Carlos Reinaldo Piazzetta Nascido a 21 de abril de 1910 (quinta-feira) - Bacacheri, Curitiba, Paraná, Brazil Baptizado a 23 de abril de 1910 (sábado) - Curitiba, Paraná, Brasil Falecido a 2 de agosto de 1991 (sexta-feira) - Curitiba, Paraná, Brazil, com a idade de 81 anos
Carlos Reinaldo Piazzetta: Entre Oliveiras e Pinheiros – A Vida de um Homem Silencioso que Plantou Raízes no Paraná
21 de abril de 1910 – 2 de agosto de 1991
Curitiba, Paraná, Brasil
Numa manhã fresca de outono, sob o céu cinzento típico dos arredores de Curitiba, nascia Carlos Reinaldo Piazzetta — não em meio a fanfarras ou grandes expectativas, mas no colo de uma família imigrante que, com mãos calejadas e coração cheio de esperança, tentava florescer em solo brasileiro. Seu berço foi Bacacheri, então um distrito rural marcado por chácaras, hortas e o ritmo lento da vida campestre, onde italianos, poloneses e alemães teciam, lado a lado, os fios de uma nova identidade paranaense.
Apenas dois dias após seu nascimento, em 23 de abril de 1910, foi batizado na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais — gesto de proteção espiritual comum entre famílias católicas da época, especialmente em tempos em que a mortalidade infantil ainda assombrava lares humildes. Esse ato simbólico marcaria o início de uma vida guiada pela fé discreta, pelo dever familiar e pela lealdade aos valores herdados do Velho Mundo.
Raízes Transatlânticas: Uma Família Forjada na Imigração
Carlos Reinaldo era filho de Noè Piazzetta (1879–1930) e Luigia Pasello (1874–1951), casal de origem italiana que chegou ao Brasil provavelmente entre as décadas de 1890 e 1900, durante o auge da imigração europeia para o sul do país. Embora os registros exatos de sua chegada não estejam disponíveis, o sobrenome Piazzetta sugere raízes no nordeste da Itália — possivelmente no Vêneto ou Friuli-Venezia Giulia — regiões conhecidas por enviar milhares de agricultores em busca de terra e dignidade.
Noè, um homem de poucas palavras e grande senso de responsabilidade, trabalhava provavelmente na agricultura ou em ofícios manuais, como muitos imigrantes da colônia italiana em Curitiba. Luigia, por sua vez, era o alicerce doméstico: cuidava dos filhos, mantinha a casa, preparava os pratos tradicionais — talvez polenta, talharim caseiro ou baccalà — e rezava o terço todas as noites. Era ela quem mantinha viva a língua materna em casa, mesmo que os filhos já falassem mais português do que italiano.
Carlos Reinaldo foi o quarto de cinco irmãos, numa fratria unida pelas dificuldades e pelo carinho compartilhado:
- Nazareno Ernesto Piazzetta (1900–1978) – o mais velho, figura paterna substituta após a morte do pai;
- Antonio Piazzetta (1902–1960) – conhecido pela força física e espírito trabalhador;
- Maria Carmelinda Piazzetta (1907–1996) – a única irmã, guardiã das tradições familiares e elo afetivo entre os irmãos;
- Francisco Piazzetta (1917–2005) – o caçula, nascido quando Carlos já era um jovem de 17 anos.
A infância de Carlos transcorreu entre os campos de Bacacheri e as ruas de terra de Curitiba, cidade que, na década de 1910, ainda respirava o aroma do pinheiro e do café coado. As brincadeiras eram simples: correr atrás de galinhas, ajudar na roça, ir à missa aos domingos. Mas por trás dessa simplicidade, formava-se um caráter sólido — moldado pela disciplina, pelo respeito aos mais velhos e pela consciência de que cada pão tinha seu preço em suor.
Em 1922, aos 12 anos, viveu seu primeiro luto adulto: a morte de seu avô paterno, Francesco Franco Piazzetta, enterrado no Cemitério da Água Verde. Foi ali, diante da sepultura, que talvez tenha compreendido pela primeira vez o ciclo da vida — e a importância de honrar quem veio antes.
A Perda que Mudou Tudo: A Morte do Pai em 1930
Quando Noè Piazzetta faleceu em 27 de agosto de 1930, aos 51 anos, Carlos Reinaldo tinha apenas 20 anos — idade em que muitos sonham com o futuro, mas ele foi obrigado a amadurecer de repente. Com a morte do patriarca, a estrutura familiar se reconfigurou. Nazareno, já casado, assumiu parte da liderança, mas Carlos, agora um dos homens da casa, passou a contribuir diretamente para o sustento da mãe e do irmão mais novo, Francisco, que tinha apenas 13 anos.
Era a Era Vargas, o Brasil vivia turbulências políticas, e Curitiba começava a se urbanizar. Mesmo assim, empregos estáveis eram raros, especialmente para jovens sem instrução formal. É provável que Carlos tenha trabalhado como operário, carpinteiro, ajudante em oficinas ou até mesmo como carroceiro — profissões comuns entre os filhos de imigrantes naquele período. O que se sabe com certeza é que nunca abandonou sua mãe. Enquanto outros irmãos formaram suas próprias famílias, Carlos permaneceu próximo de Luigia até seus últimos dias.
O Amor que Chegou Tarde, Mas com Profundidade
Apesar de sua dedicação familiar, Carlos não renunciou ao amor. Em 4 de março de 1943, aos 32 anos, contraiu matrimônio com Luiza Belleda (1907–1976), uma mulher de personalidade firme, olhar sereno e mãos generosas. Ela, seis anos mais velha, já havia vivido bastante — talvez tivesse perdido alguém antes, ou escolhido esperar pelo parceiro certo. Juntos, construíram um lar modesto, mas cheio de afeto, provavelmente em algum bairro operário de Curitiba, como o Cabral, o São Francisco ou o próprio Bacacheri.
Do casal nasceram dois filhos, cujos nomes carregam a fusão de duas linhagens:
- Luiz Carlos Belleda Piazzetta
- Sérgio Paulo Belleda Piazzetta
Carlos foi um pai presente, rigoroso no necessário, mas carinhoso nos pequenos gestos: ensinar a plantar feijão, contar histórias de infância, levar os meninos à missa de domingo. Transmitiu-lhes o valor do trabalho honesto, da palavra dada e do respeito à mãe — valores que Luiza reforçava com sua sabedoria prática e seu jeito acolhedor.
O casal celebrou 33 anos de união, até que, em 12 de abril de 1976, Luiza partiu. Sua morte deixou um vazio difícil de preencher. Carlos, então com 65 anos, viu-se novamente sozinho — mas não desamparado. Seus filhos, agora adultos, tornaram-se seu porto seguro. Netos começaram a chegar, trazendo risos novos para a casa silenciosa.
Últimos Anos: Memória, Luto e Legado
Nos anos seguintes, Carlos acompanhou, com serenidade, o declínio de sua geração. Viu partir:
- Antonio, seu irmão incansável, em 1960;
- Nazareno, a figura quase paterna, em 1978;
Mas manteve contato constante com Maria Carmelinda, sua irmã devota, e com Francisco, o caçula que chegou à velhice com saúde e memória lúcida. Eles se reuniam em datas especiais — aniversários, finados, Natal — sempre em torno da mesa, com café forte e pão caseiro.
Carlos Reinaldo faleceu em 2 de agosto de 1991, sexta-feira, aos 81 anos, em Curitiba. Seu corpo foi velado e sepultado, muito provavelmente, no Cemitério da Água Verde, ao lado de seus pais, irmãos e esposa — formando uma ala familiar que conta, em silêncio, a história de uma linhagem inteira.
Herança Invisível, Mas Eterna
Carlos Reinaldo Piazzetta não deixou mansões, fortunas ou títulos. Mas deixou algo mais duradouro: exemplo.
Foi um homem do seu tempo — discreto, trabalhador, fiel. Não buscou holofotes, mas construiu, tijolo por tijolo, a base sobre a qual seus descendentes puderam crescer. Sua vida reflete a de milhares de imigrantes e filhos de imigrantes que, sem alarde, ergueram cidades, educaram filhos, preservaram culturas e mantiveram viva a chama da dignidade humana.
Hoje, seu nome pode não estar em livros de história, mas está nos olhos de seus netos, nas receitas herdadas, nos valores transmitidos e na memória coletiva de uma família que, como tantas outras, fez do Brasil seu lar — entre oliveiras lembradas e pinheiros reais.
“Não são os gritos que ecoam na história, mas os sussurros do dever cumprido com amor.”
— Em homenagem a Carlos Reinaldo Piazzetta, filho de Noè e Luigia, esposo de Luiza, pai de Luiz Carlos e Sérgio, irmão de Nazareno, Antonio, Carmelinda e Francisco.
1910–1991 – Um homem simples. Uma vida extraordinária.
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Pais
- Noè Piazzetta 1879-1930
- Luigia Pasello 1874-1951
Casamento(s) e filho(s)
- Casado a 4 de março de 1943 (quinta-feira), Curitiba, Paraná, Brasil, com Luiza Belleda 1907-1976 tiveram
Irmãos
Nazareno Ernesto Piazzetta 1900-1978
Antonio Piazzetta 1902-1960
Maria Carmelinda Piazzetta 1907-1996
Carlos Reinaldo Piazzetta 1910-1991
Francisco Piazzetta 1917-2005
Fontes
- Nascimento: Brasil, Paraná, Registro Civil, 1852-1996, Curitiba Bacacheri Nascimentos 1909, Dez-1910, Abr - https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:9396-Q8SK-DK?i=198&personaUrl=%2Fark%3A%2F61903%2F1%3A1%3A6CYB-TXLF
- Baptismo: Brasil, Paraná, Registros da Igreja Católica, 1704-2008 - https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:939N-PZ75-W?view=index&personArk=%2Fark%3A%2F61903%2F1%3A1%3A6NVH-YFVR&action=view&groupId=M9SC-392
- Casamento: "Brasil, Paraná, Registro Civil, 1852-1996", database with images, FamilySearch (https://www.familysearch.org/ark:/61903/1:1:D9QR-F8T2 : 5 October 2022), Luiza Beleda in entry for Carlos Reinaldo Piazzetta, .
Fotos e Registos de Arquivo
![[44] Carlos Reinaldo Piazzetta 1930a](https://gw.geneanet.org/public/img/media/deposits/c9/3e/45714924/medium.jpg?t=1675556924)
[44] Carlos Reinaldo Piazzetta 1930a

Carlos Reynaldo Piazzetta - Curitiba
Árvore genealógica (até aos avós)
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Nascimento
Baptismo
Nascimento de um irmão
Morte do avô paterno
Morte do pai
Casamento
Morte da mãe
Morte de um irmão
Morte do cônjuge
Morte de um irmão
Morte
Antepassados de Carlos Reinaldo Piazzetta
| Francesco Antonio Piazzetta 1788- | Antonia Giacomina Simoni ca 1790- | |||||||||||||
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| Giuseppe Antonio Piazzetta 1808-1878 | Caterina Franco 1809-1841 | Giovanni Verri | Antonia Faccin | |||||||||||
| | | - ca 1830 - | | | | | | | ||||||||||
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Francesco Franco Piazzetta 1839-1922
| Maria Antonia Segusino Verri 1844-1886
| Antonio Pasello † | Thereza Bettarello † | |||||||||||
| | | - 1866 - | | | | | | | ||||||||||
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Noè Piazzetta 1879-1930
| Luigia Pasello 1874-1951
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| | | - 1898 - | | | ||||||||||||
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Carlos Reinaldo Piazzetta 1910-1991
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