quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

Turma de alunos da Escola Alemã de Curitiba. Foto de 1897. Aparecem na foto: Josefina Rosenau de fita no cabelo a direita do professor e Ida Rosenau, em pé, de vestido branco, a 4a.da direita para a esquerda. Josefina foi casada com Evaldo Kummer.

 Turma de alunos da Escola Alemã de Curitiba. Foto de 1897. Aparecem na foto: Josefina Rosenau de fita no cabelo a direita do professor e Ida Rosenau, em pé, de vestido branco, a 4a.da direita para a esquerda. Josefina foi casada com Evaldo Kummer.


1960 Vista panoramica parcial de Curitiba, vendo-se em primeiro plano a Escola Estadual Doutor Xavier da Silva, na esquina das avenidas Avenida Marechal Floriano Peixoto e Silva Jardim. Ve-se tambem parte da Estacao Ferroviaria

 


1960 Vista panoramica parcial de Curitiba, vendo-se em primeiro plano a Escola Estadual Doutor Xavier da Silva, na esquina das avenidas Avenida Marechal Floriano Peixoto e Silva Jardim. Ve-se tambem parte da Estacao Ferroviaria


1916 Formatura da primeira turma da "Scuola Italiana Dante Alighieri", que funcionava na Sociedade Garibaldi. Entre outros, aparecem: 1- Francesco Feola professor de meninos, 2- Ferdinando Patitucci, 3- Professor Michele Grassani, 4- Andrea Petrelli, 5- Capputo, 6- Capputo, 7- Orlando D'Alo, 8- Brigida Feola,, 9- Irene Bindo, 10- Iolanda D' Alo, 11- Di Luca. Brigida Feola foi professora das meninas As crianças vestem uniformes de marinheiros, de influencia austríaca

 1916 Formatura da primeira turma da "Scuola Italiana Dante Alighieri", que funcionava na Sociedade Garibaldi. Entre outros, aparecem: 1- Francesco Feola professor de meninos, 2- Ferdinando Patitucci, 3- Professor Michele Grassani, 4- Andrea Petrelli, 5- Capputo, 6- Capputo, 7- Orlando D'Alo, 8- Brigida Feola,, 9- Irene Bindo, 10- Iolanda D' Alo, 11- Di Luca. Brigida Feola foi professora das meninas As crianças vestem uniformes de marinheiros, de influencia austríaca



Professora e alunos do Grupo Escolar Tiradentes [1915] . Essa escola situava-se na Rua Conselheiro Barradas (atual Carlos Cavalcanti), na esquina com a Rua Barao do Serro Azul

 Professora e alunos do Grupo Escolar Tiradentes [1915] . Essa escola situava-se na Rua Conselheiro Barradas (atual Carlos Cavalcanti), na esquina com a Rua Barao do Serro Azul


1923 Escola Normal, atual Instituto de Educação, na Rua Emiliano Perneta, 92

 1923 Escola Normal, atual Instituto de Educação, na Rua Emiliano Perneta, 92


Escola popular [Szkola Ludowa] de imigrantes poloneses [1928]- 1.Thadeu Krul 2.Boleslau Mierzanowski; 3.Felix Pietruszka; 4.Constante Salata; 5.Miroulau Baranski; 6.Mario Graczykowski; 7.João Switek; 8.Zdislau Kempa; 9.Tadeu Niewenglowski; 10.Paulo Nowicki. Professores: D. Noemia Pawel Pstrzoch e Wanda Baranski

 Escola popular [Szkola Ludowa] de imigrantes poloneses [1928]- 1.Thadeu Krul 2.Boleslau Mierzanowski; 3.Felix Pietruszka; 4.Constante Salata; 5.Miroulau Baranski; 6.Mario Graczykowski; 7.João Switek; 8.Zdislau Kempa; 9.Tadeu Niewenglowski; 10.Paulo Nowicki. Professores: D. Noemia Pawel Pstrzoch e Wanda Baranski


Histórias de Curitiba - Plantão do Samdu

 

Histórias de Curitiba - Plantão do Samdu

Plantão do Samdu
Vera Maria Pereira Pimenta

De longe podia-se ouvir o silvo agudo da sirene, e num relance ver passar voando a ambulância do pronto-socorro do SAMDU a madrugada de inverno.
Na noite gelada de céu repleto de estrelas não se encontram viva alma.
Sob a claridade intensa de uma enorme lua cor de opala, Curitiba dormia.
Aloisio, o motorista de pantão, agarrado na direção e com o pé grudado no acelerador, levanta vôo como de hábito, cruzando com um raio as ruas desertas com a sirene uivando escandalosamente.
Do lado, o jovem doutror de plantão.
O chamado viera de um lugarejo pobre, a vila Feliz.
De feliz, ironicamente, só o nome.
Esta noite, pelas graças do destino, outro Feliz adentra a vilinha. O bom doutor Félix. Félix de Almeida.
Uma feliz coincidência.
Ao chegarem na casa humilde, o médico some no quartinho acanhado do doente, enquanto Aloisio como de hábito se aboleta num banco da cozinha pronto para dar um dedo de prosa com os familiares do enfermo e bisbilhotar tudo.
Poucas vezes o doutor saira do quarto dos pacientes sem encontrar o folgado tomando café e fazendo uma boquinha ou ainda seu próprio diagnóstico.
Hoje não havia sido exceção. O chofer saboreia um café ralo mas quentinho na cozinha aquecida pelo fogão à lenha.
Ao Dr. também é oferecida uma caneca da bebida.
Doutor Félix recusa gentilmente, agradece e se despede.
Saem os dois quebrando geada, caminhando lado a lado sob a luz clara da lua cheia que lhes ilumina o caminho.
Aloisio me-tralha o médico com veladas ad-moestações:
- Puxa doutor, que custava o senhor tomar um café!
- Não me deu vontade. A Nely me preparou um lanche que comi antes de sairmos.
- E com este frio! Que custava! Até parece que o senhor é orgulhoso!
- Engano seu, não sou orgulhoso - responde pacientemente o doutor.
Em primeiro lugar essas pessoas são pobres, tem muito pouco para dividir com quem não precisa e em segundo lugar esta família é de leprosos -finalizou o médico.
Aloisio estaca paralizado. O choque é tanto que dá um uivo e começa a estrebuchar ao mesmo tempo que arranca a maleta de primeiros socorros do Dr. Félix, agarra o vidro de álcool, abre e despeja grandes goles pela goela abaixo paracendo um louco, enquanto gemia desesperado:
- Ai meu Deus, doutor! - e vá álcool pela tubulação - Ai Deus, me acuda! - tudo em meio a an-gustiosos gargarejos, gemidos e cusparadas.
- Doutor! Doutor! Meu Deus socorro! - e blergt, blergt no meio dos canteiros.
A aflição do chofer era tanta que nem percebeu o sorriso do Doutor entrando na ambulância.

Obs: SAMDU-Serviço de Assistênda Médica Domiciliar Urgente.

Vera Maria Pereira Pimenta é cronista.

Histórias de Curitiba - O Petróleo é nosso

 

Histórias de Curitiba - O Petróleo é nosso

"O Petróleo é nosso"
Zola Florenzano

Para o biênio 1955-1957, foi eleita uma Diretoria para o Círculo Militar do Paraná, se não totalmente nacionalista e patriótica, pelo menos quase em sua totalidade.
Como presidente, Gen.
Iberê de Matos; vice, o Cel.
Luiz de Ferraz Sampaio; e segundo vice, Gen.
Ary Saldanha da Costa.
Na época, ainda não havia sido bem ou totalmente assimilada a nossa Petrobrás S/A. Enfrentava ainda forte campanha contra e "pour cause"... Assim, achou por bem a Diretoria do CMP convidar o próprio presidente da Petrobrás a vir a Curitiba deslin-dar a questão do "o petróleo é nosso"e justificá-la cabalmente.
Por isso, convite expresso foi feito ao presidente, Cel.
Janary G. Nunes, que o aceitou pronta e prazeirozamente.
Conferência marcada para 15 de maio de 1957.
A turma do contra, porém, logo pôs suas manguinhas de fora e desencadeou sobre o gal.
Iberê fortíssimas pressões, visando fracassar ou mesmo impedir a vinda do Presidente da Petrobrás.
Iberê (que seria o futuro prefeito de Curitiba), apoiado decididamente por sua diretoria, manteve-se firme.
Curitiba ferveu: boatos os mais diversos corriam; falou-se mesmo em intervenção no CMP e até em atentados (o suicídio de Getúlio ainda era de data recente). Sem dúvida, a contrapropaganda foi tão forte que se temeu por um retumbante e vergonhoso fracasso, o que poria a diretoria do CMP em ridículo e, talvez, sua própria deposição.
E chegou o 15 de maio.
Grande foi a recepção no Aeroporto do Afonso Pena.
Marcada a conferência para as 20 horas, logo às 19 começou a afluir ao CMP gente de todos os níveis sociais, inclusive trabalhadores.
Carros iniciaram sua entrada no pátio da entidade e o entupiram.
Acumularam-se nas ruas de frente,- passaram então a acumular as ruas vizinhas, e isto transbordou para outras mais afastadas.
Todas as dependências do Círculo ficaram lotadas.Espetáculo empolgante e que foi além das es-pectativas.
Acachapante para os "entreguistas emperdenidos". O CMP vibrou intensamente e Janary pode sentir o quanto o povo curitibano apoiava a Petrobrás, bem como o vigor do nacionalismo paranaense. O conferencista infundiu em todos a ardente crença em nossos destinos, e sem dúvidas nenhuma, todos ficaram convictos da realidade da frase pronunciada por Janary: "O Brasil quando quer resolver seus problemas'1.
A conferência dos presidente da Petrobrás ficou indelével na história do CMP. Nunca mais, pela extensão e intensidade das manifestações nacionalistas e patrióticas, seria repetida conferência i-gual.
Marcou profundamente o nosso presidente gal.
Iberê, sendo de supor que o fato foi, certamente, influenciador de sua eleição para Prefeito de Curitiba.
Os relatos mais aprofundados e significativos do que foi a conferência focalizada, tem seu registro para a história destes 300 anos da Cidade na famosa revista CMP -REVISTA DO CIRCULO MILITAR DO PARANÁ, número 4, julho de 1957.

Zola Florenzano é coronel da reserva.

Histórias de Curitiba - Histórias do carnaval

 

Histórias de Curitiba - Histórias do carnaval

Histórias do carnaval
Júlio Cezar Amaral de Souza (Julinho)

Quando o conjunto Partido Alto Colorado estava começando a aparecer, mestre Maé conseguiu uma apresentação em uma boate, perto da estação ferroviária.
Essa casa noturna ficava num primeiro andar e, para chegar a seu salão, tinha-se que subir uma escadaria.
Armado o esquema de apresentação, Picolé, bom pandeirista, ficaria embaixo, na escada, esperando a deixa previamente combinada, para entrar em cena.
Começou o show e logo Maé deu a deixa: "Entra o negri-nho do pandeiro". Mas nada do negrinho do pandeiro aparecer. "Entra o negrinho do pandeiro", repetiu o Maé, desta vez com mais força. E nada do negrinho do pandeiro.
Depois de mais duas chamadas, Maé desistiu, esperou o término da primeira parte do show e desceu, à procura do pandeirista. Não o encontrando, perguntou a um motorista estacionado alí em frente:
- Por acaso o senhor não viu um negrinho com um pandeiro embaixo do braço?
- Vi sim - respondeu o motorista, mas passou um carro da polícia e levou o rapaz em cana.
Maé foi até a delegacia de plantão, que ficava na rua Barão do Rio Branco, e, com sua amizade e um bom papo, conseguiu liberar Picolé. Após uma sessão de esculacho, ficou acertado que repetiriam o show na segunda apresentação da noite. E lá ficou o crioulo, esperando a deixa.
No momento combinado, grita lá de cima o Maé: 'Entra o negrinho do pandeiro'. E nada do negrinho.
Maé berrou mais duas ou três vezes a deixa e, como da vez anterior, nada do nêgo Picolé dar o ar de sua graça.
Terminado o show, Maé desceu feito louco para pegar o irresponsável, mas não o encontrou.
De novo um motorista deu as explicações:
- O negrinho estava aí, esperando, mas passou novamente a polícia e ele não se conteve.
Ele chamou os policiais de ratos, riu deles e disse que não havia adiantado nada eles o prenderem, pois um tio dele, de nome Mané, foi lá na delegacia, passou a conversa no delegado e o homem o soltou.
Até hoje o show da boate está esperando a entrada triunfal do negrinho do pandeiro.
Um conhecido diretor de escola de samba, de Curitiba, tem o apelido de DIABO. Este moço trabalhava em certa época no Hospital e Pronto Socorro Cajuru.
Um dia, um amigo seu, conhecido como "Negro Escorpião", foi esfaqueado com gravidade.
Levado às pressas ao Pronto Socorro, foi logo carregado em uma maca até a sala de cirurgia, empurrado pela irmã superiora das freiras e chefe da enfermagem.
Ao passar pelo corredor da farmácia, a irmã solicitou ao carnavalesco que alí trabalhava um auxílio para levar a maca até o centro cirúrgico. O paciente, meio mal das coisas, apelava para o auxílio de todos os santos: "Nossa Senhora do Perpétuo Socorro me ajude ; valei-me meu São Jorge, não me deixe morrer..."
Em dado momento, levantando os olhos, deparou com o amigo sambista e, no meio de uma reza, exclamou bem alto:-"DIABO, voce aqui!"
Nesse momento, a freira, que acompanhava a maca também rezando e desconhecia o apelido do farmacêutico, benzeu-se rapidamente e disse:
- "Valha-me Senhor Deus, este infeliz pecador já esta enxergando do Satanás..."

Júlio Cezar Amaral de Souza, o julinho, é carnavalesco.

Histórias de Curitiba - A Casa da Ordem

 

Histórias de Curitiba - A Casa da Ordem

A Casa da Ordem
Armando Obladen (in memorian)

A Casa Romário Martins não foi sempre salão de exposições artísticas.
Muito antes foi casa comercial cujo proprietário era um curitibano da primeira geração de imigrantes alemães, de nome Car-lito.
Personalidade inquieta, preocupado com o sucesso.
Vocação inconteste: comércio.
Escolaridade por conta própria segundo as exigências da época: português, aritmética e datilografia. Cálculo e previsão eram seus pendores mais apurados.
Entre suas conquistas de conhecimento e sabedoria chegou a dominar com desembaraço cinco idiomas que aprendeu no balcão da loja com camponeses procedentes das colônias de outros imigrantes, próximas de Curitiba, que chegavam à Casa da Ordem depois de estacionar suas carroças em volta do bebedouro onde os cavalos tomavam água e junto das calçadas da praça formando imensa feira de granjeiros.
O que mais atraía os compradores (as) eram linhas para costurar e bordar de cores lisas e mescladas da Machine Cotton (England). Tecidos raros de lã (Scottland). Brim de linho e algodão.
Rendas Francesas finas para roupas brancas femininas e rendões para colchas e toalhas de mesa.
Sedas do Oriente. Só importados.
Aventais de cozinha e panos de louça trabalhados. Lãs em meados e novelos.
Agulhas para coser e fazer "tricot". Tesouras para alfaiate de todos os tamanhos, retas e curvas (Sverige). Calçados e roupas para crianças, e brinquedos (Deutschland). Máquinas de costurar Pfaff e Singer. E os famosos panos riscados de parede para bordar, arte do suiço Herr Schnecke, estampando figuras clássicas de colonos holandeses com trajes e tamancos típicos, casinhas rústicas à beira de riachos ladeadas com canteiros floridos de tulipas e pomares, cenários de lavoura ou de pinheirais nativos, e vez por outra citações poéticas ou fraseadas com referências religiosas.
Colonos de diversas etnias eram os principais frequeses da loja.
Comerciante progressista, Carlito mudou sua loja para a Praça Tiradentes, na esquina com a Monsenhor Celso, tendo como vizinhos importantes a tradicional firma dos Frishmann, o turco da quitanda Damasco, a Casa Suiça de Eletricidade do Seu Bol-linger, o bar Gruta da Onça, a Ótica Curitiba, a Charutaria London, o Banco de Londres, a Joalheria Berta dos Fleischfresser, o Pedro Bindo das mudanças, o hotel do seu Francisco Braz, a Companhia Força e Luz, as Farmácias Minerva e Stelfeld com o tradicional relógio do Sol, a banca de jornais e revistas do seu Machuca, a Pensão Ferreira dos famosos irmãos Ba-ianinho, Ferreira e Janguinho, mais o ponta-direita Bananeiro e o centro-avante Banana. E a Estação Central dos bondes.
Havia na época, ainda, bondes abertos com cobradores caminhando por fora pelos degraus laterais alongados.
Carlito chegou a ser consagrado como comerciante de grandes méritos pelos seus pares.
Chegou a manter o corpo "colossal" de 48 funcionários, entre balconistas, caixas, chefes de seção, secretárias, costureiras, bordadei-ras, empacotadeiras, desenhistas e confeccionistas de panos para bordar, pessoal de escrita e vendas para o interior, almoxarifes, faxineiras e entregadores. E mais saldos e créditos bancários.
Quando parado, Carlito costumava ficar na porta da loja, ensimesmado, observando o vai-e-vem dos bondes. E dizia, refer-indo-se aos mais ou menos cautelosos no trato da vida: "Cada um salta do bonde como sabe ou como pode".
Carlito era Seu Carlos Obladen Júnior, dono da Casa da Ordem.

Armando Obladen foi médico formado com o "patrocínio" da casa da ordem.