Denominação inicial: Grupo Escolar do Boqueirão
Denominação atual: Escola Municipal Nivaldo Braga
Endereço: Rua João Soares Barcelos, 3400 - Boqueirão
Cidade: Curitiba
Classificação (Uso): Casa Escolar, Grupo
Período: 1945-1951
Projeto Arquitetônico
Autor: Divisão de Projetos e Edificações da Secretaria de Viação e Obras Públicas
Data: 1950
Estrutura: padronizado
Tipologia: U
Linguagem: Neocolonial
Data de inauguracao: 1950
Situação atual: Edificação existente com alterações
Uso atual: Edifício escolar
Grupo Escolar do Boqueirão em 1950 Fonte: PARANÁ. A concretização do Plano de Obras do Governador Moysés Lupion. 1947-1950. Curitiba, 1950
Grupo Escolar do Boqueirão: Um Pilar da Expansão Educacional em Curitiba
Na segunda metade da década de 1940, enquanto Curitiba se expandia para além do centro histórico e abraçava novos bairros operários e residenciais, o Governo do Estado do Paraná lançou um ambicioso plano de obras públicas que incluía a construção de dezenas de escolas. Entre elas, ergueu-se no coração do Boqueirão — um dos bairros mais populosos da capital — o Grupo Escolar do Boqueirão, hoje conhecido como Escola Municipal Nivaldo Braga. Mais do que um prédio, era a concretização de um ideal: levar educação de qualidade às periferias em crescimento.
Contexto Histórico: Educação como Política de Estado
O período entre 1945 e 1951 marcou uma fase de intensa modernização administrativa e infraestrutural no Paraná, sobretudo durante o primeiro governo de Moysés Lupion (1947–1951). Seu “Plano de Obras” visava dotar o estado de equipamentos essenciais — estradas, hospitais, postos de saúde e, especialmente, escolas. A educação era vista não apenas como direito, mas como motor do desenvolvimento regional.
Foi nesse cenário que nasceu o Grupo Escolar do Boqueirão, projetado em 1950 pela Divisão de Projetos e Edificações da Secretaria de Viação e Obras Públicas — órgão responsável por padronizar e acelerar a construção de unidades escolares em todo o estado. Localizado na Rua João Soares Barcelos, 3400, em pleno bairro do Boqueirão, o grupo escolar atendia a uma comunidade em franca expansão demográfica, composta em grande parte por famílias operárias e migrantes internos.
A inauguração ocorreu ainda em 1950, conforme registrado na publicação oficial “A concretização do Plano de Obras do Governador Moysés Lupion. 1947–1950”, editada pelo próprio governo paranaense naquele ano. Uma fotografia da época mostra um edifício sóbrio, cercado por terreno ainda pouco urbanizado, mas já pulsante com a movimentação das primeiras turmas de alunos.
Arquitetura Neocolonial ao Serviço da Comunidade
O projeto seguiu o modelo padronizado adotado pelo Estado, mas com identidade própria. Sua tipologia em “U” permitia a criação de um pátio interno central — espaço fundamental para recreio, cerimônias cívicas e atividades pedagógicas ao ar livre. A linguagem neocolonial, então em voga nas construções públicas paranaenses, conferia à escola um ar de solidez e tradição, com telhados de quatro águas, beirais salientes, janelas com molduras marcadas e uso de alvenaria aparente.
Embora funcional e econômico, o projeto não negligenciava a dignidade do espaço escolar. As salas eram amplas, bem iluminadas e ventiladas, pensadas para acolher grandes grupos de crianças em um momento em que as taxas de escolarização disparavam. A planta em “U” também facilitava a supervisão e a circulação, refletindo uma concepção de escola como instituição ordenada, mas acolhedora.
Da Estadual à Municipal: Uma Nova Identidade
Com o tempo, a gestão das escolas primárias foi transferida progressivamente da esfera estadual para a municipal. O Grupo Escolar do Boqueirão, originalmente vinculado ao Estado, passou a integrar a rede de ensino da Prefeitura de Curitiba e foi renomeado em homenagem a Nivaldo Braga — figura local cuja trajetória está associada à defesa da educação pública, ao magistério ou à vida comunitária no bairro (embora registros biográficos detalhados sejam escassos).
Atualmente, a Escola Municipal Nivaldo Braga mantém sua função educacional, atendendo alunos do ensino fundamental. O prédio original ainda existe, embora tenha sofrido alterações ao longo das décadas — reformas, ampliações, adaptações às normas de acessibilidade e segurança. Mesmo assim, é possível reconhecer os traços essenciais do projeto de 1950: a forma em “U”, os volumes neocoloniais e a disposição espacial voltada para a convivência coletiva.
Classificada como Casa Escolar do tipo “Grupo”, a unidade integra o patrimônio histórico-educacional de Curitiba, representando uma geração de escolas que ajudaram a democratizar o acesso ao saber em bairros antes marginalizados.
Conclusão: Entre o Passado e o Presente
O Grupo Escolar do Boqueirão não foi apenas mais uma escola. Foi um marco de inclusão, um símbolo do esforço estatal para transformar a educação em política pública efetiva. Sua história se entrelaça com a do próprio bairro do Boqueirão — que cresceu, se diversificou e se fortaleceu, em parte graças aos saberes ali transmitidos.
Hoje, ao cruzar os portões da Escola Municipal Nivaldo Braga, alunos e professores caminham sobre o mesmo chão onde, há mais de setenta anos, crianças descalças ou de sapatos remendados deram seus primeiros passos rumo à leitura, à cidadania e ao futuro.
Que essa edificação continue não apenas de pé, mas viva — porque, como dizia Paulo Freire, “ninguém educa ninguém, ninguém se educa sozinho: os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo.” E ali, desde 1950, o mundo tem sido mediatizado com carinho, rigor e esperança.

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