sábado, 15 de agosto de 2026

Comércio, Tradição e Modernidade: Retratos da Curitiba Antiga — Anúncios, Endereços, Negócios e Cotidiano nas Páginas da Imprensa Histórica

 

Comércio, Tradição e Modernidade: Retratos da Curitiba Antiga — Anúncios, Endereços, Negócios e Cotidiano nas Páginas da Imprensa Histórica



Comércio, Tradição e Modernidade: Retratos da Curitiba Antiga — Anúncios, Endereços, Negócios e Cotidiano nas Páginas da Imprensa Histórica


Apresentação

As páginas que aqui se reúnem são fragmentos preciosos da memória coletiva de Curitiba: folhas de jornal que registraram, anúncio após anúncio, a face econômica, social e cultural da capital paranaense nas primeiras décadas do século XX. Mais do que simples chamadas comerciais, esses textos, ilustrações, endereços e nomes constituem um verdadeiro inventário vivo da cidade: quais negócios prosperavam, em que ruas se concentravam, quais produtos eram símbolos de orgulho regional, quais novidades tecnológicas chegavam aos lares, e quais valores guiavam as escolhas dos consumidores curitibanos. Nenhuma informação foi omitida: cada detalhe de cada página encontra-se aqui registrado, articulado e interpretado, para que se possa compreender não apenas o comércio de outrora, mas a própria vida de uma Curitiba que crescia entre tradições seculares e os primeiros sinais de um mundo moderno.

Página 1 — Serviços, Representações, Indústria e Inovações que Chegavam à Cidade

Esta primeira folha revela uma cidade já conectada a diferentes setores econômicos, desde atividades tradicionais até as novidades tecnológicas que começavam a transformar o cotidiano:
  • No canto superior esquerdo, um cabeçalho direto e atento aos novos tempos: "Senhores Automobilistas". A própria existência de um espaço dirigido a esse público comprova que o automóvel já havia ingressado na realidade curitibana, tornando-se objeto de interesse, comércio e serviço especializado. Logo abaixo, a AGÊNCIA MACEDO — Hermes Macedo & Cia. insere-se no universo das casas dedicadas a representações comerciais, intermediação e serviços — atividade essencial numa cidade que se consolidava como centro de negócios do estado.
  • Em posição destacada, encontra-se Nicolau Mäder & Cia., estabelecimento cuja especialidade era a ERVA-MATE — produto que se erigiu como uma das maiores riquezas naturais e econômicas do Paraná. O orgulho de sua tradição é declarado de forma clara: "Fabricantes desde 1889", ou seja, com mais de três décadas de atividade consolidada à época. A presença de filiais ou escritórios em Curitiba e Paranaguá, além da abrangência declarada "Brasil", demonstra que a marca ultrapassava os limites da capital, alcançando portos e mercados de outras regiões. Os canais de comunicação da época também ficam evidentes: Caixa Postal 94, endereço telegráfico MÄDER — meio veloz de transmissão comercial antes do telefone se difundir — e a indicação de atuação nos dois principais centros econômicos paranaenses.
  • Na coluna central, a marca Ziurecki e o título FOTO-FILM revelam o florescimento do setor de imagem e entretenimento visual. A fotografia deixava de ser raridade e tornava-se comércio acessível; o cinema despontava como atração nova e fascinante — e Curitiba já possuía casas especializadas em materiais, equipamentos e serviços ligados a essa área em plena expansão.
  • No lado direito, um anúncio ilustrado ocupa espaço significativo e traz um produto de impacto no cotidiano doméstico: "Veja por que a 'ESTUDALUZ' brilha mais que todas". Tratava-se de um aparelho de iluminação e aquecimento que prometia levar conforto e praticidade aos lares, sintetizado na frase de efeito: "COMPAREÇA, FORÇA E LUZ DO FOGÃO!". A ilustração — uma família reunida ao redor da lâmpada — traduzia o desejo de modernidade, segurança e brilho que essa novidade trazia. O endereço comercial indicado era à Rua 24 de Maio, logradouro importante do centro curitibano.
  • Mais abaixo, entre anúncios de tamanhos variados, encontra-se o Bar Germânia — espaço de sociabilidade, encontro e convívio, cujo nome homenageava a forte presença da cultura germânica na formação da cidade e do estado.
  • O elemento mais imponente da página localiza-se na parte inferior: o emblema da SOCIEDADE TÉCNICA BREMENSIS (STB), com suas iniciais entrelaçadas e uma engrenagem — símbolo de técnica, indústria e engenharia trazida da tradição germânica. A filial curitibana situava-se na Praça Doutor Generoso Marques, 145, um dos endereços mais centrais e prestigiados da cidade. Seus contatos refletem os primórdios das comunicações modernas: Caixa Postal 488 e Telefone 608 — número curtíssimo, prova de que a empresa figurava entre as primeiras usuárias da rede telefônica local, sinal de estrutura sólida e prestígio.

Página 2 — Orgulho Regional, Bebidas, Tecidos e o Comércio no Coração da Cidade

Esta folha é atravessada por um sentimento forte de identidade paranaense, ao mesmo tempo que apresenta uma rica diversidade de produtos, desde bebidas tradicionais até matérias-primas e artigos de vestuário:
  • Logo no topo, a frase se impõe e se repete com força, unindo patriotismo e consumo: "Paranaenses e Paranistas: exemplo de patriotismo é beber cervejas 'IMPERIAL' e 'PILSEN NACIONAL'". A mensagem era clara: consumir o que era produzido em solo paranaense era uma forma de amar e honrar a terra. A indústria cervejeira local, já consolidada, investia fortemente no sentimento regional para fortalecer seu mercado.
  • A seguir, desfilam nomes que marcaram o comércio curitibano:
    • C. Marucco — casa comercial de confiança, cujo nome reaparece em outras páginas, indicando presença constante e prestígio.
    • Casa David — referência no varejo, reconhecida pelo público de forma consistente.
    • Mocelin & Santos — estabelecimento ilustrado com cenário que evoca um salão elegante, reforçando tradição e qualidade no atendimento.
    • Irmãos Bettega & Cia., que anunciavam "Grandes Serrarias em Lã" — revelando a importância da indústria têxtil e do processamento de lã na economia do estado, atividade ligada à pecuária e ao trabalho de beneficiamento local.
    • Casemiras "Aurora": especializada em tecidos, rendas e aviamentos — produtos essenciais à vestuário e ao enxoval doméstico, setor que movimentava grande parte do comércio varejista.
  • Em posição central e de grande destaque, A Curitybana apresenta-se com orgulho: "a mais antiga destilaria" da cidade. Localizada à Rua 15 de Novembro, 134, com Telefone 1058, ostentava sua tradição como valor maior. A garrafa ilustrada ao lado do texto reforçava visualmente o produto, símbolo de bebida e identidade curitibana.
  • Madeiras em Folhas — Codega & Cia.: lembrança de que as riquezas da floresta paranaense foram, por muito tempo, um dos pilares da economia local, com comércio que abastecia construção, indústria e exportação.
  • Em seção própria, Loirinha apresentava-se como marca de bebida alicerçada na pureza de suas águas: "A melhor bebida é preferir PILSNER ou IMPERIAL, produzidas com a água pura da Serra do Mar". Trazia também a indicação de sua origem: Cervejaria Providência. Em texto complementar, reforçava-se o valor histórico: "AS CERVEJAS RELÍQUIAS DO COMÉRCIO E DA INDÚSTRIA PARANAENSE" — buscando conferir aos produtos caráter de patrimônio cultural e industrial.
  • Ao rodapé, chamava a atenção o BAZAR AMERICANO, que prometia variedade e preços convidativos: "O IDÍLIO DO POVO", situado à Rua 15 de Novembro, 343 e 349. O nome "Americano" evocava modernidade, estilo e abundância — atraindo os consumidores que buscavam novidades a preços acessíveis.
Um dado salta à vista nesta página: a Rua 15 de Novembro já se afirmava como a principal artéria comercial de Curitiba. Nela se encontravam destilaria, bazar, lojas de tecidos e variados — concentração que faria dessa via o coração econômico da cidade por décadas.

Página 3 — Confiança, Arquitetura Comercial, Rádio e os Endereços de Prestígio

Esta folha mescla valores tradicionais do comércio, a valorização da arquitetura como cartão de visitas, a chegada revolucionária do rádio e a concentração de lojas nobres numa mesma rua:
  • O cabeçalho enuncia um princípio norteador do consumo naquela época: "Só casas antigas devem merecer confiança". Em tempos em que marcas e regulamentações ainda se consolidavam, a idade do estabelecimento era, por si só, argumento de credibilidade. Abaixo, em letras graciosas e de tamanho crescente: "Chapelaria Modelo". A gravura do prédio onde se localizava acompanhava o texto — estratégia rara e valiosa, pois permitia ao consumidor reconhecer visualmente o imóvel, conferindo solidez e prestígio ao negócio. O endereço era declarado com clareza absoluta: "É SÓ na rua 15 de Novembro n. 267" — mais uma prova de que essa rua era endereço de eleição para os melhores comércios da cidade.
  • No canto inferior esquerdo, uma ilustração singela e afetuosa: um burro carregando fardos, com os dizeres "DONDE DEUS ME AJUDA". Trata-se da BOMBONNIÈRE ICARO, situada à Rua 3 de Outubro, 8, que também funcionava como Depósito Central de Loiças. A imagem misturava fé, simplicidade e humor — recursos que aproximavam o comerciante do público, criando laços de afeto e confiança.
  • Na coluna central, um marco dos tempos modernos: "A' 15 de Novembro! PRB 2 — Rádio Clube Paranaense", sob direção de Brusit. O rádio despontava como milagre tecnológico: levava voz, música, notícias e cultura aos lares, rompendo distâncias e transformando o cotidiano. Os dados técnicos e de localização eram apresentados com cuidado: Rua Barão do Rio Branco, 169, bairro Alto. A sigla PRB 2 — prefixo da emissora — era repetida em destaque, facilitando a sintonia dos ouvintes. Curitiba entrava, assim, na era das comunicações de massa.
  • À direita, a seção "Lembre-se: a Chapelaria Central" convidava à fidelidade e à lembrança constante do estabelecimento. Pertencente a Meireles, Junqueira & Cia. Ltda., situava-se à Rua 15 de Novembro, 259 — número vizinho à Chapelaria Modelo, compondo um trecho da rua repleto de lojas de prestígio. Abaixo, aparecem Confeitaria Riquelme — espaço de doçaria, cafés e encontros refinados — e Carlos V. Breithaupt, comerciante de renome instalado no mesmo endereço de prestígio.

Página 4 — Símbolos de Força, Produtos de Tradição e a Identidade que Se Repete

A última folha reúne nomes consolidados, marcas que recorriam a símbolos visuais poderosos, conselhos ao consumidor e a reafirmação dos valores e produtos que definiam a identidade paranaense:
  • No alto, reaparecem nomes que já eram familiares ao leitor: Empresa Norte-Sul, Cooperativa de Seguros Mútuos, C. Marucco, Mocelin & Santos — a repetição demonstrava estabilidade, continuidade e presença constante na vida da cidade.
  • Em posição central, a ilustração de um leão de perfil, imponente e sereno, acompanha a denominação LEÃO JÚNIOR & CIA.. O animal, símbolo universal de força, nobreza e confiança, foi escolhido propositalmente para associar essas qualidades ao nome comercial.
  • A seguir, em moldes elegantes: "Matte 'Gioconda' — Eurico Mello & Cia.". A erva-mate, produto de base da economia e do hábito social paranaense, ganhava nome que remetia à arte e à elegância — estratégia para elevar o produto a patamar de distinção.
  • À esquerda, mensagem direta e afetuosa: "Não fique na dúvida / Procure a Casa Edith". O conselho dispensava formalidades e convidava o consumidor a resolver suas necessidades num lugar seguro e acolhedor.
  • No centro, retorna a seção FOTO-FILM, reforçando que esse ramo havia se tornado um dos esteios do comércio moderno em Curitiba, presente de forma recorrente nas páginas de anúncios.
  • À direita, reencontramos a marca Loirinha, com o mesmo texto que exaltava a pureza das águas da Serra do Mar e a qualidade das cervejas Pilsen e Imperial. Ao lado, outros nomes e produtos se sucedem: Mundo das Casemiras, especializado em tecidos e aviamentos; O Sabão Veado, marca de higiene e limpeza doméstica conhecida de gerações; e Frederico N. Geibert — Fabricante de Máquinas, indicando o florescimento de atividades industriais e técnicas na cidade.
  • Ao rodapé, retorna com força a mensagem patriótica e comercial: "Paranaenses e Paranistas: exemplo de patriotismo é beber cervejas 'IMPERIAL' e 'PILSEN NACIONAL'". A repetição proposital fixava na mente do leitor a ideia: consumir o que é da terra é ato de amor ao Paraná.

Síntese — O Que As Páginas Nos Revelam Sobre Curitiba

Ao reunir e examinar cada detalhe, um retrato nítido se forma: Curitiba vivia período de grande vitalidade comercial e transformação. A Rua 15 de Novembro firmava-se, de forma inequívoca, como o coração econômico da cidade — endereço de destilaria, chapelarias, bazares, confeitarias e lojas de tecidos, concentrando o comércio mais variado e prestigiado. A erva-mate e as cervejas paranaenses eram apresentadas não apenas como produtos, mas como riquezas da terra, símbolos de identidade que deveriam ser defendidos e consumidos com orgulho. A mensagem era clara: apoiar a indústria local era patriótico.
A modernidade chegava aos poucos, mas com força: o automóvel, a fotografia, o cinema e, sobretudo, o rádio — que prometia ligar cada lar ao mundo — demonstrava que Curitiba acompanhava as transformações do século. Os meios de comunicação também evoluíam: caixas postais, telegramas e os primeiros telefones, com números ainda curtos, revelavam uma cidade em crescimento, com estrutura se organizando.
E, contudo, os valores tradicionais permaneciam firmes: confiança nas casas antigas, respeito à tradição, fé expressa em frases e imagens, apreço às raízes germânicas e à terra paranaense. Os comerciantes conheciam seus clientes, os endereços eram pontos de referência reconhecidos por todos, e cada marca procurava construir uma relação de afeto e credibilidade com o público.
Esses anúncios são, em essência, fotografias de uma época. Eles revelam o que se produzia, o que se comprava, onde se andava, em que se acreditava e como se amava a terra. Curitiba crescia, se transformava, mas mantinha firme o vínculo com suas origens — e cada palavra, ilustração e endereço aqui guardados são testemunhas vivas dessa história.







A Universidade do Paraná e a futura Praça Santos Andrade de Curitiba na década de 1910.

 A Universidade do Paraná e a futura Praça Santos Andrade de Curitiba na década de 1910.


Uma solenidade na Praça Barão do Rio Branco (nesse tempo Largo do Rosário), na decada de 1920, ponta Grossa,tendo ao fundo o eterno Colégio São Luís (antes, Santana). Boa Viagem pelo passado da Princesa.

 Uma solenidade na Praça Barão do Rio Branco (nesse tempo Largo do Rosário), na decada de 1920, ponta Grossa,tendo ao fundo o eterno Colégio São Luís (antes, Santana). Boa Viagem pelo passado da Princesa.


As cinco graças posam para uma foto na Praça Duque de Caxias em Ponta Grossa na década de 1950.

 As cinco graças posam para uma foto na Praça Duque de Caxias em Ponta Grossa na década de 1950.


Registro fotográfico da enchente em Curitiba entre a João Negrão e Visconde de Guarapuava no ano de 1941

 Registro fotográfico da enchente em Curitiba entre a João Negrão e Visconde de Guarapuava no ano de 1941



sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Instalações antigas do Instituto de Medicina e Cirurgia do Paraná, localizado na Rua Ubaldino do Amaral, no ALTO da RUA XV..Anos 40

 Instalações antigas do Instituto de Medicina e Cirurgia do Paraná, localizado na Rua Ubaldino do Amaral, no ALTO da RUA XV..Anos 40


Ano 1992 - 2020 - Cruzamento das Ruas Campos Sales e Mauá, nas proximidades de onde era a Conceituada Fábrica de Pianos ESSENFELDER

 Ano 1992 - 2020 - Cruzamento das Ruas Campos Sales e Mauá, nas proximidades de onde era a Conceituada Fábrica de Pianos ESSENFELDER


O ANTIGO CLUBE BALNEÁRIO DA ILHA DO MEL

 O ANTIGO CLUBE BALNEÁRIO DA ILHA DO MEL



Quando vi esta foto da década de 1930, onde curitibanos estão desembarcando de uma grande lancha, no trapiche da Ilha do Mel, fiquei estupefato me perguntando - o quê este caminhãozinho adaptado jardineira está fazendo naquela ilha e como foi parar lá ?
Então recorri ao meu amigo Almir Silvério da Silva, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá, indagando-o se ele sabia algo à respeito. Imediatamente, ele disse-me já ter escrito algumas linhas sobre o contexto.
Aquela histórica foto, registrava o momento em que curitibanos estão aguardando para serem transportados até o "Hotel Balneário Ilha do Mel" que havia perto da Fortaleza.
Tudo começou quando foi criado na Ilha o 'Clube Balneário da Ilha do Mel', uma sociedade com registro jurídico, que arrendou de Teodorinho Doubek o 'Hotel Balneário Ilha do Mel' que lá existia, com suas instalações em madeira. Como instrumento fomentador de turismo, o Clube adquiriu uma grande lancha batizada "Ilha do Mel", com piso superior, que passou a transitar entre Pontal do Sul e a Ilha do Mel, levando turistas.
" O Clube era dono, também, de um caminhão que um dia servira para carregar material de construção para instalação do Rádio Farol, próximo do Mirante, e fora vendido à sociedade mais ou menos aos pedaços. Um caminhãozinho único em toda a vida da Ilha, que heroicamente transportava passageiros do trapiche do mirante junto à Fortaleza, de enguiço em enguiço, diariamente.
Possuía também uma sede de madeira que constava dum espaçoso salão, onde se realizavam os bailes da temporada. A cada semana, a rapaziada ia buscar um gaiteiro, quase sempre o Turra – o mais famoso das praias. Ele executava boleros, sambas, 'blues' e 'swings', do chótis até as marchinhas tocadas nos fandangos e nos arrasta-pés locais.
Os bailes eram frequentadissimos por jovens maiores de quinze anos e menores de oitenta, numa grande animação. Entre os fundadores da sociedade estavam o Rodolfo Senff, o Vilar e o Valmassoni. Nunca houve festa ou baile sem que este estivesse completamente lotado."
(Texto adaptado de: Fernandes, Hellê Vellozo - Ilha do Mel, Ontem e Sempre, Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico Paranaense e Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá - IHGP)
Paulo Grani

Histórica foto da década de 1920, mostra famílias de colonos poloneses reunidas na frente da Igreja de Santo Antônio, na Colônia Órleans de Curitiba. O longo cordão de crianças vestidas de branco, são os participantes da missa de comemoração à Primeira Comunhão, que estava para acontecer. O meio de transporte da época, eram as saudosas carroças ... (Foto: Publicação Gazeta do Povo) Paulo Grani

 Histórica foto da década de 1920, mostra famílias de colonos poloneses reunidas na frente da Igreja de Santo Antônio, na Colônia Órleans de Curitiba.



O longo cordão de crianças vestidas de branco, são os participantes da missa de comemoração à Primeira Comunhão, que estava para acontecer.

O meio de transporte da época, eram as saudosas carroças ...

(Foto: Publicação Gazeta do Povo)

Paulo Grani 

ST-I e ST-III: A Vida Pós-Guerra do Caça-Tanques Hetzer na Tchecoslováquia

 

ST-I caça-tanques





de treinamento ST-III


Operação do caça-tanques Hetzer pela resistência tcheca contra a Alemanha

A rendição da Alemanha em 8 de maio de 1945 encerrou as batalhas europeias na Segunda Guerra Mundial, e cada país sob controle alemão tornou-se independente.
A República Tcheca, que foi anexada à Alemanha em 1939, foi reintegrada à Eslováquia após a rendição da Alemanha e relançada como República Tcheca da Eslováquia (Terceira República).

A Tchecoslováquia imediatamente começou a se rearmar, mas felizmente para o país, embora fosse para o exército alemão, continuou a produzir ativamente AFVs durante a guerra e, embora o tipo de veículo seja limitado, materiais abundantes são deixados para trás. , e as instalações da fábrica foram deixadas como estavam.
No entanto, devido à turbulência do pós-guerra, é impossível iniciar a produção de AFVs imediatamente, então os AFVs do ex-exército alemão deixados em vários lugares serão consertados e devolvidos a um estado utilizável, então um plano de rearmamento foi iniciado .

O caça-tanques Hetzer foi a principal arma do exército da Checoslováquia após a guerra no AFV do ex-exército alemão.
Em 5 de maio de 1945, as tropas alemãs ainda permaneciam na capital tcheca, Praga, e estavam engajadas em batalhas de pequena escala, em que três destróieres de tanques Hetzer (números de série do corpo 323627-323629). Foi deixada na fábrica Skoda em Plzen, e embora não fosse equipado com o canhão principal, estava quase concluído.

Não havia como ignorar isso, e esses três caça-tanques Hetzer foram completados com a abertura do canhão principal imediatamente fechada com uma placa de blindagem, e uma pequena abertura foi fornecida nesta placa de blindagem e equipada com uma metralhadora.
Para identificar cada veículo, o slogan foi escrito em tcheco nos lados esquerdo e direito do corpo e entregue à resistência à Alemanha para patrulhamento em Praga.

Dois desses destróieres de tanques Hetzer foram lançados em 6 de maio para exterminar as tropas alemãs na estação de transmissão e retransmissão de Praga em Stratonis.
Além disso, o BMM de Praga (Böhmisch-Mährische Maschinenfabrik: Bohemia Moravian Machinery Works, anteriormente ČKD) também tem dois tanques Hetzer completos com armas principais e 20 munições principais. Diz-se que um deles disparou 12 projéteis principais contra o exército alemão à espreita no Centro de Praga, a fim de eliminar imediatamente os inimigos restantes porque estava armazenado.

No entanto, o veículo foi capturado pelo exército alemão e as ações do restante são desconhecidas.
Além disso, dizem que quatro destróieres de tanques alemães Hetzer, que haviam sido abandonados em Praga, foram descobertos em 9 de maio e colocados em batalha.

Desenvolvimento de caça-tanques ST-I e tanque de treinamento ST-III

Após a turbulência do pós-guerra mencionada acima, a Tchecoslováquia embarcou em um rearmamento em grande escala.
Em outubro de 1945, um corpo de tanques foi estabelecido no Exército da Checoslováquia e uma brigada de tanques foi organizada sob ele. Os tanques britânicos e americanos (provavelmente tanques de cruzeiro Cromwell e tanques médios M4), e as 21ª e 22ª brigadas de tanques foram equipadas com tanques capturados ex-tanques alemães.

No entanto, neste ponto, o destruidor de tanques Hetzer ainda não havia sido reproduzido, e Skoda foi solicitado a desenvolver um tanque de treinamento necessário para o rearmamento como uma etapa preliminar.
Isso abriu um novo caminho para os destruidores de tanques Hetzer do pós-guerra.

O desenvolvimento deste tanque de treinamento partiu da proposta da empresa de converter em tanques de treinamento 20 dos 75% dos tanques Hetzer completos deixados pela Skoda em tanques de treinamento. números de série do corpo 64916, 64917) é administrado por ČKD (Českomoravská Kolben-Daněk), que retornou ao nome original da empresa da BMM. foi o que aconteceu.

O primeiro carro deste tipo em pré-produção realizou uma demonstração em execução na frente das pessoas interessadas em 12 de novembro de 1945.
Um pouco atrás disso, em 26 de novembro, o Ministério da Defesa da Tchecoslováquia decidiu um novo nome para veículos relacionados ao caça-tanques Hetzer.
De acordo com isso, o tanque destruidor Hetzer receberá o nome de "ST-I", o canhão antitanque autopropelido Marder III receberá o nome de "ST-II" e o tanque de treinamento receberá o nome de " ST-III ".

Como você pode ver, o Exército da Tchecoslováquia planejou inicialmente implantar canhões autopropulsados ​​antitanque Marder III, mas o número realmente equipado era extremamente pequeno.
Por outro lado, o caça-tanques favorito ST-I, como o tanque de treinamento ST-III, foi solicitado a ser desenvolvido no início de outubro de 1945 e, em 20 de fevereiro de 1946, os tanques ST-I e ST-III A usando o teste dois carros do tipo pré-produção foram iniciados.

Quarenta e oito tipos de produção foram encomendados para melhorar os problemas encontrados neste teste, e os tanques de treinamento ST-III foram colocados em produção na ČKD a partir de 1946 e encomendados no final da produção em janeiro de 1947. Todos os 50 carros foram concluídos.
A propósito, os números de série da carroceria dos 48 carros do tipo ST-III de produção são 65420-65467.
No final de 1948, 11 desses tanques de treinamento ST-III foram entregues pela primeira vez à Escola de Treinamento de Tanques e 3 à Academia Militar para iniciar o treinamento.

Como mencionado acima, o caça-tanques ST-I foi produzido pela ČKD, mas também foi seguido pela Skoda, que estava produzindo o caça-tanques G-13, que é um caça-tanques Hetzer para o exército suíço. Em 26 de agosto de 1948, 30 veículos foram encomendados para a reprodução do caça-tanques Hetzer.
A encomenda da Skoda é um veículo para artilharia e, ao mesmo tempo, o nome foi alterado para "Sh PTK 75 mm vz.39 / 44".

Os destróieres de tanques ST-I concluídos começaram a ser entregues ao Exército da Checoslováquia no final de 1947 e, finalmente, 120 carros em ČKD (os dois primeiros carros são do tipo pré-produção: números de série da carroceria 67700, 67751, seguidos por 118 carros) Tipo de produção: Carroceria número 65468-65567), 30 carros da Skoda (carroceria número desconhecido), 150 carros no total.
Os primeiros 20 desses veículos foram concluídos sem o canhão principal e, posteriormente, foram equipados com o canhão principal.

Nem todos os caça-tanques ST-I foram produzidos recentemente, e diz-se que alguns deles já foram produzidos durante a antiga era militar alemã, que foram revisados ​​e reformados.
Além disso, os caça-tanques ST-I incluem o DT-I-III rebocado, que usa a carroceria do veículo, e o tanque lança-chamas PM-1, que tem um lança-chamas alojado em uma pequena torre e montado na parte superior da batalha quarto .existir.

Estrutura do caça-tanques ST-I e do tanque de treinamento ST-III

O caça-tanques ST-I era basicamente um veículo com as mesmas especificações do último veículo de produção do caça-tanques Hetzer operado pelo antigo exército alemão, mas com melhorias nos problemas encontrados no teste e adição de equipamento original etc. feito, sua aparência era um pouco diferente.
A primeira coisa que se destaca é que foi instalado um grande farol no centro da frente da carroceria, e o farol tipo defesa antiaérea (Notec light) da antiga era militar alemã, que foi abolido no treinamento de ST-III tanque, é deixado como está.

Além disso, uma pequena luz indicadora de posição foi instalada imediatamente após os para-lamas dianteiros direito e esquerdo, e um alto-falante foi adicionado à frente do corpo do veículo atrás da luz indicadora de posição esquerda.
Portanto, se a parte frontal da carroceria do carro puder ser confirmada, é fácil distinguir entre o veículo produzido durante a antiga era militar alemã e o veículo remanufaturado após a guerra.

Além disso, o Hetzer capturado ou requisitado do antigo exército alemão tinha o número da arma capturada "UV217" escrito no lado esquerdo inferior da frente da carroceria do veículo, de modo que é possível confirmar quando o veículo foi produzido pela presença ou ausência deste número. ..
O equipamento padrão da Hetzer, a metralhadora sub-armada no veículo que foi instalada na parte superior da sala de batalha, foi abolida pelo Exército da Checoslováquia porque odiava prejudicar a habitabilidade, e a abertura trancava uma placa de blindagem circular. Eu parei e Foi bloqueado.

No entanto, parece que houve variações nas especificações em torno disso porque o veículo com a metralhadora deixada no veículo pode ser confirmado na fotografia.
Além disso, em Hetzer, a antena sobressalente instalada na parte traseira esquerda da sala de batalha foi movida para a frente no caça-tanques ST-I, e uma chave inglesa de formato único foi instalada na parte traseira da sala de batalha.

Da mesma forma, um macaco de madeira é montado no lado esquerdo da sala de batalha, e um macaco é montado atrás dele, que também é um ponto distintivo para os caça-tanques ST-I.
Por outro lado, o tanque de treinamento ST-III era o mesmo que o caça-tanques ST-I em termos de corpo, mas para fechar a abertura do canhão principal no lado direito da placa de blindagem frontal do corpo, um fino A placa da armadura foi soldada por cima de acordo com o formato da abertura.

Nesta placa de armadura, um bloco de inspeção foi fornecido na frente, e uma saliência do assento do instrutor com uma escotilha de abertura traseira para entrar e sair foi fornecida na superfície superior.
Além disso, no lado esquerdo da placa de blindagem frontal, um bloco de inspeção para o driver foi fornecido em uma forma rebaixada.
Além disso, uma nova torre de comandante fixa em forma de caixa foi instalada no topo da sala de batalha.

Portas de canhão circulares foram fornecidas em cada um dos quatro lados da torre, frente, trás, esquerda e direita, e foi considerado que este veículo seria usado não apenas para treinamento de manobra, mas também para missões de manutenção de segurança.
Além disso, dois blocos de inspeção foram fornecidos na frente e atrás da torre, e uma escotilha de embarque / desembarque do tipo abertura esquerda-direita foi fornecida na superfície superior da torre.

Além disso, como uma contramedida contra a falta de luz durante a condução noturna, que foi encontrada no teste do carro protótipo, um grande farol foi instalado no centro da frente da carroceria do carro, mas a luz Notec que foi originalmente instalada imediatamente após o para-lama dianteiro do lado esquerdo. Foi removido.
Além disso, duas filas de bancos corridos de madeira foram recém-instaladas no carro, que acomodavam de dois a três estagiários.
Parece que muitos dos destróieres de tanques ST-I e tanques de treinamento ST-III foram equipados com o silenciador longo horizontal convencional em vez do silenciador extintor de chamas curto usado nos veículos de produção tardia da Hetzer.


<ST-I Tank Destroyer> Comprimento total : 6,27 m Comprimento do corpo: 4,87 m Largura total : 2,63 m Altura

total : 2,17
m Peso total : 16,0 t Tripulação: 4 pessoas Motor: Praga AC2800 4 tempos líquido de 6 cilindros em linha Gasolina resfriada Potência máxima: 160cv / 2.800 rpm Velocidade máxima: 40km / h Alcance do cruzeiro: 180km Armados: 48 calibre 7,5cm Pistola antitanque PaK39 × 1 (46 tiros) Espessura da armadura: 8-60mm












<Referências>

・ "Grand Power November 2001 Destroyer Hetzer (2) Variações de Hetzer" por Koichi Akira Delta Publishing
"Pantzer novembro 2000 Hetzer Tank Destroyer Its Development and Structure" por Hitoshi Goto Argonaute
・ "Panzer agosto 2011 Destruidor de tanques alemão Hetzer "por Yukio Kume Argonaute Co. , Ltd.
・" World Tank Perfect Book "Cosmic Publishing

ST-I e ST-III: A Vida Pós-Guerra do Caça-Tanques Hetzer na Tchecoslováquia

1. Contexto Histórico e a Resistência Tcheca

Com o fim da Segunda Guerra Mundial em 8 de maio de 1945 e a libertação da Tchecoslováquia do controle alemão, o país iniciou um ambicioso programa de rearmamento para sua recém-estabelecida Terceira República. Ao contrário de outras nações devastadas pelo conflito, a Tchecoslováquia herdou uma infraestrutura fabril intacta e estoques consideráveis de veículos blindados de combate (AFVs) deixados pelas forças da Wehrmacht.

O Uso Inicial pela Resistência

Mesmo antes da rendição oficial, durante os combates de rua em Praga em maio de 1945, combatentes da resistência tcheca interceptaram caça-tanques Hetzer (Jagdpanzer 38(t)) em diferentes estágios de conclusão nas fábricas da Skoda (em Plzen) e da BMM / ČKD (em Praga):

  • Veículos Improvisados: Unidades inacabadas tiveram a abertura do canhão principal fechada com placas de blindagem soldadas e fendas para metralhadoras. Slogans em tcheco foram pintados nos cascos para identificação.

  • Ação de Combate: Esses veículos improvisados foram imediatamente empregados em patrulhas e missões de combate contra remanescentes de tropas alemãs entrincheiradas na capital.

2. Desenvolvimento do ST-I (Caça-Tanques) e ST-III (Treinamento)

Em outubro de 1945, o Exército Tchecoslovaco formalizou sua força de tanques e solicitou à indústria nacional a revitalização e produção contínua do Hetzer para equipar suas fileiras. Como etapa preliminar para o rearmamento, a Skoda propôs a conversão de unidades remanescentes em veículos de treinamento.

  • Designações Oficiais (Novembro de 1945):

    • ST-I: Designação oficial dada ao caça-tanques Hetzer reformado/produzido no pós-guerra (a Skoda também o catalogou temporariamente como Sh PTK 75 mm vz.39/44 para uso artilheiro).

    • ST-II: Nome reservado para o canhão autopropulsado Marder III (embora operado em escala muito reduzida).

    • ST-III: Designação oficial do tanque de treinamento derivado do chassi.

Produção em Série

  • ST-III (Treinamento): A produção ocorreu na ČKD a partir de 1946, com o encerramento do lote em janeiro de 1947. Foram concluídas 50 unidades, entregues a partir de 1948 para escolas de blindados e academias militares.

  • ST-I (Caça-Tanques): A fabricação e reconstrução envolveram tanto a ČKD quanto a Skoda (que também produzia a variante G-13 para a Suíça). No total, foram produzidos/recondicionados 150 veículos (120 pela ČKD e 30 pela Skoda).

  • Variantes Derivadas: A plataforma do ST-I deu origem a subvariantes especializadas, como o veículo de reboque/oficina DT-I-III e o tanque lança-chamas PM-1.

3. Características Estruturais e Diferenças

Embora baseados no projeto alemão original do final da guerra, o ST-I e o ST-III incorporaram modificações ditadas pela experiência operacional tchecoslovaca e pelas necessidades de instrução.

Caça-Tanques ST-I

  • Modificações Externas: Adição de um grande farol central na dianteira do casco, luzes indicadoras de posição e um alto-falante na frente do veículo.

  • Armamento Secundário: A metralhadora controlada internamente no teto da casamata foi abolida por questões de ergonomia e habitabilidade, tendo sua abertura bloqueada por uma placa blindada circular (embora fotos registrem variações pontuais).

  • Acessórios: A antena sobressalente traseira foi relocada para a dianteira, e ferramentas específicas — como chaves inglesas de formato exclusivo e macacos de madeira — foram redistribuídas nas laterais e na traseira da casamata.

  • Identificação: Veículos fabricados ou revisados no pós-guerra frequentemente exibiam o código de espólio militar "UV217" no canto inferior esquerdo da dianteira.

Tanque de Treinamento ST-III

  • Cabine de Instrução: O espaço do canhão principal à direita foi fechado com uma placa blindada equipada com um bloco de visão. Acima dela, foi instalada uma cúpula/saliência com escotilha traseira para o instrutor.

  • Torre do Comandante: Uma nova torre fixa em formato de caixa foi soldada no teto da casamata, provida de portas circulares e escotilhas para missões de instrução e segurança interna.

  • Arranjo Interno: Bancos corridos de madeira foram instalados no compartimento de combate para acomodar de dois a três estagiários simultaneamente.

  • Sistema de Escape: Assim como muitos ST-I, utilizavam frequentemente o silenciador horizontal longo tradicional, em vez do modelo supressor de chamas curto do final da guerra.

4. Especificações Técnicas (ST-I Tank Destroyer)

ParâmetroEspecificação
Comprimento Total (com canhão)6,27 m
Comprimento do Casco4,87 m
Largura Total2,63 m
Altura Total2,17 m
Peso em Ordem de Combate16,0 toneladas
Tripulação4 pessoas
MotorPraga AC2800 (6 cilindros em linha, 4 tempos, gasolina, 160 cv a 2.800 rpm)
Velocidade Máxima40 km/h
Raio de Ação (Autonomia)180 km
Armamento PrincipalCanhão antitanque PaK39 de 7,5 cm (calibre 48) com 46 tiros
Espessura da Blindagem8 mm a 60 mm