quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

 Denominação inicial: Grupo Escolar do Bacacheri

Denominação atual: Colégio Estadual Leôncio Correia

Endereço: Rua Costa Rica, 233 - Bacacheri

Cidade: 

Classificação (Uso): 

Período: 

Projeto Arquitetônico

Autor: Divisão de Projetos e Edificações da Secretaria de Viação e Obras Públicas

Data: 1948

Estrutura: padronizado

Tipologia: U

Linguagem: 


Data de inauguracao: 

Situação atual: Edificação existente com alterações

Uso atual: Edifício escolar

Grupo Escolar do Bacacheri - s/d

Acervo: Colégio Estadual Leôncio Correia

Colégio Estadual Leôncio Correia: Entre Telhados de Telha e Sonhos de Alfabetização no Bacacheri

Nos arredores do tradicional bairro do Bacacheri, em Curitiba, ergue-se uma construção que, apesar das camadas de tinta e das intervenções do tempo, conserva em sua estrutura a memória de um Brasil que acreditava na escola como pilar da cidadania. Trata-se do antigo Grupo Escolar do Bacacheri, hoje conhecido como Colégio Estadual Leôncio Correia — um exemplar raro da arquitetura escolar neocolonial paranaense, concebido nos anos imediatos ao fim da Segunda Guerra Mundial.


Raízes de Uma Comunidade em Ascensão

Na segunda metade da década de 1940, o bairro do Bacacheri vivia um momento de expansão urbana e demográfica. Com o crescimento populacional impulsionado pela industrialização e pelo desenvolvimento da capital paranaense, tornou-se urgente a criação de instituições públicas capazes de atender às necessidades básicas da população — entre elas, a educação.

Foi nesse contexto que surgiu o Grupo Escolar do Bacacheri, idealizado entre 1945 e 1951 como parte de um amplo programa de modernização da rede pública de ensino no Paraná. Embora a data exata de inauguração não conste nos registros disponíveis, sabe-se que o projeto arquitetônico foi elaborado em 1948 pela Divisão de Projetos e Edificações da Secretaria de Viação e Obras Públicas, órgão responsável por diversas construções governamentais da época.

Diferentemente de outras unidades escolares contemporâneas que adotaram a linguagem modernista, o Grupo Escolar do Bacacheri seguiu uma estética distinta: a neocolonial. Essa escolha revela uma intenção simbólica — resgatar traços da identidade nacional e regional num momento de afirmação do Estado brasileiro como promotor do bem-estar social.


Arquitetura Neocolonial: Tradição com Propósito Cívico

O edifício foi construído segundo um modelo padronizado, comum à época, mas com elementos característicos do estilo neocolonial: telhados de quatro águas com telhas cerâmicas, beirais salientes, janelas com molduras emolduradas, e, possivelmente, pilares ou arcadas evocando a arquitetura luso-brasileira dos séculos XVIII e XIX. A planta em formato de “U” — tipologia recorrente nos grupos escolares — permitia a formação de um pátio interno, espaço central para recreio, formaturas e atividades cívicas.

Essa linguagem arquitetônica, embora menos funcionalista que o modernismo emergente, transmitia solidez, tradição e pertencimento. Era uma arquitetura que dizia: esta escola é parte da história do Brasil. Em vez de romper com o passado, ela buscava enraizar a modernidade educacional em valores culturais já reconhecidos pela população.


Da Identidade Local à Homenagem Estadual

Originalmente batizado como Grupo Escolar do Bacacheri, o colégio recebeu, posteriormente, o nome de Leôncio Correia — homenagem a uma figura relevante da história paranaense, possivelmente ligada à educação, à política ou à vida pública estadual. Embora detalhes biográficos sobre Leôncio Correia não estejam amplamente divulgados, a perpetuação de seu nome nas fachadas da escola reforça o papel das instituições educacionais como guardiãs da memória coletiva.

A mudança de denominação reflete também a evolução do sistema educacional brasileiro: os “grupos escolares”, típicos do ensino primário republicano, deram lugar, nas décadas seguintes, aos “colégios estaduais”, que passaram a abranger também o ensino fundamental e médio.


Presente: Um Patrimônio em Transformação

Atualmente, o edifício ainda existe na Rua Costa Rica, 233, no coração do Bacacheri, e continua cumprindo sua função original: acolher estudantes e promover o saber. No entanto, como ocorre com muitas construções históricas adaptadas às demandas contemporâneas, sofreu alterações significativas ao longo das décadas — novas alas, substituição de esquadrias, revestimentos atualizados e adequações técnicas.

Apesar disso, vestígios de sua origem neocolonial ainda podem ser percebidos por olhos atentos: talvez no contorno do telhado, na disposição simétrica das janelas ou na proporção das alas que abraçam o pátio central. Esses elementos são testemunhos silenciosos de uma época em que cada escola era pensada como um microcosmo de ordem, civismo e esperança.


Memória Viva no Acervo Escolar

Fotografias sem data — rotuladas simplesmente como “Grupo Escolar do Bacacheri – s/d” — encontram-se preservadas no acervo do próprio Colégio Estadual Leôncio Correia. Essas imagens, muitas vezes em preto e branco, capturam momentos efêmeros: crianças em fila para o hasteamento da bandeira, professoras de saia longa e caderno sob o braço, carteiras de madeira alinhadas com rigor. São fragmentos de uma história que transcende o prédio: é a história de milhares de curitibanos que ali aprenderam a ler, escrever e sonhar.


Conclusão: Mais Que Tijolos, Uma Promessa

O Colégio Estadual Leôncio Correia não é apenas um edifício escolar. É um marco da urbanização do Bacacheri, um exemplo raro da arquitetura neocolonial aplicada à educação pública e um símbolo da aposta do Estado na formação de cidadãos num período de reconstrução nacional.

Que suas paredes continuem ecoando vozes de alunos, risos de recreio e o tilintar do sino da aula — pois, mesmo com o tempo e as reformas, uma escola só envelhece quando deixa de ensinar. E esta, felizmente, segue firme em sua missão.

“Ensinar é um exercício de imortalidade.”
— Rubem Alves

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