| Tipo | castelo museu |
|---|---|
| Fundação | |
| Estilos | arquitetura gótica arquitetura do Renascimento |
| Proprietários | Teobaldo V, Conde de Blois (século XIII), Jean de Dunois (século XVI) |
| Estatuto patrimonial | |
| Website | (fr) www.chateau-chateaudun.fr |
| Localização | Q123555178 Châteaudun, Eure-et-Loir |
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| Banhado por | Rio Loir |
| Coordenadas |
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O Castelo de Châteaudun (em francês: Château de Châteaudun) é um castelo, construído entre o século XV e o século XVI, que se localiza na cidade de Châteaudun, no departamento de Eure-et-Loir, França. Juntamente com o castelo de Montsoreau (1453) e o palácio Jacques-Cœur (1451), Châteaudun é um dos primeiros exemplos da arquitetura renascentista na França[1].
O edifício encontra-se sobre um afloramento calcário, tendo vista sobre o rio Loire.
Jean de Dunois, membro ilegítimo da Casa de Orleães e maître des lieux ("mestre dos lugares"), deu muito ao fausto desta residência. Recebeu o castelo como recompensa dos seus actos por ter precipitado a libertação do seu irmão Carlos de Orleães, prisioneiro dos ingleses.
O Castelo de Châteaudun está classificado como Monumento Nacional desde Julho de 1918 [2], tendo sido reformado na década de 1930.
História

A primeira menção nos registos históricos a um castelo neste lugar dizem respeito a uma fortaleza reconstruída por Thibaud-le-Tricheur no início do século X após a sua destruição pelos normandos. A partir de então, Châteaudun pertenceu por quatro séculos aos poderosos Condes de Blois. O Conde Teobaldo V construíu a torre de menagem por volta de 1170.
Em 1391, Luís de Orleães, irmão do Rei Carlos VI, comprou a Gay II de Chatillon os Condados de Blois e Dunois, ampliando deste modo o seu Ducado Orleanense. Após o assassinato de Luís pelo seu tio João Sem Medo, Duque da Borgonha, Blois, Orleães e Châteaudun passaram para o seu filho, Carlos de Orleães. Este caíu nas mãos britânicas no dia 25 de Outubro de 1415, durante a Batalha de Azincourt, e teve que esperar 25 anos pela sua libertação, até que os pedidos de resgate fossem atendidos. Em 1439, durante a última operação antes do fim do seu cativeiro, Carlos deu o Condado de Dunois ao seu meio-irmão, Jean de Orleães, recompensando-o assim pelas décadas de apoio contra a Borgonha e a Inglaterra.
Jean de Orleães era filho ilegítimo do Duque Luís I de Orleães e, portanto, sobrinho do Rei Carlos VI. A partir de 1451, começou a adequar às suas origens nobres o palácio de Châteaudun, a sua capital. Em 1465 os edifícios por si começados estavam quase terminadas, embora ele ainda não estivesse legitimado. Entre essas estruturas, encontra-se a Sainte-Chapelle, edificada a partir de 1451, embora só terminada em 1493, cujo coro alto foi construído entre 1451 e 1454 e a nave e a oratória entre 1460 e 1464. A ala oeste, chamada de Ala Dunois, também foi erguida pelo Bastardo de Orleães, entre 1459 e 1468.

Após o falecimento de Jean de Dunois, ocorrido em 1468, o palácio passou a ser propriedade do ramo Longueville da Casa de Valois, família que viveria no edifício até 1694. Francisco I de Orleães-Longueville começou a construção da ala norte (Ala Longueville), que se prolongaria entre 1469 e 1491. Os andares superiores foram adicionados por Francisco II de Orleães-Longueville e pelos seus descendentes durante o primeiro quartel do século XVI. A torre sineira foi erguida em 1493.
Em 1836, o domínio foi visitado pela Duquesa de Dino, sobrinha de Talleyrand, que escreve sobre o castelo:
Parei em Chateaudun para ali visitar, em detalhe, todo o velho castelo, até às cozinhas e masmorras; através duma degradação quase completa, ainda se encontram belas partess, e a vista é bonita. O príncipe (Adrien) de Laval veio ao meu encontro e trouxe-me aqui na sua carruagem; ele fez deste um lugar encantador, arranjado com gosto, pesquisa e magnificência. O sítio é belo, e a parte gótica do castelo, bem conservada e habilmente restaurada (...) ele tem um excelente arquitecto, então, é o Barão de Montmorency que arranjou o pátio, e ele teve alguns conselhos da minha parte na reunião dos salões (...) uma das maiores ridicularidades que conheço: Adrien tem a ordem do Espírito Santo e já não a usa, ele tinha várias: o que é que ele imaginou fazer? Mandou-as costurar no meio das colchas em veludo que cobrem as principais camas do seu castelo!
— Duquesa de Dino, 1 e 2 de Agosto de 1836, Chronique de 1831 à 1862[3]
Arquitectura

Como o castelo de Montsoreau, o castelo de Châteaudun apresenta-se aos visitantes como uma síntese dos estilos gótico e renascentista, confortável e luminoso[1]. Convertido durante o Renascimento numa confortável residência, o corpo principal do edifício é coberto pelo estilo gótico. Possui ainda uma escadaria deste período, finamente esculpida.
Do século XII sobreviveu a torre de menagem atribuída ao Conde Teobaldo V; esta tem um diâmetro de 17 metros e uma altura de 31. Acomoda dois andares, com adarves alojados no seu interior. Mais tarde, foi instalado um tecto curvo sobre as ameias da parte superior da torre. A entrada fica localizada dez metros acima do solo e leva a uma sala situada no piso superior; o piso de baixo é alcançado através duma abertura na própria abóbada.
À torre de menagem fica adossada a capela reconstruída entre 1451 e 1493. O edifício é composto por duas capelas sobrepostas, uma para os senhores e outra para os criados, e ainda por uma torre quadrada. A capela inferior consiste numa grande janela com pequenas colunas perfuradas no coro e numa nave com abóbada de nervuras em três vãos. A traceria da janela apresenta o estilo flamboyant. Até à revolução, foi conservada na Sainte-Chapelle uma relíquia da Paixão: um pedaço da Santa Cruz dada pelo rei a Dunois no ano de 1456. Da decoração, em tempos rica, apenas estão preseradas quinze estátuas quatrocentistas dos ateliers do Loire. Estão representados os santos que foram especialmente referenciados pela família Dunois. Na parede do oratório sul da Sainte-Chapelle está pintado um majestoso afresco, representando o Julgamento Final, datado de 1468.

Voltada para o Loire, a Ala Dunois foi construída entre 1459 e 1469. Possui três andares e dois pisos de caves. O piso térreo da ala residencial norte é constituído por várias salas, entre as quais uma que, pela sua decoração com lírios e coroação com letras "L", lembra a estadia de Luís XIV no palácio em 1682 e 1685. Uma grande escadaria em espiral completa a ala; trata-se dum marco no desenvolvimento da arquitectura das escadas e é semelhante à escadaria construída por Carlos V no Palais du Louvre.
A última parte do complexo de edifícios foi construída depois da morte de Dunois. O seu filho, François de Longueville, terminou a ala oeste e continuou a construção da ala norte, finalmente concluída pelo seu sucessor, François II de Longueville. A rica ornamentação da sua fachada mostra influências do Renascimento então emergente. A grande escadaria renascentista mostra nos lintéis dos vários níveis, nos capitéis e nas consolas figurativas uma decoração italiana que é, em alguns aspectos, precursora da escadaria de Francisco I no Château de Blois. A grande sala do piso inferior tem duas lareiras; uma delas é dominada por um veado adormecido.
- A Ala Longueville
- Aspecto exterior da Ala Longueville
- Vista parcial do palácio e jardim
- Vista parcial do palácio e jardim
- Interior da capela
- Detalhe da escadaria renascentista
- Detalhe da Ala Longueville
- Detalhe da escadaria renascentista
- A grande sala no piso baixo da Ala Longueville
- Detalhe de escultura
Referências
- Emery, Anthony (31 de dezembro de 2015). Seats of Power in Europe during the Hundred Years War: An Architectural Study from 1330 to 1480 (em inglês). [S.l.]: Oxbow Books. ISBN 978-1-78570-106-1
- Classificação do Castelo de Châteaudun na Base Mérimée do Ministério da Cultura.
- Chronique de 1831 à 1862, Plon, 1909, p. 77 e 78.
O Castelo de Châteaudun: Joia da Renascença e Fortaleza do Loire
O Castelo de Châteaudun (em francês: Château de Châteaudun) ergue-se imponente entre os séculos XV e XVI na cidade histórica de Châteaudun, situada no departamento de Eure-et-Loir, na região central da França. Estrategicamente posicionado sobre um dramático afloramento calcário que domina o curso d'água — frequentemente associado à bacia e à paisagem cultural do Vale do Loire —, o monumento destaca-se como um dos marcos inaugurais da arquitetura renascentista em território francês, figurando ao lado de referências cruciais como o Castelo de Montsoreau (1453) e o Palácio Jacques-Cœur (1451).
Classificado como Monumento Histórico Nacional desde julho de 1918 e submetido a importantes campanhas de restauro na década de 1930, o castelo sintetiza a transição estética e militar entre a Idade Média e o Renascimento.
Origens Medievais: A Era dos Condes de Blois
A história documentada do local remonta ao início do século X, quando Thibaud-le-Tricheur (Teobaldo, o Trambiqueiro) ordenou a reconstrução de uma fortificação defensiva após as severas devastações causadas pelos normandos. Durante quatro séculos, o domínio permaneceu sob o controle dos poderosos Condes de Blois.
A Torre de Menagem (Donjon): Por volta de 1170, o Conde Teobaldo V mandou erguer a imponente torre de menagem, uma estrutura defensiva robusta típica da arquitetura militar feudal, projetada para resistir a cercos prolongados e servir de último reduto de segurança.
A Transição Dinástica: No final do século XIV, em 1391, Luís de Orleães — irmão do rei Carlos VI — adquiriu os Condados de Blois e Dunois de Guy II de Châtillon, integrando a propriedade ao ducado orleanense.
O Cativeiro de Carlos de Orleães e a Ascensão de Jean de Dunois
O destino do castelo mudou drasticamente no contexto da Guerra dos Cem Anos. No dia 25 de outubro de 1415, durante a célebre e desastrosa Batalha de Azincourt, Carlos de Orleães foi capturado pelas forças inglesas. Ele amargaria vinte e cinco anos de cativeiro nas ilhas britânicas até que as exigências de resgate fossem finalmente cumpridas.
Pouco antes de recuperar a liberdade, em 1439, Carlos cedeu o Condado de Dunois ao seu meio-irmão, Jean de Orleães (conhecido como o Bastardo de Orleães e, mais tarde, Jean de Dunois), como recompensa por sua lealdade inabalável e pelo papel crucial desempenhado na libertação e na luta contra os borguinhões e ingleses.
O "Mestre dos Lugares" e o Esplendor Residencial
Jean de Dunois, legitimado por sua atuação heroica, assumiu o título de maître des lieux ("mestre dos lugares") e transformou a antiga fortaleza militar em uma residência principesca dotada de grande fausto. A partir de 1451, iniciou uma ampla campanha construtiva:
A Sainte-Chapelle: Erguida entre 1451 e 1493, a capela do castelo é uma obra-prima gótica. Seu coro alto foi construído entre 1451 e 1454, enquanto a nave e a oratória foram concluídas entre 1460 e 1464.
A Ala Dunois (Ala Oeste): Construída sob a supervisão direta de Jean de Dunois entre 1459 e 1468, reflete o refinamento palaciano que começava a despontar na nobreza francesa.
A Casa de Longueville e a Expansão Renascentista
Com o falecimento de Jean de Dunois em 1468, o domínio passou para o ramo Longueville da ilustre Casa de Valois, cujos membros habitaram o castelo até 1694.
Ala Norte (Ala Longueville): Iniciada por Francisco I de Orleães-Longueville entre 1469 e 1491, esta ala ganhou andares superiores adicionados por Francisco II de Orleães-Longueville e seus herdeiros durante as primeiras décadas do século XVI, consolidando a estética renascentista no complexo.
A Torre Sineira: Construída em 1493, complementou o perfil arquitetônico do pátio interno, que hoje abriga harmoniosamente a torre de menagem medieval, a Sainte-Chapelle e as alas residenciais de diferentes séculos.
O Olhar do Século XIX: O Relato da Duquesa de Dino
No século XIX, o castelo já exibia as marcas do tempo, mas despertava fascínio em viajantes ilustres. Em 1 e 2 de agosto de 1836, a Duquesa de Dino (sobrinha e confidente do célebre diplomata Talleyrand) visitou o domínio e registrou suas impressões na célebre Chronique de 1831 à 1862:
"Parei em Chateaudun para ali visitar, em detalhe, todo o velho castelo, até às cozinhas e masmorras; através duma degradação quase completa, ainda se encontram belas partes, e a vista é bonita. O príncipe (Adrien) de Laval veio ao meu encontro e trouxe-me aqui na sua carruagem; ele fez deste um lugar encantador, arranjado com gosto, pesquisa e magnificência. O sítio é belo, e a parte gótica do castelo,
bem conservada e habilmente restaurada (...) ele tem um excelente arquit eto, então, é o Barão de Montmorency que arranjou o pátio, e ele teve alguns conselhos da minha parte na reunião dos salões (...)"
Em seu relato, a duquesa também não deixou de registrar um toque de excentricidade aristocrática da época:
"(...) uma das maiores ridicularidades que conheço: Adrien tem a ordem do Espírito Santo e já não a usa, ele tinha várias: o que é que ele imaginou fazer? Mandou-as costurar no meio das colchas em veludo que cobrem as principais camas do seu castelo!"
Importância Patrimonial Atual
Hoje, o Castelo de Châteaudun permanece como um testemunho excepcional da evolução da arquitetura civil e militar na França. A convivência entre a severidade da torre românica/gótica do século XII, a suntuosidade religiosa da Sainte-Chapelle quatrocentista e as alas residenciais decoradas com os primeiros indícios do Renascimento francês atrai historiadores, arquitetos e turistas de todo o mundo, eternizando o legado da Casa de Orleães e dos Condes de Dunois.
