Denominação inicial: Escola Experimental Maria Montessori
Denominação atual: Colégio Estadual Maria Montessori
Endereço: Rua Guilherme Ihlenfeldt, 980 - Vila Tingüi
Cidade: Curitiba
Classificação (Uso): Casa Escolar, Grupo
Período: 1945-1951
Projeto Arquitetônico
Autor: Divisão de Projetos e Edificações da Secretaria de Viação e Obras Públicas
Data: 18/04/1947
Estrutura: padronizado
Tipologia: U
Linguagem: Neocolonial
Data de inauguracao: 3 de setembro de 1952
Situação atual: Edificação existente com alterações
Uso atual: Edifício escolar
Escola Experimental Maria Montessori - s/d
Acervo: Colégio Estadual Maria Montessori
Escola Experimental Maria Montessori: Um Legado Pedagógico e Arquitetônico em Curitiba
Na Vila Tingüi, bairro residencial da zona sul de Curitiba, ergue-se uma edificação que carrega em suas paredes não apenas o peso do tempo, mas também a ousadia de um projeto educacional visionário. Trata-se da antiga Escola Experimental Maria Montessori — hoje Colégio Estadual Maria Montessori —, instituição que, desde sua fundação, representou uma tentativa pioneira de integrar os princípios montessorianos à rede pública de ensino paranaense.
Origens de uma Experiência Inovadora
Fundada oficialmente entre 1945 e 1951, a Escola Experimental Maria Montessori nasceu em um contexto de renovação pedagógica no Brasil. O pós-guerra trouxe consigo novas ideias sobre infância, aprendizagem e cidadania, e o Paraná, sob a influência de reformadores como José Pereira Lopes e Anísio Teixeira, embarcou em experiências educacionais progressistas.
A escolha do nome Maria Montessori — médica, educadora e primeira mulher a se formar em medicina na Itália — já indicava a intenção de romper com modelos tradicionais de ensino. A pedagogia montessoriana, centrada na autonomia da criança, no respeito aos ritmos individuais e no ambiente preparado, era ainda rara no ensino público brasileiro. Tornar essa abordagem acessível às camadas populares era, portanto, um ato de coragem e idealismo.
Localizada na Rua Guilherme Ihlenfeldt, 980, na Vila Tingüi, a escola foi projetada para ser mais do que um espaço de transmissão de conteúdos: deveria ser um laboratório vivo de educação ativa, onde teoria e prática caminhassem lado a lado.
Arquitetura ao Serviço da Pedagogia
O projeto arquitetônico foi elaborado pela Divisão de Projetos e Edificações da Secretaria de Viação e Obras Públicas do Estado do Paraná, datado de 18 de abril de 1947. Ao contrário de outras escolas da época, que adotavam a linguagem modernista emergente, este edifício seguiu uma estética neocolonial — estilo que remetia às tradições luso-brasileiras, com telhados inclinados, beirais salientes, janelas com molduras marcadas e uso de elementos decorativos inspirados no passado colonial.
A tipologia em “U” permitia a criação de um pátio interno protegido, essencial para as atividades ao ar livre preconizadas por Montessori. A estrutura, embora padronizada — fruto de políticas de racionalização na construção escolar —, foi adaptada para atender às necessidades específicas de uma escola experimental: salas amplas, mobiliário ajustável, áreas de trabalho prático e espaços para jardinagem e cuidado com o ambiente.
A inauguração ocorreu em 3 de setembro de 1952, consolidando a instituição como um dos raros exemplos de aplicação sistemática da pedagogia montessoriana em uma escola pública estadual no Brasil.
Do Experimental ao Permanente
Com o tempo, as exigências burocráticas, a expansão da demanda e as mudanças nas políticas educacionais levaram à gradual diluição do caráter experimental da escola. Ainda assim, o nome Maria Montessori permaneceu — testemunho de um compromisso simbólico com a inovação pedagógica.
Hoje, a instituição é conhecida como Colégio Estadual Maria Montessori e mantém sua função educacional, atendendo alunos do ensino fundamental e médio. A edificação original ainda existe, embora tenha sofrido alterações ao longo das décadas — acréscimos de novos blocos, modificações internas e atualizações técnicas. Mesmo assim, é possível reconhecer traços da planta em “U”, os volumes neocoloniais e a disposição espacial pensada para a convivência e o aprendizado.
Classificada como Casa Escolar do tipo “Grupo”, a unidade integra o patrimônio histórico-educacional de Curitiba, não apenas por sua arquitetura, mas por seu significado simbólico: representa um momento em que o Estado ousou sonhar com uma escola diferente — mais humana, mais livre, mais próxima da criança.
Conclusão: Entre a Memória e a Esperança
A história da Escola Experimental Maria Montessori é, acima de tudo, uma história de possibilidades. Ela nos lembra que a educação pública pode — e deve — ser um espaço de experimentação, sensibilidade e respeito. Embora o modelo montessoriano tenha sido parcialmente abandonado, o legado permanece vivo na memória dos que ali estudaram, ensinaram ou simplesmente passaram.
Que o nome de Maria Montessori continue a ecoar não apenas como homenagem, mas como convite: a repensar a escola, a escutar as crianças e a construir ambientes onde cada ser humano possa florescer com dignidade.
“A maior bênção da humanidade é a criança.”
— Maria Montessori
E foi justamente em nome dessa bênção que, em 1952, uma escola abriu suas portas na Vila Tingüi — e nunca mais fechou.

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