| Batalha da Baía | |||
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| Invasões holandesas no Brasil | |||
Gravura histórica de Hessel Gerritsz, de 1627, sobre o conflito. | |||
| Data | 1627 | ||
| Local | Baía de Todos-os-Santos Porto de Salvador foz do rio Pitanga | ||
| Desfecho | pilhagem holandesa de cargas e navios controle territorial português mantido | ||
| Beligerantes | |||
| Comandantes | |||
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Batalha da Baía[nota 1] foi a tentativa neerlandesa de invadir e capturar novamente a cidade de Salvador em 1627.[4.1] No contexto das invasões holandesas no Brasil, sucedeu a Captura da Bahia, quando a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais tomou a cidade em 1624 até ser expulsa em 1625 com a expedição luso-espanhola Jornada dos Vassalos.[5] A expedição holandesa foi comandada pelo corsário[6] e então almirante Piet Heyn e, embora não tenha conseguido retomar a cidade, capturou navios e cargas por duas vezes.[5]
Os anos de 1625 e 1626 foram marcados por insucessos militares e financeiros relevantes para a Companhia das Índias Ocidentais.[7.1] Nesse contexto, o almirante Heyn percorreu entre 1626 e 1627 a costa brasileira atrás das cargas dos navios e os "tesouros" resultantes dos ataques e pilhagens de 1627 (e também 1628) colaboraram para o pagamento das dívidas da companhia majestática e montagem de nova expedição, dessa vez destinada à capitania de Pernambuco e sua produção açucareira anos depois.[7.1][8]
Os holandeses estiveram na Bahia sobretudo no período de 1624 a 1627, mas também retornaram com João Maurício de Nassau em 1638 e avançaram sobre o Recôncavo Baiano principalmente entre os anos de 1646 e 1649,[9] além de batalhas mais pontuais travadas contra piratas, corsários e conquistadores holandeses em Camamu (1640), Itaparica (1600 e 1647) e Salvador (1599, 1604, 1932, 1934).[10]
História


A Companhia Holandesa das Índias Ocidentais havia passado por derrotas significativas em 1625 (Bahia, Porto Rico e Elmina), com efeitos desmoralizantes, mas contava ainda com recursos para novos combates.[7.1] Assim, lançou o almirante Piet Heyn em maio de 1626 em uma expedição com 14 embarcações, 1 675 pessoas e 312 peças de artilharia com o propósito de auxiliar o comandante burgomestre Boudewijn Hendricksz no saque a navios espanhóis com carga de prata no Mar do Caribe.[7.1] Contudo, Hendricksz morreu e sua esquadra saiu das Antilhas, o que levou Heyn a dirigir-se ao litoral brasileiro, conforme já estava previamente instruído caso não encontrasse Hendricksz.[7.1] Antes disso, em 9 de setembro de 1626 a esquadra de Heyn chegou a avistar um grande carregamento de prata no estreito da Flórida, mas fortemente fortemente protegido, e não atacou.[7.1] Ao buscar seguir as instruções, os ventos, contudo, conduziram os navios a atravessar o Oceano Atlântico por duas vezes, passando por Cabo Verde e Serra Leoa até alcançar a costa baiana na noite entre 2 e 3 de março.[7.1] Com 1 500 combatentes,[6] na manhã de 3 de março, a esquadra aproximou-se do porto de Salvador e, apesar das baterias militares de proteção portuária, teve sucesso em saquear.[7.1]
O militar e governador-geral Diogo Luís de Oliveira, descrito como "um monstro de engenhosidade", reforçou as defesas do porto e da Baía de Todos-os-Santos após o saque de março de 1627.[7.1] Porém, não foi suficiente para impedir novo saque ainda naquele ano.[7.1] Após navegar entre a Bahia e o Rio de Janeiro, Heyn retornou à Baía em 10 de junho.[7.1] Durante intervalo, realizou o segundo saque exitoso e retornou às Províncias Unidas com o carregamento de açúcar e fumo em outubro de 1627, quando foi presenteado com medalha e corrente de ouro pela administração central da Companhia das Índias Ocidentais (Dezenove Senhores) e, posteriormente, promovido a general.[7.1]
As fontes divergem quanto às datas da batalha, à quantidade de navios e à carga saqueada. No Dicionário das batalhas brasileiras, o historiador Hernâni Donato relatou na edição de 1996 a divergência entre a obra História naval brasileira, que informou a data de 3 de março, e Sousa Ferreira, que deu a data de 8 de março para ocorrência do ataque naquele mês de 1627[11] (na edição de 1987, ele havia informado somente essa segunda data, mas acompanhada de ponto de interrogação).[12] Donato ainda contou que Heyn perdeu três navios e aproximadamente 100 combatentes, enquanto que afundou um navio, conquistou a rendição de um segundo, capturou 22 navios, 2700 caixas de açúcar, algodão, couro, prata e tabaco e um navio negreiro com pessoas escravizadas dentro.[11] Esse afundamento e a rendição teria ocorrido em um intervalo de meia hora de combate segundo a edição de 1996;[11] enquanto que, conforme a edição de 1987, Heyn teria exigido resgate, saqueado o Recôncavo Baiano e se retirado apenas em 14 de julho daquele ano.[12] Ao mesmo tempo, contudo, ambas as edições tratam os eventos de março como a batalha de Salvador (1627) e o ataque aos navios mercantes na foz do rio Pitanga[nota 2] em 12 de junho contra o capitão Francisco Padilha e sua tripulação de 150 marinheiros como uma batalha em separado, a batalha de Pitanga (1627).[2][3]

As divergências seguem com outras fontes. Segundo o historiador britânico Charles Ralph Boxer, a esquadra holandesa conseguiu capturar ou incendiar 26 navios, parte deles provenientes do Mar Báltico, e carregar para as Províncias Unidas dos Países Baixos 2 565 caixas de açúcar, especiarias, fumo, couro, algodão e pau-brasil em parte dos navios capturados.[7.1] Segundo relato de Frei Vicente do Salvador em História do Brasil, treze navios holandeses entraram na Baía de Todos-os-Santos em 3 de março de 1627, capturaram 21 embarcações portuguesas atracadas no porto de Salvador e já abastecidas com três mil caixas de açúcar, enquanto que perderam sua capitânia e outra embarcação.[14] Segundo o jornalista Tasso Franco, foram capturados 30 navios portugueses carregados de açúcar.[5] Segundo Saturnino Monteiro, o conflito foi de 4 de março a 14 de julho de 1627.[1.1] Segundo o historiador Gabriel Ferreira Gurian, foram dois saques no intervalo de tempo de poucos meses em 1627.[15.1] Já os militares brasileiros Virgilio Ribeiro Muxfeldt e Luiz Ernani Caminha Giorgis contaram que a expedição holandesa, nos confrontos de março, sofreu pesadas baixas e Heyn foi ferido, por isso, seguiu para Cabo Frio; retornou à Baía em 10 de junho, onde pilhou cargas e apresou e incendiou navios; se dirigiu à foz do Rio Pitanga no dia 12 de junho, onde venceu a frota de Padilha (morto em combate e descrito como um herói da resistência de 1624-1625) enviada pelo Governador-Geral; e, antes de voltar à República dos Sete Países Baixos Unidos, ainda navegou por mais um mês pelas águas da Baía, para onde nunca mais regressou.[6]
O cartógrafo Hessel Gerritsz retratou naquele mesmo ano o ataque de Piet Heyn à Baía de Todos-os-Santos. Sob o título em holandês Overwinningen van Piet Hein op de Portugese oorlogs- en koopvaardijvloot in de baai bij San Salvador, 3 maart en 11 juni 1627, a obra faz parte do acervo do Museu Estatal de Amesterdão, nos Países Baixos, assim como a obra Portugese suikeropbrengsten buitgemaakt in de Bay de Tode los Santos, 1627, de autoria anônima e que retrata a saída com os saques obtidos com o ataque
A Batalha da Baía (1627): Os Saques de Piet Heyn em Salvador
A Batalha da Baía (1627) foi uma incursão naval realizada pelos neerlandeses contra a cidade de Salvador, na Bahia. Diferente da invasão de 1624, o objetivo principal não era a ocupação territorial duradoura, mas sim o saque e a captura de riquezas — especialmente açúcar, tabaco e cargas comerciais. A expedição foi liderada pelo célebre corsário e almirante Piet Heyn, a serviço da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais (WIC).
⚙️ Contexto e Antecessores
Após a humilhante expulsão dos holandeses de Salvador em 1625 pela famosa expedição luso-espanhola conhecida como a Jornada dos Vassalos, a WIC enfrentou forte crise financeira e desmoralização militar.
A Rota de Piet Heyn: Em maio de 1626, Piet Heyn partiu com 14 navios e cerca de 1.675 homens com ordens de interceptar frotas de prata espanholas no Caribe. Com a morte do comandante Boudewijn Hendricksz e frustrações nas Antilhas, Heyn redirecionou sua esquadra para a costa brasileira, impulsionado pelos ventos atlânticos que o conduziram até a Baía de Todos-os-Santos.
Chegada Surpresa: Na noite de 2 para 3 de março de 1627, a esquadra holandesa penetrou nas águas de Salvador, surpreendendo as defesas locais.
💰 Os Dois Saques e a Batalha de Pitanga
A campanha de 1627 destacou-se por dois momentos distintos de pilhagem comandados por Heyn:
O Ataque de Março: Em 3 de março de 1627, os holandeses invadiram o porto de Salvador, rompendo as baterias de proteção e apresando diversas embarcações mercantes ancoradas e carregadas de açúcar.
O Retorno em Junho e a Batalha de Pitanga: Após navegar brevemente por outras regiões da costa (como o Rio de Janeiro e Cabo Frio), Heyn retornou à Baía em 10 de junho. No dia 12 de junho, travou-se a chamada Batalha de Pitanga na foz do rio Pitanga, onde as forças holandesas derrotaram a resistência liderada pelo capitão português Francisco Padilha (que tombou em combate).
O Desfecho: Carregando dezenas de navios com milhares de caixas de açúcar, fumo, algodão e couro, Heyn retornou triunfante às Províncias Unidas em outubro de 1627.
📊 Divergências Historiográficas
A magnitude dos estragos e os números da operação geram divergências entre cronistas da época e historiadores modernos:
| Autor / Fonte | Embarcações Capturadas/Afundadas | Carga e Destaques |
| Frei Vicente do Salvador | 21 embarcações portuguesas | 3.000 caixas de açúcar; perda de duas embarcações holandesas (incluindo a capitânia). |
| C. R. Boxer | 26 navios capturados ou incendiados | 2.565 caixas de açúcar, especiarias, fumo, couro, algodão e pau-brasil. |
| Hernâni Donato | 22 navios capturados (mais 1 afundado e 1 rendido) | 2.700 caixas de açúcar, além de algodão, couro, prata, tabaco e um navio negreiro. |
💡 Impacto Histórico
Embora os holandeses não tenham conseguido retomar permanentemente a cidade, os tesouros e o açúcar pilhados por Piet Heyn em 1627 — somados aos lucros futuros de suas campanhas (como a célebre captura da Frota da Prata espanhola em 1628) — sanaram as dívidas da WIC e financiaram diretamente a futura e massiva invasão à Capitania de Pernambuco anos mais tarde.