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quinta-feira, 30 de julho de 2026

Castelo de Aljezur: História, Evolução e Património

 




Aljezur
Vista geral da vila de Aljezur
Brasão de AljezurBandeira de Aljezur
Localização de Aljezur
Gentílicoaljezurense
Área323,50 km²
População6 161 hab. (2021)
Densidade populacional19  hab./km²
N.º de freguesias4
Presidente da
câmara municipal
Manuel Marreiros (Renascer – Movimento Independente, 2025-2029)
Fundação do município
(ou foral)
12 de novembro de 1280 (745 anos)
Região (NUTS II)Algarve
Sub-região (NUTS III)Algarve
DistritoFaro
ProvínciaAlgarve
OragoNossa Senhora da Alva
Feriado municipal29 de agosto (Banho Santo)
Código postal8670-005 Aljezur
Sítio oficialwww.cm-aljezur.pt

Aljezur ou Algezur[1] é uma vila portuguesa pertencente ao Distrito de Faro, sub-região (NUT III) da região (NUT II) do Algarve.[2]

A vila é sede do Município de Aljezur que tem 323,50 km² de área[3] e 6161 habitantes (censo de 2021),[4] subdividido em 4 freguesias.[5]

O município é limitado a norte pelo Município de Odemira, a leste pelo de Monchique, a sueste por Lagos, a sudoeste por Vila do Bispo e a oeste tem uma extensa costa no oceano Atlântico. O limite noroeste, com o Município de Odemira, é marcado pela Ribeira de Seixe. O litoral do município faz parte do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.

Dom Dinis concedeu a Aljezur foral em 1280.

História

Castelo de Aljezur

Pré-história e antiguidade

A história humana no território de Aljezur é muito antiga, encontrando-se entre os seus primeiros habitantes os povos mirenses, que habitaram a região entre os finais das épocas glaciais e cerca de 7000 mil anos a.C..[6] Foram depois encontrados indícios de ocupação durante o período entre 3000 e 2500 a.C., correspondendo aos finais do Neolítico e ao Calcolítico, e de 1200 a 800 a.C., já durante a Idade do Bronze.[6] No área do castelo foram igualmente encontrados vestígios do período republicano de Roma.[7]

Época islâmica e reconquista

Aljezur atingiu um elevado grau de desenvolvimento entre os séculos X e XIII, durante o período de domínio muçulmano, com a fundação da vila em si no século X, a construção do Castelo de Aljezur, e a implantação de importantes assentamentos, como o do Ribat da Arrifana.[6] Segundo o artigo de António Guedes na revista Arquivo Histórico de Portugal, o próprio nome da vila é islâmico, significando «arcada, arcaria ou arcos.[8]

A vila foi reconquistada pelas forças cristãs de D. Paio Peres Correia, durante o reinado de D. Afonso III,[6] embora em data incerta, tendo sido apresentadas teorias de que teria sido em 1242, 1246[8] ou 1249.[6] O sucesso da batalha foi atribuído a Santa Maria, tendo a padroeira de Aljezur passado a ser Nossa Senhora da Alva.[6] D. Afonso III, em reconhecimento da Ordem de Santiago pelo seu papel na conquista de Aljezur, concedeu o concelho àquela ordem.[8] A vila recebeu foral do rei D. Dinis em 12 de Novembro de 1280, tendo sido a primeira povoação algarvia a receber foral daquele monarca.[6] Este documento concedeu grandes privilégios ao concelho, incluindo um que dispensava os cavaleiros de Aljezur de ir na rectaguarda dos exércitos.[8] Em 1 de Dezembro de 1297, aquele monarca trocou a vila de Almada e a quinta de Alfeite pelos castelos de Monchique e Aljezur e as vilas de Almodôvar e Ourique, que passaram a pertencer à Ordem de Santiago.[9]

Durante muitos anos os alcaides-mores do castelo foram os Condes de Vila Verde, e posteriormente este título passou para os marqueses de Angeja.[8]

O Castelo de Aljezur terá sido abandonado entre os finais do século XV e os princípios do século XVI, tendo perdido a sua importância como posto defensivo, devido ao assoreamento da Ribeira de Aljezur, que diminuiu a sua navegabilidade.[7]

Vestígios do Forte da Arrifana.

Séculos XVI a XIX

Entre 1498 e 1527 foi fundada a Santa Casa da Misericórdia de Aljezur, cuja igreja terá sido construída durante o século XVI.[10][11]

Em 1 de Junho de 1504, a Carta Diplomática de D. Dinis foi reformada por D. Manuel, que deu um novo foral a Aljezur,[6] recebendo então o título de Honrada.[8] Durante a Revolta do Manuelinho, um movimento lançado em 1637 contra o domínio espanhol sobre Portugal, Aljezur foi um dos principais focos de resistência no Algarve.[12] No século XVII, foram construídos os fortes da Arrifana e da Carrapateira, de forma a defender a faixa costeira dos ataques dos corsários marroquinos, que assolavam a região desde a Restauração da independência, em 1640.[6] Também nessa centúria foi edificada a Capela de Santo António, na vila de Aljezur.[13]

Todo o concelho, e principalmente a vila de Aljezur, foram devastados pelo Sismo de 1755.[6] Quase todas as casas foram destruídas, e a igreja matriz e o castelo ficaram muito danificados.[8] O Bispo do Algarve, D. Francisco Gomes do Avelar, ordenou a construção de uma Nova Igreja Matriz, que iria ser o centro da nova localização da vila de Aljezur, uma vez que a antiga tinha problemas de salubridade.[8] Porém, a população resistiu à mudança, tendo a nova comunidade ficado ao abandono até ao século XIX.[6]

Em 1855 Aljezur deixou de ter um concelho próprio, passando a estar integrado no de Lagos, mas foi posteriormente reestabelecido, estando em 1889 organizado nas freguesias de Aljezur, Bordeira e Odeceixe.[8] Em 1864 a vila tinha 700 fogos e 2800 habitantes, e em 1878, em conjunto com as freguesias próximas, contava com 1003 fogos e 4274 habitantes.[8] No século XIX, a vila de Aljezur ainda era considerada como um porto marítimo, sendo referida como tal no tombo do concelho, em 1864.[8] No século XIX o concelho ainda mantinha uma forte produção agrícola, devido à fertilidade dos seus terrenos.[8] Também no século XIX foi inaugurado um novo edifício para a Câmara Municipal de Aljezur.[14]

Século XX

Em 1936 foi inaugurada a Ponte de Odeceixe, entre os concelhos de Odemira e de Aljezur, que veio melhorar consideravelmente as comunicações rodoviárias ao longo da faixa costeira ocidental.[15]

Em 9 de Julho de 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, deu-se um combate aéreo no concelho, entre aviões aliados e alemães, que ficou conhecido como Batalha de Aljezur.[6]

Em 1992 foi inaugurado o Museu Adega de Odeceixe, dedicado à produção vinícola.[16]

Século XXI

Na década de 2010 surgiram várias propostas para a exploração de petróleo no concelho de Aljezur, tanto em meio terrestre como marítimo, por parte da GALP e da empresa italiana ENI. Este processo gerou uma viva polémica, tendo sido duramente criticado pelas populações locais, pelas autarquias de Aljezur e de Lagos, e pela Plataforma Algarve Livre de Petróleo.[17][18] Em 2018, a GALP e a ENI anunciaram publicamente que tinham desistido dos seus planos para Aljezur, decisão motivada principalmente pela abertura de uma providência cautelar por parte da Plataforma Algarve Livre de Petróleo.[19] Em 2025, o concelho de Aljezur recebeu a certificação como um destino turístico sustentável, na sequência de uma candidatura à Linha Regenerar Territórios - Incêndios 2023, organizada pela entidade Turismo de Portugal.[20] Nesse ano, foi galardoado com a Medalha de Serviços Distintos - Grau Ouro da Liga dos Bombeiros Portugueses, devido ao seu empenho na colaboração com a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Aljezur.[21]

Nas primeiras décadas do século XXI, o concelho de Aljezur foi atingido por vários incêndios de grandes dimensões, como os de 2003,[22] 2004,[23] 2019,[24] e 2020.[25]

Freguesias

Freguesias do município de Aljezur

O município de Aljezur está dividido em 4 freguesias:

Freguesias do município de Aljezur
FreguesiaResidentes (2011)Residentes (2021)[4]
Aljezur33653456
Bordeira432368
Odeceixe9611058
Rogil11261164
Total58846046



Demografia

|De acordo com os dados do INE o distrito de Faro registou em 2021 um acréscimo populacional na ordem dos 3.7% relativamente aos resultados do censo de 2011. No concelho de Aljezur esse acréscimo rondou os 2.7%.

Aljezur
AnoPop.±%
18643 956    
18784 225+6.8%
18904 593+8.7%
19005 053+10.0%
19115 720+13.2%
19206 160+7.7%
19304 977−19.2%
19407 889+58.5%
19508 088+2.5%
19608 139+0.6%
19706 202−23.8%
19815 059−18.4%
19915 006−1.0%
20015 288+5.6%
20115 884+11.3%
2021*6 045+2.7%

★ Número de habitantes "residentes", ou seja, que tinham a residência oficial neste município à data em que os censos se realizaram.

Número de habitantes por Grupo Etário ★★ [26]
1900191119201930194019501960197019811991200120112021
0-14 Anos1 7892 1422 2792 2512 7192 2661 8441 245753679625668774
15-24 Anos9398971 0931 2691 3381 4911 337725534522502460481
25-64 Anos2 1602 2922 3622 8023 2813 6914 2413 3952 6612 5372 6273 0563 164
= ou > 65 Anos1753203733354966277179651 1111 2681 5341 7001 626

★★ De 1900 a 1950 os dados referem-se à população "de facto", ou seja, que estava presente no município à data em que os censos se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente)

Equipamentos

Percursos pedestres

  • PR1 AJZ Circuito Cultural e Ambiental de Aljezur - 4,325km; Entidade Promotora: Camara Municipal de Aljezur[27]
  • PR1.1 AJZ Ribeira de Aljezur - 1,315km; Entidade Promotora: Camara Municipal de Aljezur[27]
Moinho da Arregata, no Rogil

Património

Ver também: Lista de património edificado em Aljezur

Património não religioso

Igreja Nova de Aljezur.

Património religioso

Cultura

Praias

Com uma linha de costa muito rochosa, que por diversas vezes é interrompida por maravilhosos areais que dão nome às diversas praias. Quase todas as praias são a foz das principais ribeiras da região. Junto às praias pode-se observar as imponentes arribas , talhadas de xisto e grauvaques, de cor acentuadamente cinzenta e preta

Política

Eleições autárquicas [28]

Data%V%V%V%V%V%V%V%V%VParticipação
PSFEPU/APU/CDUPPD/PSDPRDCDS-PPPSD-CDSMPTINDCH
197654,49323,04115,251
62,22 / 100,00
197950,96326,55119,131
71,59 / 100,00
198252,73320,30122,161
75,30 / 100,00
198550,87424,11111,76-9,10-
70,88 / 100,00
198930,54243,97221,741
71,05 / 100,00
199327,59146,54320,1711,42-
72,77 / 100,00
199739,96244,37310,03-1,19-
66,89 / 100,00
200160,21317,34115,5711,14-
67,80 / 100,00
200561,86411,24-19,4611,16-
66,19 / 100,00
200966,02413,20-16,311
66,45 / 100,00
201362,82414,19-16,061
60,32 / 100,00
201758,63318,731CDS-PPPPD/PSD16,521PSD-CDS
60,46 / 100,00
202144,6934,16-4,97-41,8221,36-
63,26 / 100,00
202533,3623,77-(a)(a)56,8633,98-
66,27 / 100,00

(a) O PSD e o CDS-PP apoiaram a lista independente "Renascer – Movimento Independente" nas eleições de 2025.

Eleições legislativas

Data%
PSPCPPSDCDSUDPAPU/

CDU

ADFRSPRDPSNBEPANPSD
CDS
LCHIL
197637,6423,8914,133,151,62
197940,52APUADAD2,3427,7218,88
1980FRS1,7025,9520,4339,40
198348,0212,902,470,8527,44
198527,7914,762,911,1520,8625,09
198731,56CDU30,992,010,9817,147,17
199135,2938,582,0410,801,392,90
199556,6216,897,101,0311,400,52
199952,0119,516,5713,571,70
200249,3125,047,339,722,46
200556,4216,214,1910,056,19
200935,7718,287,9513,7813,93
201125,0328,0911,3112,987,191,47
201537,38CDSPSD11,8511,191,6723,611,05
201941,0915,063,159,4410,925,340,762,340,95
2022[29]43,3820,771,047,706,132,391,228,833,69
2024[30]27,90ADAD5,1520,277,672,713,1321,304,77
2025[31]24,96CDSPSD4,402,732,2224,373,8427,183,45

Personalidades destacadas

Geminações

O município de Aljezur é geminado com as seguintes cidades:[32]

Galeria

Referências

  1. Ciberdúvidas (1998). «Como devo escrever o nome da localidade algarvia: ALGEZUR ou ALJEZUR?». Consultado em 12 de setembro de 2011
  2. INE (2013). Anuário Estatístico da Região Algarve 2012 (PDF). Lisboa: Instituto Nacional de Estatística. p. 26. ISBN 978-989-25-0215-1. ISSN 0873-0008. Consultado em 11 de janeiro de 2015
  3. Instituto Geográfico Português (2013). «Áreas das freguesias, municípios e distritos/ilhas da CAOP 2013». Carta Administrativa Oficial de Portugal (CAOP), versão 2013. Direção-Geral do Território. Consultado em 28 de novembro de 2013. Arquivado do original (XLS-ZIP) em 9 de dezembro de 2013
  4.  INE. «Censos 2021 - resultados definitivos»
  5. Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro: Reorganização administrativa do território das freguesias. Anexo I. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Suplemento, de 28/01/2013.
  6.  «História». Câmara Municipal de Aljezur. Consultado em 20 de Outubro de 2025
  7.  «Castelo de Aljezur». Portal do Arqueólogo. Direcção Geral do Património Cultural. Consultado em 20 de Outubro de 2025
  8.  GUEDES, Antonio (Novembro de 1889). «Aljezur». Archivo Historico de Portugal. Série I (16). Lisboa. p. 61-63. Consultado em 20 de Outubro de 2025 via Hemeroteca Municipal de Lisboa
  9. «Alfeite» (PDF). Archivo Pittoresco. Tomo I (27). Lisboa: Typographia de Castro & Irmão. Janeiro de 1858. p. 211. Consultado em 20 de Outubro de 2025 via Hemeroteca Digital de Lisboa
  10. VIEGAS, Patrícia (2000). «Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Aljezur / Museu de Arte Sacra Manuel Francisco Pardal». Sistema de Informação para o Património Arquitectónico. Direcção Geral do Património Cultural. Consultado em 20 de Outubro de 2025
  11. «A História». Santa Casa da Misericórdia de Aljezur. Consultado em 20 de Outubro de 2025
  12. CAPELO et al, 1994:121
  13. «Museu Antoniano». Câmara Municipal de Aljezur. Consultado em 20 de Outubro de 2025
  14. «Museu Municipal». Câmara Municipal de Aljezur. Consultado em 20 de Outubro de 2025
  15. NEVES, Jacques de Oliveira (Julho de 1936). «A Importância das Vias de Comunicação» (PDF). Costa de Oiro (19). Lagos: Tipografia Ferreira. p. 9. Consultado em 20 de Outubro de 2025 via Hemeroteca Digital do Algarve
  16. «Adega - Museu de Odeceixe». Câmara Municipal de Aljezur. Consultado em 20 de Outubro de 2025
  17. Agência Lusa (11 de Junho de 2016). «Centenas formaram cordão humano contra exploração de petróleo em Aljezur». Público. Consultado em 23 de Outubro de 2025
  18. FERREIRA, Lurdes; REVEZ, Idálio (17 de Maio de 2018). «Governo aprova furo de petróleo em Aljezur mas não quer mais polémica até às eleições». Público. Consultado em 23 de Outubro de 2025
  19. BRITO, Ana (30 de Outubro de 2018). «Galp desiste de furo em Aljezur e Governo afasta novas licenças». Público. Consultado em 23 de Outubro de 2025
  20. «Aljezur avança na certificação do Destino Turístico Sustentável». Correio de Lagos. Ano XXXII (412). Lagos. 19 de Março de 2025. p. 6
  21. «Município distinguido com a Medalha de Serviços Distintos - Grau Ouro pela Liga dos Bombeiros Portugueses». Correio de Lagos. Ano XXXII (415). Lagos. 18 de Junho de 2025. p. 4
  22. Agência Lusa (13 de Agosto de 2003). «Incêndios: frentes de Aljezur e Lagos são as mais preocupantes». Público. Consultado em 23 de Outubro de 2025
  23. «Incêndio que lavrava em Aljezur já está em fase de rescaldo». Público. 23 de Maio de 2004. Consultado em 23 de Outubro de 2025
  24. Agência Lusa (19 de Julho de 2019). «Incêndio em Aljezur já foi dominado». Público. Consultado em 23 de Outubro de 2025
  25. Agência Lusa (19 de Junho de 2020). «Dominado incêndio em Aljezur, mas tempo quente ainda preocupa». Público. Consultado em 23 de Outubro de 2025
  26. INE - http://censos.ine.pt/xportal/xmain?xpid=CENSOS&xpgid=censos_quadros
  27.  RNPP – Registo Nacional de Percursos Pedestres Percursos Pedestres Homologados Versão 21/12/2016
  28. «Concelho de Aljezur : Autárquicas Resultados 2021 : Dossier : Grupo Marktest - Grupo Marktest - Estudos de Mercado, Audiências, Marketing Research, Media». www.marktest.com. Consultado em 2 de janeiro de 2022
  29. «Eleições Legislativas 2022 - Aljezur». legislativas2022.mai.gov.pt. Consultado em 4 de dezembro de 2023
  30. «Eleições Legislativas 2024 - Aljezur». legislativas2024.mai.gov.pt. Consultado em 28 de setembro de 2024
  31. «Eleições Legislativas 2025 - Aljezur». legislativas2025.mai.gov.pt. Consultado em 28 de julho de 2026
  32. «Geminações de Cidades e Vilas». www.anmp.pt. Associação Nacional de Municípios Portugueses. Consultado em 9 de setembro de 2012

Castelo de Aljezur: História, Evolução e Património

Introdução

O Castelo de Aljezur e o território envolvente possuem uma cronologia vasta que se estende desde a Pré-História até à contemporaneidade. Situada estrategicamente na região sudoeste de Portugal, a vila de Aljezur destaca-se pela sua herança islâmica, pelo papel defensivo na Reconquista e pela resiliência face a catástrofes naturais, assumindo hoje um papel de relevo no turismo sustentável e na preservação ambiental.

1. História e Evolução Cronológica

Pré-História e Antiguidade

A presença humana na região de Aljezur remonta a milénios:

  • Povos Mirenses: Habitaram o território entre os finais das épocas glaciais e cerca de 7000 a.C.

  • Neolítico e Calcolítico: Foram identificados vestígios de ocupação humana datados entre 3000 e 2500 a.C.

  • Idade do Bronze: Presença registada entre 1200 e 800 a.C.

  • Período Romano: Foram descobertos vestígios associados à época republicana de Roma na área do castelo.

Época Islâmica e Reconquista

Entre os séculos X e XIII, sob domínio muçulmano, Aljezur alcançou um elevado grau de desenvolvimento:

  • Fundação: A vila foi fundada no século X, período em que se edificou o Castelo de Aljezur e importantes assentamentos como o Ribat da Arrifana. O topónimo de origem islâmica significa «arcada, arcaria ou arcos».

  • A Reconquista Cristã: A praça foi reconquistada por D. Paio Peres Correia durante o reinado de D. Afonso III (apontando-se os anos de 1242, 1246 ou 1249). Atribuindo-se o sucesso a Santa Maria, a padroeira passou a ser Nossa Senhora da Alva.

  • Atribuição de Foral: A Ordem de Santiago recebeu o concelho pelo seu papel na conquista. Em 12 de novembro de 1280, D. Dinis concedeu o primeiro foral à vila — sendo a primeira povoação algarvia a recebê-lo de tal monarca —, seguido da reforma por D. Manuel I em 1 de junho de 1504, data em que Aljezur recebeu o título de "Honrada".

  • Declínio do Castelo: Entre os finais do século XV e os princípios do século XVI, o castelo foi gradualmente abandonado, perdendo a sua função defensiva devido ao assoreamento da Ribeira de Aljezur, que reduziu a sua navegabilidade.

Séculos XVI a XIX

  • Resistência e Defesa Costeira: No século XVII, Aljezur destacou-se como um dos principais focos de resistência no Algarve durante a Revolta do Manuelinho contra o domínio espanhol. Para conter os ataques de corsários marroquinos após a Restauração da Independência (1640), construíram-se os fortes da Arrifana e da Carrapateira, bem como a Capela de Santo António.

  • O Sismo de 1755: A vila e o concelho foram severamente devastados pelo sismo, resultando na destruição quase total das habitações e em danos profundos na igreja matriz e no castelo. Embora o Bispo do Algarve, D. Francisco Gomes do Avelar, tenha ordenado a construção de uma Nova Igreja Matriz para deslocalizar o povoado devido a problemas de salubridade, a forte resistência da população retardou a mudança até ao século XIX.

  • Dinâmica Local: No século XIX, a vila mantinha forte atividade agrícola e era referida como porto marítimo. Passou por reestruturações administrativas, integrando interinamente o concelho de Lagos antes de ser restabelecida com as freguesias de Aljezur, Bordeira e Odeceixe.

Século XX e XXI

  • Infraestruturas e Acontecimentos: Em 1936 foi inaugurada a Ponte de Odeceixe, melhorando as comunicações rodoviárias na costa ocidental. A 9 de julho de 1943, o concelho foi palco de um combate aéreo entre forças aliadas e alemãs durante a Segunda Guerra Mundial, episódio conhecido como a Batalha de Aljezur.

  • Controvérsias e Desafios Ambientais: Na década de 2010, projetos de exploração petrolífera por parte da GALP e da ENI geraram forte contestação local e institucional, culminando na desistência das empresas em 2018 na sequência de providências cautelares. O território enfrentou igualmente grandes incêndios florestais (como em 2003, 2004, 2019 e 2020).

  • Reconhecimento Contemporâneo: Em 2025, Aljezur foi certificado como destino turístico sustentável (no âmbito da candidatura à Linha Regenerar Territórios - Incêndios 2023 do Turismo de Portugal) e galardoado com a Medalha de Serviços Distintos - Grau Ouro da Liga dos Bombeiros Portugueses.

2. Património e Infraestruturas Culturais

  • Castelo de Aljezur: Ruínas da fortificação medieval situada numa colina sobranceira à ribeira, testemunho central da arquitetura militar islâmica e cristã na região.

  • Património Religioso e Militar: Destacam-se a Capela de Santo António, a antiga e a nova Igreja Matriz, e os fortes costeiros da Arrifana e da Carrapateira.

  • Museu Adega de Odeceixe: Inaugurado em 1992, é dedicado à preservação e divulgação da tradição vinícola local.