Denominação inicial: Estação Experimental de Viticultores Escola de Trabalhadores Rurais de Campo Comprido Centro de Formação Educacional de Campo Comprido
Denominação atual: Fundação de Assistência Social
Endereço: Rua Eduardo Sprada, 3.387 - Campo Comprido
Cidade: Curitiba
Classificação (Uso): Escolas Profissionais Rurais
Período: 1930-1945
Projeto Arquitetônico
Autor:
Data: 1932
Estrutura:
Tipologia: Bloco único
Linguagem: Outra
Data de inauguracao: 8 de maio de 1940 - Estação Experimental de Viticultores 1941 - Escola de Trabalhadores Rurais de Campo Comprido 1948 - Centro de Formação Educacional de Campo Comprido
Situação atual: Edificação demolida
Uso atual:
Pavilhão inicial com salas de aula e administração da Escola de Trabalhadores Rurais de Campo Comprido em 1942
Acervo: Coordenadoria do Patrimônio do Estado da SEAD (Secretaria de Estado da Administração)
Escola de Trabalhadores Rurais de Campo Comprido: Uma Semente de Esperança que Floresceu — e Desapareceu
Na história da educação rural no Paraná, algumas instituições deixaram marcas profundas não apenas por sua arquitetura ou duração, mas pelo simbolismo de seus propósitos. A Escola de Trabalhadores Rurais de Campo Comprido, embora hoje reduzida a fotografias e registros administrativos, foi uma dessas sementes plantadas com convicção num solo árido de desigualdade e abandono. Seu legado, embora efêmero em estrutura, permanece vivo na memória coletiva daqueles que acreditaram que o campo também merecia escolas dignas.
Raízes Múltiplas: Da Vinha à Sala de Aula
A trajetória dessa instituição é marcada por transformações sucessivas, refletindo as mudanças nas políticas públicas e nas prioridades do Estado ao longo das décadas de 1930 e 1940. Inicialmente concebida como Estação Experimental de Viticultores, inaugurada em 8 de maio de 1940, a unidade surgiu num contexto de incentivo à produção agrícola diversificada no sul do Brasil — especialmente à vitivinicultura, atividade promissora na região de Curitiba na primeira metade do século XX.
Localizada na Rua Eduardo Sprada, 3.387, no bairro de Campo Comprido, a estação ocupava um terreno fértil, ideal para experimentos com videiras e cultivos complementares. No entanto, logo ficou evidente que o desenvolvimento rural exigia mais do que técnicas agronômicas: era preciso formar pessoas.
Assim, em 1941, o espaço foi reconfigurado como Escola de Trabalhadores Rurais de Campo Comprido, integrando-se à rede estadual de ensino profissional voltado ao meio rural. O currículo incluía disciplinas práticas — como agricultura, horticultura, criação de animais e ofícios manuais — e teóricas — como leitura, escrita, matemática e noções de cidadania. A ideia era clara: capacitar o trabalhador rural não apenas para produzir, mas para pensar, decidir e participar.
Em 1948, a instituição recebeu nova denominação: Centro de Formação Educacional de Campo Comprido, ampliando seu escopo para além da formação técnica, abraçando uma visão mais integral da educação popular.
Arquitetura Funcional, Linguagem Pragmática
O projeto arquitetônico, datado de 1932, seguiu uma tipologia de bloco único, comum em edificações rurais e escolares da época, priorizando funcionalidade e economia de recursos. Diferentemente de outras escolas contemporâneas — como as de Cabral e Bacacheri, que adotaram o estilo Art Déco —, a linguagem arquitetônica aqui foi classificada como “outra”, sugerindo uma abordagem mais utilitária, talvez influenciada pela natureza experimental e provisória da estação inicial.
O pavilhão inaugurado em 1942, documentado em fotografias do acervo da Coordenadoria do Patrimônio do Estado da SEAD, abrigava salas de aula, escritórios administrativos e, possivelmente, áreas para demonstrações práticas. A simplicidade do conjunto não diminuía sua importância; ao contrário, reforçava o caráter comunitário e acessível da iniciativa.
Um Legado Efêmero, Mas Não Esquecido
Apesar do esforço contínuo de professores, alunos e gestores, a instituição não resistiu às transformações urbanas e políticas do pós-guerra. Com a expansão acelerada de Curitiba nas décadas seguintes, o bairro de Campo Comprido passou por intensa verticalização e mudança de uso do solo. O edifício, outrora centro de aprendizado e experimentação, foi demolido — sua estrutura física apagada do mapa urbano.
Hoje, no local onde funcionou a escola, encontra-se a Fundação de Assistência Social, entidade que, embora distinta em missão, ocupa simbolicamente o mesmo espaço de cuidado com a comunidade. Não há placa, memorial ou sinalização que recorde a existência da antiga escola — apenas os arquivos da SEAD e algumas imagens em preto e branco guardam seu testemunho.
Memória como Resistência
A demolição do edifício não apaga seu significado histórico. Pelo contrário, torna ainda mais urgente a preservação de sua memória. A Escola de Trabalhadores Rurais de Campo Comprido foi parte de um movimento visionário que via na educação rural um caminho para a justiça social, a soberania alimentar e a valorização do saber camponês.
Numa época em que o campo era frequentemente ignorado pelas políticas públicas, essa escola afirmava: os filhos do campo também merecem aprender, sonhar e liderar.
Conclusão: Onde Estava a Escola, Está a Memória
Embora suas paredes tenham caído, a semente lançada por aquela escola continua germinando — nas histórias dos antigos alunos, nos documentos empoeirados dos arquivos públicos e na consciência de quem compreende que não há desenvolvimento verdadeiro sem educação para todos, em todos os lugares.
Que a ausência física do edifício nos lembre da necessidade de preservar não só os prédios, mas os ideais que neles habitaram. E que, um dia, alguém erga ali — mesmo que apenas com palavras — um monumento à coragem de ensinar onde poucos queriam olhar.

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