| António Correia Pinto de Macedo | |
|---|---|
Placa identificatória na parede frontal da Catedral de Lages | |
| Conhecido(a) por | Fundador de Lages |
| Nascimento | 12 de junho de 1719 |
| Morte | 28 de setembro de 1783 (64 anos) |
| Ocupação | Bandeirante, sertanista, fazendeiro |
| Serviço militar | |
| Patente | Capitão-mor |
| Condecorações | Hábito de Cristo |
António Correia Pinto de Macedo (Correlhã, 12 de junho de 1719 — Lages, 28 de setembro de 1783), capitão-mor do Sertão de Curitiba e da Vila de Lages, com mercê de Hábito de Cristo, foi um bandeirante, sertanista e fazendeiro, fundador da cidade de Lages.
Biografia
Nasceu na freguesia de São Tomé de Correlhã do município português de Ponte de Lima, descendente dos Senhores da Quinta de Assamassa e das linhagens nobres dos Macedo de Monção e dos Brito de Arcos de Valdevez.[1] Chegou de Lisboa ao Brasil em 1733, e após de residir por um ano no Rio de Janeiro, na atual rua Visconde de Inhaúma, e por quatro em Minas Gerais, em 1738 iniciou a sua atividade como sertanista nas campanhas do Rio Grande de São Pedro, ocupando-se com negócios de tropas pelos quais chegou a passar dois anos nas Índias da Espanha.[2] Nas suas expedições purgou os sertões do Rio Grande e de Curitiba de malfeitores, franqueou estradas para o comércio à custa de grande parte dos seus bens[3] e fundou a Fazenda Cruz de Malta, a Fazenda Guarda-Mor e a Fazenda Capitão-Mor,[4] recebendo em reconhecimento por suas importantes contribuições a provisão de Guarda-mor substituto nos distritos do Rio Grande do Sul a 12 de setembro de 1763.[5]
Aproveitando o seu conhecimento em profundidade dos caminhos das tropas, fez aliança com o Morgado de Mateus, Governador e Capitão-general da Capitania Real de São Paulo, para povoar o sertão de Curitiba e toda a campanha que se extendia desde o Campo da Estiva para o sul até as fronteiras da Capitania.[6] Foi nomeado Capitão-mor regente da região em 9 de julho de 1766, e em 7 de agosto recebeu a ordem de fundar e administrar nos campos das Lages uma povoação, a maior que for possível, que havia de chamar-se Vila Nova dos Prazeres e ter por orago Nossa Senhora dos Prazeres,[7] com o triplo fim estratégico de organizar a defesa do sertão,[8] servir de ponto de parada para os tropeiros que se utilizavam do caminho entre Sorocaba e Viamão, e garantir o domínio português no interior do território, povoando terras que segundo a tradição continham jazidas de ouro.[9]
Correia Pinto partiu de São Paulo poucos dias depois, levando consigo uma imagem de Nossa Senhora dos Prazeres em pintura doada pelo Morgado de Mateus. Após de gastar quatro ou cinco mil cruzados da sua fazenda na jornada até o campo das Lages e nos aprestos em que houve de empregar a sua escravatura e os seus oficiais,[9] estabelecendo primeiro um assentamento em Chapada das Taipas e outro nas margens do rio Canoas que uma enchente obrigou a evacuar, finalmente fundou a póvoa de Lages na sua posição geográfica atual a 22 de novembro de 1766 em torno à sua primeira capela, limitando a leste com a Serra do Mar e ao norte com o ribeirão do Campo da Estiva.[10] Diante dos incessantes ataques dos indígenas construiu depois uma represa no riacho, em que as mulheres podiam lavar as roupas sem afastar-se de suas casas,[11] e entre 1768 e 1771 abriu o caminho Lages-Laguna, alternativo ao Caminho das Tropas, para ligar os campos do interior com o litoral.[12]
A póvoa de Lages foi elevada em 22 de maio de 1771 à categoria de vila, que manteria até obter o reconhecimento de cidade quase nove décadas depois.[13] No mesmo ano, Correia Pinto recebeu do Morgado de Mateus a mercê do Hábito de Cristo e a patente definitiva de Capitão-mor de Lages,[9] e a Rainha D. Maria I concedeu-lhe a 26 de novembro de 1779 o título de Capitão-mor do Sertão de Curitiba em reconhecimento por seus valiosos serviços e pela fundação de Lages, que descreveu como uma das mais florentes vilas da Capitania, nomeando-o para seguir vadeando e descobrindo os “vastos e impenetráveis sertões” que corriam da Curitiba até a fronteira do Rio Grande do Sul.[3]
Em sua honra existem hoje o município catarinense de Correia Pinto, o Aeroporto Antônio Correia Pinto de Macedo (IATA: LAJ) de Lages, a rua Correia Pinto de Lages, e o monumento em homenagem a Correia Pinto na praça da Bandeira de Lages, esculpido pelo artista plástico lageano Agostinho Malinverni Filho,[14][15] que representa o bandeirante apontando o local onde seria fundada a povoação, erguido simbolicamente sobre um bloco polido de pedra que emerge dum penhasco agreste.
Foi tio-tetravô de Adelino Delduque da Costa, administrador colonial e escritor, Coronel de Infantaria combatente na Primeira Guerra Mundial e Governador do Distrito de Damão da Índia Portuguesa, e tio-pentavô de Miguel Barca del Duque, Comandante de Artilharia combatente em várias das batalhas mais importantes da Guerra Civil Espanhola. Foi também um dos dois grandes bandeirantes ponte-limenses junto com Cristóvão Pereira de Abreu, natural da freguesia de Santiago de Fontão.
Referências
- Amaral, Augusto Ferreira do (maio de 2016). «Macedos, subsídios genealógicos». Terras Quentes (13): 190-191
- Arquivo da Cúria Metropolitana de São Paulo, 1759, processo de banhos n.º 4-68-469
- Instituto dos Arquivos Nacionais, Torre do Tombo, Fundo Registro Geral de Mercês, Chancelaria de D. Maria I, livro 8 – 1780, fls. 175-175v
- Ribeiro, Celso Rogério Alves (2004). A história do município de Correia Pinto. Florianópolis: Lunardelli. p. 14
- Arquivo Público do Estado de São Paulo, Registro de Patentes e Provisões Régias, ordem CO 379, livro 52, fl. 50v
- Barradas, Joaquim da Costa (1904). Questão de limites. Entre os Estados de Paraná e de Santa Catharina. Embargos ao accordão. Rio de Janeiro: Olympio de Campos & C. p. 128
- Barradas, Joaquim da Costa (1904). Questão de limites. Entre os Estados de Paraná e de Santa Catharina. Embargos ao accordão. Rio de Janeiro: Olympio de Campos & C. p. 129
- Instituto dos Arquivos Nacionais, Torre do Tombo, Fundo do Ministério do Reino – Governo Ultramarino, maço 600, caixa 703, fl. 6
- Barradas, Joaquim da Costa (1904). Questão de limites. Entre os Estados de Paraná e de Santa Catharina. Embargos ao accordão. Rio de Janeiro: Olympio de Campos & C. p. 140
- Barradas, Joaquim da Costa (1904). Questão de limites. Entre os Estados de Paraná e de Santa Catharina. Embargos ao accordão. Rio de Janeiro: Olympio de Campos & C. p. LXXXV
- El-Khatib, Faissal (1970). História de Santa Catarina. Curitiba: Grafipar. p. 54
- Herberts, Ana Lucia (2009). Arqueologia do Caminho das Tropas: estudo das estruturas viárias remanescentes entre os rios Pelotas e Canoas, SC (PDF) (Tese). Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. p. 164
- Herberts, Ana Lucia (2009). Arqueologia do Caminho das Tropas: estudo das estruturas viárias remanescentes entre os rios Pelotas e Canoas, SC (Tese). Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. p. 147
- «Monumento Correia Pinto». Secretaria de Turismo de Lages. Consultado em 22 de maio de 2018. Arquivado do original em 23 de maio de 2018
- «Malinverni Filho de Lages». Portal Lageano
António Correia Pinto de Macedo: O Fundador de Lages e Pioneiro do Sul do Brasil
António Correia Pinto de Macedo (Correlhã, 12 de junho de 1719 — Lages, 28 de setembro de 1783) foi um proeminente bandeirante, sertanista, fazendeiro e capitão-mor do Sertão de Curitiba e da Vila de Lages. Agraciado com o Hábito de Cristo, é eternamente lembrado como o fundador da cidade catarinense de Lages e uma figura fundamental na consolidação territorial e comercial do sul do Brasil colonial.
📜 Biografia e Primeiros Anos
Nascido na freguesia de São Tomé de Correlhã, no concelho português de Ponte de Lima, Correia Pinto descendia dos Senhores da Quinta de Assamassa e das nobres linhagens dos Macedo de Monção e dos Brito de Arcos de Valdevez.
Chegada ao Brasil (1733): Desembarcou no Rio de Janeiro vindo de Lisboa, residindo inicialmente na capital e, posteriormente, em Minas Gerais por quatro anos.
Início como Sertanista (1738): Passou a atuar nas campanhas do Rio Grande de São Pedro, dedicando-se ao comércio de tropas — atividade que o levou a passar dois anos nas "Índias de Espanha".
Ações de Pacificação e Infraestrutura: Nas suas expedições, limpou os sertões de Curitiba e do Rio Grande de malfeitores e abriu estradas comerciais à custa de grande parte do seu próprio património. Fundou importantes estabelecimentos rurais, como as fazendas Cruz de Malta, Guarda-Mor e Capitão-Mor, recebendo em 1763 a provisão de Guarda-mor substituto na região sulista.
🗺️ A Fundação da Vila Nova dos Prazeres (Lages)
Aproveitando o seu profundo conhecimento das rotas de tropas, Correia Pinto estabeleceu uma aliança estratégica com Luís António de Sousa Botelho e Mourão (o Morgado de Mateus), Governador e Capitão-general da Capitania Real de São Paulo. O objetivo era povoar o sertão de Curitiba e a vasta campanha que se estendia desde o Campo da Estiva até as fronteiras do sul.
Nomeação (1766): Em 9 de julho de 1766, foi nomeado capitão-mor regente da região. Pouco depois, recebeu ordens para fundar uma povoação nos campos de Lages, batizada inicialmente como Vila Nova dos Prazeres (tendo por padroeira Nossa Senhora dos Prazeres).
Tríplice Objetivo: A fundação tinha fins estratégicos cruciais:
Organizar a defesa militar do sertão;
Servir de ponto de descanso e abastecimento para os tropeiros que trafegavam entre Sorocaba e Viamão (Caminho das Tropas);
Garantir o domínio territorial português face às disputas de fronteira e às lendas de jazidas de ouro na região.
O Desafio da Instalação
Partindo de São Paulo com uma imagem de Nossa Senhora dos Prazeres doada pelo Morgado de Mateus, e investindo milhares de cruzados de sua própria fazenda — além de empregar sua escravatura e oficiais —, Correia Pinto enfrentou grandes adversidades. Após tentativas frustradas na Chapada das Taipas e às margens do rio Canoas (evacuado devido a uma enchente), fundou definitivamente a povoação de Lages a 22 de novembro de 1766, em torno da sua primeira capela.
Expansão e Caminhos: Para mitigar os ataques indígenas, construiu uma represa estratégica que facilitava o quotidiano dos moradores. Entre 1768 e 1771, abriu o caminho Lages-Laguna, ligando o interior planáltico diretamente ao litoral catarinense.
Elevação a Vila (1771): A povoação foi elevada à categoria de vila em 22 de maio de 1771. No mesmo ano, recebeu a patente definitiva de Capitão-mor de Lages e a comenda do Hábito de Cristo.
🎖️ Reconhecimento e Últimos Anos
Em 26 de novembro de 1779, a Rainha D. Maria I concedeu-lhe formalmente o título de Capitão-mor do Sertão de Curitiba, louvando o seu papel na fundação de Lages — descrita como uma das vilas mais florentes da Capitania — e encarregando-o de continuar a desbravar os vastos sertões até a fronteira gaúcha.
António Correia Pinto de Macedo faleceu em Lages a 28 de setembro de 1783, deixando um legado indelével na história do sul brasileiro. Junto a Cristóvão Pereira de Abreu, destaca-se como um dos dois grandes bandeirantes naturais de Ponte de Lima.
🏙️ Legado e Homenagens
A memória de Correia Pinto permanece viva através de diversas homenagens contemporâneas:
Município de Correia Pinto: Cidade catarinense batizada em sua honra.
Aeroporto de Lages: Nomeado Aeroporto Antônio Correia Pinto de Macedo (código IATA: LAJ).
Logradouros e Monumentos: A tradicional rua Correia Pinto em Lages e o imponente monumento na Praça da Bandeira, esculpido pelo artista lageano Agostinho Malinverni Filho, que retrata o bandeirante a apontar o local da fundação sobre um bloco de pedra bruta.