Denominação inicial: Escola de Capatazes Rurais
Denominação atual:
Endereço: Avenida Erasto Gaetner, 1000 - Bacacheri
Cidade: Curitiba
Classificação (Uso): Escolas Profissionais Rurais
Período: 1930-1945
Projeto Arquitetônico
Autor:
Data: 1932
Estrutura:
Tipologia: T
Linguagem: Art Déco
Data de inauguracao: 1933
Situação atual: Edificação existente com alterações
Uso atual: Edifício escolar
Escola de Capatazes Rurais em 1933 Fonte: PARANÁ. Relatório do Secretario dos Negócios da Fazenda e Obras Publicas do Paraná, Rivadavia de Macedo, ao Interventor Federal no Paraná, Manoel Ribas. Curitiba: 1933
Escola de Capatazes Rurais: Formando Líderes do Campo na Curitiba dos Anos 1930
No coração do bairro Bacacheri, em Curitiba, ergue-se um edifício que, embora discreto à primeira vista, carrega em suas paredes o eco de um projeto ousado: formar homens capazes de liderar, organizar e modernizar o trabalho rural no Paraná. Trata-se da antiga Escola de Capatazes Rurais, instituição pioneira criada nos primeiros anos do governo de Getúlio Vargas, quando o Brasil apostava na educação profissional como pilar do desenvolvimento nacional.
Uma Escola para os “Chefes do Campo”
Fundada em 1933, a Escola de Capatazes Rurais surgiu num contexto de intensa reformulação do setor agrícola brasileiro. O termo “capataz” — derivado do espanhol capataz, que significa “chefe” ou “encarregado” — remetia a uma figura essencial nas grandes propriedades rurais: o intermediário entre o proprietário e os trabalhadores, responsável por coordenar tarefas, administrar recursos e garantir a produtividade.
A escola foi concebida não apenas para ensinar técnicas agrícolas, mas para formar líderes rurais com conhecimentos em administração, contabilidade, higiene, zootecnia, cultivo de solos e até noções de direito do trabalho. Seu público-alvo eram jovens do interior, muitas vezes filhos de agricultores ou pequenos proprietários, que buscavam ascender socialmente por meio do saber técnico e da responsabilidade coletiva.
Localizada na Avenida Erasto Gaertner, 1000, no então emergente bairro de Bacacheri, a escola ocupava um terreno amplo, ideal para aulas práticas ao ar livre, hortas experimentais e estábulos didáticos — elementos centrais de seu método pedagógico, fortemente influenciado pelos ideais da educação rural integral.
Arquitetura a Serviço da Modernização
O projeto arquitetônico, elaborado em 1932, reflete o espírito de renovação que marcou a década de 1930. Assim como outras instituições públicas da época, a escola adotou a linguagem estética do Art Déco, estilo que simbolizava progresso, ordem e racionalidade. Embora o nome do arquiteto não tenha sido preservado nos registros disponíveis, o traçado revela clara intencionalidade funcional e estética.
Com tipologia em “T”, o edifício permitia uma distribuição eficiente dos espaços: salas de aula voltadas para a ventilação cruzada, auditórios para reuniões comunitárias, oficinas técnicas e áreas administrativas centralizadas. A fachada, marcada por linhas verticais, frisos geométricos e proporções simétricas, transmitia solenidade e modernidade — qualidades que o Estado queria associar à nova geração de trabalhadores rurais.
A inauguração oficial ocorreu ainda em 1933, conforme registrado no Relatório do Secretário dos Negócios da Fazenda e Obras Públicas do Paraná, Rivadavia de Macedo, ao Interventor Federal Manoel Ribas — documento que atesta o compromisso do governo estadual com a infraestrutura educacional voltada ao desenvolvimento agrário.
Do Ensino Profissional à Continuidade Educacional
Embora sua denominação atual não seja explicitamente registrada, sabe-se que o edifício permanece em uso como edifício escolar, mantendo viva sua vocação pedagógica mesmo após décadas de transformações urbanas e políticas educacionais. Ao longo do tempo, sofreu alterações estruturais — adaptações necessárias para atender às demandas contemporâneas —, mas conserva elementos que permitem identificar sua origem e propósito inicial.
Sua classificação como Escola Profissional Rural insere-a num grupo seleto de instituições que, entre 1930 e 1945, buscaram romper com a visão tradicional do campo como espaço de atraso, propondo, ao contrário, uma modernização baseada no conhecimento, na organização e na dignidade do trabalho rural.
Patrimônio Silencioso, Legado Duradouro
Hoje, a Escola de Capatazes Rurais pode parecer mais um prédio comum no tecido urbano de Curitiba. Mas sua história é profundamente significativa. Ela representa um momento em que o Estado paranaense acreditou que o futuro do campo passava pela formação humana e técnica — e que investir em educação era, acima de tudo, investir em justiça social.
Seus ex-alunos talvez nunca tenham tido seus nomes gravados em livros de história, mas foram eles quem aplicaram, nas lavouras e pastagens do interior, os princípios aprendidos sob o teto Art Déco daquela escola: eficiência sem exploração, liderança com ética, progresso com raízes.
Conclusão: Lembrar Para Não Apagar
Preservar a memória da Escola de Capatazes Rurais não é nostalgia — é reconhecer que o caminho do desenvolvimento sustentável começa com a valorização daqueles que trabalham a terra. E, nesse sentido, o edifício na Avenida Erasto Gaertner continua sendo muito mais do que concreto e telhado: é um monumento à esperança rural, à dignidade do saber prático e à coragem de sonhar com um campo mais justo.
Que sua história inspire novas gerações — não apenas a cultivar a terra, mas a cuidar das pessoas que nela vivem.

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