Evolução da Máquina de Costura












fotos fatos e curiosidades antigamente O passado, o legado de um homem pode até ser momentaneamente esquecido, nunca apagado




























O NECROTÉRIO DE ANTONINA
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Ano de 1966.
Aristides era um rapaz trabalhador. Ele tinha 33 anos, morava no Bento Cego, próximo à casa de Capitão Saíra. Ari, como era comumente chamado, era casado com Palmira e tinham 5 filhos menores de idade.
O pai de Ari, senhor Jeremias, estivador, havia morrido em dezembro de 1960, em consequência de um acidente de trabalho, quando foi esmagado por um contêiner.
Aristides e o pai haviam brigado no início de 1960. Na briga, senhor Jeremias deu um tiro na perna do filho.
A vida continuou e os dois não voltaram a se falar.
28 de outubro de 1966. Era verão e geralmente nos finais de semana, assim como todo bom antoninense, Ari e sua família ou iam no Rio do Nunes ou iam na Prainha da Ponta da Pita se banhar. Neste dia, eles foram na Ponta da Pita.
Durvalino, de 10 anos, filho de Aristides, estava nadando na costa quando foi levado por uma corrente de retorno e acabou se afogando. O homem, mesmo com dificuldades para nadar devido às secuelas do tiro que levara de seu pai, assim que viu o filho se afogando, tentou socorrê-lo.
Não conseguiu...
Ambos acabaram morrendo.
02h30min da madrugada do dia 29 de outubro de 1966.
Os corpos do pai e do filho estão no necrotério para o médico legista, doutor Albuquerque, fazer o exame de necropsia. Naquele plantão, haviam muitos corpos.
A auxiliar de necropsia do médico era a jovem Edviges Bernardes, a Dinha, uma moça que ainda tinha certo receio com a profissão.
Assim que a necropsia é realizada, Edviges fica aguardando um familiar dos falecidos e o plantonista da Funerária "São Manoel" para fazerem a retirada dos corpos.
Enquanto a auxiliar espera, há uma queda de energia, que a deixa apavorada.
Dois minutos depois, a energia é restabelecida. Então, a auxiliar respira fundo e fica mais aliviada.
Alguém bate na porta da sala do necrotério. Edviges se levanta e abre. Era um senhor que ela não conhecia.
A moça então pergunta se ele era da família do Aristides. Então, o senhor responde:
- Sim, sou o pai dele.
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- Por Jhonny Arconi

GENOFRE: O PADRE DO POÇO
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Havia um poço de água nos fundos da casa de dona Galileia, irmã do senhor Galileu, que estava com 51 anos. Ele era um exímio vendedor de flores e Pai de Santo. Assustadoramente, as flores preferidas de Galileu, eram as flores mortíferas negras sangrias.
Galileia morava sozinha. Seu irmão morava na casa ao lado, mas havia um conflito de herança entre os dois, o que não permitia a eles terem uma convivência saudável.
Em 31 de outubro de 1959, dona Galileia assistia a um filme em sua casa. Ela sempre foi uma mulher cinéfila.
Eram 02:59 da manhã. A mulher então leva um susto quando um gato amarelo entra na sua casa. Ela achou estranho aquilo porque a casa estava toda trancada. O gato vai andando de mansinho e senta ao seu lado no sofá. A mulher então, como gostava bastante de bichano, faz o movimento de passar a mão no animalzinho. No que ela encosta nele, o bicho diz:
- Sai! Não me encosta sua ladra. Você está tentando roubar o que é meu por direito.
Nitidamente, percebeu-se que aquilo era uma manifestação maligna.
A força maligna partiu para a ação.
O gato então se transforma em uma nuvem de fumaça negra e usurpa o corpo da mulher. Possuído, o corpo da senhora de 56 anos é lançado contra as paredes da casa, acarretando à mulher várias fraturas e ferimentos no corpo.
Nesse mesmo horário, seu irmão estava no cemitério fazendo um trabalho especial.
A rua Arthur Schunemann, no Tucunduva, torna-se um teatro. Muitas pessoas saem de suas casas para verificar o que estava acontecendo na casa de Galileia. O barulho era estridente. Aqueles vizinhos que não saiam para a rua, ficavam à surdina na janela ou na porta.
Jamil Carrapicho, um dos vizinhos, vai até à casa do padre Genofre para explicar a situação que estava acontecendo com Galileia.
O padre então, sem titubear, veste a calça, a batina, calça o sapato, põe o chapéu, põe no braço direito o relógio branco parado na meia-noite, que ganhara de sua avó em 1921, pega a maleta e vai até o lugar.
Chegando na frente da casa, o religioso exorcista já sente a força satânica agindo no local.
Antes de entrar, padre Genofre faz uma rápida reza e entra.
Mas se ele soubesse o final daquilo, ele certamente não entraria naquela casa.
Galileu chega do cemitério e observa aquela movimentação na rua, especialmente na frente da casa de sua irmã. Parecendo que já soubesse da situação, ele age com indiferença e entra para sua casa. Ele estava com um semblante diabólico.
O padre entra na casa, sobe a escada e chega na frente do quarto da mulher. No momento em que abre a porta do cômodo em que a irmã de Galileu estava, ele a vê sobre a cama, de cabeça para baixo, cantando a seguinte canção:
"Pai Lileu entrou na roda tocando seu violão:
Balalan ban ban ban ban balalan ban ban.
Vem pra cá seu desgraçado,
Vou te levar para prisão."
A mulher possuída para de cantar, fica em pé e o ataca.
O padre, na tentativa de se salvar, pula pela janela do quarto e cai no poço. A mulher também pula e não deixa o padre sair dali. Ela forçou a cabeça do padre para o fundo.
Padre Genofre morre afogado. A mulher tampa o poço.
1998.
Juliane, então com 15 anos, mora na casa da falecida Galileia, que morreu em 1989, em decorrência de um câncer no cérebro. A casa ficou para Galileu, que alugara para o pai de Juliane, senhor Darci Pirulito.
31 de outubro.
Naquele dia, o bairro estava sem água.
Juliane se levanta bem cedo para ir ao sítio com seus avós.
Eram 5:30 da manhã.
Sorte a dela que havia um poço nos fundos da casa.
Sorte nada...
Juliane pega um balde e vai até o poço que por muitos anos estava tampado.
O que ela viu, a deixou sem ação. Ela paralisou e imediatamente desmaiou.
A mocinha caiu no poço e quando estava prestes a dar seu último suspiro de vida, um senhor lhe estende o braço direito e Juliane olha para o relógio e vê que marcava meia-noite. Ela então percebe que aquela era a sua última chance.
A moça agarra com toda a força o braço do homem, acabando por derrubar o relógio branco dele no poço.
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- Por Jhonny Arconi