Denominação inicial: Escola Municipal de Santa Felicidade
Denominação atual: Colégio Estadual Professor Francisco Zardo
Endereço: Av. Manoel Ribas, 7.149 - Santa Felicidade
Cidade: Curitiba
Classificação (Uso): Casa Escolar, Grupo
Período: 1930-1945
Projeto Arquitetônico
Autor:
Data: 1940-1941
Estrutura: padronizado
Tipologia: U
Linguagem: Neocolonial
Data de inauguracao: 1943
Situação atual: Edificação existente com alterações
Uso atual: Edifício escolar
Posto de Saúde (centro) e Escola Municipal de Santa Felicidade (à direita) em 1943
Acervo: Coleção Arthur Wischral. Casa da Memória/Diretoria do Patrimônio Cultural/FCC
Colégio Estadual Professor Francisco Zardo: Uma Joia Neocolonial na História de Santa Felicidade
Av. Manoel Ribas, 7.149 – Santa Felicidade, Curitiba, Paraná
Entre os pinheirais e as tradições italianas do bairro de Santa Felicidade, em Curitiba, ergue-se desde 1943 um edifício que é muito mais do que uma simples escola: é um marco arquitetônico, social e cultural da cidade. Inicialmente conhecida como Escola Municipal de Santa Felicidade, a instituição hoje carrega o nome de Colégio Estadual Professor Francisco Zardo, homenageando um educador cujo legado se entrelaça com a própria identidade paranaense.
Sua história, no entanto, começa bem antes da inauguração — nas primeiras décadas do século XX, quando Santa Felicidade ainda era um distrito rural marcado por colônias agrícolas, oficinas artesanais e uma comunidade imigrante italiana profundamente unida. Foi nesse contexto de crescimento urbano e demanda por educação pública que surgiu a necessidade de uma escola moderna, funcional e simbolicamente representativa dos valores da nova sociedade curitibana.
Origens: Da Necessidade à Concretização (1930–1943)
Entre 1930 e 1945, o bairro de Santa Felicidade passou por intensa transformação. A chegada de novas famílias, o desenvolvimento da indústria moveleira e a expansão das vias de ligação com o centro de Curitiba exigiram infraestrutura urbana — e, sobretudo, educação para as crianças da região. A antiga Escola Municipal de Santa Felicidade, provavelmente instalada em prédios precários ou cedidos, já não atendia à demanda crescente.
Foi então que, entre 1940 e 1941, foi elaborado o projeto arquitetônico de um novo edifício escolar — concebido dentro de um modelo padronizado adotado pelo governo estadual na época, mas com toques que refletiam a identidade local. Embora o nome do autor do projeto não tenha sido preservado nos registros públicos, sua assinatura está visível na linguagem construtiva: neocolonial, com telhado de quatro águas, beirais salientes, janelas com molduras emolduradas e simetria clássica — elementos que remetem à tradição luso-brasileira, reinterpretada com sensibilidade moderna.
A tipologia adotada foi a letra “U”, disposição comum em escolas da época, que permitia ventilação cruzada, iluminação natural abundante e um pátio interno central — espaço vital para recreios, celebrações cívicas e atividades pedagógicas ao ar livre.
Após dois anos de construção, a escola foi inaugurada em 1943, tornando-se um dos principais equipamentos públicos do bairro. Em fotografias históricas da Coleção Arthur Wischral, guardadas na Casa da Memória/Diretoria do Patrimônio Cultural da Fundação Cultural de Curitiba (FCC), é possível ver o edifício ao lado do Posto de Saúde de Santa Felicidade, formando um núcleo de assistência social e educacional que simbolizava o avanço do Estado na vida cotidiana dos cidadãos.
Arquitetura Neocolonial: Entre Tradição e Modernidade
O estilo neocolonial, adotado na fachada da escola, não era apenas uma escolha estética — era uma declaração ideológica. Em pleno Estado Novo (1937–1945), o governo brasileiro promovia uma política de valorização da “brasilidade”, resgatando formas arquitetônicas coloniais como símbolo de identidade nacional. Assim, telhas cerâmicas, alvenaria aparente, portas de madeira maciça e varandas abertas tornaram-se marcas de edifícios públicos que buscavam conciliar modernidade funcional com raízes culturais.
No caso da Escola Municipal de Santa Felicidade, essa linguagem dialogava perfeitamente com o entorno: o bairro, fortemente influenciado pela cultura italiana, também valorizava a rusticidade elegante, os materiais naturais e a harmonia com a paisagem. O prédio, portanto, não impunha uma forma estranha ao lugar — integrava-se a ele.
Da Escola Municipal ao Colégio Estadual: Uma Evolução Institucional
Com o tempo, a escola passou da esfera municipal para a gestão estadual, acompanhando a reorganização do sistema educacional paranaense. Em data não precisamente registrada — mas provavelmente nas décadas de 1960 ou 1970 — recebeu a denominação atual: Colégio Estadual Professor Francisco Zardo.
Embora pouco se saiba publicamente sobre a biografia de Francisco Zardo, seu nome sugere origem italiana, comum na região, e sua homenagem indica que foi um educador dedicado, talvez professor, diretor ou gestor comprometido com a formação de gerações em Santa Felicidade. A troca de nome não apagou a memória original da instituição, mas ampliou seu significado: de um equipamento local a um símbolo estadual de ensino público de qualidade.
Situação Atual: Preservação com Adaptações
Hoje, o edifício ainda existe e continua cumprindo sua função original: abrigar atividades escolares. No entanto, como muitas construções centenárias (ou quase), sofreu alterações ao longo das décadas — reformas, acréscimos de salas, modernização de instalações elétricas e hidráulicas, adaptações para acessibilidade. Apesar disso, elementos-chave da arquitetura neocolonial foram preservados, especialmente na fachada principal, mantendo viva a identidade visual que tanto impressionou os moradores em 1943.
Sua classificação como “Casa Escolar, Grupo” refere-se à antiga nomenclatura do sistema educacional brasileiro, em que “Grupo Escolar” designava escolas de ensino primário com múltiplas séries e professores especializados — um modelo inovador para a época, que substituiu as antigas “escolas isoladas”.
Patrimônio Vivo da Cidade
Mais do que tijolos e telhas, o Colégio Estadual Professor Francisco Zardo é patrimônio vivo. É onde milhares de crianças aprenderam a ler, escrever, sonhar e se tornar cidadãos. É testemunha silenciosa de formaturas, festas juninas, desfiles de 7 de Setembro, greves de professores, conquistas e desafios da educação pública brasileira.
A fotografia de 1943, com o Posto de Saúde ao centro e a escola à direita, captura um momento de esperança coletiva: a crença de que saúde e educação são pilares de uma sociedade justa. Essa mesma crença, embora posta à prova tantas vezes, ainda pulsa nos corredores do colégio.
Que esse edifício continue de pé — não apenas como estrutura física, mas como símbolo de resistência, memória e futuro.
“Educar é semear com sabedoria e colher com paciência.”
— E nesta terra de Santa Felicidade, as sementes plantadas em 1943 ainda dão frutos.
Fonte iconográfica:
Coleção Arthur Wischral – Acervo da Casa da Memória / Diretoria do Patrimônio Cultural / Fundação Cultural de Curitiba (FCC)

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