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sábado, 29 de agosto de 2026

Henrique da Cunha Gago: A Trajetória de um Pioneiro e Sertanista Paulistano

 

Henrique da Cunha Gago foi um bandeirante. Nasceu em 1560 em São Vicente e fez seu testamento em São Paulo em 18 de novembro de 1623, morrendo no ano seguinte.

Sua família e descendência constam da «Genealogia Paulistana» de Silva Leme, no volume V. Segundo Silva Leme, seu pai Henrique da Cunha era amigo do almirante português Martim Afonso de Sousa, que com ele passou a São Vicente em 1531 trazendo sua mulher Filipa Gago. Henrique da Cunha pertencia à família dos Cunhas, os quais dizem proceder de D. Fruela II rei de Leão, Astúrias e Galiza no ano de 923. Já Filipa Gago era parenta próxima do primeiro capitão-mor governador-locotenente do donatário da capitania de São Vicente, Antônio de Oliveira, cavalheiro fidalgo da casa de el-rei D. João III de Portugal. Tiveram cinco filhos, que foram Isabel da Cunha, Maria da Cunha, Marta da Cunha, este Henrique da Cunha Gago objeto do presente verbete e ainda João da Cunha Gago.

Henrique da Cunha Gago, que acabaria sendo referido por O Velho, porque teve um filho com o mesmo nome a quem se referiam como O Moço, foi morador de São Paulo de Piratininga e casou três vezes: com Isabel Fernandes (morta em 1599), filha do capitão Salvador Pires e de sua segunda mulher Mécia Fernandes ou Mécia-uçu, mameluca; Catarina de Uñate (ou Unhate, morta em 1613) filha de Luís de Uñate e Maria Antunes e neta de Diogo de Uñate, escrivão da Ouvidoria e Fazenda da capitania de São Vicente, fundador de Paranaguá; e Maria de Piña ou Pinha, filha de Brás de Pinha ou Piña. Teve numerosos filhos. Um neto seu, chamado também Henrique da Cunha Gago, em 1660 seria o representante da família Pires a fazer o pacto de harmonia com José Ortiz de Camargo, representante da família Camargo, que estavam em guerra civil, ateada pelas ambições das duas famílias que por longos anos disputavam os cargos do governo.

Grande sertanista, fez entradas com Afonso Sardinha o Moço em busca de ouro e de índios para escravizar, como em 1598 no sertão do Jeticaí.

Em 1602 acompanhou a bandeira de Nicolau Barreto ao Guairá. Chefiou mais tarde uma entrada nessa direção, morrendo no chamado "sertão dos carijós".

Conheça a história de Henrique da Cunha Gago, importante bandeirante do século XVII, suas entradas ao sertão e sua extensa descendência em São Paulo.

Henrique da Cunha Gago (1560–1624) foi um marcante bandeirante e sertanista do período colonial brasileiro. Nascido em São Vicente, registrou seu testamento em São Paulo a 18 de novembro de 1623, vindo a falecer no ano seguinte. A sua trajetória cruza-se com a própria fundação e expansão da sociedade paulista de Quinhentos e Seiscentos, marcada por expedições ao interior, alianças familiares estratégicas e conflitos políticos locais.

Origens Familiares e Genealogia

Os dados sobre a família e a descendência de Henrique da Cunha Gago encontram-se documentados na monumental obra Genealogia Paulistana, de Silva Leme (Volume V).

  • Linhagem paterna: O seu pai, também chamado Henrique da Cunha, era amigo pessoal do almirante português Martim Afonso de Sousa, tendo desembarcado em São Vicente em 1531 ao lado da sua esposa, Filipa Gago. A família dos Cunhas gabava-se de remontar a D. Fruela II, rei de Leão, Astúrias e Galiza no ano de 923.

  • Linhagem materna: Filipa Gago era parente próxima de Antônio de Oliveira, o primeiro capitão-mor governador-locotenente do donatário da capitania de São Vicente e cavalheiro fidalgo da Casa de El-Rei D. João III de Portugal.

O casal teve cinco filhos: Isabel da Cunha, Maria da Cunha, Marta da Cunha, João da Cunha Gago e Henrique da Cunha Gago (o biografado). Para distingui-lo do filho homónimo, a história passou a referir-se a ele como Henrique da Cunha Gago, o Velho, enquanto o descendente ficou conhecido como o Moço.

Casamentos e Descendência

Morador ilustre de São Paulo de Piratininga, Henrique da Cunha Gago casou-se por três vezes, estabelecendo laços com algumas das famílias mais influentes da capitania:

  1. Isabel Fernandes (morta em 1599), filha do capitão Salvador Pires e de sua segunda mulher, Mécia Fernandes (ou Mécia-uçu, de ascendência mameluca).

  2. Catarina de Uñate (ou Unhate, morta em 1613), filha de Luís de Uñate e Maria Antunes, e neta de Diogo de Uñate, escrivão da Ouvidoria e Fazenda da capitania de São Vicente e fundador de Paranaguá.

  3. Maria de Piña (ou Pinha), filha de Brás de Pinha.

Desta vasta união conjugal deixou numerosos filhos. A importância da estirpe prolongou-se pelos decénios seguintes: em 1660, um neto seu, também chamado Henrique da Cunha Gago, representou a poderosa família Pires na assinatura do célebre pacto de harmonia com José Ortiz de Camargo, representante da família Camargo. O acordo colocou fim a uma longa e violenta guerra civil travada pelo controlo dos cargos de governo na região.

As Grandes Entradas e o Sertanismo

Como grande sertanista, Henrique da Cunha Gago destacou-se nas expedições (entradas) organizadas a partir de São Paulo em busca de riquezas minerais e de indígenas para escravizar.

  • 1598: Participou numa entrada ao sertão do Jeticaí ao lado de Afonso Sardinha, o Moço, em busca de ouro e de mão de obra indígena.

  • 1602: Integrou a expressiva bandeira liderada por Nicolau Barreto rumo ao Guairá.

  • Anos posteriores: Chefiou de forma autónoma uma entrada na mesma direção geográfica, acabando por encontrar a morte no chamado "sertão dos carijós", selando com a própria vida o destino de desbravador que marcou a sua existência.

Bibliografia

  • Leme, Silva (1903). Genealogia Paulistana. São Paulo: Duprat & Comp.