Mostrando postagens com marcador O Castelo de Cheverny: A Elegância Clássica do Loire e a Inspiração de Tintim. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador O Castelo de Cheverny: A Elegância Clássica do Loire e a Inspiração de Tintim. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 25 de agosto de 2026

O Castelo de Cheverny: A Elegância Clássica do Loire e a Inspiração de Tintim

 

Castelo de Cheverny
Apresentação
Tipochâteau
Fundação
Estiloarquitetura barroca
ArquitetoJacques Bougier (en)
ProprietáriosJean-Nicolas Dufort de Cheverny (d), Jean-Pierre Germain (d)
Estatuto patrimonial Classe MH (, )
 Inscrição MH (, )Visualizar e editar dados no Wikidata
Websitewww.chateau-cheverny.com
Localização
LocalizaçãoCheverny, Loir-et-Cher
 França
Coordenadas
A fachada do Château de Cheverny.

O Castelo de Cheverny (Château de Cheverny em francês) é um palácio francês do vale do Loire, localizado em Sologne, na comuna de Cheverny.

Abriga actualmente uma matilha e organiza regularmente caçadas de veneria (caça a cavalo com auxílio de cães). Este château inspirou Hergé na criação do Château de Moulinsart, de As Aventuras de Tintim, sendo o palácio ficcional uma réplica do real, mutilada dos seus dois pavilhões exteriores.

História

Fachada do Château de Cheverny.

As terras do château foram compradas por Henri Hurault, Conde de Cheverny, Tenente General dos Exércitos do Rei de França e Tesoureiro Militar do Rei Luís XI, do qual o proprietário actual, o Marquês de Vibraye, é descendente.

Depois de ter sido recuperado pela Coroa devido a fraude para com o estado, foi doado pelo Rei Henrique II à sua amante Diane de Poitiers. Todavia, esta preferia o Château de Chenonceau e vendeu a propriedade ao filho do primeiro proprietário, Philippe Hurault, que construiu o palácio entre 1624 e 1630.

Confiaram a realização do novo palácio ao arquitecto Jacques Bougier (dito Boyer de Blois), que havia assistido Salomon de La Brosse na construção do Château de Blois. A decoração foi acabada pela filha de Henri Hurault e de Marguerite, a Marquesa de Montglas, cerca de 1650, com a ajuda do escultor e marceneiro Hevras Hammerber e do pintor Jean Mosnier (1600-1656), originários de Blois.

Durante os cento e cinquenta anos seguintes, o palácio mudou muitas vezes de proprietário, tendo sido empreendidos grandes trabalhos de renovação em 1765. Em 1824, voltaria a ser comprado pela família Hurault.

Vista lateral do Château de Cheverny.

Em 1914, o proprietário abriu o palácio ao público. A família continua a habitar no Château de Cheverny, tendo-o tornado num incontornável château do Loire, famoso quer pelos seus magníficos interiores, quer pela sua colecção de objectos de arte e de tapeçarias.

Descrição

O Château de Cheverny é um dos mais célebres châteaux do Loire, ficando muito próximo do Château de Blois e do Château de Chambord. Enquanto que Blois é uma construção que carrega os estratos de estilos arquitectónicos que se estendem por quatro séculos, Cheverny foi construído num estilo clássico homogéneo.

Blois e Chambord foram residências Reais, ao contrário de Cheverny que permaneceu uma propriedade privada. Além do mais, Cheverny conservou o seu mobiliário e a sua decoração do século XVII.

A residência comporta várias salas em dois andares.

Os apartamentos

Sala de Jantar do Château de Cheverny.

O Grande Salão do rés-do-chão foi decorado segundo a vontade da Marquesa de Montglas. Podem admirar-se várias telas, entre as quais uma, da oficina de Rafael, representa Joana de Aragão. Vê-se igualmente o retrato, por Pierre Mignard, de Marie Johanne de Saumery, Condessa de Cheverny.

Uma galeria conduz ao Pequeno Salão e à biblioteca. Encontram-se pendurados retratos pintados por Jean Clouet e por Rigaud.

No Pequeno Salão são visíveis cinco tapeçarias da Flandres, assim como um retrato atribuído a Quentin de La Tour.

Uma escadaria de pedra em estilo clássico, de elevação direita (contrariamente às de Chambord ou de Blois que são em espiral), ornada por esculturas campestres e misturando motivos guerreiros com símbolos de arte, conduz aos apartamentos.

No primeiro andar, uma sala de armas expõe uma colecção de armas e de armaduras. Esta sala conduz ao Quarto do Rei (Chambre du Roi), o mais ricamente decorado, com cinco tapeçarias feitas a partir de cartões de Simon Vouet (1590-1649), representando os trabalhos de Ulisses; estas provêm da manufactura de Paris, a qual é anterior à de Gobelins. O tecto é apainelado com pinturas de temas mitológicos.

O parque

Os cães de caça de Cheverny na hora da refeição.
Cães de caça de Cheverny no canil.

No parque de cerca de 100 hectares que envolve o palácio, foi reconstruído um jardim à francesa. A alameda principal, face ao palácio, tem um comprimento de quase seis quilómetros. Encontra-se igualmente um curso de água, um jardim inglês e uma horta.

O conjunto comporta uma grande sala onde estão expostos 2.000 chifres de veados.

O canil, muito próximo, é ocupado por uma matilha de cinquenta cães, destinados à caça de vaneria, e cuja refeição constitui, por si só, um espectáculo.

O Château de Moulinsart

O Château de Cheverny é célebre por ter servido de modelo a Hergé. Efectivamente, se apagarmos as alas laterais, seremos transportados das margens do Loire até Moulinsart, o château do Capitão Haddock. Mas Hergé não se inspirou somente na arquitectura exterior do palácio, ele foi igualmente influenciado pela decoração e pelo mobiliário de Cheverny, reproduzindo-os nas salas do Château de Moulinsart.

O Château de Moulinsart fez a sua primeira aparição em O Segredo do Licorne (Le Secret de la Licorne - 1943), no qual foi comprado pelo professor Tournesol enriquecido pela venda da patente do seu famoso submarino tubarão, construído para o Capitão Haddock e utilizado em O Tesouro de Rackham o Terrível (Le Trésor de Rackham le Rouge - 1944). Depois, o Château de Moulinsart tornou-se na porta de fecho de Tintim e dos seus companheiros de caminho.

O Castelo de Cheverny: A Elegância Clássica do Loire e a Inspiração de Tintim

O Castelo de Cheverny (em francês: Château de Cheverny) é um magnífico palácio francês situado na histórica região de Sologne, na comuna de Cheverny, inserido no célebre roteiro dos castelos do Vale do Loire. Famoso por sua impecável harmonia arquitetônica em estilo clássico, o domínio distingue-se por manter-se na mesma família há séculos, habitado até os dias de hoje e mundialmente celebrado por sua matilha de cães de caça e por sua ligação icônica com a cultura pop: serviu de inspiração direta para a criação do lendário Castelo de Moulinsart na obra As Aventuras de Tintim, de Hergé.

Origens e a Saga da Família Hurault (Séculos XV a XVII)

A história de Cheverny está umbilicalmente ligada à linhagem da família Hurault, cujas raízes na propriedade remontam ao século XV.

  • A Aquisição Original: As terras foram inicialmente adquiridas por Henri Hurault, Conde de Cheverny, que exerceu os cargos de Tenente-Geral dos Exércitos do Rei de França e Tesoureiro Militar de Luís XI. Curiosamente, o atual proprietário do castelo, o Marquês de Vibraye, é descendente direto dessa mesma estirpe nobiliárquica.

  • O Episódio de Diane de Poitiers: Em determinado momento, a propriedade foi confiscada pela Coroa francesa devido a acusações de fraudes fiscais cometidas contra o Estado. O rei Henrique II doou então o domínio à sua célebre favorita, Diane de Poitiers. No entanto, como Diane preferia o majestoso Château de Chenonceau, ela acabou por vender Cheverny a Philippe Hurault (filho do primeiro proprietário).

  • A Construção do Palácio Atual: Entre 1624 e 1630, Philippe Hurault ergueu a estrutura do palácio que perdura até os dias de hoje. Para o projeto, foi contratado o arquiteto Jacques Bougier (conhecido como Boyer de Blois), que havia colaborado anteriormente com Salomon de Brosse na construção de alas do Château de Blois.

  • A Conclusão Artística: As obras de decoração interna estenderam-se até cerca de 1650, supervisionadas pela Marquesa de Montglas (filha de Henri Hurault e Marguerite). O projeto contou com o talento do escultor e marceneiro Hevras Hammerber e do pintor Jean Mosnier (1600–1656), natural de Blois, responsável por afrescos e pinturas de teto de extraordinário valor artístico.

Do Século XVIII à Abertura ao Público (Século XX)

Nos cento e cinquenta anos seguintes, o palácio mudou de mãos em diversas ocasiões, passando por importantes campanhas de remodelação e modernização em 1765. Em 1824, a propriedade retornou definitivamente ao seio da família Hurault.

  • Pioneirismo no Turismo (1914): Antecipando-se a muitos outros monumentos da região, o proprietário de Cheverny tomou a decisão pioneira de abrir o palácio ao público em 1914.

  • Residência Privada e Viva: A família continua a residir privadamente em uma ala do palácio, o que confere a Cheverny uma atmosfera acolhedora e autêntica. Graças a essa continuidade familiar, o castelo preservou intactos o seu mobiliário original de época, coleções de arte seletas e tapeçarias flamengas de valor inestimável.

Arquitetura: Homogeneidade Clássica e Singularidade no Loire

Enquanto fortificações vizinhas como o Château de Blois e o Château de Chambord refletem uma miscelânea de estilos acumulados ao longo de séculos — ou foram concebidas estritamente como residências reais de aparato —, Cheverny destaca-se por características únicas:

  1. Unidade Estilística: Projetado e construído em um período relativamente curto no século XVII, Cheverny exibe um estilo clássico perfeitamente homogêneo e simétrico, construído em pedra de Bourré (um calcário que clareia e se fortifica com o tempo).

  2. Propriedade Privada Contínua: Diferente de Chambord ou Chenonceau, que passaram por diversas administrações estatais ou coroas, Cheverny manteve-se sob a tutela privada de seus herdeiros, garantindo a conservação integral de seus interiores originais.

O Castelo de Cheverny na Cultura Pop: O Moulinsart de Tintim

Para milhões de leitores em todo o mundo, Cheverny possui um fascínio especial: ele é a base visual e arquitetônica exata do Château de Moulinsart (Marlinspike Hall, em inglês), a residência ancestral do Capitão Haddock na famosa série de banda desenhada As Aventuras de Tintim, criada pelo autor belga Hergé.

Hergé utilizou o corpo central de Cheverny como modelo definitivo para desenhar Moulinsart, tendo apenas "mutilado" o palácio em sua ficção ao remover os dois pavilhões laterais simétricos para conferir ao edifício um aspecto mais isolado e compacto. No interior do castelo, exposições permanentes dedicadas ao universo de Tintim celebram esta célebre simbiose entre a realidade histórica e a banda desenhada franco-belga.

Tradições Seculares: A Matilha e as Caçadas de Veneria

Cheverny é um dos raríssimos domínios franceses que mantém ativas as tradicionais caçadas de veneria (vénerie — caça a cavalo com o auxílio de matilhas de cães).

O castelo abriga atualmente dezenas de cães da raça tricolor (cruzamento de cães ingleses e franceses). Os visitantes podem assistir ao espetáculo singular da hora da refeição dos cães (la soupe aux chenils) e explorar os vastos jardins, o canil histórico e o parque florestal que circundam a propriedade, consolidando Cheverny como uma parada obrigatória e incomparável no Vale do Loire.