quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Tomé Portes del-Rei: O Pioneiro do Rio das Mortes e os Debates sobre a fundação de São João del-Rei

 

Tomé Portes del-Rei
Conhecido(a) porAtuação na ocupação inicial da região do Rio das Mortes
Nascimento
século XVII

Mogi das Cruzes, Capitania de São Vicente
Morte
c. 1702

Região do Rio das Mortes, Capitania de Minas Gerais
Ocupaçãobandeirante

Tomé Portes del-Rei foi um bandeirante atuante no final do século XVII e início do século XVIII. Proveniente da vila de Taubaté, é tradicionalmente associado às primeiras incursões, descobertas e fixações populacionais de origem paulista na região do Rio das Mortes, no atual estado de Minas Gerais. Em parte da historiografia, é apontado como fundador ou cofundador do núcleo que daria origem a São João del-Rei, atribuição que, no entanto, é objeto de debate historiográfico.[1][2][3]

Contexto histórico

A atuação de Tomé Portes del-Rei ocorreu no contexto da expansão bandeirante em direção ao interior da América portuguesa, intensificada com a busca por metais preciosos no final do século XVII. A região da bacia do Rio das Mortes tornou-se um eixo estratégico desse movimento, articulando caminhos entre as áreas mineradoras emergentes e os centros paulistas de abastecimento e recrutamento.[4]

Incursões e fixação no Rio das Mortes

Por volta de 1700, Tomé Portes del-Rei partiu de Taubaté liderando uma expedição que se estabeleceu nas proximidades do Rio das Mortes. Essa iniciativa resultou em uma das primeiras fixações populacionais paulistas na região, contribuindo para a abertura de caminhos, a organização de pontos de passagem e o reconhecimento de áreas auríferas.[1]

A repartição das jazidas entre seus companheiros favoreceu o surgimento de acampamentos mineradores, entre eles o arraial de Santo Antônio e outros núcleos que se desenvolveriam nos anos seguintes, incluindo o arraial de Nossa Senhora do Pilar, embrião da futura São João del-Rei.[2]

Redes familiares e continuidade da ocupação

Tomé Portes del-Rei integrava uma rede familiar típica do bandeirantismo paulista. Era filho do reinol João Portes de El-Rei e aparentado a outros sertanistas, como Bartolomeu da Cunha Gago. Sua filha Maria Antunes Cardoso casou-se com Antônio Garcia da Cunha, que deu continuidade à exploração aurífera na região após a morte do sogro, permanecendo no Rio das Mortes entre 1702 e 1704 e fixando-se no Porto Real da Passagem.[5][6]

Morte

Tomé Portes del-Rei foi morto por volta de 1702, em circunstâncias nebulosas, possivelmente em um levante de seus próprios escravizados, episódio recorrente nos relatos sobre os primeiros tempos da mineração. Após sua morte, a viúva, Juliana de Oliveira, retornou a Taubaté, onde faleceu em 1728.[5]

Debate historiográfico sobre a fundação

A atribuição do título de “fundador” de São João del-Rei a Tomé Portes del-Rei decorre de uma tradição historiográfica que enfatiza sua liderança nas primeiras incursões, a organização logística das expedições e a criação de estruturas iniciais de circulação e abastecimento na região do Rio das Mortes.[1]

Outros autores, contudo, atribuem maior centralidade a Antônio Garcia da Cunha, destacando sua atuação direta na descoberta de jazidas auríferas e na consolidação do arraial que deu origem ao núcleo urbano. Essa perspectiva privilegia o momento da descoberta do ouro como critério fundamental para a fundação.[6]

Pesquisas acadêmicas mais recentes tendem a relativizar ambas as posições, compreendendo a formação de São João del-Rei como um processo coletivo, marcado por diferentes fases: exploração, fixação populacional e institucionalização administrativa com a criação da vila em 1713. Nessa abordagem, Tomé Portes del-Rei é reconhecido como personagem central nos primórdios da ocupação regional, mas inserido em uma dinâmica histórica mais ampla e plural.[4][3]

Referências

Bibliografia

  • Viegas, Augusto (1969). Notícia de São João del-Rei. Belo Horizonte: Imprensa Oficial de Minas Gerais
  • Barbosa, Waldemar de Almeida (1995). Dicionário histórico-geográfico de Minas Gerais. Belo Horizonte: Itatiaia
  • Silva Leme, Pedro Taques de Almeida Paes (1904). Genealogia paulistana. VII-VIII. São Paulo: Duprat
  • Guimarães, Fábio N. (1966). Antônio Garcia da Cunha, o fundador de São João del-Rei. Ouro Preto: Museu do Ouro
  • Boxer, Charles R. (2000). A idade de ouro do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras

Tomé Portes del-Rei: O Pioneiro do Rio das Mortes e os Debates sobre a fundação de São João del-Rei

Tomé Portes del-Rei foi um marcante bandeirante atuante entre o final do século XVII e o início do século XVIII. Originário da vila de Taubaté (SP), ele é tradicionalmente reconhecido como um dos principais nomes por trás das primeiras incursões, descobertas e da fixação populacional de origem paulista na bacia do Rio das Mortes, na região central do atual estado de Minas Gerais. Seu legado, contudo, é cercado tanto por tragédias pessoais quanto por intensos debates historiográficos acerca da fundação de São João del-Rei.

🧭 Contexto Histórico e a Expansão ao Rio das Mortes

A atuação de Tomé Portes del-Rei insere-se no contexto dinâmico da expansão bandeirante em busca de metais preciosos no interior da América portuguesa.

  • Eixo Estratégico: A região do Rio das Mortes transformou-se em uma rota fundamental para articular os caminhos entre as recém-descobertas áreas mineradoras e os centros paulistas de abastecimento e recrutamento de mão de obra.

  • A Expedição (por volta de 1700): Partindo de Taubaté, Portes del-Rei liderou um grupo que se estabeleceu nas imediações do Rio das Mortes. A iniciativa resultou na abertura de caminhos, na criação de pontos de passagem e no mapeamento de áreas auríferas.

  • Redes Familiares: O bandeirante pertencia a uma rede típica do sertanismo paulista. Era filho do reinol João Portes de El-Rei e mantinha laços de parentesco com figuras como Bartolomeu da Cunha Gago.

⚠️ Tragédia e Continuidade da Ocupação

A jornada de Tomé Portes del-Rei foi interrompida de forma abrupta:

  • Morte Misteriosa: Por volta de 1702, o bandeirante foi morto em circunstâncias nebulosas. Suspeita-se que tenha sido vítima de um levante de seus próprios escravizados, um risco constante e recorrente nos brutais primórdios da mineração colonial. Sua viúva, Juliana de Oliveira, retornou a Taubaté, onde viveu até 1728.

  • Legado Familiar: A exploração não cessou com sua morte. Sua filha, Maria Antunes Cardoso, era casada com Antônio Garcia da Cunha — que deu continuidade à mineração na região entre 1702 e 1704, fixando-se no estratégico Porto Real da Passagem.

🏛️ O Debate Historiográfico sobre a Fundação de São João del-Rei

A definição de quem fundou o núcleo que daria origem a São João del-Rei gera diferentes correntes entre os historiadores:

  1. A Tese de Tomé Portes del-Rei: Uma vertente tradicional atribui a fundação a Portes del-Rei por causa de sua liderança nas expedições pioneiras, pela abertura logística de caminhos e pela criação das estruturas iniciais de circulação e abastecimento no Rio das Mortes.

  2. A Centralidade de Antônio Garcia da Cunha: Outros analistas dão maior destaque ao genro de Tomé, argumentando que foi Cunha quem realizou descobertas de ouro mais expressivas e consolidou de vez o arraial aurífero originário.

  3. A Perspectiva Acadêmica Atual: Pesquisas recentes tendem a relativizar disputas puramente personalistas, enxergando a gênese de São João del-Rei como um processo coletivo e gradual. Esse modelo divide a história em fases (exploração, fixação e a institucionalização administrativa com a criação oficial da vila em 1713), situando Tomé Portes del-Rei como o grande pioneiro dos primórdios, mas integrado a uma engrenagem social bem mais ampla.

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