Mostrando postagens com marcador o Renascimento e a Paisagem dos Jardins. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador o Renascimento e a Paisagem dos Jardins. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 25 de agosto de 2026

O Château de Chaumont-sur-Loire: Entre o Gótico, o Renascimento e a Paisagem dos Jardins

 

Castelo de Chaumont-sur-Loire
Apresentação
Tipochâteau
ProprietáriosJacques-Donatien Le Ray de Chaumont, Marie Say (en)
Estatuto patrimonial
Visitantes por ano513 000 ()
Websitewww.chaumont-jardin.com
Localização
LocalizaçãoChaumont-sur-Loire, Loir-et-Cher
 França
Coordenadas
Vista geral do Château de Chaumont-sur-Loire.

O Château de Chaumont-sur-Loire é um palácio francês localizado nas margens do Rio Loire, na comuna de Chaumont-sur-Loire, departamento de Loir-et-Cher, entre Amboise e Blois. Fica situado sobre o último rio selvagem da Europa, recentemente inscrito no Património Mundial da Humanidade pela Unesco.

História

No século X, Eudes I, Conde de Blois, mandou construir uma fortaleza para proteger a cidade de Blois dos ataques do Condes de Anjou.

Luís XI mandou queimar e arrasar Chaumont, em 1455, para punir Pedro de Amboise por este se ter revoltado contra o poder Real aquando da "Liga do Bem Público". Depois disso, o filho de Pedro, Carlos I de Amboise, procedeu à reconstrução do château entre 1465 e 1475, edificando a ala norte (face ao Loire) actualmente desaparecida.

Vista parcial do Château de Chaumont-sur-Loire do Loire.

De 1498 a 1510, Carlos II de Chaumont de Amboise, ajudado pelo seu tio, o Cardeal Jorge de Amboise, prosseguiu a reconstrução, num estilo já marcado pelo Renascimento, conservando totalmente a aparência geral fortificada.

Em 1560, o Château de Chaumont-sur-Loire foi comprado por Catarina de Médici, um ano após o falecimento do seu marido, o Rei Henrique II. A Rainha recebeu numerosos astrólogos no palácio, entre os quais Nostradamus. Depois de um curto período, Catarina forçou Diane de Poitiers, amante de Henrique II durante muito tempo, a trocar o Château de Chenonceau pelo Château de Chaumont. No entanto, Diane de Poitiers viveu pouco tempo em Chaumont.

Em 1750, Jacques-Donatien Le Ray comprou o palácio como casa de campo, tendo lá estabelecido uma fábrica de vidros e cerâmicas. Foi considerado o "Pai (francês) da Revolução Americana"), pois adorava a América. Benjamin Franklin chegou a ser um hóspede no Château de Chaumont-sur-Loire. No entanto, em 1789, o Novo Governo Revolucionário da França desapropriou Ray, incluindo o seu amado Château de Chaumont.

Madame de Stael adquiriu o palácio em 1810 e, em 1875, seria a vez de Maria Charlotte Say, herdeira da Fortuna di Açucar Say, se tornar proprietária do edifício. Esta última casou nesse mesmo ano com Amadeu, Príncipe de Broglie (filho de Alberto de Broglie).

Este casal encarregou Ernest Sanson de restaurar o palácio, fez construir luxuosas cavalariças e um magnífico parque paisagístico à inglesa. Sanson optou por um conjunto em tijolo e pedra. As cavalariças de Chaumont são representativas dos edifícios construídos pela aristocracia afortunada, no final do século XIX, para abrigar os seus cavalos. Foram consideradas, à época, como as mais luxuos da Europa, beneficiando então de iluminação eléctrica em arco, ao mesmo tempo que a Ópera Garnier e o Hôtel de Ville de Paris.

Durante quarenta anos, o palácio conheceu uma época faustosa, ao longo da qual os Broglie deram festas e recepções deslumbrantes, levando uma vida digna de uma casa Real. Infelizmente, os reveses da fortuna obrigaram a Princesa de Broglie a vender Chaumont ao estado, em 1938, que o tornaria dependente dos serviços dos Monumentos Históricos.

Construção do palácio

Pátio do Château de Chaumont-sur-Loire.

Este palácio de estrutura medieval foi, efectivamente, construído no século XV. As alas norte e oeste foram edificadas entre 1469 e 1481. As torre são maciças e dotadas de balcões defensivos e caminhos de ronda. A porta de entrada é precedida por uma dupla ponte levadiça e rodeada por duas grandes torres redondas.

A construção foi retomada, em 1501, por ordem de Carlos II de Amboise, senhor de Chaumont, e depois continuada pelo seu tio, O Cardeal Jorge de Amboise, ministro de Luís XII.

O palácio no século XXI

Doravante, o Château de Chaumont-sur-Loire e o Conservatório Internacional de Parques e Jardins estão reunidos. Formam o domínio de Chaumont-sur-Loire e as suas programações culturais tornam-se complementares.

O Conservatório Internacional dos Parque e Jardins e da Paisagem de Chaumont-sur-Loire (CIPJP) e o Centro dos Monumentos Nacionais decidiram juntar os seus meios para assegurar a gestão e a animação cultural do Château de Chaumont-sur-Loire.

O Château de Chaumont-sur-Loire: Entre o Gótico, o Renascimento e a Paisagem dos Jardins

O Château de Chaumont-sur-Loire (em francês: Château de Chaumont-sur-Loire) ergue-se majestosamente nas margens do Rio Loire, localizado na comuna homônima, no departamento de Loir-et-Cher, estrategicamente situado entre as cidades históricas de Amboise e Blois. Inserido na paisagem do último rio selvagem da Europa — ecossistema inscrito pela UNESCO como Patrimônio Mundial da Humanidade —, o palácio representa uma das joias mais fascinantes do Vale do Loire, combinando a austeridade de uma fortaleza medieval com a elegância da arquitetura renascentista e uma vibrante vocação contemporânea voltada para a arte e a jardinagem.

Origens Medievais: A Defesa dos Condes de Blois

A história documentada do local remonta ao século X, quando Eudes I (Teobaldo I), Conde de Blois, ordenou a construção de uma fortificação defensiva com um propósito estratégico claro: proteger a cidade de Blois e seus arredores contra as incursões e investidas expansionistas dos Condes de Anjou.

A estrutura original, contudo, não sobreviveu intacta aos conflitos feudais. Em 1455, o rei Luís XI ordenou que Chaumont fosse incendiada e totalmente arrasada como punição severa a Pedro de Amboise, que havia se revoltado contra o poder real durante a crise conhecida como a Liga do Bem Público.

A reconstrução do domínio coube ao filho de Pedro, Carlos I de Amboise, que entre 1465 e 1475 ergueu uma nova ala norte (voltada para o rio Loire — estrutura que viria a desaparecer posteriormente). Entre 1498 e 1510, seu filho, Carlos II de Chaumont de Amboise, auxiliado por seu tio, o influente Cardeal Georges d'Amboise, prosseguiu com as obras. O projeto incorporou elementos decorativos e estéticos marcadamente renascentistas, mas preservou conscientemente a imponente aparência geral de uma fortaleza defensiva.

Intriga e Realeza: De Catarina de Médici a Diane de Poitiers

O século XVI marcou profundamente a história do castelo ao inseri-lo nas disputas políticas e amorosas da corte francesa:

  • A Compra por Catarina de Médici (1560): Um ano após a trágica morte de seu marido, o rei Henrique II, a rainha Catarina de Médici adquiriu o Château de Chaumont-sur-Loire. O palácio tornou-se um refúgio intelectual e esotérico onde a rainha recebia frequentemente astrólogos, alquimistas e videntes de renome, com destaque para o célebre Nostradamus.

  • A Troca Forçada com Diane de Poitiers: Em uma manobra de poder para afastar a antiga rival, Catarina de Médici forçou Diane de Poitiers — a lendária e longeva amante de Henrique II — a trocar o magnífico Château de Chenonceau pelo Château de Chaumont. Apesar da ordem real, Diane de Poitiers habitou o castelo por um período relativamente curto.

Do Século XVIII ao Esplendor do Século XIX: A Era dos Broglie

Após séculos de transições nobiliárquicas, o castelo passou por fases industriais e novos ciclos aristocráticos:

  • Jacques-Donatien Le Ray (1750): O palácio foi adquirido por Jacques-Donatien Le Ray, que o transformou em sua casa de campo e instalou no local uma fábrica de vidros e cerâmicas. Proeminente incentivador da causa americana — razão pela qual ficou conhecido como o "Pai (francês) da Revolução Americana" —, Le Ray recebeu personalidades ilustres, incluindo Benjamin Franklin, como hóspede de honra em Chaumont. No entanto, com a deflagração da Revolução Francesa em 1789, o novo governo revolucionário desapropriou os bens de Le Ray.

  • Madame de Staël e a Família Say (1810–1875): A célebre escritora Madame de Staël adquiriu a propriedade em 1810. Décadas mais tarde, em 1875, Marie-Charlotte Say — rica herdeira da dinastia açucareira Say — tornou-se proprietária ao casar-se com o Príncipe Amédée de Broglie (filho do Duque de Broglie).

A Reforma Monumental de Ernest Sanson e as Cavalariças Reais

O casal encarregou o arquiteto Ernest Sanson de realizar uma ambiciosa restauração no palácio. Sanson optou por um conjunto arquitetônico harmonioso em tijolo e pedra, construiu luxuosas cavalariças e desenhou um magnífico parque paisagístico em estilo inglês.

As cavalariças de Chaumont tornaram-se um marco da arquitetura equestre da aristocracia europeia do final do século XIX. À época, foram consideradas as mais luxuosas da Europa, contando com iluminação elétrica em arco — a mesma tecnologia de ponta utilizada simultaneamente na Ópera de Paris e no Hôtel de Ville.

Durante cerca de quarenta anos, a propriedade viveu sua "época dourada", marcada por festas sumptuosas, recepções faustosas e um estilo de vida digno da realeza. Contudo, graves reveses financeiros forçaram a Princesa de Broglie a vender o castelo ao Estado francês em 1938, que o integrou à tutela dos Monumentos Históricos.

Arquitetura: A Fortaleza do Século XV

A estrutura morfológica do Château de Chaumont-sur-Loire reflete perfeitamente a arquitetura militar do século XV:

  • As alas norte e oeste foram erguidas entre 1469 e 1481, caracterizando-se por torres maciças equipadas com balcões defensivos e caminhos de ronda.

  • O acesso principal é precedido por uma imponente dupla ponte levadiça, protegida e flanqueada por duas grandes torres circulares.

  • A retomada construtiva de 1501, sob Carlos II de Amboise e o Cardeal Georges d'Amboise, injetou delicadeza ornamental renascentista sem destruir o caráter fortificado original.

O Domínio no Século XXI: O Diálogo entre Patrimônio e Arte Contemporânea

Na contemporaneidade, o Château de Chaumont-sur-Loire transcendeu a sua função puramente histórica. O palácio uniu-se ao prestigiado Conservatório Internacional de Parques e Jardins e da Paisagem (CIPJP), formando um domínio unificado cuja programação cultural é profundamente integrada.

Gerido em cooperação com o Centro dos Monumentos Nacionais, o local destaca-se mundialmente por sediar o Festival Internacional de Jardins, reunindo criadores, paisagistas e artistas contemporâneos de vanguarda que transformam os jardins e espaços do castelo em um laboratório vivo de arte, ecologia e inovação paisagística.

Galeria de imagens