Denominação inicial: Grupo Escolar Paula Gomes
Denominação atual: Colégio Estadual Paula Gomes
Endereço: Rua Curupis, 903 - Santa Quitéria
Cidade: Curitiba
Classificação (Uso): Casa Escolar, Grupo
Período: 1951-1955
Projeto Arquitetônico
Autor: Romeu Paulo da Costa
Data: 1952
Estrutura: padronizado
Tipologia: T
Linguagem: Modernista
Data de inauguracao: 19 de dezembro de 1954
Situação atual: 19 de dezembro de 1954
Uso atual: Edificação existente com alterações
Colégio Estadual Paula Gomes em 2008
Acervo: Elizabeth Amorim de Castro
Colégio Estadual Paula Gomes: Uma Escola de Futuro no Bairro Santa Quitéria
Rua Curupis, 903 – Santa Quitéria, Curitiba, Paraná
No bairro operário e acolhedor de Santa Quitéria, em Curitiba, ergueu-se em meados do século XX uma instituição que se tornaria referência de ensino público para gerações: o Grupo Escolar Paula Gomes, hoje Colégio Estadual Paula Gomes. Mais do que um edifício escolar, trata-se de um símbolo da aposta do Estado paranaense na educação como instrumento de transformação social — construído com concreto, sim, mas sobretudo com idealismo, planejamento e respeito à infância.
Homenagem a uma Educadora Silenciosa
A escola recebeu o nome de Paula Gomes, figura cuja biografia permanece envolta em certo mistério, mas cujo legado está inscrito na memória coletiva curitibana. Embora não haja registros públicos detalhados sobre sua vida, é provável que tenha sido uma educadora, benfeitora ou personalidade local dedicada à causa da infância e da instrução pública — homenageada num tempo em que dar nome a uma escola era um ato de reconhecimento profundo.
Seu nome, carregado de simplicidade e força feminina, ecoa até hoje nos corredores onde crianças aprendem a ler, sonhar e se reconhecer como cidadãs.
Arquitetura Modernista ao Alcance de Todos
Projetado em 1952 pelo arquiteto Romeu Paulo da Costa — mesmo autor do Grupo Escolar Barão do Rio Branco —, o edifício seguiu os mesmos princípios que marcaram a renovação da infraestrutura escolar no Paraná durante o governo de Bento Munhoz da Rocha Neto (1951–1955).
Classificado como Casa Escolar, Grupo, com estrutura padronizada e tipologia “T”, o projeto refletia uma política estadual de eficiência, economia e qualidade. A linguagem modernista era clara: linhas horizontais, pilotis, brises, grandes janelas e integração com o entorno. Tudo pensado para garantir iluminação natural, ventilação cruzada e espaços funcionais, fundamentais para o bem-estar das crianças.
Essa padronização não significava frieza. Pelo contrário: era uma forma de democratizar a arquitetura de qualidade, levando às periferias e bairros populares o mesmo padrão de construção que antes era privilégio dos centros urbanos.
Inauguração e Primeiros Anos
A escola foi inaugurada em 19 de dezembro de 1954, em pleno auge do movimento de expansão da rede pública de ensino. Localizada na Rua Curupis, via que corta o bairro de Santa Quitéria — zona sul de Curitiba, então em processo de urbanização —, a instituição logo se tornou ponto de referência para famílias operárias, muitas delas de origem italiana, polonesa e ucraniana.
Ali, meninos e meninas de roupas simples entravam diariamente para aprender as primeiras letras, recitar poemas, desenhar bandeiras e participar de festas cívicas. O Grupo Escolar Paula Gomes não apenas alfabetizava; formava caráter, civismo e pertencimento.
Memória e Transformação
Ao longo das décadas, o colégio acompanhou as mudanças do sistema educacional brasileiro. Passou de Grupo Escolar a Colégio Estadual, incorporando novas séries, disciplinas e tecnologias. O edifício original, embora ainda existente, sofreu alterações — ampliações, adaptações de acessibilidade, modernização de instalações — necessárias para atender às demandas contemporâneas.
Uma fotografia do acervo de Elizabeth Amorim de Castro, registrada em 2008, mostra o colégio já com acréscimos, mas ainda reconhecível em sua essência: a fachada alongada, os vãos generosos, a simplicidade elegante do modernismo popular. As árvores do pátio, talvez plantadas pelos primeiros alunos, já cobrem parte do terreno com sombra generosa.
Legado Vivo
Hoje, o Colégio Estadual Paula Gomes continua cumprindo sua missão original: educar com dignidade. Seus muros abrigam não apenas salas de aula, mas também projetos culturais, oficinas de leitura, atividades esportivas e iniciativas de inclusão. É um espaço vivo, onde o passado dialoga com o presente — e onde o nome de Paula Gomes, mesmo sem biografia detalhada, permanece como promessa de cuidado e esperança.
Mais do que um prédio histórico, é um testemunho de que a educação pública, quando bem concebida e valorizada, pode ser o mais poderoso motor de justiça social.
“Não se pode construir o futuro sem escolas. E não se pode ter escolas sem sonho.”
— Anônimo, ecoando o espírito de todos os que passaram por suas portas.

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