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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Hoje apreciaremos este raríssimo e histórico Cartão Postal de Curitiba, emitido na década de 1890, um dos primeiros Cartões Postais de Curitiba.

 Hoje apreciaremos este raríssimo e histórico Cartão Postal de Curitiba, emitido na década de 1890, um dos primeiros Cartões Postais de Curitiba.



Antes de olharmos o tema central que está em primeiro plano, olharemos um pouco adiante, onde percebemos as poucas quadras que formavam o centro antigo da cidade, constituídas por pequenas construções de um ou dois pisos.

Um pouco mais adiante, vemos algumas casas, distantes entre si, de imigrantes que começavam a ocupar as terras, formando seus "sítios" e que, pela distância do centro, diziam localizar-se no "rocio de Curitiba". Mais ao longe, vasta área descampada, praticamente inabitada que une-se às montanhas da Serra do Mar.

Voltando ao primeiro plano, vemos o então "Largo do Rosário", denominação essa decorrente da Igreja que se vê por primeiro, à esquerda, conhecida como "Igreja do Rosário". A pequena igreja foi construída em 1737, por escravos que residiam em Curitiba e região, como local próprio para celebrarem seus cultos à Deus. Recebeu deles o nome "Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos de São Benedito"; abreviadamente, "Igreja do Rosário". Em 1931, ela foi demolida e uma nova construção em estilo barroco foi edificada em 1946 no mesmo local, permanecendo até os dias atuais.

Na esquina, vemos o elaborado sobrado residência da família de Ignacio de Paula França, construído nos anos 1890. Ficou conhecido como Solar do Rosário, pela proximidade da Igreja. Paula França foi prefeito de Curitiba, presidente da Câmara Municipal e proprietário da fábrica de Cerâmica das Mercês. O sobrado foi adquirido por Newton Carneiro e, mais tarde, sede do Instituto Goethe do Paraná. Foi restaurado em 1992, passando a abrigar um centro de arte e cultura.

Ao lado do Solar, a "Karczma Polska", famosa "Pousada Polaca" que abrigou em suas instalações muitos imigrantes de diversas etnias, sendo ponto de hospedagem deles quando chegavam em Curitiba.

Logo adiante, vemos a edificação mais alta, construída pela família Hoffmann em 1890, símbolo da prosperidade de uma família de tecelões austríacos que escolheram Curitiba para viver. Ficou conhecida como "Casa Hoffmann", constitui marco arquitetônico da transformação urbana de Curitiba, habitada pelos Hoffmann até 1974. a casa depois foi alugada até ser destruída por um incêndio, em 1996. Apenas as paredes externas e a fachada foram mantidas.

Mais adiante, com sua proeminente torre, vemos a "Igreja da Ordem", construída por imigrantes portugueses e concluída em 1737, originalmente chamada Igreja de Nossa Senhora do Terço. Recebeu o nome atual após a chegada da Ordem de São Francisco em Curitiba, no ano de 1746, que passou a mantê-la. Abrigou um convento franciscano e, no século 19, foi a paróquia dos imigrantes poloneses. Por volta de 1834, uma parte da igreja desabou, mas foi restaurada em 1880. A torre do templo e a instalação dos sinos foi concluída em 1883.

À direita do Largo, vemos o grande casarão, conhecido como "Palacete Wolff", por ter sido construído pelo imigrante austríaco Josef Wolff, no final dos anos 1870, para ser residência de sua família e local de reuniões sociais. O local foi alugado para diversas ocupações ao longo dos anos, sendo Colégio Internacional, Loja Maçônica, Quartel General, Colégio Bom Jesus, Prefeitura e Câmara de Curitiba, entre outras.

Ainda à direita, logo após, vemos as paredes da antiga pensão da chamada "Catharina Sueca", sra. Catharina Hansen, onde muitos dos imigrantes aqui chegados se hospedaram inicialmente. Naquele momento, a construção estava sendo demolida para abrigar o templo da Igreja Presbiteriana de Curitiba, a qual estava em processo de cisão no Brasil. Hum ano após a cisão, em 1904, constituía-se em Curitiba a 1ª Igreja Presbiteriana Independente e, em 1934, no local foi inaugurado o primoroso prédio em estilo neoclássico que lá existe atualmente. Chama atenção a torre parcialmente aberta, com uma cúpula semi-esférica sustentada por seis colunas cilíndricas.

Finalizando, entre as construções citadas, vemos aquele espaço de chão, puro barro, que foi pisado pelas castas, desde os mais humildes escravos aos mais abastados comerciantes e empreendedores que formaram a base social, política e econômica da pequena vila, o início da pujante cidade sorriso, nossa amada Curitiba.

(especial agradecimento ao nobre amigo Giuseppe Todeschini que forneceu muitas informações na pesquisa / Foto: Acervo Casa da Memória de Curitiba)

Paulo Grani