sábado, 24 de janeiro de 2026

Colégio Estadual Barão do Rio Branco: Um Marco da Educação Pública Moderna em Curitiba

 Denominação inicial: Grupo Escolar Barão do Rio Branco

Denominação atual: Colégio Estadual Barão do Rio Branco

Endereço: Rua Brigadeiro Franco, 2.532 - Centro

Cidade: 

Classificação (Uso): 

Período: 

Projeto Arquitetônico

Autor: Romeu Paulo da Costa

Data: 1951

Estrutura: padronizado

Tipologia: T

Linguagem: 


Data de inauguracao: 27 de julho de 1953

Situação atual: Edificação existente com alterações

Uso atual: Edifício escolar

Grupo Escolar Barão do Rio Branco - s/d Fotografia: Romeu Paulo da Costa

Acervo: Lauri da Costa

Colégio Estadual Barão do Rio Branco: Um Marco da Educação Pública Moderna em Curitiba

Rua Brigadeiro Franco, 2.532 – Centro, Curitiba, Paraná

No coração do centro histórico de Curitiba, ergue-se desde a década de 1950 um edifício que simboliza a aposta do Brasil no futuro através da educação: o Grupo Escolar Barão do Rio Branco, hoje conhecido como Colégio Estadual Barão do Rio Branco. Mais do que uma simples escola, trata-se de um testemunho arquitetônico e pedagógico de uma época em que o ensino público era visto como pilar fundamental para a construção de uma nação justa, culta e soberana.


Origens e Contexto Histórico

Inaugurado oficialmente em 27 de julho de 1953, o Grupo Escolar Barão do Rio Branco nasceu no auge de um movimento nacional de expansão e modernização da educação básica. O período entre 1951 e 1955 foi marcado por investimentos em infraestrutura escolar em todo o país, impulsionados por ideais desenvolvimentistas e pela crescente urbanização das cidades brasileiras.

Curitiba, então em plena transformação, precisava de instituições capazes de atender à demanda de uma população infantil em rápido crescimento. Foi nesse cenário que surgiu a ideia de construir um grupo escolar — modelo típico da época, que reunia várias séries do ensino primário sob um mesmo teto, com salas amplas, pátios arejados e espaços dedicados à formação integral da criança.

O nome escolhido homenageava José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco, diplomata, historiador e patrono da diplomacia brasileira, cuja defesa incansável dos territórios nacionais e seu profundo amor pela pátria o tornaram símbolo de civismo e erudição — valores que a escola buscava incutir em seus alunos.


Arquitetura Modernista ao Serviço da Educação

O projeto arquitetônico foi confiado a Romeu Paulo da Costa, renomado profissional curitibano e pai de Lauri da Costa, cujo acervo preserva registros valiosos da obra. Concebido em 1951, o edifício seguiu os princípios da arquitetura modernista, corrente que dominava o pensamento construtivo da época, especialmente em equipamentos públicos.

Sua tipologia “T” — característica de grupos escolares padronizados pelo governo estadual — permitia boa ventilação cruzada, iluminação natural abundante e fluxo eficiente entre salas, administração e áreas de lazer. A estrutura padronizada refletia uma política de racionalização de recursos, mas sem abrir mão da qualidade: pilotis elevados, brises horizontais, painéis de concreto e grandes vãos envidraçados compunham uma estética limpa, funcional e otimista.

A linguagem modernista não era apenas estética; era ideológica. Representava ruptura com o passado autoritário, abertura ao novo, confiança na razão e no progresso — ideais que se alinhavam perfeitamente com a missão da escola pública: formar cidadãos críticos, livres e conscientes.


Vida Escolar e Memória Coletiva

Embora fotografias datadas sejam raras, imagens do acervo de Lauri da Costa — possivelmente registradas pelo próprio Romeu Paulo da Costa — mostram o edifício em sua plenitude inaugural: paredes claras, jardins bem cuidados, crianças de uniforme branco entrando sob o olhar atento de professoras de saia longa e caderno na mão.

Ali, gerações de curitibanos aprenderam a ler, escrever, somar e sonhar. Nas salas de aula, ouviam histórias do descobrimento do Brasil, cantavam o hino nacional, desenhavam mapas do Paraná e participavam de festas juninas no pátio. O Grupo Escolar Barão do Rio Branco era, para muitos, o primeiro contato com o mundo além da família — e, muitas vezes, o único caminho para a ascensão social.


Transformações e Continuidade

Com o tempo, o nome foi atualizado para Colégio Estadual Barão do Rio Branco, acompanhando as mudanças na nomenclatura do sistema educacional paranaense. O edifício, embora ainda existente, sofreu alterações — adaptações necessárias para atender às novas demandas pedagógicas, tecnológicas e de acessibilidade. Novas salas foram criadas, laboratórios instalados, muros reforçados. Mas, mesmo com as modificações, o traço essencial do projeto original permanece visível: a horizontalidade, a simplicidade elegante, o respeito à luz e ao espaço.

Hoje, o colégio continua funcionando como edifício escolar, mantendo viva a tradição de acolher estudantes do ensino fundamental e médio. Sua localização privilegiada — próxima à Praça Tiradentes, à Catedral e a outros marcos históricos — reforça seu papel como parte integrante do patrimônio cultural e educacional de Curitiba.


Legado de um Ideal

O Colégio Estadual Barão do Rio Branco é mais do que tijolos, concreto e carteiras escolares. É a materialização de um ideal: o de que a educação é direito de todos e que o Estado tem o dever de oferecê-la com dignidade.

Projetado por um arquiteto visionário, construído com esperança e mantido pela dedicação de professores, funcionários e comunidade, este colégio permanece como um farol silencioso — lembrando que, mesmo em tempos de incerteza, a escola pública é, e sempre será, o alicerce de uma sociedade mais justa.

“Educar é semear com sabedoria e colher com paciência.”
— Augusto Cury (ecoando o espírito de todos os que passaram por suas salas)

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