sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Escola Estadual República Oriental do Uruguai: A História de um Marco Educacional no Cajuru

 Denominação inicial: Escola Municipal do Cajuru

Denominação atual: Escola Estadual República Oriental do Uruguai

Endereço: Av. Presidente Affonso Camargo, 3.407 - Cajuru

Cidade: 

Classificação (Uso): 

Período: 

Projeto Arquitetônico

Autor:

Data: 1940-1941

Estrutura: padronizado

Tipologia: U

Linguagem: 


Data de inauguracao: 5 de maio de 1942

Situação atual: Edificação existente com alterações

Uso atual: Edifício escolar

Grupo Escolar do Cajuru em 1941

Acervo: Biblioteca Pública do Paraná

Escola Estadual República Oriental do Uruguai: A História de um Marco Educacional no Cajuru

Av. Presidente Affonso Camargo, 3.407 – Bairro Cajuru, Curitiba – Paraná

No coração do bairro Cajuru, em Curitiba, ergue-se um edifício que, desde a primeira metade do século XX, tem sido testemunha silenciosa da formação de gerações: a Escola Estadual República Oriental do Uruguai. Originalmente conhecida como Escola Municipal do Cajuru, esta instituição é mais do que um espaço de ensino — é um símbolo da expansão do ensino público no Paraná, da arquitetura escolar padronizada com identidade cultural e do compromisso contínuo com a educação popular.


Raízes na Expansão Urbana e Educacional

Durante as décadas de 1930 e 1940, Curitiba vivenciava um intenso processo de urbanização e crescimento populacional. Bairros periféricos ao centro histórico, como o Cajuru, começavam a se consolidar como zonas residenciais, demandando infraestrutura urbana e, sobretudo, equipamentos sociais — entre eles, escolas.

Foi nesse contexto que surgiu a necessidade de uma unidade escolar no Cajuru. O projeto foi desenvolvido entre 1940 e 1941, seguindo os moldes dos Grupos Escolares promovidos pelo governo estadual, cujo objetivo era universalizar o ensino primário com qualidade, ordem e identidade nacional. Embora o autor do projeto arquitetônico não tenha sido registrado nominalmente nos documentos disponíveis, sabe-se que ele foi elaborado sob a orientação técnica do Departamento de Edificações Públicas ou órgão equivalente da época, responsável por disseminar um modelo padronizado de escola por todo o território paranaense.

A construção avançou rapidamente, e imagens preservadas no Acervo da Biblioteca Pública do Paraná mostram o edifício ainda em obras em 1941, já revelando sua imponente estrutura em forma de “U” e seus traços neocoloniais.

A inauguração oficial ocorreu em 5 de maio de 1942, numa cerimônia que marcou não apenas a entrega de um novo prédio, mas a consolidação do direito à educação para as crianças do Cajuru.


Arquitetura Neocolonial: Identidade e Funcionalidade

Assim como outros Grupos Escolares construídos na mesma época — como o Lysimaco Ferreira da Costa —, a Escola Municipal do Cajuru adotou a tipologia em “U”, característica que favorecia a ventilação cruzada, a iluminação natural e a organização espacial voltada ao convívio comunitário. O pátio central aberto servia tanto para recreio quanto para eventos cívicos, celebrações escolares e formaturas.

A linguagem arquitetônica escolhida foi o Neocolonial, estilo que remetia às construções luso-brasileiras do período colonial, reinterpretadas com materiais modernos e técnicas contemporâneas. Telhados de quatro águas, beirais salientes, janelas com molduras marcadas, portas de madeira robusta e revestimentos simples compunham uma estética ao mesmo tempo sóbria, acolhedora e simbólica — reforçando a ideia de que a escola era um lugar de tradição, ordem e pertencimento nacional.

Apesar de ser um projeto padronizado, cada unidade ganhava singularidade pelo contexto local, pela comunidade que a habitava e pelo cuidado com que era mantida ao longo das décadas.


Da Escola Municipal à Escola Estadual: Uma Nova Identidade

Inicialmente denominada Escola Municipal do Cajuru, a instituição passou por uma transformação administrativa e simbólica nas décadas seguintes. Com a reorganização do sistema educacional brasileiro e a progressiva municipalização do ensino fundamental, muitas escolas municipais foram incorporadas à rede estadual — especialmente aquelas que passaram a ofertar níveis mais avançados de ensino.

Foi nesse processo que a escola recebeu seu nome atual: Escola Estadual República Oriental do Uruguai. A nova denominação homenageia a nação vizinha, com quem o Brasil compartilha laços históricos, culturais e geográficos profundos. Essa escolha reflete também um ideal de integração latino-americana e de valorização da diplomacia e da cooperação entre povos — valores frequentemente cultivados no ambiente escolar.


Situação Atual: Preservação com Adaptação

Hoje, o edifício encontra-se em uso contínuo como escola, mantendo sua função original mesmo após mais de oitenta anos de existência. Embora classificado como “edificação existente com alterações”, o núcleo arquitetônico original permanece reconhecível. Modificações internas — como adaptações para acessibilidade, instalação de novas tecnologias, reformas hidráulicas e elétricas — foram necessárias para atender às demandas pedagógicas contemporâneas, mas sem apagar totalmente a memória construída.

Localizada na movimentada Avenida Presidente Affonso Camargo, uma das principais vias de ligação entre o centro de Curitiba e a região sul da cidade, a escola continua sendo um ponto de referência comunitário no Cajuru — bairro que, desde meados do século XX, se transformou em um dos mais populosos e dinâmicos da capital.


Legado e Significado Contemporâneo

A história da Escola Estadual República Oriental do Uruguai é, antes de tudo, a história de gente comum fazendo coisas extraordinárias: professoras que ensinavam com giz e caderno; diretores que zelavam pelo respeito e pela disciplina; alunos que ali deram seus primeiros passos na leitura, na cidadania e no sonho de um futuro melhor.

Seu legado vai além das paredes: está nas famílias formadas, nos profissionais formados, nos cidadãos conscientes que passaram por suas salas. E está também na resistência da escola pública — muitas vezes desafiada, mas nunca derrotada.

Num momento em que o patrimônio escolar corre riscos de descaracterização ou abandono, a preservação — mesmo que parcial — deste edifício é um ato de memória e de esperança. Porque enquanto houver uma carteira ocupada, um quadro com letras coloridas e vozes de crianças ecoando nos corredores, a missão da Escola do Cajuru continuará viva.

E assim, entre telhados neocoloniais e sonhos contemporâneos, a República Oriental do Uruguai segue firme — não como país distante, mas como nome de uma escola que, todos os dias, constrói uma república de saberes, justiça e possibilidades.

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