontes:[11][12]

Referências

  1.  «Artur Napoleão dos Santos». Meloteca. Consultado em 21 de outubro de 2025
  2.  «100 anos do falecimento de Arthur Napoleão, patrono da ABM – ABM». abmusica.org.br. Consultado em 21 de outubro de 2025
  3. Pacheco, Alberto José Vieira; Menezes, Juliana Coelho de Mello (2024). «O pianista virtuose Arthur Napoleão (1843-1925): uma conexão entre o Porto e o Rio de Janeiro» (PDF). Músicas iberoamericanas interconectadas: caminos, circuitos y redes. Consultado em 21 de outubro de 2025
  4.  Cazarre, Marcelo Macedo (2006). Um virtuose do além-mar em terras de Santa Cruz : a obra pianística de Arthur Napoleão (1843-1925) — Volume II (PDF) (Tese de doutorado). Consultado em 21 de outubro de 2025
  5. «A vida e obra de Arthur Napoleão e Villa-Lobos no Música e Músicos do Brasil - EBC Rádios». radios.ebc.com.br. Consultado em 21 de outubro de 2025
  6. «Rádio MEC dedica especial sobre Arthur Napoleão, que fez do Hino do Acre música de orquestra». acreagora.com. Consultado em 21 de outubro de 2025
  7. «Arthur Napoleão». musicabrasilis.org.br. Consultado em 21 de outubro de 2025
  8. «Linha do Tempo - 1904 - Instituto Piano Brasileiro». www.institutopianobrasileiro.com.br. Consultado em 21 de outubro de 2025
  9. «Hoje faz 100 anos que argentinos e brasileiros jogaram pela 1.ª vez». Consultado em 14 de setembro de 2008. Arquivado do original em 8 de julho de 2004
  10. «Acadêmicos – ABM». abmusica.org.br. Consultado em 21 de outubro de 2025
  11. Obras de Arthur Napoleão no International Music Score Library Project
  12. «Arthur Napoleão: Partituras». Instituto Piano Brasil

Arthur Napoleão dos Santos: o mestre que uniu a Europa e a música brasileira

Porto, 6 de março de 1843 — Rio de Janeiro, 12 de maio de 1925
Arthur Napoleão dos Santos foi uma das figuras mais completas e influentes da cultura musical do Brasil no final do século XIX e início do XX. Pianista, compositor, editor, professor, empresário e até enxadrista, ele nasceu em Portugal, mas fez do Brasil sua terra definitiva e deixou uma marca profunda na história da música nacional.

Biografia

Formação e carreira na Europa

Nascido no Porto, Arthur recebeu suas primeiras lições de piano com o próprio pai, Alexandre Napoleão, professor particular de música. Mostrou talento extraordinário desde cedo: fez sua estreia em público aos apenas sete anos de idade.
Ainda jovem, percorreu a Europa como pianista virtuoso, realizando turnês que o levaram a se apresentar ao lado de grandes nomes da música de sua época, como os violinistas Henri Vieuxtemps e Henryk Wieniawski, consolidando sua reputação como intérprete de grande técnica e sensibilidade.

Chegada e consolidação no Brasil

Em 1866, decidiu se estabelecer definitivamente no Rio de Janeiro, então capital do Império. Não limitou sua atuação apenas aos palcos: abriu um comércio especializado em instrumentos musicais e partituras, fundando a Casa Arthur Napoleão, que se tornaria, por décadas, um dos principais centros de difusão da música erudita e popular no país.
Continuou a se apresentar em concertos e recitais, frequentemente em parceria com outros artistas de destaque — como o violinista cubano-brasileiro José White Lafitte —, levando ao público obras clássicas e composições próprias.
Em 1883, fundou a Sociedade de Concertos Clássicos, com o objetivo de organizar apresentações regulares e ampliar o acesso ao repertório erudito, até então pouco difundido em terras brasileiras. Em 10 de junho de 1904, participou de um concerto histórico ao lado de estrelas internacionais como Harold Bauer, Ernest Schelling e Pablo Casals, interpretando o Concerto para 3 pianos de Johann Sebastian Bach.

Atividades como educador e criador

Como professor, formou gerações de músicos. Entre seus alunos mais ilustres está Chiquinha Gonzaga, uma das maiores compositoras da história da música brasileira.
Como compositor, sua produção foi vasta e variada: escreveu principalmente para piano, com peças que uniam a técnica virtuosística europeia a ritmos e melodias com sabor brasileiro. Também compôs obras para orquestra, banda e canto, incluindo hinos oficiais: o Hino do Acre e o Hino do Espírito Santo.

Outros interesses

Além da música, Arthur Napoleão dedicou-se ao xadrez. Em 1898, publicou Caissana Brasileira, uma obra com problemas e estudos do jogo. Três anos depois, integrou a equipe brasileira no primeiro confronto de xadrez por telégrafo entre Brasil e Argentina — uma partida histórica, vencida pelos argentinos.

Reconhecimento

Sua importância foi reconhecida com a indicação como patrono da cadeira número 18 da Academia Brasileira de Música, instituição fundada por Walter Burle Marx.

Obras principais

Música orquestral e para banda

  • Camões
  • L’Africaine (para piano e orquestra)
  • Hino do Acre
  • Hino do Espírito Santo

Música para piano

  • A Brasileira
  • A Caprichosa
  • Elvira
  • A Fluminense
  • Uma Primeira Impressão do Brasil
  • Soirée de Rio
  • Soirées Intimes
  • Teus Olhos

Música para voz e piano

  • Se Tu Me Amasses
  • Miragem

Legado

Arthur Napoleão dos Santos não foi apenas um artista talentoso: ele foi um verdadeiro agente de transformação cultural. Ao trazer a tradição europeia e adaptá-la ao gosto e à realidade do Brasil, ao formar alunos, ao editar partituras e ao organizar concertos, ajudou a construir as bases da vida musical organizada no país. Sua trajetória representa a rica contribuição da imigração portuguesa para o desenvolvimento da arte e da cultura brasileira.