domingo, 28 de maio de 2023

Grafarkirkja, a igreja turfa mais antiga da Islândia, do século XVII

 Grafarkirkja, a igreja turfa mais antiga da Islândia, do século XVII


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A Islândia é, em termos geológicos, uma ilha recente. A sua formação iniciou-se há cerca de 20 milhões de anos devido a uma série de erupções na Dorsal Média Atlântica. Amostras de rochas encontradas na Islândia datam de até há 16 milhões de anos.

A Islândia foi uma das ilhas de dimensão assinalável que mais tempo demorou até ser habitada por humanos. Já se sugeriu que a terra chamada Thule pelo mercador grego Píteas fosse a Islândia, embora esta hipótese seja altamente improvável, tendo em conta que a descrição feita por Píteas fala de um país agrícola com bastante leite, mel e fruta, hoje em dia associado às ilhas Xetlândia.

De acordo com o livro Landnámabók (ca. 1130) a Islândia foi descoberta pelo marinheiro escandinavo Naddoddr, que se perdeu, numa viagem da Noruega para as Ilhas Feroé, indo até a costa leste da Islândia, terra que baptizou de Snæland (Terra da neve).
O mesmo documento cita também o marinheiro sueco Garðar Svavarsson, que acidentalmente foi parar à Islândia e, descobriu que esta era uma ilha, à qual chamou Garðarshólmi (Ilha de Garðar). Passou lá um inverno em Húsavík.
O primeiro escandinavo a viajar deliberadamente para Islândia foi o norueguês Flóki Vilgerðarson, também conhecido como Hrafna-Flóki (Corvo-Flóki), que se estabeleceu durante um inverno em Barðaströnd. Foi um inverno frio, e, quando ele avistou gelo à deriva nos fiordes, deu à ilha o seu nome atual, Ísland (Terra do gelo).
O título de primeiro habitante permanente da Islândia é normalmente entregue a um chefe tribal norueguês Ingólfur Arnarson, que ao aproximar-se de terra, segundo conta a história, atirou duas varas borda fora, decidido a instalar-se onde as varas acabassem por ficar. Navegando junto à costa acabou por encontrá-las na península sudoeste, onde se fixou com a sua família por volta de 874, num local a que chamou Reykjavík ("Baía do Fumo"), e que viria a ser a capital da Islândia. Contudo, também se reconhece que Ingólfur não foi o primeiro indivíduo a viver permanentemente na Islândia, mas sim Náttfari, um escravo de Garðar Svavarsson que permaneceu na ilha quando o seu amo retornou ao continente.

Note-se que todas as informações anteriores têm como principal fonte o Landnámabók (Livro da colonização), livro que os historiadores islandeses repudiam como fonte, devido às suas muitas inconsistências. Contudo, achados arqueológicos encontrados em Reykjavík parecem confirmar a data de colonização mencionada no livro, indicando a presença de colonos por volta do ano 870. 

Murais da Mesopotâmia, mostrando casas de junco sumérias que datam de mais de 5.000 anos

 Murais da Mesopotâmia, mostrando casas de junco sumérias que datam de mais de 5.000 anos


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Essas casas de junco ainda estão sendo construídas até hoje, da mesma forma que os sumérios construíram suas casas há milhares de anos!

Os sumérios são o primeiro povo urbano da história. Eles viveram entre 4000 a.C. e 1600 a.C. em várias cidades muradas independentes. Cada uma era governada por um rei, pelos nobres e por uma classe de sacerdotes muito influente. O rei controlava o exército e indicava os juízes, que tinham o poder de solucionar litígios e punir crimes. As penas incluíam amputação de membros e morte na forca ou na fogueira.

Feitas de barro e pintadas de branco, as casas tinham apenas 9 m2. Só serviam como cozinha (tarefa das mães) e quarto (nas noites chuvosas ou frias; quando fazia calor, todo mundo ficava do lado de fora). A criançada brincava e lutava nos quintais. E os pais podiam alugá-las como escravas, por curtos períodos, para lhes ensinar uma lição. Outro costume bizarro: se o marido morresse, a viúva se casava com o cunhado!

Os sumérios eram grandes matemáticos, pioneiros em calcular raízes quadradas e frações. Usavam o sistema sexagesimal, baseado no número 60, para identificar horas e ângulos, e assim dividiram o ano em 12 meses, começando depois da colheita (o equivalente a outubro para nós). A vida cultural também incluía a produção de joias, esculturas e pinturas, além de muita música, tocada num tipo de alaúde.

As mulheres usavam vestido até os pés, véu e pano sobre a cabeça e o rosto. Dentro de casa, ou em ocasiões festivas, deixavam os cabelos à mostra – e caprichavam no perfume. Homens usavam saia que ia até os tornozelos e camisa, ou então túnica longa de peça única. Os ricos usavam muito linho. Os pobres, lã. Mas todos detestavam tons neutros e preferiam vestes bem coloridas.

Era muito difícil mudar de classe social e alcançar a nobreza. Mas os sumérios podiam ficar ricos e viver com conforto. O ambiente da cidade estimulou o surgimento de diversas ocupações bem pagas: escribas, engenheiros, artesãos, pedreiros, tecelões, joalheiros, músicos e poetas. Mas os comerciantes eram os que mais enriqueciam, revendendo bens buscados na Ásia, na África e no Mediterrâneo.

Com um pedaço de bambu pontiagudo e tijolos ainda quentes, os sumérios inventaram a linguagem escrita. Conhecida como cuneiforme, ela era usada para registrar as transações comerciais, as sequências de reis e as histórias da mitologia religiosa. Para dominar todos os caracteres, os garotos tinham de estudar por 12 anos, no templo ou em casa.

Os templos davam emprego a boa parte dos moradores e também serviam como hospitais. Os sacerdotes e as sacerdotisas estudavam os rins de animais sacrificados para fazer diagnósticos e receitavam de chás a rituais de exorcismo. Também era no templo que se cultuavam vários deuses. Eles recebiam comida especialmente preparada e sacrifícios em forma de prostituição de mulheres selecionadas.

Havia duas autoridades religiosas mais importantes. Uma delas cuidava das orações e oferendas aos deuses. A outra gerenciava a vida cotidiana da cidade, do correio às obras de engenharia, e cobrava taxas, pagas com a moeda local ou com barras de ouro ou prata. Todo movimento financeiro feito pelos comerciantes passava pelo controle dos religiosos.

Para lidar com as cheias dos rios Tigre e Eufrates, que alagavam sem previsão e destruíam as colheitas, os sumérios inventaram arados, diques e canais de irrigação. Isso permitiu levar à mesa uma dieta rica em maçãs e figos, além de carne de porco, cabra e ovelha e trigo e cevada, usados para fazer pão e cerveja. O gergelim servia para fazer um azeite usado na comida e na iluminação pública.

No entanto, estudos recentes têm comprovado que esse conhecimento técnico foi herdado de um povo que habitava a região antes da chegada dos sumérios à Mesopotâmia. Esse povo foi chamado pelos historiadores de ubaídas. A cultura ubaída foi a predominante na região até o crescimento da cidade suméria de Uruk.

O termo “sumério” teve origem no idioma dos acádios e significa “terra de reis civilizados”. Os sumérios referiam-se a si mesmos como “o povo da cabeça negra” e chamavam sua terra de “terra do povo da cabeça negra”.

Grande parte do conhecimento que se tem atualmente sobre a Mesopotâmia veio a partir da tradução de registros feitos em escrita cuneiforme. Exemplos desses registros em cuneiforme foram a Epopeia de Gilgamesh, que narra uma história de um grande dilúvio ocorrido na região, e o Código de Hamurábi, código penal desenvolvido pelos amoritas, durante o reinado de Hamurábi.

Os escritos em cuneiforme passaram a ser decifrados com o trabalho de historiadores, linguistas e arqueólogos a partir do século XIX. Essa forma de escrita foi muito utilizada na Mesopotâmia até por volta de 100 a.C., quando, então, passou a ser substituída pela escrita alfabética.

Charles Goodyear deixou a escola aos 12 anos para trabalhar na loja de ferragens de seu pai em Connecticut.

 Charles Goodyear deixou a escola aos 12 anos para trabalhar na loja de ferragens de seu pai em Connecticut.


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Charles Goodyear deixou a escola aos 12 anos para trabalhar na loja de ferragens de seu pai em Connecticut. Aos 23 anos ele se casou com Clarissa Beecher e logo depois o casal mudou-se para a Filadélfia, onde Goodyear abriu sua própria loja de ferragens.

Goodyear era um comerciante competente, mas suas paixões eram a química, a ciência dos materiais e a invenção. No final da década de 1820, ele ficou particularmente fascinado em encontrar e melhorar as aplicações práticas da borracha natural (chamada de borracha indiana). Sua experimentação mudaria o mundo, mas o caminho da Goodyear para o sucesso seria desafiador.

Em 1830, aos 29 anos, Goodyear sofria de problemas de saúde e seus experimentos com a borracha (que ele havia financiado com empréstimos) não tiveram sucesso. No final do ano, seu negócio faliu e ele foi jogado na prisão de devedores. Foi um começo nada auspicioso para sua carreira como cientista e inventor.

O principal problema em encontrar aplicações comerciais para a borracha natural era que o material era inelástico e não durável, decompondo-se e tornando-se pegajoso dependendo da temperatura. Goodyear estava determinado a encontrar uma solução química para superar esses problemas, iniciando seus experimentos na prisão. Após inúmeras falhas, sua descoberta veio quando ele tentou aquecer a borracha junto com enxofre e outros aditivos. Em 1843, ele escreveu a um amigo: “Inventei um novo processo de endurecimento da borracha indiana por meio de enxofre e é tão superior ao antigo método quanto o ferro maleável é superior ao ferro fundido. Chamei isso de vulcanização.”

Goodyear apresentou seu pedido de patente para borracha vulcanizada em 24 de fevereiro de 1844 (cento e setenta e nove anos atrás) e a patente foi emitida quatro meses depois. É graças à vulcanização que a borracha pode ser utilizada para fazer pneus, solados de calçados, mangueiras e inúmeros outros itens. Foi uma das conquistas tecnológicas mais profundamente importantes do século XIX.

Então, Charles Goodyear ficou rico como resultado? Infelizmente não. Ele continuou lutando financeiramente pelo resto de sua vida, envolvido em litígios com outros inventores sobre a validade de sua patente, impedindo-o de lucrar com ela. Enquanto isso, sua esposa Clarissa contraiu tuberculose e grande parte da renda da família foi dedicada a suas despesas médicas e extensas viagens em busca de uma cura. Clarissa morreu em 1848 aos 39 anos, deixando seis filhos, com idades entre 4 e 17 anos.

Aos 54 anos, enquanto ainda lutava para defender suas patentes e comercializar sua invenção, Goodyear se casou com Mary Starr, de 40 anos (que não havia sido casada anteriormente) e o casal teria dois filhos juntos. Também foi um casamento feliz, mas Goodyear não estava destinado a desfrutá-lo por muito tempo.

Sofrendo os efeitos adversos de anos de exposição a produtos químicos perigosos, Goodyear desmaiou em um hotel na cidade de Nova York em 1º de julho de 1860, morrendo mais tarde naquele dia. Na época de sua morte, ele tinha 59 anos, estava sem um tostão e profundamente endividado.

A Goodyear Tire and Rubber Company, fundada em Akron, Ohio por Frank Seiberling quase 40 anos depois, foi nomeada em homenagem a Charles Goodyear. Nem Charles Goodyear nem ninguém de sua família estava ligado à empresa.

Refletindo sobre as realizações de Goodyear, o historiador Samuel Eliot Morrison escreveu: “A história de Goodyear e sua descoberta da vulcanização é uma das mais interessantes e instrutivas da história da ciência e da indústria”. Mas, como ele acrescentou, “é também um épico de sofrimento e triunfo humano, pois a vida de Goodyear foi uma luta quase contínua contra a pobreza e os problemas de saúde”. O próprio Goodyear era filosófico sobre seu fracasso em obter sucesso financeiro, escrevendo que não estava disposto a reclamar que havia plantado e outros colhido os frutos. “As vantagens de uma carreira na vida não devem ser avaliadas exclusivamente pelo padrão de dólares e centavos, como muitas vezes se faz. O homem só se arrepende quando semeia e ninguém colhe”.

Os soviéticos acompanharam o pouso na Lua: leiam até o final.

 Os soviéticos acompanharam o pouso na Lua: leiam até o final.


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Quando foi anunciado que os americanos partiriam para a Lua a bordo da Apollo 11, em 16 de julho de 1969, a União Soviética decidiu reagir: lançar a Luna-15 três dias antes.

Foi uma missão robótica secreta, enviar cosmonautas para a Lua estava fora de questão, mas havia uma maneira de encobrir a amargura da perda na guerra espacial. O Luna-15 foi planejado para ser o primeiro veículo a coletar em solo lunar e trazê-lo de volta à Terra. O objetivo era secreto, e o lançamento foi deliberadamente previsto para três dias antes da missão dos EUA.

No exato momento em que os norte-americanos puseram os pés na Lua, a URSS estava rodando sobre suas cabeças.

No instante em que Armstrong dava seu pequeno passo/salto gigantesco e coletavam solo lunar, a Luna-15 orbitou acima deles nada menos do que 52 vezes. Duas horas antes da decolagem da Apollo 11 na superfície lunar, a liderança soviética decidiu que era agora e deu, enfim, a ordem para pousar. Apenas alguns minutos depois que a nave soviética começou sua descida, ela inesperadamente caiu em uma montanha e parou de transmitir dados de volta ao controle da missão. Fracasso!

Ingleses observavam os soviéticos

O drama dos soviéticos estava sendo observado na Terra por cientistas britânicos no Observatório Jodrell Bank. Eles estavam ouvindo o tráfego de voz de ambas as missões simultaneamente com a ajuda de um radiotelescópio.

De repente, eles perceberam que a Luna-15 não estava lá apenas para tirar fotos da superfície lunar, mas que a intenção era pousar. Os cientistas exclamaram: “Está pousando!” e continuaram na escuta. Suas últimas e um tanto esquisitas palavras na gravação são: “Digo, esse foi realmente um drama da mais alta ordem”

Quatro minutos depois, Luna-15 pousou – colidindo contra uma montanha. O aparelho caiu na superfície, onde seus restos ainda devem estar. O historiador espacial Asif Siddiqi, em seu livro “Desafio para Apollo”, escreveria mais tarde: “Houve uma pequena ironia em toda a missão. Mesmo que não houvesse um atraso crítico de dezoito horas na tentativa de aterrissagem, e mesmo que a Luna 15 tivesse pousado, coletado uma amostra de solo e retornado à Terra em segurança, sua pequena cápsula de retorno pousaria em território soviético duas horas e quatro minutos após a aterrissagem da Apollo 11. A corrida tinha, na verdade, acabado antes de começar.”

Moral da história: O pouso na Lua foi acompanhado pelos ingleses e soviéticos através dos controles da Luna-15, através de satélites, radiotelescópios e transmissões por sinais de rádio. Eles nunca aceitariam a hipótese dos americanos não terem descido na Lua, ainda mais com a Guerra Fria e milhões gastos nas missões.

Agora, aqueles que duvidam das Apollos 11 - 12 - 14 - 15 - 16 e 17 terem pousado na Lua, que encontrem provas vindas dos soviéticos, pois ele s acompanharam tudo passo a passo!

Vídeo com os ingleses acompanhando a Luna-15: youtube.com/watch?v=MJthrJ5xpxk&t=14s

Vídeo da ABD-News: https://www.youtube.com/watch?v=Lmn4OIyVC_A

Grupo de estudos, ciências e afins: https://www.facebook.com/groups/320662222359793/?ref=share

Francisca Edviges Neves Gonzaga, mais conhecida como Chiquinha Gonzaga, foi uma compositora, instrumentista e maestrina brasileira.

 Francisca Edviges Neves Gonzaga, mais conhecida como Chiquinha Gonzaga, foi uma compositora, instrumentista e maestrina brasileira.


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Francisca Edviges Neves Gonzaga, mais conhecida como Chiquinha Gonzaga, foi uma compositora, instrumentista e maestrina brasileira. Pioneira musicista, Chiquinha foi a primeira pianista chorona, autora da primeira marcha carnavalesca com letra e também a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil.

Nascida no Rio de Janeiro em 1847, quando país ainda era uma monarquia, seu pai era um militar ilustre do Império e a mãe a simples filha de uma mulher escravizada.

A sua família paterna demorou a aceitar a menina, mestiça, por preconceito com a origem da mãe. O pai, tardiamente, assumiu a educação da criança, que cresceu em um ambiente refinado, tendo acesso à aprendizagem da escrita, leitura, catolicismo, matemática, prendas tradicionais femininas, e... A música.

Chiquinha, como era chamada, cresceu rodeada por música e aprendeu muito cedo a tocar piano. Sua primeira composição foi Canção dos Pastores, quando tinha apenas 11 de idade. Suas apresentações, no entanto, eram limitadas às salas das casas da família.

Como de costume na sociedade patriarcal em que vivia, quando completou 16 anos Chiquinha teve seu casamento arranjado pelo pai, com um promissor empresário.

Jacinto Ribeiro do Amaral, seu marido, quase 10 anos mais velho, não gostava do fato de Chiquinha continuar dedicada ao piano. Depois de dois anos de casada e já com três filhos nos braços, Chiquinha decide separar-se, uma atitude inaceitável para a época.

Com 18 anos, cheia de vontade de viver de música, Chiquinha teve que enfrentar a fúria da sociedade carioca. Tendo abandonado o primeiro marido para viver de música e apaixonada por um novo homem, o engenheiro João Batista de Carvalho, foi levada ao Tribunal Eclesiástico em um processo por abandono de lar e adultério.

Ficou com a guarda apenas do filho mais velho, João Gualberto, já que o ex-marido a proibiu de ficar com os outros dois: Maria do Patrocínio e Hilário.

Com a reputação abalada e a ousadia de ultrapassar espaços femininos para compor e publicar suas músicas, de uma roda de choro na casa de um amigo surge a sua primeira composição famosa, chamada Atraente. Foi um sucesso imediato.

A família encarou como uma provocação, e fazia questão de destruir as partituras da música que eram vendidas nas ruas pelos escravos. Atualmente, Atraente é considerada um clássico da música instrumental nacional.

Foram anos lidando com a maldição familiar, condenações morais e sociais. Ainda assim, depois do primeiro sucesso, Chiquinha não parou mais.

Compôs mais de 2 mil músicas em gêneros variados como: valsas, polcas, choros e serenatas, tangos, e outros. Uma curiosidade é que a maestrina gostava de dar nomes indígenas às suas composições: Tupã, Tupi, Aguará, Caobimpará, Ary, Aracê, Timbira, Tamoio e Tupiniquins são algumas de suas composições.

Além de enfrentar as constantes desaprovações sociais pela sua vida pública e arcar com as consequência de ter renegado uma vida do lar, Chiquinha também sofreu no segundo casamento. Seu segundo esposo, João Batista, a traía constantemente e, mesmo tendo com ele uma filha, Alice, a artista decidiu se separar novamente.

Mais uma vez, foi proibida de ter a guarda da criança, e continuou vivendo apenas com o seu primogênito.

Em 1885, aos 38 anos, já divorciada do segundo marido, Chiquinha havia conquistado respeito como artista na sociedade carioca. Estreou no teatro, criando a trilha para a opereta A Corte na Roça. Na ocasião, a imprensa nacional não sabia como tratá-la, pois não existia o feminino para a palavra maestro. Deu-se então a invenção do termo "maestrina".

Você consegue imaginar uma orquestra onde a estrela é o violão? Pois bem: esse instrumento, nada comum em concertos clássicos, foi elevado ao status de erudito por Chiquinha Gonzaga, que em 1889 regeu no Imperial Teatro São Pedro um recital de violões.

Na época, o instrumento não era considerado nobre e muito menos adequado para a ocasião, mas Chiquinha mais uma vez causou polêmica e inovou sua forma de apresentar.

Uma revolução política acontecia no Brasil em meados de 1888, estava para ser assinada a abolição da escravatura e Chiquinha era militante a favor da libertação de pessoas escravizadas. Sendo ela própria de origens negras, sua atitude condizia com as suas origens.

Uma das curiosidades mais faladas de sua biografia é o fato de ter comprado a alforria de José Flauta, um escravo músico que queria como companheiro artístico.

Chiquinha viveu em uma época em que a música nacional não era considerada arte. Os burgueses apreciavam composições europeias e torciam o nariz para qualquer expressão cultural que expressasse alguma brasilidade.

A maestrina, no entanto, fazia questão de ressaltar o aspecto nacional de suas composições, inclusive nos títulos, como já falamos acima.

Era dia 26 de outubro de 1914 quando a primeira dama do Brasil à época, Dona Nair de Teffé, executou no violão um tango composto por Chiquinha Gonzaga. O episódio ficou conhecido como "alforria da música popular brasileira" pois nunca antes esse tipo de composição tinha entrado nas elegantes salas da Residência Presidencial.

O tango, intitulado Gaúcho, mas conhecido como Corta-jaca, ganhou uma letra e foi regravado por gerações e gerações.

Depois de dois casamentos frustrados, Chiquinha apaixonou-se novamente aos 52 anos de idade. O alvo de seu amor, no entanto, era um jovem português de apenas 16 anos.

Para evitar mais um escândalo em sua vida, Chiquinha adotou informalmente João Batista Fernandes Lage como seu filho, e poucas pessoas sabiam que na verdade ele era seu amante. Viveram juntos por 36 anos, até a morte da maestrina.

Já considerada uma autora de sucesso, muito popular no Brasil e reproduzida em todos os cantos do país, o trabalho de Chiquinha era constantemente explorado e abusado, especialmente no teatro.

Então, a maestrina se envolveu em mais uma polêmica: criou a primeira sociedade protetora e arrecadadora de direitos autorais do país, a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (Sbat). Até hoje é lembrada como a primeira pessoa no país a pensar nos direitos do compositor.

Em 1912 Chiquinha Gonzaga estreava o que viria a ser o seu maior sucesso teatral, uma burleta chamada Forrobodó. A curiosidade é que, quando a Rede Globo estreou na TV, em abril de 1965, ele foi o primeiro musical apresentado no programa chamado "Mussicalíssima".

Em 1999, a mesma Rede Globo exibiu uma minissérie com base na vida da artista. Foram 38 episódios com Regina Duarte e Gabriela Duarte no papel da maestrina.

Ó abre alas: Chiquinha Gonzaga morre um dia antes do carnaval. Os versos conhecidos por praticamente todos os brasileiros foi composto por Chiquinha na virada do século, em 1899. Na época, ela não sabia que havia composto a primeira canção carnavalesca brasileira, mas hoje a música é consagrada como um hino do carnaval.

Chiquinha faleceu aos 87 anos de idade, no dia 28 de fevereiro, bem no início do Carnaval de 1935.

Mulheres na Ciência : As Computadoras de Harvard

 Mulheres na Ciência : As Computadoras de Harvard


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Talvez você nunca tenha ouvido falar delas, mas são responsáveis por grandes avanços na astronomia e na astrofísica, desvendando os segredos das estrelas.

Em 1875 o diretor do Harvard Observatory, Edward Pickering, estava insatisfeito com o trabalho de seus computadores e declarou que até mesmo sua empregada faria um trabalho melhor. Acontece que sua empregada não era qualquer pessoa, era Williamina Fleming, uma professora escocesa que não conseguia emprego, pois era mãe solteira e acabou indo trabalhar como empregada na casa de Pickering. Depois foi trabalhar em Harvard.

Em 1800 as mulheres não podiam frequentar universidades e nem trabalhar nos Institutos. O papel geral das mulheres era ficar em casa e cuidar das famílias.

Os astrônomos homens observavam as estrelas à noite através dos telescópios. Mas Edward Pickering teve a ideia de fotografar o céu á noite e analisar as fotos durante o dia, cansava menos os olhos e obtinha muito mais informações. Mas para isso precisou de mais funcionários e resolveu contratar mulheres, pois assim poderia pagar salário menor do que se fossem homens.

Pickering então contratou cerca de 80 mulheres de 1875 a 1900. Com certeza ele não imaginava que muitas delas fariam descobertas extraordinárias, como exemplos:

Williamina Fleming desenvolveu um sistema de classificação baseado na quantidade relativa de hidrogênio observada nos espectros de estrelas. Ela descobriu a primeira anã branca, descobriu a Nebulosa Cabeça de Cavalo e catalogou cerca de 10.000 estrelas.

Annie Jump Cannon melhorou o sistema de classificação de Fleming, criou o sistema que é usado até hoje e baseia-se na temperatura e divide as estrelas em suas classes espectrais O, B, A, F, G, K e M. Ela classificou mais de 300.000 estrelas.

Antonia Maury trabalhou muito com espectroscopia e refinou a classificação de Cannon introduzindo mais três subdivisões que reconheciam a largura e a nitidez das linhas dos espectros estelares. Isso foi vital na formulação do diagrama HR (Hertzprubg-Russel) que determina a idade e prevê a vida e morte das estrelas.

Cecilia Payne, cientista responsável pela descoberta da composição química do Sol (hidrogênio e Hélio) enquanto todos acreditavam que ele tinha a mesma composição da Terra.

Herietta Leavitt descobriu a Relação Período x Luminosidade, que deu lugar ao cálculo de distâncias no universo. Ela foi até indicada ao Prêmio Nobel por isso. Para se ter uma ideia da importância dessa relação período x luminosidade, o astrônomo Harlow Shapley mediu o tamanho da Via Láctea em 100 mil anos luz.

Outro astrônomo, Edwin Hubble, também baseou-se na descoberta de Henrietta para provar que Andrômeda não era uma Nebulosa e sim uma outra Galáxia, distante 2 milhões de anos luz e que o Universo vai muito além da nossa galáxia. Hubble ainda descobriu que as galáxias estavam se afastando umas das outras, fato que gerou a ideia da Teoria do Big Bang. Eu particularmente penso que Henrietta Leavitt merecia um Prêmio Nobel.

https://astropontos.org/.../07/as-computadoras-de-harvard/

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