sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Entre o Ideal Moderno e a Missão Educativa: A História do Grupo Escolar do Novo Mundo em Curitiba

 Denominação inicial: Grupo Escolar do Novo Mundo

Denominação atual: Colégio Estadual Dr. Francisco Azevedo Macedo

Endereço: Travessa Augusto Marach, 224 - Novo Mundo

Cidade: 

Classificação (Uso): 

Período: 

Projeto Arquitetônico

Autor: Divisão de Projetos e Edificações da Secretaria de Viação e Obras Públicas

Data: 1950

Estrutura: padronizado

Tipologia: E

Linguagem: 


Data de inauguracao: 

Situação atual: Edificação existente com alterações

Uso atual: Edifício escolar

Colégio Estadual Dr. Francisco Azevedo Macedo em 2008.

Acervo: Elizabeth Amorim de Castro

Entre o Ideal Moderno e a Missão Educativa: A História do Grupo Escolar do Novo Mundo em Curitiba

No bairro Novo Mundo, zona sul de Curitiba, ergue-se um edifício que, mais do que paredes e janelas, representa uma visão de futuro moldada no pós-guerra: o antigo Grupo Escolar do Novo Mundo, hoje conhecido como Colégio Estadual Dr. Francisco Azevedo Macedo. Sua arquitetura, sua função e sua trajetória refletem não apenas as políticas educacionais do Paraná nas décadas de 1940 e 1950, mas também a esperança depositada na escola pública como motor de transformação social.


Um Novo Tempo para a Educação Pública

Nos anos imediatamente posteriores à Segunda Guerra Mundial, o Brasil — e especialmente o Paraná — vivia um momento de intensa modernização. A urbanização acelerada, o crescimento populacional e a demanda por educação básica impulsionaram o governo estadual a investir maciçamente na construção de grupos escolares, instituições que ofereciam ensino primário completo, com infraestrutura adequada, higiene, alimentação e formação cívica.

Foi nesse contexto de renovação que, entre 1945 e 1951, surgiu o Grupo Escolar do Novo Mundo, localizado na Travessa Augusto Marach, 224, num bairro que, à época, ainda se consolidava como área residencial em expansão. O nome “Novo Mundo” não era apenas geográfico — era simbólico. Representava a promessa de um recomeço, de um horizonte educacional mais justo e acessível.


Arquitetura ao Serviço da Modernidade

Diferentemente de outros grupos escolares construídos na mesma época com linguagem neocolonial — que buscava evocar tradição e identidade nacional —, o Grupo Escolar do Novo Mundo foi concebido sob os princípios do Modernismo. Seu projeto arquitetônico, elaborado em 1950 pela Divisão de Projetos e Edificações da Secretaria de Viação e Obras Públicas, adotou a Tipologia E, um modelo padronizado pelo Estado, mas com traços claramente alinhados às ideias de funcionalidade, simplicidade e racionalidade típicas da estética modernista.

Linhas limpas, ausência de ornamentos excessivos, grandes vãos para ventilação e iluminação natural, e uma organização espacial voltada à eficiência pedagógica marcavam o edifício. Essa escolha estilística não era casual: o Modernismo, naquele momento, era visto como a linguagem da democracia, do progresso e da ruptura com hierarquias obsoletas — valores que se pretendia incutir na nova geração de brasileiros.

Embora tenha sofrido alterações ao longo das décadas — adaptações necessárias para atender às novas demandas curriculares, tecnológicas e de acessibilidade —, o prédio mantém sua essência estrutural e continua a funcionar como espaço escolar ativo, testemunhando mais de setenta anos de história educacional.


Do Bairro à Homenagem: Uma Nova Identidade

Originalmente batizado como Grupo Escolar do Novo Mundo, em referência direta ao bairro onde foi implantado, o colégio recebeu, posteriormente, o nome de Dr. Francisco Azevedo Macedo — figura cuja biografia, embora não amplamente divulgada, certamente esteve ligada à educação, à medicina ou ao serviço público no Paraná. A mudança de denominação seguiu uma tendência nacional de homenagear personalidades locais que contribuíram para o desenvolvimento social e intelectual da comunidade.

Essa nova identidade não apagou as raízes do lugar, mas as enriqueceu, conectando a memória coletiva do bairro à memória institucional do Estado. Hoje, alunos que entram no colégio carregam consigo, mesmo que inconscientemente, o legado de quem acreditou que ensinar é um ato de amor e justiça.


Um Patrimônio em Atividade

Classificado como Casa Escolar do tipo Grupo, o edifício permanece em uso contínuo como escola pública, cumprindo fielmente sua vocação original. Fotos do acervo de Elizabeth Amorim de Castro, como as registradas em 2008, mostram um espaço vivo, dinâmico, repleto de atividades — longe de ser um monumento estático, é um organismo social em constante renovação.

As alterações físicas — novas salas, laboratórios, quadras cobertas — são marcas do tempo, mas também da resiliência da instituição. Enquanto muitos prédios históricos foram abandonados ou desvirtuados de sua função, o Colégio Estadual Dr. Francisco Azevedo Macedo segue firme em sua missão: educar.


Conclusão: A Escola Como Território de Esperança

O Grupo Escolar do Novo Mundo nasceu num tempo em que o Brasil sonhava alto. Sonhava com cidadania, com igualdade, com futuro. E colocou esse sonho em tijolos, concreto e carteiras escolares. Hoje, diante dos desafios contemporâneos da educação pública, lembrar-se dessa história não é nostalgia — é convocação.

Porque cada criança que cruza os portões do Colégio Estadual Dr. Francisco Azevedo Macedo não entra apenas numa escola. Entra num projeto de país. E enquanto houver quem acredite nisso, o “Novo Mundo” continuará sendo construído — sala por sala, aluno por aluno, professor por professor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário