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domingo, 30 de agosto de 2026

Jerônimo de Camargo: O Fundador de Atibaia e Sertanista Paulista do Século XVII

 Jerônimo de Camargo natural de São Paulo, 5º filho do sevilhano José Ortiz de Camargo, conhecido como Jusepe de Camargo, e da paulista Leonor Domingues, irmão do bandeirante Fernando de Camargo, o Tigre e do Capitão Marcelino de Camargo. Silva Leme, em sua «Genealogia Paulistana», Vol. I, pág. 179, conta sua descendência e diz, curiosamente, que tencionava se ordenar em Angola em 1640 e no mesmo vol. I, § 1.º pag. 322 como o fundador de S. João de Atibaia.

Bandeirante, teve parte ativa na vida política de São Paulo e nas lutas contra os jesuítas, o vigário Albernaz e a família inimiga dos Pires, ficando célebre e dando o que fazer ao Ouvidor encarregado da devassa, João Velho de Azevedo. Sertanista, foi dos que devassou o sertão de Atibaia, uma das vias para as minas dos Cataguazes, ali agindo desde 1663, quando fundou sua fazenda nas paragens; em 1665 o padre Mateus Nunes de Siqueira aldeou no entorno índios guarulhos, convertidos, formando a origem do povoado de Atibaia, paróquia em 1701. A 3 de julho de 1665 este padre Mateus Nunes de Siqueira, vigário da vara de São Paulo, tendo-se internado no sertão em catequese, retornou a São Paulo com grande número de guarulhos que colocou na paragem de Atibaia. A câmara resolveu que ficassem aí aldeados, datando desta data os fundamentos da povoação.

Jerônimo já havia passado a fundar outra grande fazenda no sertão de Jundiaí, até 1685, ano de sua última bandeira, já idoso, com Antônio Bueno e Salvador de Oliveira e o carmelita frei João de Cristo como capelão, que teria a metade das 100 primeiras peças ou índios capturados.

Desde 1663 explorava o sertão de Atibaia da qual é considerado fundador. A esse tempo do povoamento de Atibaia e de Campo Largo (Jarinu), a Capitania de São Paulo era governada por D. Luís Antônio Botelho de Sousa Mourão, Morgado de Mateus. Enquanto nasciam as povoações de Atibaia e de Campo Largo (Jarinu), iam despontando aqui vilarejos como Jundiaí, Mogi-Mirim, Limeira, Piracicaba.

Este sertanista Jerônimo de Camargo andava pela mesma região, explorando tais sertões, pois entre as vias para o sertão dos cataguazes, infestado de índios ferozes, contava-se aquela terra, passando por paragem denominada Atibaia, ou Cajuçara, à margem de um rio caudaloso. Desses índios do padre Mateus, amigo de sua família, Camargo deve ter-se apoderado para dar origem à sua grande fazenda, «quando dominava um muito avultado corpo de gentio reduzido já ao grêmio católico, que passavam de 500 arcos», segundo Pedro Taques.

Em 24 de junho de 1665, fundou a cidade de Atibaia.[1][2]

Camargo fez construir a Capela de São João Batista e conservou-se em Atibaia muitos anos, retirando-se mais tarde para os sertões de Jundiaí, fundando Fazendas, e ali morrendo no inicio do século XVIII.

Casamento e posteridade

Era casado com Ana de Cerqueira, filha primogênita de Francisco Bueno e de Filipa Vaz, neta paterna de Bartolomeu Bueno de Ribeira, o sevilhano, e de Maria Pires, neta materna de Francisco João Branco e de Ana de Cerqueira. Assim, era Ana de Cerqueira irmã de Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhangüera, e sobrinha de Amador Bueno da Ribeira.

Tiveram apenas filhas:

  • 1- Maria Pires de Camargo,
  • 2 - Ana Maria de Camargo,
  • 3 - Leonor Domingues de Camargo,
  • 4 - Filipa Vaz e
  • 5 - Isabel de Ribeira.

Referências

  1. Cidade de Atibaia, acesso em 07 de junho de 2015.
  2. Atibaia, acesso em 07 de junho de 2015.

Jerônimo de Camargo: O Fundador de Atibaia e Sertanista Paulista do Século XVII

1. Origens Familiares e Curiosidades Biográficas

Jerônimo era o 5º filho de José Ortiz de Camargo (conhecido como Jusepe de Camargo, o sevilhano) e da paulista Leonor Domingues. Ele pertencia a uma família profundamente engajada nas entradas ao sertão e na política vicentina, sendo irmão de figuras notáveis como:

  • Fernando de Camargo, o Tigre

  • Capitão Marcelino de Camargo

Registros genealógicos, como os compilados por Silva Leme em sua célebre Genealogia Paulistana, guardam detalhes curiosos sobre sua trajetória, mencionando inclusive que Jerônimo tencionava ordenar-se sacerdote em Angola por volta de 1640, antes de enveredar definitivamente pelas lides sertanistas e políticas de São Paulo.

2. Atuação Política e Conflitos em São Paulo

Além de bandeirante, Jerônimo de Camargo teve uma participação ativa e turbulenta na vida pública de São Paulo. Envolveu-se em lutas encarniçadas contra a ordem jesuítica, contra o vigário Albernaz e contra a fação rival da família Pires. Suas contendas políticas foram tão intensas que deram trabalho considerável ao Ouvidor encarregado da devassa na época, João Velho de Azevedo.

3. A Fundação de Atibaia e a Exploração de Jundiaí

O grande legado de Jerônimo de Camargo está ligado à abertura de novas rotas territoriais e ao estabelecimento de povoamentos:

  • A Desova do Sertão de Atibaia (1663): Desde 1663, Jerônimo desbravava a região de Atibaia, uma rota estratégica que servia de via de acesso para as cobiçadas minas dos Cataguazes. Ali, ele estabeleceu sua fazenda nas paragens.

  • A Chegada dos Índios Guarulhos (1665): Em 3 de julho de 1665, o padre Mateus Nunes de Siqueira — vigário da vara de São Paulo e amigo da família Camargo — retornou de uma expedição de catequese trazendo um grande contingente de índios guarulhos (que somavam mais de 500 arcos). Com o aval da câmara, os indígenas foram aldeados no entorno das terras de Jerônimo, data que marca os fundamentos oficiais da povoação de Atibaia (consagrada paróquia em 1701 e com marco tradicional de fundação em 24 de junho de 1665).

  • A Capela de São João Batista: Jerônimo fez erguer a capela dedicada a São João Batista, permanecendo na região por longos anos antes de fixar novas bases.

  • A Expansão em Jundiaí: Posteriormente, Jerônimo transferiu suas frentes de colonização para o sertão de Jundiaí, onde fundou novas fazendas até realizar sua última bandeira em 1685, já em idade avançada, acompanhado por Antônio Bueno, Salvador de Oliveira e o capelão carmelita Frei João de Cristo.

4. Casamento e Descendência

Jerônimo de Camargo foi casado com Ana de Cerqueira, filha primogênita de Francisco Bueno e de Filipa Vaz. Por via paterna, Ana era neta de Bartolomeu Bueno de Ribeira (o sevilhano) e Maria Pires, o que a tornava irmã de Bartolomeu Bueno da Silva, o célebre Anhangüera, e sobrinha de Amador Bueno da Ribeira.

Dessa união, o casal teve exclusivamente filhas:

  1. Maria Pires de Camargo

  2. Ana Maria de Camargo

  3. Leonor Domingues de Camargo

  4. Filipa Vaz

  5. Isabel de Ribeira

Jerônimo de Camargo retirou-se definitivamente para suas fazendas na região de Jundiaí, onde veio a falecer no início do século XVIII, deixando seu nome cravado na história da formação territorial do interior paulista.